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Ahhhhhhhhh, enfim, as férias estão acabando!!! 
Hoje vou publicar um velho desabafo sobre a leitura de Ziraldo para menina. Sim!!! Menina também gosta de Ziraldo nas férias, mas confesso que acho que Ziraldo faz mais sucesso entre os moleques. Vale ler os textos da Sueli para confirmar minha percepção.


Dezembro 2007 - Confesso que minha filha está bastante distante de ter uma avó tão moderna quanto a vovó Delícia, do Ziraldo, criada em 1997 pelo escritor mineiro. Mas tenho absoluta certeza de que a Maria Luiza encontrará vários perfis assim entre as avós das amiguinhas dela. Estamos falando de uma mulher linda, magra, loira e que ainda passará por uma plástica. Essa é a personagem que representa Vovó Delícia criada por Ziraldo. Mas não é só a mudança radical do perfil das avós da nova geração que Ziraldo trata com maestria neste livro, cujo exemplar lido por mim foi doado pelo Desabafo de Mãe à pequena leitora Kethleyn, de 9 anos, que mora em Curitiba/PR. Ele também nos leva para um mundo mágico que implica deitar de barriga voltada para o chão, cruzar as pernas para o ar e mergulhar literalmente nesta "conversa" típica de criança. É exatamente nesta posição que imagino a personagem principal deste livro que também é a narradora desta estória.

Adoro ler livros em primeira pessoa. Sinto-me muito mais íntima do escritor e, ás vezes, chego até a responder suas indagações. Não testei o livro com nenhuma criança porque a Maria Luiza ainda não aprendeu a ler, imagina "conversar" com os personagens por meio da leitura... Mas a própria narradora da estória explica que "a gente não lê livro, mas conversa com livro". Penso que as outras crianças entre 8 e 10 anos também terão a mesma sensação.

Quem tiver uma mãe moderna que se recusa a ser retratada com a vovozinha do Chapeuzinho Vermelho, ou a gordinha da família que adora fazer comidas, dará um presente enorme ao filho ao apresentá-lo o livro Vovó Delícia. Além da linguagem familiar, Ziraldo coloca a dose certa de humor nas páginas desta estória. Para se ter uma idéia, a Vovó Delícia é uma dessas guerreiras que até recebe flores de namorado, canta samba na mesa do bar e não faz muitas perguntas á neta. Ela ainda representa uma das mulheres de uma família do interior que se reúne naquelas típicas fazendas com mais de 100 familiares para a festa que acontece uma vez por ano.

Dei muita risada. Fiquei ansiosa em apresentar esta personagem à Maria Luiza porque mesmo que minha mãe e minha sogra ainda façam parte do perfil que era a minha avó - se é que elas ainda não são mais caretas - ainda acho imprescindível que minha filha conheça as diferenças e admire mulheres como a Vovó Delícia que adoram viver o agora da vida. Acho que nossos filhos têm uma chance muito maior que nós tivemos de saber lidar com a diversidade humana. E a leitura pode ser mais um caminho para eles atingirem essa harmonia.

Vale lembrar que a pequena narradora de Ziraldo cita em seu "diário" o livro "Minha vida de Menina", de Helena Morley, que só se tornou uma literatura clássica nacional porque quando era criança, na Diamantina dos anos 1890, seu pai, pequeno minerador descendente de ingleses, aconselhou-a a escrever diariamente num caderno suas observações sobre o mundo à sua volta. Uma chance para os pais de hoje não só incentivarem a escrita, mas a leitura de crianças do século XIX e daquele que mesmo na pele de um adulto continua sendo criança na hora de escrever.
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A releitura de hoje deixa muito a desejar para missão do Rainhas do Livro, mas vale para registro de quem aceitou o desafio de ler Lobato nas férias. Agora posso confessar: não gostei do Viagem ao Céu. Não é o livro que recomendo de Lobato. Não cheguei a lê-lo para Malu, mas a minha "leitura de jornalista" permitiu que eu contasse a ela sobre a parte do anjinho, do dragão e do visconde perdido no espaço. Vale detalhar a expressão "leitura de jornalista": li o livro para o lançamento do site Desabafo de Mãe. Foi uma ação quase automática, sem aquela descoberta da chave que transforma mães em rainhas. Vale comparar este com os desabafos das semanas anteriores:


 Outubro de 2006* - Quem nunca imaginou uma viagem ao céu? Minha memória seletiva já apagou meus vôos lunares da infância, mas ainda fico perplexa quando tenho a oportunidade de observá-lo. Confesso que esperava mais do livro de Monteiro Lobato, que intitula esse desabafo e faz parte das estórias do Sítio do Picapau Amarelo. Minha expectativa era encontrar fábulas que mostrassem às crianças o quanto somos pequenos, para não dizer supérfluos, diante da imensidão do mundo.

