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Fervilhando de idéias e muito, mas muitoooooooo cansada. Ou seja, estou exatamente no estado ideal para não blogar...Mas não resisti a ansiedade de compartilhar, pelo menos, alguns fragmentos do que vivi durante o Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, promovido pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal ( também nunca tinha ouvido falar da entidade, mas fiquei encantada).

Várias luzes se acenderam não só como mãe, profissional, ativista, mas principalmente como cidadã. E, quando eu me coloco neste lugar (o lugar da cidadania) reconheço a prática do blogar  e me vejo 100% blogueira. Sinto que esse é o papel do Desabafo de Mãe: encontrar a cidadania da maternidade.

Acho que é uma busca constante de todos os pais que tentam se encaixar na vida de hoje, a qual não nos dá condições favoráveis para a família. Até mesmo os ricos sofrem influência deste novo padrão familiar baseado na ausência do humano. Mas vamos ao ponto: o que quero compartilhar com você hoje são as falas de Tião Rocha, do CPCD, que participou do encerramento do evento. Ele disse muitas coisas válidas, contou muitas práticas, mas destaco a fala em que ele coloca valores ou preços: o que vamos escolher para nossos filhos?

Você vai continuar comprando o chocolatinho da padaria pra se sentir menos frustrada pela ausência ou vai cobrir seu filho de valores que incluem trabalho, limites, generosidade, sabedoria, tolerância....Eu achei bárbaro trazer essa questão de precificar a troca ou valorizar a troca porque ela pode servir de critério para muitos pais que ainda não acordaram para questão do consumo na infância. Acho que vale toda hora parar pra pensar a troca que você está estabelecendo com seu filho: ela resulta em preço ou valores? Você vai liberar o sorvete antes do almoço? Percebeu que além de prejudicar a hora do almoço fez uma troca paga. Ou seja, troca precificada. Qual valor desta troca? Pode ser o consumo para aliviar a dor de cabeça do choro ou da insistência infantil.

Tudo que tem preço vale a pena parar pra pensar antes de dar ao filho. Não estou defendendo uma ação xiita e neurótica contra consumo - eu nasci neste século capitalista, moderno e contemporâneo - estou só propondo uma reflexão, um parametro, um fôlego... É muito comum os pais fazerem isso no automático pelo simples hábito de se dar pela mercadoria: só uma bexiguinha, só um chiclete, só uma balinha...não tem importância...O problema é que a balinha vira hábito. Ninguém erra pela exceção, mas pelos hábitos do só.... Vale registrar também a fala de Eduardo Gianetti que destaca o desafio das crianças lidarem com as frustrações e, portanto, não saber esperar já que estão habituadas a agirem pelo impulso. Qual impulso? Aquele que a gente sacia pra ontem pra não ter de aguentar a parte chata da infância.

Enfim, essas falas tão importantes ( que espero retomar com tempo) me fez lembrar de Zygmunt Bauman, cujo livro Arte da Vida está com 50% de desconto na Livraria Cultura, que diz o seguinte: nenhum aumento na quantidade de um bem pode COMPENSAR plena e totalmente a falta de um outro de qualidade e proveniência diferentes. Portanto, não se engane: não há recompensas mercadológicas para ausências emocionais e espirituais. Reserve um tempo com seu filho sem trocas precificadas e o ensine a valorizar as trocas da vida.

Bom fim de semana!
Quando escrevo sobre homossexualismo  homossexualidade e homofobia, não levanto bandeiras. A intenção é informar para, então,começar uma discussão sobre tolerância e aceitação. Quando leio notícias de crianças e adolescentes homessexuais que cometeram suicídio por terem sido vítimas de bullying me pergunto aonde está o pai do agressor? Eu respeito a decisão das famílias de se discutir esse ou aquele assunto com o filho, mas não aceito um pai ou mãe que se omite em relação a ensinar a importância de se TOLERAR e RESPEITAR o outro. Nesta semana, uma reportagem me chamou a atenção: “Separate school for bullied kids?”, na qual é discutida a possibilidade de se criar nos Estados Unidos escolas para vítimas de bullying. Para a comunidade LGBT (Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender) separar não é a solução, pois apenas cria uma falsa sensação de proteção e não os prepara para a vida real. A solução é integração, convívio. E para isso é preciso preparar ambos os lados para que essa relação seja, no mínimo, respeitosa.
Confesso que me custa muito a entender o porquê da homofobia ainda existir. Ser homessexual não é ser promíscuo, possuído pelo demônio (sim, pessoas ainda acreditam nisso em 2011) ou mil e uma outras coisas que você e eu já estamos cansados de escutar. Sinceramente, quando olho para os meus filhos a única coisa que preocupa é se eles serão felizes, amáveis, educados e responsáveis... Já disse antes, não quero criar um bully. E, lógico, não quero meu filho vítima de um bully, se sentindo acuado e infeliz pelas escolhas que ele fez na vida.

