König, como um bom pensador, vai nos dando essa resposta com inúmeras outras perguntas que me fez pensar o quanto ele ressalva que, apesar da ordem do nascimento influenciar SIM nosso jeitinho de ser, não determina nada sozinha. Ele deixa claro que a influencia da ordem do nascimento está na esfera do contato humano. Não se trata das qualidades de inteligência, de caráter ou de habilidades em geral, mas da forma em que o homem se relaciona com o mundo.
König ainda nos dá algumas dicas preciosas para tentar nos desviar do pensamento dúbio, reto e pragmático: a posição do nascimento está ligada ao campo emocional. Contato humano é pura emoção, envolve simpatias e antipatias, além da extroversão e introversão. Vale a pena a leitura do livrinho pra entender melhor o que estou tentando expressar por aqui! Pra resumir ainda mais, copio a introdução de König para falar das diferenças de nascer como primeiro, segundo ou terceiro filho:
O primogênito tenta conquistar o mundo
O segundo filho procura viver em harmonia com o mundo
O terceiro filho é inclinado a esquivar-se do encontro direto com o mundo.
Resolvi reler o livro em função do sentimento que tive diante da incisiva pergunta de todos em relação ao ciume da irmã mais velha com a chegada da irmã mais nova. König me fez entender o peso da pergunta e as razões pelas quais me incomodaram tanto o fato do primogênito ser obrigado a sentir ciume do segundo filho. Ao contrário do que divulga o senso comum, König não fala de competição nem disputa ao lugar ao sol entre irmãos. Ele traz outros significados bem mais fortes, muito conhecidos e, por isso, mais complexos de serem compreendidos. König não segue o discurso da disputa pelo espaço tão divulgado pelos psicólogos, mas traz à tona a história de Caim e Abel, ressaltando a natureza desses arquétipos, assim como de Abraão e Isaac, Jacó e Elias, Artêmis, Janus...SIM, os velhos personagens tão desvalorizados na mente moderna e tão incompreensíveis.
No fundo, bem lá escondidinho, confesso é melhor nem ler Imãos e Irmãs. Não faz bem pra gente. Ainda mais se somos mães. Motivo? König é daqueles caras que traz luz a certas angustias nossas de cada dia. Depois que você lê o livrinho surge várias pulguinhas em sua volta, mas se você inventar de relê-lo pode ser que surja a pulguinha: o que vou fazer com isso? Trato o primogênito como segundo filho, ou vice-versa? Respeito essas naturezas de cada filho? Você tem razão...A gente pode ignorar a leitura, fechar o livrinho, considerar o cara maluco demais, o conteúdo viajante demais e continuar vivendo a vidinha nossa de cada dia...Mas, König é esperto e, no finalzinho do livro, ele lança: O que por tanto tempo funcionou instintivamente torna-se agora cada vez mais uma questão de percepção consciente e compreensão. Milhões de pessoas terão de aprender novamente o significado mais profundo de ser um pai, uma mãe, de estabelecer uma família, de cuidar dos seus filhos e de comunicar-se com seus vizinhos.
Eu recomendo a leitura, mas já alerto que ela é chata, cansa e pode doer. Vale concluir também que a razão de buscar König foi para entender melhor a pergunta que faço no post abaixo: Ciume entre irmãos é obrigatório? Ainda não sei a resposta certa, mas já posso confirmar o senso comum de que essa situação depende muito da atitude dos pais. König não fala de ciumes, mas nos coloca a responsabilidade de conduzir essas diferenças de acordo com a ordem de nascimento de cada filho nosso. E aí, responda-me: achou tudo isso uma loucura, viajante demais, místico demais, religioso ou tais fragmentos faz algum sentido pra você?
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4 comentários:
Engraçado não achei maluco não, até vi um certo sentido em algumas coisas. E sim vou ler. O Felipe é filho único e não pretendemos tentar um segundo, mas é sempre bom entender o porquê de certos comportamentos. Bjo grande e obrigada pela dica
Oi Francine, que bom que viu sentido no que trago sobre o livrinho de König. Espero que volte depois de ter lido o capitulo do filho unico para falar das suas impressões. Antecipo que König fala da solidão do filho único. O menino da soleira da porta, que tem sentimentos ambiguos...A diferença dele com primogenito é que enqto o primeiro é um entre muitos, o filho único é solitário. vale lembrar que konig viveu numa epoca em que a estrutura familiar priorizava mtos irmãos. nossos avos tinham 6 filhos... hj a maioria parece ter filho unico...ou 2...me fez pensar como essas caracteristicas vão influenciar a sociedade do amanhã
Oi Ceila, fiquei super curiosa com o livro, principalmente porque tenho três filhos. Acho que não é uma questão só de ser o primeiro, o segundo ou o terceiro. A natureza de cada um e o ambiente no qual os três vão crescer (e a relação com ele) são bem determinantes, acredito, para justificar as atitudes/pensamentos de cada um.
Muito interessante e obrigada por compartilhar conosco.
Vou procurar o livro.
bjos!
Olá Ceila, recebi seu comentário no meu blog e vim te visitar. Amei o blog e a discussão. Sou mãe de todo o coração e adoro encontrar quem fale disso sem ver o assunto como um entrave para a vida. Amei esperar meus filhos, tê-los, amamentá-los, vê-los crescer e, agora, tornarem-se homens. Ainda me lembro do calor de tê-los em meus braços...
Parabéns pelo blog. Respondi seu comentário lá no clubedasmulheresarteiras.blogspot.com e deixei lá o endereço de meus outros blogs para vc visitar.
Muitos bjs.
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