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Hoje é dia de blogagem coletiva e resolvi misturar um monte de coisas diferentes no mesmo saco. SIM, um baita risco para más interpretações. Mas, peço ajuda aos anjos mensageiros para transmitir minha opinião: vamos lá!
Primeiro preciso gritar que sou extremamente crente no trabalho. Creio que a prática de uma profissão contribui para o ser humano tornar-se maduro, responsável e, principalmente, para reconhecer sua identidade adulta. Em segundo lugar preciso dizer que AMO trabalhar e, não conseguiria assumir meu papel de mãe, se eu precisasse abandonar todos os papéis relacionados à profissão.

Dito isso, faço agora minha crítica a um ÚNICO resultado (abaixo) da pesquisa Confissões de Mãe que reforça a mensagem para sentirmos ALIVIADAS por trocarmos nosso tempo de mãe pelo tempo profissional. 
Será que as mães que trabalham são tão diferentes das que passam mais tempo em casa?
Veja os resultados e respire aliviada:
Ex. Gosta de conversar com os filhos e ouvir suas histórias - 95% das que trabalham e 94% das que não trabalham
Fonte: Confissões de Mãe
Vale ressaltar que a crítica é somente a este resultado e não desmerece o mérito da iniciativa, que traz vários resultados interessantes, importantes e benéficos para entendermos nossa identidade materna (Recomendo a leitura e parabenizo a iniciativa), mas me incomoda muito esta mensagem tão forte, tão construída e tão cheia de interesses econômicos.

Eu considero a venda dessa mensagem uma hipocrisia, além de representar um retrocesso para nossa sociedade. Soa exagerado porque é pessoal, vem do coração e de uma trajetória dolorida de autoconhecimento. Eu me sinto violentada quando leio essa mensagem porque sei o quanto ela influencia uma mãe culpada por não ter tempo para o filho. É tudo o que a gente mais quer ouvir porque a intuição não pára de reclamar pela nossa escolha! Mas se ouvimos essa mensagem, corremos o risco de entrar em dois fenômenos que as famílias enfrentam hoje em dia: a terceirização sem culpa e a acomodação.

Radical?! Talvez, mas não tenho dúvida de que quando a gente se alivia daquilo que nos incomoda passamos para outra etapa. Saímos do estado de alerta, de atenção, de busca...E, neste momento, mais do que nunca, nós, mães, precisamos desse estado de alerta! Precisamos sentir sufocadas diante da ausência de tempo dedicado aos nossos filhos. Porque ela faz diferença SIM!
Estar presente tem um valor diferente de estar inteira ao lado do filho. A presença é um valor que não pode ser descartado pelo outro valor que se chama qualidade de tempo. Chega de se enganar, chega de trocas e comparações que prejudicam as nossas famílias. Acorde, questione e vale ressaltar: a culpa não é a solução... Isso, no entanto, não exclui a necessidade de ouvir nosso coração.

Não temos essa dor comum por acaso. Ela é resultado da história da humanidade e está muito atrelada às mudanças que precisam ser feitas no mercado de trabalho. Não finja que a qualidade do tempo compensa a ausência. Nem se martirize pela impossibilidade da sua presença. Esse é o desafio comum da humanidade que cria condições para o trabalho remoto, mas utiliza essas condições para glorificar o workaholic, os 24 horas conectados. Ou seja, tudo ambivalente, contrário, confuso, estranho...

Precisamos lutar contra essa distorção pelos nossos filhos. Uma família precisa de tempo, presença, qualidade e muito mais. E nenhum desses itens substitui o outro. E nem todos terão condições de oferecer essa cesta dentro de casa.

Podemos até debater a licença-maternidade, licença-paternidade, falar das possibilidades do homeoffice e perceber as infinitas potencialidades que as chamadas TICs trouxeram para o mercado de trabalho, mas a maioria dessas condições NÃO EXISTE. É preciso criá-las com a unha, com choro, com dor, coragem e muita, mas muita ousadia. As megapoderosas multinacionais podem até fazer propaganda sobre o bem-estar da família, contratar palestrantes sobre a gestão do tempo e montar uma creche dentro da empresa, mas não abrem espaço para diálogos. Não precisam sentir-se culpadas, mas please, não respirem aliviadas.

Na minha opinião, trabalhar fora faz diferença. E muita! Mas não dá pra aliviar essa diferença com a acomodação. É preciso agir e reconhecer a importância de tornar-se cidadã para lutar por condições de trabalho menos violentas com tempo à família.

