Eu fiz essa pergunta a mim mesma 11 dias depois que a Clarissa nasceu e me posicionei no meio do caminho de quem sempre sonhou com um Parto Normal. Preferi, então, assumir que não tive um PN. Foi assim que o meu relato de fórceps tornou-se uma busca. Sinto que ela é longa e profunda. Ás vezes, cíclica. Mas eu sei que essa busca tem uma finalidade clara: o perdão.
Por isso, partilho essa busca com você porque acredito que um fórceps traz elementos comuns para quem já o vivenciou e, talvez, juntos podemos abrir as inúmeras portas de quem parou no meio do caminho. Identifiquei duas delas que me ajudaram a acolher melhor esse fórceps e desmistificá-lo um pouco.
Primeira Porta:A primeira vez que pensei no meu relato de parto VBAC deparei com a seguinte frase: eu nunca vou parir de verdade. Eu precisei afirmar isso diversas vezes. Eu cheguei a pensar que o único caminho para negar essa frase seria a quarta tentativa. E como me julguei por ter ousado a pensar que, talvez, realizaria meu sonho com um terceiro filho. Pensar isso era o mesmo que afirmar que o parto da Clarissa e da Maria Luiza não foram válidos. Me senti egoísta, muito EGOÍSTA. Me senti mesquinha, muito mesquinha. Me senti boba, muito boba. Precisei afirmar muito, pra mim mesma, que eu não queria um terceiro filho.
Eu precisava aceitar os meus partos. Eu queria aceitá-los...
Segunda Porta:Outro fantasma que me perseguiu muito foi o medo de transferir esse sonho não realizado para minhas duas filhas. Eu não quero ser a avó frustrada que invadem o parto das filhas. Cheguei a pensar como eu reagiria se minhas filhas optassem por uma cesárea eletiva? Estava preparada para aceitar uma decisão dessas? Eu tentei me apaziguar com a certeza de que essa opção não faria parte da história delas. Mas não adiantou.
Eu precisava aceitar os meus partos. Eu queria aceitá-los...
Foi, então, que eu percebi que eu tinha aberto uma porta do passado e outra do futuro. Nenhuma delas era o presente. O Meu Presente! O Meu Fórceps, passo-a-passo não tem a dor de um desejo não-realizado nem de uma projeção do futuro. Ele foi uma emoção singular. Teve sim momentos ruins e negativos, mas nenhum deles referia-se ao fato de eu nunca realizar o sonho de parir de verdade nem ao sentimento de que aquele fórceps seria decisivo para os partos da minha filha. Enfim, eu não tenho dúvida das heranças ancestrais da nossa feminilidade, mas cada uma tem sua história! E qual tem sido a sua história de parto?
Segunda Porta:Outro fantasma que me perseguiu muito foi o medo de transferir esse sonho não realizado para minhas duas filhas. Eu não quero ser a avó frustrada que invadem o parto das filhas. Cheguei a pensar como eu reagiria se minhas filhas optassem por uma cesárea eletiva? Estava preparada para aceitar uma decisão dessas? Eu tentei me apaziguar com a certeza de que essa opção não faria parte da história delas. Mas não adiantou.
Eu precisava aceitar os meus partos. Eu queria aceitá-los...
Foi, então, que eu percebi que eu tinha aberto uma porta do passado e outra do futuro. Nenhuma delas era o presente. O Meu Presente! O Meu Fórceps, passo-a-passo não tem a dor de um desejo não-realizado nem de uma projeção do futuro. Ele foi uma emoção singular. Teve sim momentos ruins e negativos, mas nenhum deles referia-se ao fato de eu nunca realizar o sonho de parir de verdade nem ao sentimento de que aquele fórceps seria decisivo para os partos da minha filha. Enfim, eu não tenho dúvida das heranças ancestrais da nossa feminilidade, mas cada uma tem sua história! E qual tem sido a sua história de parto?











4 comentários:
Ceila, eu queria ter cinco filhos antes do Pedro nascer, pelo menos quatro da minha barriga. Moramos na praia, somos servidores federais, meu marido passa boa parte do dia em casa e eu trabalho a 8 min daqui. Mas depois percebi que o corpo é muito exigido numa gravidez, ainda depois senti na pele um parto "normal" frank e não meu. Pensei em ter mais um filho só e depois vi que o que quis mesmo era a chance de ter mais um parto. Parei para pensar sobre o assunto e fazer uma consulta interior. Aí meu coração andava pequenininho, perguntando onde estavam meus outros filhos, aquela vontade de ter família grande... E vi que ela continua aqui comigo. E mais que um parto, passei a desejar meus filhos de volta. Com mais calma, menos idealização, plena consciência de que ao menos será humanizado se não puder ser natural. A via de parto é muito importante sim, mas não pode se sobrepor ao nosso plano familiar de ser feliz. Se te der vontade de ter mais um filho, se joga! :)
Oi Juliana, que legal seu comentário: obrigada! Hoje nas trocas que este post gerou nas comunidades do Facebook percebi que essa questão é muito comum depois de um parto cheio de perguntas...Lendo o relato da Gisele Leal, que teve seu parto normal depois de duas cesareas, deparei com a frase: Eu só sei que a única certeza que eu tinha naquele momento, era de que não teria outro filho jamais. E ela teve!!! Enfim, pode ser que essa porta que considero do passado represente também o desejo infantil da casa cheia de filhos...que preciso pensar se cabe mesmo na nossa vontade pra se jogar, ou guardar a bola.
