Não interessa a quantidade de livros que li sobre educação infantil... ainda me interesso pelo assunto. Tenho vontade de acertar, ainda mais agora morando numa cidade onde a tolerância para crianças mal educadas é praticamente zero. Não preciso dizer que já recebi "olhares" na rua e nos mercados quando Arthur esperneou e gritou. Definitivamente, não agradamos. Nem ele, com seus gritos, nem eu, com minhas broncas. Dá pra fazer melhor? Pelo visto dá. A jornalista americana Pamela Druckerman, que mora na França, acaba de publicar um livro elogiando a forma como as mães francesas educam seus filhos, aparentemente mais pacientes , educados e que, além de tudo, comem brocoli, espinafre e outros alimentos ditos "pra gente grande".
Nesse artigo, ela explica que a razão disso está em como as mães francesas ensinam seus filhos, desde bebês, a exercitarem a paciência, ou seja, elas não param tudo para atender imediatamente as vontades do filho. Errrr... ops, confesso que, para não escutar o grito e o choro do Arthur, muitas vezes deixo de fazer o que estou fazendo para pegar isso ou aquilo ou fazer isso ou aquilo. Nos restaurantes, confesso, é um estresse sem limites, tanto que eu e meu marido já deixamos de frequentar há alguns anos. Simplesmente não dá. Outro ponto para as mães francesas. De acordo com Druckerman, as crianças francesas conseguem se sentar civilizadamente num mesa e comer sem abrir todos os pacotes de sal e açúcar e, principalmente, não derrubar o vidro de vinagre no chão.
E .. sobre educação, isso é verdade... elas sempre falam "bonjour", "au revoir" e "s`il vous plait" . O tratamento aqui é vous (para quem você não conhece ou pessoas mais velhas) e sempre, sempre "madame", "monsieur". Sim, meus filhos falam por favor e obrigado (são frequentemente lembrados das palavras "mágicas"). No caso, Druckerman diz que é importante também fazer os filhos cumprimentarem adultos com bom dia, boa tarde e boa noite, pois isso os leva a perceber que o mundo não gira em torno deles, que existem outras pessoas (adultos) com interesses e vontades. Sempre faço meus filhos cumprimentarem meus amigos, mas nunca pensei dessa forma.. ah! e nem sempre eles falam "bom dia ou boa tarde"... às vezes é simplesmente um "oi" com a cabeça baixa ou escondido atrás de mim...
Me sinto um peixe completamente fora d´água aqui... e, lógico, péssima mãe, com filhos selvagens que gritam, se jogam no chão e choram sem parar quando escutam "não". Esse livro veio em boa hora pra me lembrar que meu filho é meu filho, não meu chefe; que ceder para não escutar o choro nos próximos cinco minutos traz consquências mais graves no longo prazo (crianças, ou pior, adolescentes tiranos). Mas nem tudo está perdido... Arthur gosta de brocoli ; )
Olho por olho, dente por dente...
Na contramão do livro de Druckerman, outro assunto tomou conta dos jornais e sites de todo o mundo: um pai americano postou um vídeo no You Tube para dar uma lição na filha, mal educada, que reclamou dele publicamente no Facebook acusando-o de obriga-la a fazer todo o trabalho doméstico da casa... detalhe: fazer a cama dela, varrer o chão da cozinha e do quarto, limpar a mesa quando estiver suja e esvaziar a lavadora de louça. A menina havia ocultado a mensagem para que os pais não pudessem ler, mas o pai, que trabalha numa empresa de IT, decidiu fazer um upgrade no notebook dela (para isso gastou 130 dólares em softwares) e achou o tal post no Facebook. Resultado: ele não apenas deu a bronca pública, mas também literalmente detonou o notebook com nove tiros. Outro, segundo ele, só comprando com o dinheiro dela.
Resumo da história: tem gente que acha exagero eu me preocupar tanto com o comportamento nada saudável do Arthur. Mas ao ler a notícia acima, me dá arrepios pensar que meus filhos possam se tornar adolescentes tão mal educados e tiranos... Acho melhor ir de "francesa" agora e pecar pelo exagero que sair detonando notebooks daqui alguns anos! O que acham?
