Mais de uma vez já escutei que exijo demais dos meus filhos, principalmente do Tomás. Não apenas em relação à escola e suas responsabilidades (adequadas para a idade dele), mas pela minha necessidade de fazê-lo entender que somos todos diferentes e, por isso mesmo, únicos e especiais. Conversamos praticamente sobre tudo: raça, preconceito, homossexualidade... Algumas vezes ele pergunta, outras vezes eu trago assunto por achar oportuno.
Eu cresci japonesa no Brasil! Até entrar na escola, juro que não sabia que era diferente das outras crianças... mas eu era e, em algum momento da minha infância, fui lembrada dessa diferença. Me fez falta saber dessa diferença antes... se soubesse talvez não teria me sentido "feia", "errada" e nem sonhado em ter cabelos "loiros", "encaracolados" e olhos "grandes. Foi por viver essa experiência que optei por conversar desde muito cedo com meus filhos sobre diferenças por saber que, apesar deles não diferenciarem um amiguinho do outro, em algum momento da vida deles eles seriam lembrados ou notariam essa diferença.
Ontem, por exemplo, durante um passeio ao parque, a mãe de um amiguinho chinês do Tomás me disse que o filho chegou em casa dizendo que é "feio". Nada maldoso aconteceu, mas por se diferente das outras crianças da escola - brancas de olhos e cabelos claros - ele não se identificou fisicamente com os coleguinhas
assumindo que o diferente é feio. Uma mãe branca, ao contrário de mim ou de uma mãe afro-descendente,
não precisa abordar esse tipo de assunto dentro de casa exatamente por não ser afetada diretamente. No entanto, nada me tira da cabeça que é melhor lidar com esse assunto dentro de casa o mais cedo possível independente da "cor" da família, porque essa criança, a meu ver, terá acesso a um entendimento e conhecimento real e puro, sem ter sido alvo de uma imagem estereotipada e cheia de preconceitos.
Entende-se o outro na sua essência sem a interferência do que já foi pré-determinado para essa ou aquela raça.
Mas eis que surge a pergunta:
ao abordar tais assuntos com meus filhos estaria eu ou não exigindo que eles ajam com a consciência de um adulto? Crianças são crianças e às vezes agem de forma cruel, tiram sarro do amiguinho que manca, do amiguinho que é mais "lento" na escola... Quando estava na pré-escola, por exemplo, Tomás me falou que tinha amiguinha que fazia tudo errado e não sabia contar até 10. Era uma amiguinha com Síndrome de Down. Eu, como mãe, achei necessário explicar para ele o que era Down e porque ele não deveria mais tirar sarro dela, mesmo que outro amiguinho o fizesse.
Será que ao agir assim eu tirei do meu filho a liberdade dele ser criança impondo a ele ter a atitude de um adulto?
Confesso que é tênue o limite que separa
informar para não machucar o outro e
não informar para preservar a criança de decisões e atitudes adultas. Para algumas amigas, especialmente a Ceila, eu extrapolo muitas vezes. Mas a questão da raça, do diferente está tão dentro de mim e na minha pele que é praticamente impossível preservar meus filhos de assuntos que envolvam raça ou qualquer outra diferença.
Você lida ou não com o tema dentro de casa? Se sim, como?
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5 comentários:
Concordo com você, Sueli. Não acho q seja um tema adulto, pelo contrario, é super pertinente ao universo infantil. Se elas vão lidar com um mundo de diferenças, pq não falar disso claramente? é a velha tendencia a infantilizar a criança q não dá. mas ainda tem muita gente q fala c o filho "gugudada"...
Sueli, eu acho que devemos explicar as diferenças sim. Não se trata de fazê-los adultos mais cedo, mas sim seres humanos de valores. Ensinar que as diferenças existem e que devemos respeitá-las é um ato de amor, e na minha opinião o amor deve ser ensinado desde o berço. Bjos
Com certeza!!!!
Ler o comentário de vcs me traz um alívio... pq eu me sinto , às vezes, forçando a barra ao tratar de assuntos tão complexos com meus filhos. Mas não conseguiria fazer diferente... é preciso conhecer antes de julgar... e o que penso é que estou dando conhecimento para eles entao julgarem... é complicado!
obrigada pelos comentários!
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