Vale mesmo!!! Eu já entrei nesta fase muito antes do que imaginava. Ou seja, antes da Clarissa completar seu primeiro mês de vida. O discurso das "mães especialistas" de que a dor, o cansaço e o desânimo vão passar e serão hiper válidos faz parte da conquista da amamentação. Quando você começa a compreender que o estado de zumbi se transforma a partir do momento em que você entra no ritmo do bebê, tudo muda e aquele peso infernal desaparece. Não é nada mágico, mas é real. O desafio é viver esse ínterim ouvindo de todo mundo que "isso passa". O sorrisinho amarelo que a gente faz diante desse discurso comum é: PORQUÊ, ENTÃO, AINDA NÃO PASSOU????? Socorro!
E vale mesmo pedir socorro! Grite, mas não em voz alta para todo mundo ouvir... Grite por socorro através das pernas e corra em busca dos Grupos de Apoio - na cidade de São Paulo, conheci o Matrice, cujas reuniões acontecem sexta-feira, e o Espaço Nascente, próximo metrô Sumaré, cujas reuniões são na terça-feira. Basta ler em silêncio a lista da Matrice para todo esse cansaço começar a se transformar em conhecimento. UPGRADE: Recomendo também o blog De Peito Aberto, da Rebeca, cujo email é rebecadoula@gmail.com!
SIM, apesar do cansaço comum, eu tenho certeza de que amamentar é uma conquista pessoal e peculiar... Vale ressaltar: uma conquista porque, cá entre nós, amamentar não é simplesmente um ato natural, fácil e prático. Pode até se tornar um ato natural, mas amamentar exige um esforço pra lá de representativo... Exige tempo, dedicação, paciência e muita, mas muita compreensão! Eu não tinha essa noção mesmo sendo mãe de segunda viagem...Quando vivenciei aquela falta de xixi na maternidade e minha pediatra indicou uma consultora de amamentação, minha reação foi automática: pra quê preciso de consultora? Já fiz isso antes. Eu sei amamentar minha filha, sei avaliar a pega e sei quando ela está chupetando...Achei um absurdo e totalmente desnecessário...Mas foi o melhor investimento que fiz. Aprendi diferentes posições de amamentação e esclareci dúvidas que jamais imaginava que eu tinha.
Foi a partir desta lição com a consultora que percebi que minha arrogância se estendia às campanhas de aleitamento materno. Confesso que sempre tive muita dificuldade pra entender a necessidade de investir tanto em campanhas de amamentação. Afinal, qual mãe optaria por não amamentar seu filho? E porquê raios era tão importante ter grupos de apoio para amamentar? Afinal, basta colocar o peito na boca do bebê... tudo bem, era dificil no começo, mas passa!
Então, naquela época, eu não lembrava do desafio que foi amamentar a Malu e também não tinha a visão de que para amamentar um filho até 1 ou 2 anos de idade, você precisa se preparar pra isso. Achava que seria tudo tão natural...E, detalhe: quando desmamei minha primeira filha para volta ao trabalho nem percebi que ela só tinha 6 meses...Era tudo tão natural, pois eu estava totalmente dentro do esquema dos meus pediatras (o plural é função dos 8 ou 10 pediatras que visitei em busca de um que eu tivesse sinergia).
Agora, mãe de segunda viagem e menos arrogante, aprendi que amamentar quando o bebê chega em casa pode ser um paraíso na primeira semana (pra mim, foi extremamente redentor!!!!), mas em algum momento o cansaço vai pesar e você sentirá um caco, um zumbi...E você terá raiva, ficará nervosa, sentirá sozinha, incompreendida e sentirá que isso nunca vai passar...Você poderá se desesperar e entrar num ciclo vicioso de querer se acalmar...Enfim, agora que sou mãe de um bebê, eu sei o quanto a maternidade precisa de apoio, incentivo e estímulo para que o direito ao leite materno seja garantido aos nossos filhos. É, por isso, que a partir de agora me torno também uma ativista da amamentação.
Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.
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