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










12 comentários:
Nossa, Sueli, não poderia concordar mais. rs Meu Luquinha ainda tem 2 meses, mas já fico imaginando como serão essas situações e como evitá-las. Por isso, adoro ler artigos, posts e livros que falam sobre educação. Tenho essa noção porque morei nos EUA quando era mais nova e trabalhei como baby sitter. Vi isso de perto, como a educação dos pais é passada diretamente para os filhos. Na ocasião, estava cercada de bons exemplos. Pais gentis e educados com todos que tinham em seus filhos seus reflexos. Não obrigavam os filhos a serem educados, apenas reforçavam em cada atitude a educação para que os pequenos pudessem repetir. Vou guardar seu post e o da francesa para não esquecer disso quando Luquinha crescer mais um pouco! :) Beijos, Julia.
Ai Sueli... eu tava conversando ontem com uns amigos sobre os "limites" nos restaurantes... eu acho que não tem tanto problema assim as crianças correrem e brincarem entre as mesas se for o "clima" do restaurante. Aqui na minha cidade temos restaurantes assim, onde as crianças podem brincar mais a vontade... mas tem gente que acha que não, não pode, tem que sentar, comer e conversar em tom adequado desde pequeninho.
Eu não acho que uma criança que brinca no restaurante vai esconder uma mensagem boba do pai. Eu acho tão inocente a mocinha chamar de "trabalho doméstico" tão poucas tarefas e ficar tão passada por conta disso... Eu reclamava muito no meu tempo também, se tivesse internet na minha época dava um curtir nela. Adolescente que não reclama dos pais é raridade!
Mas eu acho que ela escondeu a mensagem porque conhece o pai que tem. Ser rigoroso além da conta... atirar no notebook? porque não vendeu então? doou pra alguém que realmente faz trabalho doméstico? Pra uma empregada doméstica? Pra mãe da garota? Pro gari?
Eu também esconderia muita coisa do meu pai se ele fosse assim tão rotineiramente maluco.
Olá Sueli!
Realmente educar é uma arte.
Eu sou uma mãe bem exigente em relação a vários assuntos ditos acima.
Acho q é o certo ,afinal amigos e familiares sempre dizem q elas são educadas e sentem prazer em tê-las nas suas casa.Isso me deixa feliz feliz e certa do caminho q estou seguindo com elas,claro q às vezes tem erros ,mas somos mães e queremos sempre o melhor e não tenho vergonha de pedir desculpas pra elas...
Bjs!!!
Ótimno post!
Sueli, sei bem o que você passa como pequeno Arthur, confesso que já passei muitas vezes isso com a minha pequena. MAs chega uma hora que nós mães queremos - DESEJAMOS- sair um pouco de casa e ter um pouco de sossego, então eu passei a levar lápis, livro para pintar, brinquedinho, tudo que eu sabia que mais a atraia, então eu liberava aos poucos, assim quando ela enjoava de algo eu já tirava outro "coelho da cartola", e assim ela continuava a interagir com os brinquedos dela. E geralmente para três pessoas ocupávamos uma mesona grande, eu recebia muitos olhares nos lugares, mas nada como comer o meu prato em silêncio, isso não tinha preço.
Antes de sair de casa eu sempre faço um acordo com ela, não se comportando ela vai chegar em casa e vai pro castigo, ou vai perder algo que gosta muito e sendo assim se se comporta eu dou alguma coisinha que ela pode escolher (isso sempre acontece no mercado, eu a deixo escolher somente um item, tirando o que eu já compro para casa, mas se ela ficar pedindo o segundo, perde o primeiro como castigo) e aos poucos vai funcionando. Eu gosto de livros que nos mostram algumas alternativas, mas muitas delas simplesmente não funcionam na minha casa, e eu busco sempre utilizar algo que não vá me tirar o meu foco do dia a dia, vamos tentando encaixar as coisas. um exemplo meu é a televisão, muitas mães abominam a tv, aqui em casa eu não seria N-A-D-A sem a tv na hora da Duda dormir, e é necessário trinta minutinhos para ela acalmar e pegar no sono, e ela sabe que a hora que a tv desliga não tem choramingo, ela já teve o tempo dela.
Sobre a notícia do pai que atirou contra o notebook da filha, olha... eu acho que entendo um pouco do sentimento dele, eu não acho a forma mais correta, li até que eles entraram em um acordo e que a filha entendeu..
Bjks
Sueli, ontem eu escrevi um post mas não sei o que houve, rsrs.
Aqui em casa eu tbm leio muitos livros sobre educação, mas nem sempre todas as dicas eu consigo aplicar aqui.
Com a minha filha sempre tento entrar em um acordo assim ambas as partes saem ganhando.
