Essa foi a pergunta que consegui formular após a conversa que tive com a médica antroposófica Ana Paula Cury, fundadora da Escola de Pais da EWRS, que diz que uma das razões pelas quais estamos aqui é para "aprender a conviver com as perguntas". Afinal, são elas que vão direcionar nossas escolhas que definirão nossos caminhos. Hummmm, deu até vontade de trazer maiêutica pra esse desabafo...
Antes que eu filosofe demais ou traga minha vaidade em primeiro lugar, é bom respondermos a pergunta: você dá conta de ser mãe sozinha no século XXI? NÃOOOO? Ufa, que bom, eu também não!
Não chega a ser traumático, mas é extremamente frustrante engolir essa nossa incompetência. Eu não dou conta sozinha! Preciso do meu marido, mas não só dele. Também preciso de você!
A conversa que tive com Ana Paula esclareceu essa minha prática reflexiva de ser mãe aprendendo em rede. É um baita desafio transmitir o que Ana me trouxe, pois ela tem coesão, linha de raciocínio, traz contexto e segue uma estrutura bem clara e objetiva para nos dizer que precisamos de uns aos outros. Não para delegarmos nossas responsabilidades, mas acima de tudo para sermos responsáveis pelas nossas perguntas. Ou seja, para respondermos por elas! SIM, quem as responde torna-se responsável. Exemplo?
Quando você deseja matar de raiva seu filho que não dormiu depois de duas horas de ninar, você responde a pergunta que faço neste desabafo: você não dá conta sozinha de ter a paciência, a calma e o aconchego necessários para seu filho dormir, mas se seu marido colocá-lo no colo agora, ele vai cair em minutos ou segundos depois...Quer um exemplo do porquê eu preciso de você?
Quando eu disponho de tempo para eu ficar em casa com minhas filhas, muitas vezes, não tenho espaço ou criatividade para entretê-la como eu teria se estivesse levado seu filho junto comigo para uma praça ou mesmo para sua casa que ainda tem quintal para brincar. Mas, pra isso, no mínimo, precisamos fazer as mesmas perguntas para juntas tentarmos encontrar nossas respostas, entende?
Foi assim que surgiu a Waldorf na minha vida. Comecei a ter muitas perguntas sobre o consumo depois da troca intensiva de emails com mães da lista Futuro do Presente - uma das sementes do movimento Infância Livre de Consumismo. Agora, no entanto, minha prática traz questões que exigem olho no olho e não só links e comentários. Eu ainda cresço muito mais com você que partilha sua vida no comentário aí embaixo, mas, confessa, não seria muito melhor se a gente estivesse cara a cara?
Eita, antes que esses exemplos tomem conta da pergunta que lhe trago neste desabafo, preciso lhe contar que Ana explica a razão pela qual agora não damos conta de ser mãe ou pai sozinhos. Sim, ela encontrou algumas respostas que, pra mim, faz muito sentido. Primeiro, ela nos coloca neste mundo moderno, cita tudo aquilo que a gente tá cansado de observar no nosso dia-a-dia (a correria do trabalho, a falta de tempo, a intensa tecnologia, consumo, consumo, consumo, ganância, consumo, consumo, consumo, vaidade, consumo, consumo, consumo...) e nos lembra que nosso valor está muito baseado no conhecimento!
Mas ela vai além, Ana fala também do que passou: da sabedoria instintiva que perdemos no decorrer dos séculos, dos modelos prontos e dos padrões familiares que não fazem mais sentido nas nossas vidas. Agora, junta tudo isso, e saiba que Ana fala que vivemos num tempo de reconhecermos por nós mesmos. Fica mais forte se ler, ouvir e vivenciar no singular: reconhecer por si mesmo!!!
Ou seja, o conhecimento precisa passar por cada um de nós. Somos nós os responsáveis, somos nós quem devemos nos responder nossas perguntas. Eis aí o grande pulo do gato do porque eu e você projetamos tanto um no outro. Vale resgatar Jung porque, SIM, estamos falando do processo de Individuação. E mais: estamos partindo de uma perspectiva em que existe uma essência universal. Ou seja, existe a verdade, mas ela é inteira, representa totalidade, envolve eu, você e eles. Isso mesmo, você entendeu direitinho: é a verdade do que é ser humano.
Eu devo escrever muitos desabafos daquilo que Ana me ensinou em uma hora de conversa. Ela ainda partilhou comigo bastante material, que ainda não tive tempo de lê-lo, mas com certeza me trará muitas perguntas, as quais pretendo partilhar contigo. Mas, pra isso, preciso saber se isso faz sentido pra você. E aí, faz sentido?
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