Mas justiça seja feita. Lobato ainda deixa escapar algumas lições bem no começo do livro, quando cria as férias-de-lagarto e insinua o quanto é importante se conscientizar do prazer de viver. E também alerta aos leitores mirins que os adultos não crêem muito nas aventuras vividas pelos personagens do Sítio que conhecem desde São Jorge na lua até anjinhos nas nuvens. Por meio de um diálogo entre Narizinho e sua boneca Emília, justifica-se essa descrença:

"A tal gente grande não sabe fazer a única coisa interessante que há na vida... O que? Brincar, oras bolas! E, cá entre nós, mesmo pais ainda temos uma certa preguiça para brincar.

Apesar da expectativa frustrada, não ficamos imune ao seu talento, perfeito no mundo da imaginação a ponto de torná-lo real. Não tenho nenhuma dúvida de que vale a pena ser lido principalmente quando a criança começar a aprender sobre os planetas do sistema solar. É óbvio que Plutão continua sendo o último dos nove planetas no livro, mas ainda não deparei com uma forma mais atual e divertida de falar sobre astronomia para crianças.

Qual é a estória do livro? O Viagem ao Céu faz parte da história do Sítio do Picapau Amarelo composta de 23 livros e conta como Pedrinho, Narizinho, Tia Nástácia, Visconde ( Dr. Livingstone) e o Burro Falante conheceram alguns dos nove planetas do sistema solar. Plutão, que perdeu o título de planeta há pouco tempo, não está no roteiro das crianças, mas faz parte das aulas didáticas de Pedrinho, um expert em astronomia.

Seu filho vai aprender sobre tamanho dos planetas, rotação de cada um deles e ainda brincar com a idade que teria se morasse em Netuno ou Júpiter. Também conhecerá São Jorge e seu dragão na Lua, os anéis de Saturno, um novo Visconde e, aos desavisados do suposto racismo de Lobato, é bom lembrar que palavras como negra, boba e beiçuda classificam tia Nastácia a todo momento no livro.

PS: os livros do Sítio Picapau Amarelo considerados "obrigatórios" são Reinações de Narizinho, Memórias da Emília, A Chave do Tamanho e os Doze Trabalhos de Hércules.

*Este
Li o Menino da Lua, de Ziraldo, para Tomás há dois anos... ele tinha três anos e meio. Na realidade, contei a estória, porque o livro traz textos longos, mas uma mensagem importante: amizade e ser aceito. Na época, lembro, não causou tanta comoção, mas hoje, com a possibilidade da gente mudar pela terceira vez de país, a estória ganha um sentido totalmente diferente. Tomás tem cinco anos, adora a escola e os amigos que tem. Uma mudança, agora, seria tirá-lo desse mundo familiar e seguro. Ele já me disse que não quer mudar. Tentei ler a estória pra ele, mas, identicando-se com Zelén, afirmou que não quer... Cada vez mais fica difícil mudar, por isso, pelo bem dele e do Arthur precisamos, eu e meu marido, deixar essa vida cigana e fincar os pés num lugar onde as crianças, nossos filhos, possam crescer com amigos.


2011 - Recordo-me da primeira vez que li o Menino da Lua para o Tomás, foi tudo muito divertido. O livro, presente da minha irmã, veio numa caixa com Zelén e as nove crianças que habitam o Sol, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, além de um tabuleiro que imitando o sistema solar. Enquanto contava a estória, brincávamos...

O Menino da Lua, Zelén, é pequeno e ´tem um olhar triste. Quer muito brincar com as outras crianças do "bairro", mas não é aceito. Mais ou menos o que aconteceu com Tomás quando nos mudamos pela segunda vez. Mas, por ser ainda pequeno, a integração foi rápida e fácil. Como todos sabemos, com a idade, as coisas se complicam... passam a existir regras para ser aceito em esse grupo ou acolá. Há regras de como se vestir, há regras de como se portar... tudo para ser aceito no tal grupo. Ai, como é difícil agradar.

Tá ai, o Menino da Lua não agrada. Ele espera a sua vez. Tenta e tenta até, por fim, ser aceito pela turma do pedaço. De tão feliz, pula tão longe que some na escuridão. Tomás me pergunta por quê? Minha resposta: porque ele superou esse obstáculo e foi enfrentar outros, sem medo!

Veja este link também!
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Reler o passado mostrou que acertei (ufa!) ao exagerar tanto ("errar"...) na leitura de Lobato para uma criança entre 4 e 5 anos. Malu sofreu com meu aprendizado de tornar uma mãe "adequada" na contação de estórias, mas ganhou muito em usar a imaginação infantil de acreditar em cucas e sacis.

