Desde que me tornei Mãe-de-duas o que mais ouço na rua, em casa ou no telefone é se a irmã mais velha está com muito ciumes. A sensação é de que o ciumes entre irmãos é obrigatório. Alguém precisa encarnar esse personagem. Não há chance de viver outra história...Ou há?
Adoraria lhe garantir que SIM. Talvez porque sofri muito com o peso desse personagem. Quando eu era criança ganhei essa característica assim que meus irmãos nasceram e demorei muito para descobrir que nunca fui ciumenta, mas com certeza absoluta senti (e, às vezes, sinto) muito ciumes deles. Ao contrário do que imagina o senso comum, meu ciumes infantil era das pessoas que podiam cuidar dos meus irmãos. Explico: eu queria ser a única criança que podia cuidar deles.
Percebo que o desejo se repete agora com Malu. Minha filha mais velha sofre quando outra criança quer "cuidar" da Clarissa. Sim, ela sente ciumes. Aquele ciume que eu já senti quando me tornei a irmã mais velha. Mas será que ela sente todos os outros ciumes que dão a ela?
Hummm, meu coração de mãe grita NÃO. Não, não, não, ela não está com esse ciume todo! Sinto que é pesado demais carregar o ciume que atribuem a ela. É tão pesado e dolorido que chega a confundir com desamor...Parece até que irmã mais velha não gosta da irmã mais nova de tanto ciume que os adultos carregam para as crianças que se tornam irmãos.
Minha filha sente ciume, mas não acho que ela seja ciumenta. Ela também se sente sozinha e reclama dessa solidão. Ela ainda sente raiva, muita raiva. Assim como o resto da família (eu e maridão), que precisamos adaptarmos à chegada de um novo membro dentro de casa. Não é fácil identificar de onde vem ciume e quem o está sentindo a cada situação.
Descobri que, muitas vezes, o ciume que dão a minha filha mais velha vem de fora. Ás vezes, é ciume antigo transferido para ela. Outras vezes sou eu mesmo que acabo passando minhas dificuldades de se tornar mãe-de-duas. Mas, na maioria das vezes, é um ciume pesado que nunca foi sentido nem presenciado pela Malu. Dá até vontade de se defender dele, gritando NÃO, minha filha não sente ciume da irmã mais nova, como se esse grito fosse o meio de provar que Malu ama Clarissa. Você já se sentiu assim? Precisando provar que ciume não é falta de amor?
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9 comentários:
Super me identifiquei! Passando por isso há 5 meses, com a chegada do Pedro, escrevi sobre essa adaptção da mais velha ao mais novo, e não só dela, mas a minha tb, que foi bem diícil, sentia muita falta da minha mais velha, mesmo amando muito o meu mais novo, uma coisa horrível. Não acho que cipumes seja falta de amor não...mas com certeza não deve ser nem ciumes, apenas o que sentimos diante de toda mudança drástica: medo, insegurança, raiva, solidão, expectativa. A vida da família muda muito, é difícil ser mãe de dois, mais do que se costuma falar (na verdade se fala que é até mais fácil). O mais velho sente essa mudança mais do que todos os outros e até que se dapte, sofre um pouco.
Aqui, agora, estamos indo bem, ufa, mas no começo...ah...foi bem ruim! E não dá para falar sobre isso com niguém porque todos acham normal taxar tudo como ciumes...daí fica difícil e a vida fica inda mais solitária...por vezes canso de maternar consciente, porque, p...é uma vida solitária essa...sorte ter a rede de mães virtuais.
Se quiseres conversar sobre adaptação da mais velha (que tb o fui) estou à disposição!
Beijos Ceila,
Nine
Alice sentiu pouquïssimo ciúme ce Arthur. E nós sempre fizemos quetão de responder *não* a esta pergunta sempre presente - já se foram dois anos e a questão continua presente para os outros. Quando vem algum sentimento parecido com ciúme sabemos que é normal, comum e banal. Não damos importância a ele. Por outro lado sempre lidamos bem com o fato de que a vida dela e a nossa mudaria para sempre. Modéstia à parte neste quesito acho que nos saímos bem, escolhemos boas estratégias e nunca deixamos de colocar a mais velha num lugar de prioridade. A família também ajudou uito. Poucas foram as vezes em que ela ficou de lado enquanto todos circulavam o bebê, quanco acontecia, sempre alguém percebia e se voltava para ela. Tivemos sorte também...