Ceila, sinceramente, nem sei o que comentar... vivo esse "dilema", que não é bem dilema, de ter ou não o meu segundo filho. Em meu caso, lido com o fato de ter tido uma cesareana, que, mesmo após 36 horas sem conseguir entrar em trabalho de parto e Peu estar encaixado e doido para sair, ela foi a minha alternativa de sobrevivência para mim e para ele. Eu queria ter tido normal, mas, meu corpo não cedeu. Hoje, já aceitei que pari, sim. Depois, ano passado, engravidei e perdi o baby, antes de completar 3 meses de gestação. Levei 15 dias com o embrião morto em meu ventre, esperando o aborto espontâneo e aquilo me pesava, muito: decidir fazer ou não a curetagem. Havia o mito que me havia criado sobre o parto cesáreo... aí, para perder o bebê, teria que optar por outro método não natural? Mas,já tinha 15 dias e nenhum sangramento... nada. Doía mais carregar uma perda em mim e optei a curetagem. Não foi uma escolha tão consciente, havia dúvida em mim, mas, pude sentir as dores do parto normal, pois, no hospital, me deixaram passar da hora de subir para o centro obstétrico e, para piorar, não haveria leito... me sugeriram autorizar a transferência, depois de 3 horas sentindo dor e sem "parir" meu embrião morto, fui transferida e minha curetagem levou 40 minutos. Me fora explicado que meu útero é uma fortaleza para o bebê e que é quase impossível eu ter parto normal. Meu útero, simplesmente, fecha e "veda" a saída. Não me deixei levar por esse "impossível". Tenho experiência de sobra para acreditar em possibilidades e, se no meio do caminho, de novo, tiver que recorrer a cesareana, recorrerei. Nunca como escolha principal e sim, como alternativa. Essa de dizer impossível me remete a minha mãe, que tem 3 filhos, todos adultos e com mais de 30 anos. Hoje, tenho 36 anos e, há uns 2 anos, a médica dela disse:"Você sabia que seu útero é invertido e pequeno? Não sei como você teve três gravidez normais." isso me remete a uma certa limitação da medicina. A natureza é quem dita o rumo. Infelizmente, em alguns casos, o rumo que ela dita é a opção de um método não natural. Precisei e preciso em repetir isso, muito. O parto não é só colocar um bebê para fora, é um momento único, é uma transição. É a maneira como apresentamos o mundo ao nosso rebento. Meu sonho era ter tido naturalmente, mas, naturalmente, ele está aí, saudável e forte, graças a Deus. E olha, para piorar, eu que parecia uma vaca leiteira, tive DPP e, com isso, ele só mamou por 11 dias... Ou seja, tudo em meu caminho foi lição para mim e quebra de paradigmas para algumas pessoas ao meu redor - depois falo mais sobre isso. Meu segundo filho ainda é clamado pelo meu ventre. Mas, meu lado racional quer ter certeza de que devo tê-lo. Não temo perder de novo, porque penso em todas as possibilidades. Não temo a DPP, porque sei que é superável. Temo a incerteza que hoje me ronda. Temo estar jurando que aceito qualquer tipo de parto e me deparar, de novo, com algo não natural... E de tanto temer, protelo, como se isso fosse solução. A gente nunca sabe que porta abrir... e se não abrir, não saberemos se era ou não para ser aberta... Em você, pelo que vejo, o clamor é maior. Eu ando perguntando ao meu coração se é para abrir ou deixar fechada. Espero que seja para abrir, porque estou doida para ter meu segundo. Mas... esse "mas" é que pega. Você tem uma cabeça ótima para a maternidade, vai saber decidir! Beijos, beijos e beijos!
Patrícia, querida, obrigada por partilhar tanta história e experiência. E obrigada por deixar claro que você vê em mim um MEDO ainda maior que o seu...Hummmmmmm, assusta ouvir isso. Achei que tinha me livrado do medo...kkkkkkkkkk! Mas, hoje, reconheço que ele esteve presente na minha trajetória com a Clarissa e, muitas vezes, ocupou o lugar principal, de protagonista mesmo...Mas, por outro lado, aprendi que o medo só surge porque a gente tenta racionalizar as coisas. Seu discurso mostra um pouco isso: você tem certeza que quer um segundo filho, mas precisa da razão...pra quê? Razão não ajuda parir!
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