Como havia comentado nesse post da Ceila, se eu estivesse morando no Brasil na época que tive meu primeiro filho sem dúvida alguma teria feito cesárea. E, sobretudo, acreditando ser esta uma escolha consciente. Eu cresci perto de mulheres que fizeram cesárea e, por isso, a cesárea logo seria a melhor opção. Lógico. Foram anos e anos escutando coisas como: “se precisa cortar algo, que seja a barriga”, “estamos no século XXI , temos acesso à medicina, a mulher não precisa sofrer”, “ o sexo muda muito depois de um parto natural” e blá, blá, blá. É, sem dúvida, uma lavagem cerebral. Como acreditar em ‘lé’ se você cresceu escutando ‘cré’?Por isso quando leio comentários aqui no blog de mães que dizem ter escolhido a cesárea de forma consciente tenho minhas dúvidas. Eu também vivi isso, eu também me achava consciente, mas, realidade, minha opção pela cesárea se baseava naquilo que era mais natural pra mim e nas conversas de roda e não nos fatos reais. Como já disse antes, quando fiquei grávida, já no primeiro dia de consulta falei para minha médica que queria cesárea. Ela me olhou em estado de choque! Disse que não era a primeira opção… mas eu bati o pé e ela, sabendo de onde eu vinha (Brasil, campeão das cesáreas), me acalmou dizendo que se em nove meses eu estivesse certa dessa decisão ela faria a cesárea e acrescentou que para um médico era muito melhor marcar uma cesérea do que ser acordado no meio da noite porque o bebê decidiu nascer às 2 horas da manhã.
Durante nove meses, essa médica, com sua sabedoria e paciência, literalmente me ensinou sobre cesárea e parto normal, humanizado, natural… Sem preconceitos. Em nenhum momento ela disse que um era melhor que o outro, apenas me mostrou a necessidade de um e de outro, o benefício desse ou daquele… e assim por diante. Na última consulta, ela me perguntou, já sabe o tipo de parto que vai ter? Minha escolha, agora sim consciente, foi parto normal com anestesia local.
E foi assim que o Tomás, que tinha tudo pra vir ao mundo de cesárea, nasceu de parto normal. Quando digo tudo, eu quero dizer tudo: a bolsa estorou, mas não tive contrações; ele era super grande (3,960 kilos); teve taquicardia pela demora… Mas nada disso foi motivo para cortar minha barriga. Ele demorou 13 horas para chegar ao mundo, com ajuda de um vacuum. Nasceu saudável, gorducho e careca, do jeito que sempre sonhei! Eu sai da sala de parto e fui direto para o chuveiro e, minutos depois, estava com meu filho no colo caminhando no quarto. Não preciso dizer que a recuperação foi super rápida.
Fatos e relatos
Essas informações são da Anistia Internacional USA e se referem aos dados americanos. Nos últimos 13 anos, o número de cesáreas vem aumentando nos EUA. Hoje, 33% dos partos são por meio da cesariana, ou seja, mais que o dobro do número recomendado (de 5 a 15%, do total de nascimentos).
Nos estados americanos onde o número de cesarianas é acima de 33% , a taxa de mortalidade materna é 21% mais alto que nos estados onde o número de cesarianas é inferior a 33%.
Como toda e qualquer cirurgia (que envolve corte da pele, abdômen, músculo e útero), a cesárea traz riscos para a mulher, pricipalmente quando é realizada mais de uma vez. Placenta acreta, que causa hemorragia durante o nascimento, é um deles. Muitas mulheres com placenta acreta perdem o útero e 1 em 15 sangram até a morte. Outro risco é o de embolia pulmonar. O tempo de recuperação é longo e leva até três meses para a mulher se sentir 100%, sendo que nas duas primeiras semanas não é recomendado dirigir; evitar exercícios durante quatro ou seis semanas; e não ter relações sexuais por seis semanas.
Isso tudo falado, acrescento, cesárea salva vidas e, assim como muitas mães que dependeram dessa cirurgia para segurar um bebê saudável nos braços, eu sou grata por esse avanço da medicina. Não defendo esse ou outro parto, defendo o DIREITO DA MULHER de se CONSCIENTIZAR e de se INFORMAR antes de tomar uma decisão como essa. Planejar é isso, é não deixar o médico “orquestrar” o SEU parto.
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5 comentários:
Gostei muito do seu post, bem informativo e acho que as pessoas precisam de informação, fiz 3 cesáreas e não me arrependo, mais sei que tem muita gente que faz porque o médico orquestra como você disse, é importante sim , um parto consciente, bjks
Eu me pergunto: se nada disso tivesse acontecido, ela estaria viva... perfeito. Alguém escreveria: "ativista de parto em casa está viva, bem e com sua filha no colo?" Teria dado notícia? Fico pasma como essa rede de intriga envolve as pessoas e gera polêmica por nada, apenas para justificar algo que aconteceria. Ninguém sobrevive porque a medicina quer. Até os médicos sabem que, quando é chegada a hora, é fim e acabou. A medicina não é santo de milagre. Quantas mulheres têm parto em casa e vivem normal? A tia do meu marido pariu os três filhos assim, na banheira de casa. Já é avó. Viva. Nunca deu notícia por isso. Outras podem vir a falacer. Na maternidade, a mesma coisa. Quantas morrem dentro da maternidade, também? É muito cruel e pequeno demais generalisar. EStupidez, para mim, foi aquele bando de gente falando besteira e fazendo algazarra em cima de uma tragédia dessa. Tentei postar meu comentário e não consegui. Não creio que garantia de vida seja hospital. Poupe-me. Eu não tenho coragem de ter parto em casa,mas, isso não quer dizer que tenha que criticar ou condenar quem o faz. É muita falta de compaixão e respeito a opinião do outro.
Adorei o post. Achei perfeito!
Oi, Sueli! Concordo com todas as suas palavras. Tive meu primeiro filho em dezembro e foi cesárea. Eu quis normal, mas não senti contrações a tempo (minha médica, desde o início, avisou que viajaria no Natal e eu concordei em fazer cesárea caso ele nao nascesse antes disso). Apesar da minha recuperação ter ido muito bem e ter sido rápida, se eu pudesse voltar atrás, voltaria. E vou fazer de tudo para ter normal no próximo filho. Não senti dor, mas é uma série de incômodos desnecessários. Fora que agora tenho que esperar 3 meses para voltar a correr. Tive que esperar 60 dias para poder voltar a caminhar... Enfim, são diversos fatores que me fazem crer que o parto normal seria o ideal.
O fato dela ter morrido durante o parto não tem nada a ver com a prática do parto em casa. Assim como tem muita gente que morre durante parto hospitalar, gente que morre de ataque cardíaco andando na rua etc. Agora os comentáriaos são absurdos... pura ignorância mesmo. E viva o parto em casa ou em qualquer lugar!!!
Obrigada pelo post
http://mhcmc.blogspot.com/
que perfeito o seu post.
Eu não tive escolha pro meu parto.. ou era cesárea ou era cesárea rs por mais que minha opção sempre fosse essa eu nem tive como pensar normal devido o tamanho da minha filha... nasceu com 4,35akg um sofrimento pra mim querer arriscar um parto normal.
Depois que eu tive ela fiquei pensando: se eu entrasse em trabalho de parto eu JURO, arriscaria um parto normal, mas não tenho como voltar atras.. sofri demais, sofri de todas as formas..
optei por algo, e no fim, se eu tivesse tido minha nenem onde eu moro (qse um parto em casa kkkkkk) acho que teria sido menos sofrido. Nem sempre um BOM hospital é a melhor solução.. fato!
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