Restaurante é complicado mesmo, mas eu sempre levo muitas coisas que ela gosta, pegamos uma mesa grande e sempre que ela enjoa de algo eu dou outro brinquedo a ela, algo que a concentra muito é pintar, então sempre saímos com livros para colorir.
E que atire a primeira pedra a mãe que nunca fez a vontade de um filho para não ouvi-lo chorar.
;-)
bjks
Sueli vc mudou de cidade?
Olha, eu nao sei nao viu, se as criancas francesas sao tao educadinhas assim. Moro perto mt da Franca e to sempre lá, o que vejo e super frequentemente, sao pais batendo na frente de todo mundo no rosto dos filhos qd estes agem de forma errada (que nao lhes agrade!) As criancas sao barulhentas e mt. E os joves quase insuportáveis.
Nunca reparei em restaurantes, mas enfim, nao vejo a sociedade francesa como bom exemplo de educacao, sinceramente, eu os acho ate bem mal educados, furam fila direeeetooooo, impressionante. De qq maneira, isso que a escritora fala no livro e que vc mencionou acontece tbm mt aqui na Alemanha. Os pais nao fazem da crianca o centro da atencao nao. P. ex., aqui em casa só temos uma tv e quem decide o que os filhos (de 15 e 17 anos) vao assistir ou ate que horas, somos nós, os pais. É duro pra mim que sou maezona, mudar alguns conceitos meus, que ja adquiri em anos de maternidade apaixonada, mas vejo aqui o mal que excesso de zelo e protecao pode trazer aos nossos tiraninhos do futuro.
Ai ,acho que mudei de tema. sei la.
Bom reler vcs aqui meninas, fazia tempo que nao vinha.
Um bj pra vc e pra Ceila
Minha filha está numa fase chatiiiiiinha... e eu tenho pensado muito na questão dos limites. Normalmente, ela vai a restaurantes com a gente sem problemas, mas ontem fez um baita escândalo por que acordou de uma soneca no meio da refeição com vontade de fazer xixi, mas se recusava solenemente a ir ao banheiro, dizia que estava com frio mas não deixava eu colocar a blusa mais quentinha, dizia que queria pizza mas se recusava a comer qualquer coisa (inclusive pizza)... Minha estratégia: retirei-a do carrinho mesmo aos berros (ela ainda está com 2 e 9 meses então ainda dá pra pegar no colo!), levei-a ao banheiro, dei uma bela bronca sem alterar a voz, coloquei a blusa sob os resmungos dela e coloquei-a no vaso três vezes, até que deixasse o xixi sair. Depois, não satisfeita com todos os olhares direcionados à ela e à mãe megera que obrigou-a a ir ao banheiro, continuou berrando no colo do pai. Resultado: ele saiu e eu fiquei para terminar de comer minha pizza fria, mas ela teve um "castigo" que foi batata, guardei os óculos de carnaval que ela tanto amo no meu armário e expliquei que ela só poderia pegá-lo no dia seguinte, se ficasse mais bacana. De forma impressionante, ela entendeu a mensagem e mesmo triste não fez outro escândalo. Hoje ela já está com o óculos! Dá trabalho dar limites, mas sem limites não dá pra "trabalhar"! hehe
Boa sorte aí Sueli!!!
Meu DEus! Me vi nessas situações!Vou comprar o livro pra ontem!
Sueli, vc sabe se há o título em português, no Brasil? Qual título devo procurar aqui?
Obrigada!
Oi Magali, acho o livro ainda não foi traduzido para o Português por ter sido lançado recentemente. O título do livro em inglês é Bringing up Bébé...
beijos
Sueli
Nina, acabo de me mudar para a Bélgica.. quem sabe um dia a gente não marca um encontro no meio do caminho... é só deixar esse frio passar q vou me aventurar por ai.. kkkk beijo pra vc ! Ah! Aqui em Bruxelas.. vi crianças mal educadas e bem educadas... (mas as mal educadas não falavam francês kkkkkkkkkkk) vai saber, acho que depende mesmo da família e da mãe... ninguém nasce mal educado, isso é formação, infelizmente.. beijos
Varandinha e Carolina... amei as dicas . também tento entreter os meninos num restaurante, nem sempre funciona... agora, em relação aos castigos e limites que devemos impor concordo plenamente, mas ultimamente parece aque até isso não funciona mais... essa fase agora tá complicada aqui em casa! beijos e obrigada por compartilharem a experiência de vcs!
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