19 de abril de 2012

Pais críticos, SIM! Irresponsáveis ou Ausentes, não!

Paulo Tatit é um músico infantil que as mães adoram. Assim como as crianças. Ele faz parte da dupla do Palavra Cantada. É raro ouvi-lo nas tradicionais festas de buffet ou nos hits das redes sociais como pintinho amarelinho... Mas se você virar mãe ou pai vai acabar tornando fã do Palavra Cantada, pois eles estão em todas as mídias: blogs de mães, cinema, livraria, TV Cultura e na programação infantil dos guias culturais. SIM, Tatit faz parte do gueto materno...Mas, como tudo que tem história e comprometimento, Tatit junto com sua parceira ganhou referência de qualidade e tornou-se música infantil do BEM!

Ele foi uma das personalidades escolhidas pela ABAP para reforçar o coro da CENSURA e dizer não à proibição da publicidade infantil. Veja no vídeo abaixo:


O discurso de Tatit é bastante pertinente e contribui muito para reforçar nossa identidade de Pais Críticos. Não há nenhuma menção no discurso de Tatit de que somos irresponsáveis, ausentes ou culpados pelos malefícios dos abusos publicitários como vende a campanha da ABAP. Ele deixa claro que é a favor do debate e traz uma frase perfeita que retrata o desafio das famílias brasileiras: uma ideia que demore demais pra pegar!


Esse é o desafio dos pais críticos que lidam diariamente com os abusos publicitários. A ideia de responsabilidade com as nossas crianças ainda não pegou na indústria de bens de consumo. Pelo contrário. A maioria das multi-poderosas resolveu apropriar-se cada vez mais do imaginário infantil, criando brinquedos de adultos, tornando cada vez mais complexo a possibilidade dos pais discernirem o que merece ser valorizado para seus filhos. E, o pior, vivemos na vitrine dos exageros. Basta uma escolha para dizer não a zilhões de produtos.

Vale ressaltar que a campanha da ABAP usa e abusa da palavra "proibir" e, muitas vezes, utiliza do poder dessa palavra para definir outras ações como "colocar limites nos abusos". Ninguém discorda que a indústria está muito abusada com as nossas crianças, seja aquela que vende produtos, serviços ou conteúdo. Quando Tatit diz que precisa "anunciar" às crianças, eu fico me questionando essa necessidade porque a música dele já é essa conversa. Quando minha filha canta Palavra Cantada é ela quem anuncia. E não ao contrário.

Vale registrar que a razão dela cantar as músicas de Tatit é porque ela assiste só TV Cultura e também porque eu comprei os CDs do Palavra Cantada, enquanto ela ainda ninava no meu colo. O que talvez seja necessário ao Palavra Cantada é anunciar mais aos donos de buffets, aos donos de rádio, aos donos de jornais, aos donos de empresas. Ou seja, aos adultos que têm certeza absoluta de que existem apenas o pintinho amarelinho, justin bieber e michel teló. E, você, o que acha?

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5 comentários:

  1. Concordo! Falem com os pais, não com as crianças! Quem tem produtos de qualidade que estimulam o lúdico, o brincar, o ser criança, não precisa de subterfúgios para conquistar o público infantil. Precisa é falar com os pais, mostrar que existe, que tem um trabalho bom e que faz bem às crianças. Só brinquedos e "cultura" porcaria precisam da grande mídia para vender. E são produtos que são comprados e ficam jogados de lado.

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  2. Caramba, Ceila. Li esse post e disse BINGO!
    Há tempos venho pensando no assunto, até esbocei um texto que nunca saiu, claro...mas é muito interessante a sua pergunta e a proposta lançada.

    Aqui em casa as crianças adoram Palavra Cantada, também por conta da tv cultura e da escola deles que sempre, sempre os tem embalando tardes e mais tardes de atividades. O cd que as crianças tem em casa foi presente, pois eu me NEGO a comprá-lo nas lojas e vou te dizer por que.

    Acho o preço um abuso, comparado com outros cds. Enquanto o da galinha e o do palhaço sem graça se compra por 19, 90 os do Palavra Cantada não custam menos que 50. Mais do que Adriana Partimpim, mais que Pato Fu. Mais. Quem faz música de qualidade, pensando numa infância menos adultizada não deveria se tornar acessível ao bolso da grande maioria?

    Isso a meu ver segrega. Os pais de classes tal e tal podem e creem no respeito à infância, enquanto que as classes tal e tal que se contentem com as galinhas da vida.

    Os shows deles tb não custam barato, ou seja é elitizado, quando deveria querer alcançar TODAS as crianças.

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  3. O que ficou bem claro como o dia no sertão nordestino é que ele não perecebe que a regulamentação está vindo a partir da discussão. As leis não vem por decisões políticas, os políticos brasileiros-tão-preocupados-com-o-povo estão se lixando para as crianças. Quem está pedindo e discutindo sobre a regulamentação é justamente a sociedade. Aloou!

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  4. Este pelo menos se abriu ao diálogo e respondeu aos pais que o provocaram, diferente das outras celebridades que se fingiram de mortas. Apesar de não concordar com os pontos colocados por Paulo Tatit, achar que existem alguns equívocos na sua fala e perceber até um certo desconforto no depoimento, acho louvável e admirável a sua postura diante desta movimentação. Tanto quando a a sua música.
    Adorei o texto! Irretocável!

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  5. Criei um trabalho inédito no Brasil, em artesanato. São bonecos de 20 cm em tecido de algodão, replicando o desenho infantil da criança que você ama!
    São ideais para decoração de quarto e ao mesmo tempo excelentes brinquedos lúdicos. São antialérgicos e divertidos! Visite o meu blog e saiba mais!
    www.ateliedaserra.blogspot.com
    Atenciosamente,
    Raquel Bouchardet

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