Eu me considero feminista. Não abro mão dos meus direitos e luto por todos eles e por mais que às vezes não pareça ter sido decisão minha - principalmente nos momentos mais frustrantes e desgastantes da maternidade - eu escolhi sim me dedicar aos meus filhos e não me arrependo. Essa decisão me permitiu não apenas ser mãe, mas me conhecer e me respeitar como profissional. Aqui e agora pode parecer blá,blá,blá de dona de casa mas não é. A maternidade de certa forma me libertou e obrigou a ir atrás da profissão dos sonhos. Se é possível combinar, lógico que uma feminista vai almejar não apenas ser uma ótima profissional, mas também excelente mãe. Por isso, quando leio matérias como essa... penso logo que raios é isso, por acaso descobriram a galinha dos ovos de ouro?
Feminista não é um bicho de sete cabeças. Sim, nós conseguimos amar além de nós mesmas. Inclusive, estamos dispostas a dar um passo além da nossa zona de conforto. De acordo com o artigo Feminismo e Maternagem: atitutes, estereótipos e equívocos, as feministas estão dispostas a praticar a maternagem - ou attachment parenting - que inclui dormir com os filhos, carrega-los a tiracolo em slings e praticar a amamentação em livre demanda. Detalhe: quando elas se decidem por isso, profissão nenhuma é obstáculo para tal empreitada. De acordo com a Dra Miriam Liss, professora do Psicologia da Universidade de Washington, em Fredericksburg, Vírginia (EUA), algumas feministas são educadas com a idéia de que elas podem fazer o que quiserem desde que optem por essa decisão.Na pesquisa que envolveu 431 mulheres, as que se declararam não feministas acreditavam que, ao contrário das feministas, elas estavam mais dispostas a se dedicarem aos filhos, inclusive afirmaram que as feministas não estariam dispostas a perder tempo com amamentação ou carregar os filhos a tiracolo por priorizarem o trabalho. Entretantos, os resultados foram totalmente contrários, provando que os debates sobre attachment parenting são, no mínimo, exagerados. Vale ressaltar a controversa capa da revista Time que sob o título "Are you mom enough?" mostra uma mãe amamentando o filho de três anos.
A questão vai além e, por incrível que pareça, é resolvida de forma simples: attachment parenting permite às mães que se dedicam ao trabalho se conectarem fisica e emocionalmente com seus filhos. E para isso as feministas não medem esforços. Joan DeMeyer, especialista em Segurança e Saúde Ambiental, amamenta seus filhos de 2 e 3 anos, além de dormir na mesma cama com eles. E muitas vezes durante viagens de negócio, o marido ou a mãe a acompanham para garantir que os filhos estejam com ela. " O fato de uma feminista querer se sobressair no trabalho não exclui sua meta de também ser uma excelente mãe", explica DeMeyer, que também lídera um grupo de attachment parenting em St. Louis.
Kelly Bartlett, uma jornalista freelancer de 35 anos que vive em Portland, Oregon, afirma que encontrar o equilíbrio entre as necessidades dos filhos através do attachment parenting e suas próprias ambições - que inclui trabalhar, ter um tempo a sós diariamente e, às vezes, dormir sozinha - a tornou mais forte e capaz.
No final, attachment parenting não significa perder a individualidade e dedicar-se cegamente ao filho, mas encontrar o equilíbrio, amar e responder às necessidades dos filhos com consistência, ou seja, ser capaz de adequar isso ao seu estilo de vida, feminista ou não.
Sobre attachment parenting (maternagem)
A terminologia attachment parenting (maternagem) foi criada pelo pediatra americano Dr. William Sears que defende que quanto mais tempo os pais passam com os filhos melhor o desenvolvimento psicológico deles. De acordo com sua teoria, quanto mais os pais estão disponíveis para os filhos mais eles se sentem seguros e capazes de se conectarem sócio e emocionalmente com o mundo exterior. O attachment parenting segue oito princípios:
1. Preparação para a gravidez, nascimento e maternagem
2. Alimentar com amor e respeito
3. Responder com sensibilidade
4. Criar com "apego"
5. Garantir que a criança durma com segurança, fisica e emocionalmente
6. Dar carinho e amor constantes
7. Praticar a "disciplina positiva" (quando a educação tem como base destacar as atitudes positivas dos filhos e não dar muita ênfase às atitudes negativa, por exemplo, não castigar fisica ou verbalmente a criança)
8. Alcançar o balanço entre a vida pessoal e familiar
Esses princípios são interpretados de várias formas. Muitos pais que praticam o attachment parenting também optam por um estilo de vida mais natural, ou seja, preferem o parto natural ou domiciliar, um dos pais deixa de trabalhar para dedicar-se ao filho, dormem juntos aos filhos, praticam amamentação em livre demanda, usam slings, educam seus filhos em casa, são contra circuncisão e preferem alimentos orgânicos ou locais, entre outras atitudes.










5 comentários:
Ceila, eu me considero um bebê de feminista. Longe, muito longe do que eu acredito precisar de conhecimento - conhecimento acadêmico mesmo - para ser de fato uma. Mas totalmente dentro da vibe intuitiva do movimento - igualdade de gêneros, respeito! ao corpo, às escolhas.
Eu via antes esse embate feminismo X maternagem. Hoje não mais. Maternagem é feminismo puro. Ser mãe é também ser mulher. Ontem o texto do Super duper veio do lado mais feminista do meu ser - aquele que enxerga que tudo o que tem acontecido com a mulher brasileira na hora do parto está arraigado na nossa cultura machista e cristã. É muito pano para a manga. Bjo amei o texto! Anne Rammi
Ufa! Que alívio ler, enfim, algo que faz sentido sobre o conceito de maternagem, pois essa mania de jornalista separar preto do branco faz com que a maioria das pessoas AINDA classifica a mãe que opta por amamentar com livre demanda, parir naturalmente e ficar em casa ser o oposto daquela que resolve trabalhar no ritmo workaholic...Sua reflexão mostra que as coisas não são bem assim e agora não dá mais pra classificar as mulheres como mães/donas de casa e mães/trabalhadoras...
Eu me cnsidero adepta do Attachment parenting e trabalho fora, mas todo o tempo que tenho com minha filha faço com que tenha qualidade...
Adorei a reflexão e estou seguindo...
Bjosssssss
Carol
Adorei o blog, muito lindo, amei tudo. Parabéns mesmo, vou sempre estar aqui.
ontendency.blogspot.com
Adorei! Sou feminista e pratico a "educação por apego".
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