Tive a sorte de ter nascido filha de "mãe mamífera", que amamentou seus três filhos por livre demanda. Talvez, por isso, sempre encarei a amamentação como algo natural, da mulher... O que me atrapalhou, na realidade, foi o exemplo da "vida urbana fácil e prática". Minha sogra, mulher urbana e europeia, tem uma opinião completamente diferente da minha. Ela optou por não amamentar os filhos porque era um incômodo: o bebê demorava demais para mamar, precisava acordar no meio da noite etc. Mais fácil o leite artificial que, segundo ela, era deixado preparado numa mamadeira colocada no canto do berço, assim quando ele tivesse fome era só esticar o braço para pegar a mamadeira sem, como ressaltou, a necessidade de acorda-la durante a noite.O aleitamento, principalmente em zonas urbanas e industrializadas, tornou-se um "peso" para as mulheres que, com independência financeira e sucesso profissional, acabam priorizando soluções rápidas e práticas. Não é a toa que hoje precisamos de livros e ajuda externa para fazer exatamente o que nossos antepassados faziam sem problema algum e, principalmente, que a amamentação ganhou páginas do mundo e virou, inclusive, assunto de governo que passou a interferir por meio de campanhas num processo que antes era natural e instintivo.
Nos Estados Unidos, país onde morei sete anos, amamentar em público é um tabu e, sinceramente, é preciso muita força de vontade para superar a pouca aceitação e dar as costas para a comodidade do leite artificial, oferecido já no hospital. Em Nova Iorque, por exemplo, apenas 39,7 % dos recém nascidos são amamentados exclusivamente, um número muito inferior a meta de 70% traçada pelo governo local.
Michael Bloomberg, prefeito da cidade de NY, anunciou recentemente algumas iniciativas para promover o aleitamento materno, entre elas, proibir os hospitais de darem leite artificial aos bebês e orientar enfermeiras a encorajar as mães a amamentar seus bebês. O leite articial, inclusive, passaria a ser vendido sob prescrição médica. O anúncio atraiu a ira das americanas que acham a campanha absurda já que vai contra a liberdade de escolha da mulher e estigmatiza o leite artificial. Sinceramente, foi difícil ler a matéria até o fim e, principalmente, foi dificil ler as justificativas do porquê elas acham a campanha ruim.
Escolher amamentar ou não o filho é um direito da mulher e ninguém, acredito, deve julgar essa decisão. Mas eu também vivo nesse mundo "urbano, rápido e fácil" e, assim como muitas outras mulheres, vez ou outra optei pelo caminho com menos obstáculos às vezes pelo cansaço ou pela falta de paciência. Um caminho não ideal, mas que naquele momento era tudo o que acreditava ser possível para mim. Amamentar não é fácil, mas tampouco é impossível. Sou ativista da amamentação porque eu amamentei meus filhos, mesmo após um início conturbado. Sou ativista porque eu desisti de amamentar meu segundo filho por causa de uma DPP sem saber que era possível ir adiante. Sou ativista porque quanto mais a mulher se informa sobre as dificuldades, problemas e soluções, mais chances de sucesso ela terá. Sou ativista, principalmente, porque amamentar foi para mim mais que nutrir meus filhos... foi um dos momentos em que mais me senti próxima deles, simplesmente inexplicável... que só quem amamenta pode entender.










2 comentários:
Este mês me senti uma vitoriosa: minha filha, amamentada há 2 anos e 5 meses, após um teste comprovando ser "super alérgica" foi ao consultório da alergista, com papai e mamãe, quando pudemos ouvir da doutora, após a leitura dos resultados de exames de sangue, que o sistema imunológico dela está ótimo, e que, apesar das alergias, não precisará de vacina. Apesar de ter bronquite, as crises são leves e medicadas de maneira correta. Lembrando que ao verificar o quanto ela era alérgica, a médica perguntou se ela já havia contraído pneumonia ou ficado internada, e, diante da resposta negativa, me parabenizou pelo aleitamento, recomendando que assim continuasse até seus 3 anos. Amamentar, para mim, resume-se em "paciência", deixar o resto do mundo para lá de vez em quando tendo certeza de q essa infância vai passar rápido, e de que deve ser construída da melhor maneira possível.
Sueli, gostei muito da sua postagem pois me identifiquei em alguns pontos.
Me senti muito mal no parto, fiquei 3 dias desacordada e quase fui à óbito. Quando voltei, meu filho tinha tomado leite na chuquinha. Eu tinha muito leite e tive que desmamá-lo da chuquinha. Passei a dar meu leite em colherinha bem pequena diretamente na boca dele para em seguida, tentar dar o peito. Ele nasceu grande e tinha peso suficiente para que eu fizesse a transição, que demorou por volta de 14 dias. Dei de mamar até os 3 anos e só parei porque o meu médico ginecologista intercedeu. Sou ativista porque não vejo motivos para contrariar a natureza.
Não sabia dessa atitude de Michael Bloomberg. Muito bom!!
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