Tomás, de cinco anos, e Arthur, de dois anos, convivem com todos os meus amigos. Eles sabem que tenho amigas casadas com amigas e amigos casados com amigos. E é natural para eles porque é natural para mim, simples assim. E, na minha opinião, é assim que deve ser. Já me falaram que sou liberal demais e que influencio meus filhos ao expô-los à homossexualidade tão precocemente. Na minha opinião, eu não influencio, apenas deixo eles viverem a vida com um todo. Não vou esconder a namorada ou namorado desse amigo ou daquela amiga no armário simplesmente por não querer abordar o assunto dentro de casa. Essa é minha opção. Quero meus filhos livres e informados sobre tudo e, o mais importante, quero que eles entendam que isso é natural, não uma cruz que você deve carregar para o resto da vida… como se fosse penitência.

 Aquela velha história… "do filho homessexual que decidiu “contar “ pra mãe aos prantos pedindo para ser aceito...” Ah! Isso… para mim seria a morte. Filho não precisa ser aceito, filho não precisa pedir permissão à mãe para viver a vida dele… As pessoas já nascem inteiras,não se transformam ou mudam da noite pro dia, talvez… apenas para satisfazer a mãe e o pai.
No Brasil, encontrei esse link maravilhoso que pode ajudar muitos pais perdidos nessa luta pelo conhecimento: Grupo de Pais de Homessexuais. Por favor, assistam ao Profissão Repórter,com depoimentos que mostram que o problema é a ignorância não  a homossexualidade.

Nos Estados Unidos, existem vários grupos maravilhosos, um deles, inclusive apoia pais de crianças transexuais: Gender Spectrum! E no Brasil, existe algum?

Mais uma vez... RESPEITO a decisão de pais e mães de não abordarem esse ou aquele assunto dentro de casa, mas ensinar RESPEITO e TOLERÂNCIA nunca é cedo demais!

** Texto editado baseado no último comentário: homossexualismo x homossexualidade ...Vivendo e aprendendo! Amo aprender mais e mais! Obrigada pelos comentários maravilhosos !
Foi na Conferência da Mulher que descobri a importância das Casas de Parto para a humanização do nascimento. Só diante daquela diversidade de ativistas percebi que a carência mais básica da vida não é atendida no Brasil. Enquanto enxergamos a cultura do medo, a ganância de profissionais, o lucro da indústria da Saúde para dificultar o parto normal não percebemos a falta de ACESSO. Não há lugares feitos para parir no Brasil. Nenhum político nem entidade luta pela existência de Casas de Parto no Brasil...

Não é só pela eterna ineficiência política, pela burocracia infernal e pela corrupção absurda, a inexistência das Casas de Parto no país retrata também a nossa cegueira, nosso umbiguismo e uma certa preguiça dos profissionais que podem dar o pontapé inicial nesta briga política na área de Saúde Pública. Mas pra quê lutar por algo tão "improdutivo" e, detalhe, tão arriscado?
"Improdutivo": casas de parto não são reconhecidas como demanda dos cidadãos que conversam com os candidatos. Sim, a periferia luta pelos seus direitos, participa das conferências, grita, apesar de nem sempre subir no palco e tornar-se as líderes das entidades. Os líderes continuam sendo a classe média.

Lutar pelas Casas de Parto implica em abrir os olhos da sociedade...Afinal, num país onde a Saúde Pública é um descaso político, o sonho de quem não paga um plano de saúde é ter um hospital com médico, e de quem paga é ser atendido por um médico mais humano. Ou seja, a carência em respeitar o outro é comum. Por isso, muito mais fácil falar em Humanização do Parto do que mudar a estrutura de acesso da saúde pública e privada do Brasil....Como lutar por Casas de Parto em um país que falta hospital?

Essa força concentrada no discurso traz também distorções absurdas como  a dicotomia cesarea versus parto (tão presente na blogosfera e na mídia), o descaso de profissionais de saúde com as gestantes do sistema público que nem sempre estão prontas para parir e a falta de salas de parto nas maternidades do sistema privado. Eu não sou contra o discurso da Humanização do Parto, mas acho que sozinho ele não resolve. É preciso que haja ação política. É preciso construir casas e criar lugares para parir... Cadê as maternidades privadas feitas para parir?

Eu nunca ouvi falar de nenhum lugar feito pra parir que fosse um serviço privado. E, cá entre nós, precisa lembrar do estigma do medo que invadiu o sistema público de saúde? É uma vergonha o quanto o discurso do medo tornou-se maior que o investimento que é feito nas universidades públicas do Brasil. Enfim, minha descoberta foi ainda muito recente...Só percebo nossa cegueira que precisa ser investigada, nosso umbiguismo que precisa ser eliminado e nossa eterna preguiça que precisa ser espantada...É com essa percepção ainda bruta que participo da blogagem coletiva desta semana do Parto do Príncipio que traz como tema principal o Respeito à Criança. Eu acho que o respeito à criança não começa só na hora do parto, pela mãe, a família e os profissionais de saúde...NÃO! Chegou a hora da sociedade também se responsabilizar pelo nascimento das nossas crianças e acordar pela necessidade de uma política pública que garanta lugares feitos para mulheres parirem. Nossas crianças também precisam disso!