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Quem acompanha o blog sabe que passei, e ainda passo, alguns apuros por causa do temperamento do meu caçula. Não tem sido fácil, adianto. Hoje, ele está bem menos agressivo, mas ainda assim preciso ficar de olho na ferinha. Birra ainda ele faz e muito... quando está atacado grita e se joga no chão, não importa aonde. Outro dia foi num café, no dia seguinte... na biblioteca, no supermercado e assim vai. Nessas horas, juro que o sangue esquenta. Por isso mesmo fico de olho em todas as pesquisas sobre o assunto e venho aqui exatamente para compartilhar essa reportagem do Today Show onde pesquisadores de Yale e Kings College afirmam que IGNORAR é a melhor solução. E mais... é bom também esquecer tudo o que leu sobre como controlar a birra dos filhos em livros e mais livros, pois nada vai funcionar. O que funciona mesmo é ignorar a birra e elogiar SEMPRE o bom comportamento dos filhos. CONSISTÊNCIA, como sempre, é a palavra chave. No começo, vai se sentir frustrada ... mas se persistir, vai notar mudanças positivas no comportamento do pequeno...

Eu muitas vezes tento ignorar, mas sei que é complicado escutar por horas o grito e o choro. Deixa qualquer um louco! Mas todas às vezes que ignoro, Arthur se cansa e dorme. Quando acorda, é um outro menino. Quando estou num lugar público se seguro firme no braço, a situação piora... ele grita AINDA MAIS, por isso não dá pra chamar a atenção dessa forma. Agora minha tática é ficar de joelhos e pedir para ele olhar nos meus olhos e explicar o porquê do grito e do choro. Tem funcionado.
Ontem, por exemplo, fomos numa fazendinha com a escola. Ele andou a cavalo, deu comida, escovou o animal... tudo pra ser um dia perfeito até ele tentar montar numa cabra! Sim, enquanto todas as crianças corriam de um lado pro outro e davam comida para  as cabras, Arthur teimou em montar uma delas... lógico foi parar no chão. Não satisfeito, tentou novamente... e lá foi ele para o chão de terra. Não teve jeito, começou a gritar, chorar e se debater. Respirei fundo e pedi para ele olhar nos meus olhos e explicar a frustração. Deu certo, quase não acreditei!

Agora a pouco, no carro, ele me pediu um pirulito. Eu disse que antes do almoço não. Ele começou a chorar e gritar, ignorei. Ele parou e me disse: "eu não gosto de você". Eu perguntei o motivo... e logo acrescentei: "não entendo porque você não gosta de mim, pois eu acordo você com beijo, faço seu arroz preferido, esquento seu leitinho todo dia , leio e brinco com você". Depois de uma longa pausa... ele me disse, "aiiiiii eu gosto de você mamãe".

Mães! Se tiverem dicas de como controlar a fera... compartilhem essa preciosidade aqui nos comentários!!!! Obrigada!!!!!!
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Soa tão antigo a expressão "dupla jornada" que torna-se banal dizer que esse fenômeno ainda faz parte da nossa realidade...Pelo menos essa é a minha sensação quando escolho tal título para finalizar a sessão de entrevista com o sociólogo Gustavo Venturi, que coordenou a famosa Pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado.

Meu desejo era ter um título que a assustasse, que a deixasse totalmente em pânico e louca pra fazer alguma coisa agora, mas como diz Marina Colasanti: a gente se acostuma! Então, tive que me contentar com a "Dupla Jornada Continua" e tentar lhe convencer o quanto essa escolha é absurda.

Eu vivo a múltipla jornada, mas de um jeito ainda mais simbiótico porque escolhi dedicar mais tempo à maternidade sem poder deixar o trabalho e ainda lidar com a paixão pela profissão. Ou seja, sei o quanto é complexo dialogar sobre a "dupla jornada" dentro de casa. Mas, ATENÇÃO, fora de casa...é muito, mas muito pior.

Fora de casa, a "dupla jornada" vira piada, brincadeira ou algo distante, tão distante que não faz parte da sua vida. Aí você não entende o que isso tem a ver com feminismo, maternidade, bolsa família, salário, educação ou qualquer outro assunto que demanda política pública. E o pior você não entende o que você tem a ver com isso. Talvez, também, por isso, seja tão complicado se envolver em movimentos feministas...

Eu não conheço nenhuma mulher que não defenda a autonomia feminina e olha que conheço muitas mulheres mineiras, do interior, acima de 50 ou 60 anos, que têm um jeito de viver completamente diferente daquilo que é considerado moderno e urbano. Vale ressaltar que entre as mulheres que conheço há também aquelas que seguem os perfis das mais globalizadas e cidadãs do mundo. No entanto, não consigo contar nos dedos de uma só mão, quantas delas se identificam como feministas. Porquê????

