Eis que na semana passada, me deparo como o artigo Why Women Still Can´t Have it All (Por que as mulheres ainda não podem ter tudo) que, na minha opinião, é fantástico. O artigo é de autoria da americana Anne-Marie Slaughter, atual professora de Política e Relações Internacionais da renomada Univesidade Princeton. Slaughter conseguiu o emprego dos sonhos: trabalhar no Departamento de Estado, sob o mandato de Barack Obama, durante dois anos. Mas entre responsabilidades que envolvem reuniões, relatórios e glamourosas recepções com líderes mundias, ela se viu dividida entre o trabalho e os filhos, um deles adolescente enfrentando um período, como posso dizer, difícil. Apesar de ter um marido que a apoiava 100%, inclusive dedicado aos filhos 100%, a pressão foi tanta que ao final do contrato ela decidiu deixar o governo para retomar seu trabalho anterior. A lição: enquanto você tem o poder sobre sua agenda é possível balancear família e trabalho, caso contrário a pressão dos dois lados torna sua vida praticamente impossível, principalmente em relação a não se sentir culpada por não estar lá, presente, aqui e agora!Por acaso você se reconhece nessa história? Então, respire aliviada. O artigo de Slaughter trouxe à tona uma discussão que nos cerca, mas de certa forma é silenciada pelo tabu: mulheres lutam pra ter tudo mas não admitem que não podem, principalmente considerando a forma como o mundo é hoje, ou seja, sem exceções. Se as empresas permitissem às mães terem mais poder sobre suas agendas e até mesmo trabalharem de casa, uma coisa garanto nenhuma delas deixaria essa oportunidade partir, pelo contrário, elas fariam valer cada minuto dedicado ao trabalho.
Slaughter admite que ela mesmo alimentou, em suas palestras, o mito de que a mulher pode ter tudo se quiser, independentemente de seu trabalho pela família. Essa crença - uma bandeira feminista que é carregada de geração em geração com a responsabilidade de nunca deixa-la cair - entretanto não condiz com a realidade e faz milhões de mulheres se sentirem culpadas por não atingirem esse ideal que é ser tão bem sucedida quanto um homem ao mesmo tempo em que mantém uma vida familiar ativa e saudável, além de ser magra e bonita.
É lógico que o desabafo Slaughter não agradou a todas, algumas feministas de plantão tentaram convencê-la a não escrever sobre enquanto outras afirmaram nunca terem sido forçadas a optar pelo trabalho ou família e que, inclusive, são mães de filhos exemplares. Mas, convenhamos, isso é uma exceção entre as exceções! Pura sorte, pra ser mais específica. Ter tudo é possível, mas isso não depende só da gente - pai e mãe - depende também de questões que envolvem a realidade econômica e a pré-disposição das empresas - e até o mesmo do governo - mudarem suas políticas internas, abrindo exceções e criando novos sistemas de trabalho para mulheres que assim como eu, Ceila e outras milhões lutam para ter tudo.
Para ser ter uma idéia, mulheres que conseguiram atingir o topo de suas carreiras e, num certo ponto, decidiram parar enfatizam que a decisão não foi pela falta de compromisso com a empresa ou instituição. Na pesquisa de Slaughter, muitas dessas mulheres podem inclusive serem consideras supermulheres. Susan Rice, Elizabeth Sherwood-Randall, Michelle Gavin, Nancy-Ann Min De Parle e Samantha Power - que conquistaram posições altas em Washington - e Sheryl Sandberg - que se graduou entre os melhores no curso de Economia em Harvard e confessou recentemente que chega em casa todos os dias às17h30 para jantar com os filhos - não podem ser consideradas fracassadas por optarem pela família ou por tentarem encontrar o equílbrio entre o trabalho e a família.
Não ter tudo, como afirma Slaughter baseada em sua própria experiência, não significa ter fracassado. Ela, eu e você não somos as únicas a não terem tudo. Uma das soluções, seria ter mais mulheres em cargos de poder que vivem ou já viveram esse dilema. Detalhe: Slaugher é uma professora de sucesso numa das melhores universidades do mundo, dá mais de 50 palestras mundialmente e escreve artigos para renomados veículos nos EUA. Ela, assim como nós, luta para que esses direitos existam. E essa converesa, aqui e agora, pode fazer toda a diferença: assumir que, apesar de carregarmos a bandeira do feminismo, o ter tudo é praticamente impossível. Buscar uma solução para o problema, ow, isso é um passo além... que pode ajudar não apenas você, mas toda uma nova geração de mulheres, mães que crescem escutando a frase: "você pode ter tudo se lutar para isso!".
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4 comentários:
Meninas, Adorei o que li. Fiz um post há poucos dias sobre isso (por que queremos tudo?). Esse será sempre o nosso grande dilema como mães. Acho que quando queremos TUDO recebemos muita coisa boa e muita coisa ruim de volta. Pra que isso? Depois de dois anos afastada da minha profissão e me dedicando aos cuidados com os filhos, estou descobrindo que o TUDO pode ser o que já tenho e nem consigo aproveitar. Beijo, Gisa Hangai
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Escreve muito bem! Está de parabéns!
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Amei! Não podemos ter tudo e isso não é ruim. Mas temos que aprender a viver cada fase com entrega e sem culpas, né? Difíícil...
Estou escrevendo sobre os depoimentos de amigas minhas, que passam pelo mesmo dilema:
http://temcoisasquesoojornalismofazporvoce.blogspot.com.br/2012/03/amor-e-dor-da-serie-maes.html
eu sou a prova concreta de não poder ter tudo...mesmo sendo independente economicamente,com uma profissão super reconhecida,com um filho de 4 anos maravilhoso,ainda almeijo coisas que sei que não são viaveis ou possiveis de alcançar...
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