Veja abaixo os blogs que participam da rede Parto do Princípio:
Cientista que virou Mãe
Mulheres Emponderadas
Mamíferas
Maternamente
10
Estou voltando devagarinho, bem devagarinho, a pensar alto com você. De novo, voltei pro casulo e (confesso) está uma delícia ficar aqui OFFLINE total, bem escondidinha da frenética vida online. Mas ouço ecos, penso vários posts e, cambaleando, cá estou eu. Mais pra dentro do que pra fora...resolvi contar a experiência de se tornar uma Mãe Waldorf!

Meu nascimento Waldorf surgiu numa roda de 12 mulheres, bem místico, sagrado e forte. Quando entrei na escola ainda enxergava tudo muito nublado...Só depois, com o TEMPO, descobri que atribuia à escola valores mágicos, quase infantis. Me descobri bem alienada quando comecei a cursar Introdução à Antroposofia e,então, percebi que a Waldorf é apenas uma escola. Uma ESCOLA feita para nossos filhos!

Não é um lugar feito para o seu filho, mas NOSSOS filhos. Sim, tornar-se uma Mãe Waldorf é transformar-se um pouco mãe da turminha. Você se sente em comunidade por mais estranhos que ainda somos uns para os outros. É diferente!

A sabedoria do tempo ganha mais intensidade e descobri que muito da minha alienação era apenas a identificação com as minhas raízes - aquelas cultivadas a partir dos seus primeiros vínculos sociais. Eu atribui muito à Waldorf minha própria infância que vivi rodeada de gente da cidade que cuidava de todos. Sim, eu vivi num interior comunitário, cheio de Donas e Seus, os quais representavam Respeito acima de tudo.

Hoje quando o urbano tenta resgatar a comunidade ela é bastante diferente. Não sei dizer se basta ter Respeito acima de tudo. Não. Uma comunidade nos dias de hoje exige mais, muito mais... Ela é nova, diversificada, globalizada, cheia de milhões de valores.....,mas sempre há algo comum: os desejos.

Sejam os desejos de oferecermos algo diferente do que a maioria oferece ou o de transformar nossos filhos tão humanos como um dia imaginamos. O fato é que aprendi que uma escola Waldorf assim como outras exigem concretização desses desejos e muito, mas muito comprometimento. Eu aprendi também o que é ponto caseado, fazer coroas de flores e até que existe um tal instrumento chamado kantelê. Admiro pessoas, as quais não sei quem são...e, às vezes, chego a sentir por elas um amor quase puro.

É meio confuso mesmo tornar-se uma Mãe Waldorf, mas a prática é tão clara, tão óbvia, tão presente. Antes quando ainda era apenas uma curiosidade entender o que era uma escola waldorf, eu procurava ansiosa por informações objetivas, claras, que pudessem detalhar as diferenças da pedagogia A, B ou C. Fiquei com RAIVA, muita raiva, de não encontrar nada. Nada que pudesse ser claro o suficiente pra eu fazer minha escolha. Minha dúvida, naquela época, era se minha filha seria muito atrasada em relação aos outros. Aprendi que agora, sem dúvida, ela fará menos que os outros. Por outro lado, ela também fará muito mais que os outros. Tudo depende do que é esse fazer...

As dúvidas continuam, mas a raiva já sumiu faz tempo. Aprendi que tem certas decisões que precisam passar pelo coração e as escolhas do coração seguem outra lógica - bem diferente da lógica da "informação". Ela exige informações claras e objetivas, mas elas virão de outra forma em outro tempo e de um jeito muito pessoal. Bem, pra fechar e depois de ter escrito tanto, eu não sei muito o que dizer sobre tornar-se uma Mãe Waldorf, mas posso lhe garantir que se você está com essa pulguinha atrás da orelha: ouça-a!
Vale indicar também um dos posts em que eu tentava ouvir essa pulguinha, leia-o!

PS: Ah, vale lembrar que suas perguntas poderão parir respostas para nossas dúvidas...então, fique à vontade pra questionar...posso demorar pra sair do casulo, mas eu sempre saio!
A gente sabe como é difícil encontrar um tempinho para sentar e, literalmente, fazer arte com o filho. Não é só paciência, precisamos também nos transportar para esse mundo de faz de conta e esquecer, por algumas horas, da reunião no escritório ou do jantar no fogão. Sete mamães dedicaram preciosos minutos de seu dia para participar da campanha Machucou! Onde?. Elas imprimiram, montaram, coloram, deitaram no chão e, ainda, registraram momentos muito engraçados dos filhos brincando com os paper toys!

Abaixo, você pode conferir as cinco fotos vencedoras escolhidas pelo Desabafo de Mãe!

Cortinho e Ana


Giulia e o teatrinho dos "Machucadinhos"

Davi e a Trupe dos Machucadinhos

Lucas e Cortinho: sorria!


E para finalizar, uma sequência divertida de Graziela, do blog GraFlor
Obrigada mamães!