Posso responder por mim...Minha ojeriza ao feminismo começou no mesmo instante em que surgiu meu interesse. Só fui pensar sobre feminismo quando me tornei mãe. No inicio, senti medo dos estigmas porque me colocava do lado oposto das feministas...No meio do caminho, compreendi que agia assim em função da história política das mulheres, que precisaram brigar com a maternidade para trabalhar fora. Hoje sinto que temos o papel de inserir a maternidade que temos dentro de casa no feminismo.

Sem isso, as feministas continuarão lutando somente pelas prioridades e pela maioria. E mais uma vez vamos continuar dentro de caixas. Não há uma única solução para a dupla jornada. Ela precisa de diálogo com o marido, com a empregada, com o chefe, com a comunidade de mulheres e com governo. Ela não só começa dentro de casa, mas principalmente no debate entre as diferenças da mulher e do homem dentro de casa.

Não dá pra brigar pela licença-maternidade sem inserir a paternidade nesse processo. Não dá pra pensar em igualdade de salários sem inserir a mudança cultural dentro de casa. E, definitivamente, não dá pra lutar pela redução da dupla jornada sem as mães dentro dessa agenda política. Por isso, convido a todas blogueiras a pensar sobre isso, blogar se der vontade e tentarmos juntas fazer diferente. Pra isso, convido a ouvir e ver o último vídeo da entrevista com Gustavo Venturi sobre a manchete do jornal Metro, que dizia que Três em cada 10 mulheres deixaram o trabalho para cuidar dos filhos:



PS: Esse vídeo faz parte de uma entrevista realizada no decorrer do mês de abril de 2011, cujos demais vídeos podem ser vistos nos posts abaixo:
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Ainda não sou mãe de adolescente, mas ultimamente tô me sentindo assim. Desde o começo do ano, é um tal de mãe não faz isso, não faz aquilo. Quero usar meu cabelo assim e vestir tal calça. Epa! Pensava que era só mãe de menina que passava por isso, mas não... me enganei completamente.
Na semana passada, num dia bem frio, coloquei um gorro - com bolinhas no topo - na cabeça do Tomás. Na hora, escutei "I will not wear this hat, please don´t embarrassed me mom" (não vou usar esse gorro, por favor não me envergonhe mãe). Disse que era um gorro lindo que o deixava mais lindo ainda! Não adiantou, ele simplesmente me olhou com aquele olhar de "já disse que não"!

Dai chega o Halloween! Um dia antes da Halloween Parade da escola, eu organizei as fantasias para ele escolher: Thomas the Train ou Elmo! Nossa ... ele me olhou HOR-RO-RI-ZA-DO. "Mãe eu não sou mais criança..." EPA, COMO ASSIM NÃO É MAIS CRIANÇA? Seis anos é bemmmm criança ainda! E antes de eu abrir minha boca, ele já acrescentou "eu vou ser um trooper ou Jedi". Aiaiaiaiaiai... e lá foi ele com a roupinha do Jedi feliz da vida!

Meu primogênito já não quer mais saber das roupas que eu escolho, do gorro de bolinha ou do pijama de ursinho. Não quer que eu arrume o cabelo dele assim ou assado e nem quer saber de levar sanduíche em forma de coração... que antes ele achava o MÁ-XI-MO.

Dai lá vou eu colocar a fantasia do Elmo no Arthur, meu caçula de três anos... "Não mamãe, eu sou Spider Man"! Pode uma coisa dessas? E, detalhe, desde que a febre Star Wars começou aqui em casa não faço nada mais além de escutar e aprender sobre Jedis, Chubacas e Light Sabers... eles até tentaram me transformar na princesa Leia... Mas, como disse pro Tomás, meu closet só tem roupa preta.. acho que sou mais Darth Vader!

Ele ri.. e fala "Verdade! Então vamos ler mais sobre Star Wars.. " Às vezes acho que é castigo, porque eu NUNCA me interessei por Star Wars.. acho uma chatice sem fim. Ser mãe de meninos não é bolinho não, aqui em casa não tem espaço pra princesa ou reino encantado... Moramos numa galáxia distante, cheia de monstros, heróis e espadas que brilham!

E o consumo vai que vai...  E olha que essa coisa de Star Wars eles aprenderam com os amiguinhos, porque aqui em casa controlamos propaganda! Mas tem coisa que não dá evitar.... é como se fosse redesenhar o DNA das meninos.. e lá vou eu colocar minha capa preta e fingir que sou do mal! Afinal, sou a mãe que o força filho comer fígado, salada e vestir gorro de bolinhas!!!