Luciana Herrero foi uma das palestrantes do curso da Anep Brasil, que forma educadoras pré-natais. Ela formou-se como pediatra, mas hoje atua como consultora pós-parto na cidade de Ribeirão Preto. Uma das razões pelas quais Luciana foi conversar conosco é pelo seu conhecimento adquirido na UC Davis, que pesquisa sobre o comportamento dos bebês. Ela antecipa algumas dicas no site da Aninhare, em breve deve lançar um livro, mas já partilho contigo certos "segredos" que podem transformar sua vida de puérpera. Tratam-se dos sinais que os bebês nos dão desde o dia do nascimento, que se forem ouvidos podem virar o americanizado "bebenês".
Primeira dica de Luciana é libertarmos dos nossos paradigmas. Ou melhor, dos nossos mitos-de-cada-dia. O principal deles: bebês não criam vícios nem manhas. Forget, please, da vó ou a vizinha bem-intencionada que martela na sua cabeça que o bebê vai ficar mal acostumado. Neurocientistas já provaram que essa ladainha é falsa. Hello, virou ciência, logo, tornou-se verdade válida. Mas, porquê insisto tanto na frase dita por Luciana? Simples: dá-lhe aconchego, sling e colo!
Bebê precisa de vínculo, cheiro, corpo. E, detalhe, Luciana reforça que o primeiro trimestre é uma continuação da gestação. Portanto, tudo que lembrar útero precisa ser dado ao seu bebê. Repito: colo, corpo, cheiro, peito, aconchego, silêncio, pouco som, mãe, mãe, mãe e mãe. Entende, agora, o porquê não usar carrinho no primeiro trimestre do seu filho? Ele precisa do seu cheiro, do seu corpo, do seu ninho, de você. Nada de carregar cachorro no colo e seu filho no carro, please!
Mas, o que isso tem a ver com os sinais?
Bebê no colo da mãe, sentindo cheiro da mãe, acalentado pela mãe tem boa parte da sua necessidade suprida. Logo, menor probabilidade de dar o sinal mais comum dos bebês: chorar. Bebê chora e ponto final. Mas, hello, bebê não chora só por dor, fome, fralda molhada, frio ou calor. Bebê chora por falta de atenção, carinho, desespero, abandono e até pelo choro. É importante ressaltar que o choro é a última instância dos sinais do bebê. Ou seja, quando o bebê chora, ele já passou por todos os outros sinais e você não percebeu...Óbvio, ninguém nos ensinou isso antes!
O segredo dos sinais estão na expressão facial: olhos, boca e respiração. Quando um bebê te olha, respiração leve e ainda leva o corpo a você, ele está dizendo sim. Mas quando ele desvia o olhar, apresenta uma respiração irregular, fecha os olhinhos, o sinal é de NÃO. Luciana ensina que os sinais de SIM são uma grande oportunidade para interagir com nossos bebês. É a hora ideal para o estímulo - leia-se carinho, massagem, conexão, atenção! Mas, precisamos ficar atentos aos olhares desviados, principalmente, quem dá mamadeira, pois o bebê que não mama no peito não tem condições de controlar o CHEGA! Desviou o olhar pode ser barriga cheia: fique atento!
É lógico que aprender os sinais não é tão simplista como escrevi no paragrafo acima, mas é um caminho para você buscar mais informação sobre esses segredos e, principalmente, para você entender que seu bebê tem condições de falar contigo. Ou melhor, seu bebê precisa dessa conexão para viver melhor. Luciana diz que os olhos do bebê são as janelas da alma. Olhe fundo para eles e fique atento aos detalhes. Vale ressaltar que cada bebê tem seu temperamento e perfil. Tem aqueles que fazem todos os sinais do mundo antes de chorar como tem aqueles que num piscar de olhos abre o berreiro. Você vai saber qual é o tipo do seu bebê e poderá encontrar o caminho para facilitar a vida dele, e a sua.
Luciana ensina que não basta só a atenção nos sinais. Uma boa conversa com bebê exige feedback e paciência. Bebê chorou, respira, conte até três ou reze uma ave-maria, faça o checklist das demandas e dê o feedback ao seu bebê conforme aquilo que está faltando. Lembre-se de colocar na lista as emoções, o ambiente, pessoas, seus pensamentos e, atenção, sua história. Eleanor Luzes ensina que nossos filhos materializa no corpo os nossos conflitos psíquicos, mas isso é para outro post: diga Sim ao seu bebê!
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