Beijoca
Ceila, eu acho q a idade conta muito. Quando Arthur nasceu Tomás nem tinha completado 3 anos, era um bebezão.. ele sentiu ciumes do irmão que literalmente tirou o colo dele... e para lidar com isso, o pai tinha q se dedicar exclusivamente a ele... mas passou rápido essa fase de ciumes. Hj Tomas progete e cuida do irmão e adora fazer isso. Arthur, por outro lado, admira o irmão e as vezes nao gosta de ve-lo brincar com outras crianças, algo mais relacionado a possessividade q ciumes... Não imagino Malu com ciumes da Clarissa, mas imagino que ela deve sim se sentir solitaria e tbm q nao queira delegar os cuidados da irma para outras crianças... tá certa ela, esperou tanto tempo pela irmazinha... bjs
Acho que muitas vezes o meio acaba influenciando no relacionamento familiar. Acredito que na realidade não seja ciúme o que o irmão mais velho sinta, mas sim uma adaptação pela qual está passando. Claro, que tudo muda, afinal o imrão mais velho estava acostumado a ter todas as atenções e agora deve dividí-la com o irmãozinho. Mas com certeza essa fase passa e tenho certeza de uma grande amizade e cumpliciade no futuro. Bjos
Nine, delícia partilhar deste momento juntas! Então, Malu está bem, teimosa e mais desobediente, mas tem uma mãe ainda mais teimosa que não admite privilegios só pq ela deixou de ser filha única.
Ela (felizmente) sabe brigar e reclama da minha teimosia em enfrentar a vida, ás vezes, a seco demais...sério demais e vai me ensinando a colocar cor na minha transformação de mãe de primeira viagem para mãe-de-duas. Uma lição e tanto!
O que me incomoda MUITO é a repetição dos pitacos, é a mesma pergunta na boca de pessoas das mais diferentes tribos. A repetição é tão comum que chega a dar vontade de negar o ciume do irmão mais velho...Qtas vezes tive vontade de gritar NÃO para essa mesma pergunta...pq não sinto que Malu sente tudo isso...kkkkk!
Vou te gritar sim via blog e manda link do que vc já desabafou no seu blog, please!
Mariana amei essa sua estrategia de responder NÃO aos questionamentos...Affffffff é exatamente isso que me fez desabafar: de onde vem tanto ciumes???
Malu também reagiu super bem com a chegada da Clarissa. Adora cuidar dela, expressa sua dor qdo sente, beija, abraça e como já é mais velha não morde, nem belisca. Nós também incluimos ela em tudo...Tanto que até tornou-se uma ativista do parto e da amamentação...parece uma mini politica ensinando as avos sobre o desafio do parto normal.
Agora ela sabe tudo de troca fralda, banho e amamentação...Diz aos outros que ela é a super babá, enfim, tá super inserida, mas a pergunta continua...E acho a pergunta tão pesada, vc não acha?
Susuca, talvez, a repetição da pergunta na boca de todos deve ser em função do segundo filho vir próximo do primeiro e aí perder o tal reinado...Para irmãos que deixam de ser filhos únicos mais tarde, essa premissa não faz muito sentido, mas não há dúvida que o ciume faz parte.
Dificil mesmo é tornar-se mãe-de-duas como lembra a Nine.
Ana Maria, acho que vc resumiu bem: é uma fase em que o ciume transforma-se em cumplicidade, mas sempre com amor!
Ainda nao passei por isso pq só tenho um. Mas tenho irmao mais velho e ele sempre morreu de ciumes de mim! Já eu nunca tive problema com isso... sempre fui tranquila
http://surpresademae.blogspot.com.br/
Tudo quanto é pré-conceito não é legal. Eu, por exemplo, me dou muito bem com a minha sogra. E acho que sou uma sogra legalzinha, até. As coisas não têm que seguir um "padrão" de "normalidade" com erros (como, por exemplo, ciúmes, ou outro sentimento negativo qualquer). Pelo menos, acho que não.
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