Agora, relendo O Saci para uma menina de 7 anos, reconheço e identifico aquele bebezinho de 4 anos cheio de medos e curiosidades ao lado de uma criança mais esperta e menos ingênua. Tenho absoluta certeza de que Lobato precisa ser contado na primeira infância, mas vale ressaltar: CON-TA-DO. Jamais, lido. Há uma diferença prática muito grande na conjugação desses verbos. Enquanto o fim das férias não chegam, segue o texto escrito no extinto site Desabafo de Mãe:

2008 - A Malu não se interessou tanto pelo Reinações da Narizinho, mas ficou apaixonada pelo livro O Saci, de Monteiro Lobato. Ela sabe tudo sobre o saci e tem fascínio pela Cuca - a rainha das coisas feias.

Ontem quando acabamos a leitura do livro que será (foi) sorteado no blog Repórter Mãe, do concurso cultural do site Desabafo de Mãe, a Malu disse que tinha muito mais astúcia que o saci e iria quebrar todos os gelos da caverna da Cuca para um monte de pingo d'água cair na testa dela.

É impressionante como a Malu encarnou o personagem saci. Ela quer fazer tudo que ele faz e repete todas as frases que conto no diálogo entre ele e o Pedrinho. Sim, restou para mim ser o Pedrinho.

Eu li o livro para ela em menos de um mês e contava mais de um capítulo por noite. Não lia toda noite O Saci. A gente sempre faz um rodízio dos livros ou brincadeiras. Tem noite que ficamos vendo Charlie & Lola, outras nós preferimos desenhar e pintar os personagens de algumas histórias e outras noites é dia de leitura. Não tem uma data certa. Ás vezes, ela pede pra eu ler e escolhemos juntas o livro daquela noite. Ela sempre escolhia O Saci porque estava ansiosa pela chegada da Cuca, que só aparece no final do livro.

Como o livro será doado para concurso do Desabafo, resolvi desenhar alguns capítulos da história e isso contribuiu muito para repetirmos tudo que está escrito no livro. Ainda não risquei a Cuca no nosso caderninho, mas nem sei se será preciso porque a bruxa não sai da cabecinha da minha filha. Ela tem medo da Cuca, mas agora descobriu a fórmula de acabar com o poder daquele jacaré que assusta as criancinhas no sono. Como? Leia o livro para seu filho e descubra também.

O livro cita os mais conhecidos personagens do folclore brasileiro como Caipora, Curupira, Negrinho Pastoreiro, Lobisomem, Mula-sem-cabeça. As versões nem sempre batem com as estórias de alguns livrinhos que temos em casa. A Malu não se interessa tanto por esses personagens como pela história do Saci e da Cuca.

Aliás, a sensação é de que o ideal mesmo para crianças menores como a Malu seria uma versão do livro O Saci com imagens e sem as citações rápidas dos duendes encontrados pela dupla Pedrinho e Saci. Pelo menos, essa foi a experiência aqui em casa. E você já leu O Saci para seu filho? Conte aqui como foi essa experiência?
Flicts, de Ziraldo, é um dos meus livros favoritos até hoje. Vez ou outra, quando estamos em algum lugar Tomás sempre comenta que isso ou aquilo é “flicts”, como a lua. Perdi a conta de quantas vezes li o livro para ele que, até hoje, não se cansa de ouvir a estória. Tomás tinha pouco mais de três anos quando ganhou o livro, na minha opinião, idade ideal para abordar temas que vão além da cor. Arthur, meu segundo filho, ainda é novo… então a abordagem é mesmo as cores. Boa leitura!


2008 – Assim que abri o livro pensei “hummm, acho que Tomás não vai gostar porque não tem desenho, só formas e cores”. Mas ao três anos, achei que era hora de ler algo diferente. Foi assim que decidi apresentar Flicts, de Ziraldo, ao meu filho. A estória nos cativou, confesso. Tomás sofreu com cada rejeição e torceu que “flicts”fosse aceita pelas outras cores… Ele entendeu que se tratava muito mais que cores, que se tratava em aceitar o diferente.

Por ele ter nascido numa família multiétnica, sempre achei importante tratar do assunto com ele. O livro de Ziraldo é perfeito, adianto. Trata o diferente de uma forma tão interessante que é impossível não se apaixonar por “Flicts” e vibrar quando sabemos que sim, lá no alto, assim como todos no mundo, ela tem um lugarzinho especial e importante, no caso, colorir a lua que lá de longe manda ilumina a noite!

Mas quem não quiser dar esse “passo além” por achar que ainda não é a hora, ressalto que o livro também é perfeito para ensinar cores e formas, destaques da ilustração!
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Quem acompanha nossa missão de ler Lobato nas férias já sabe que publico aqui textos da época em que minha filha ainda era um bebê, entre 3 e 4 anos. E eu ainda era MAIS idealista e gastava meu pouco dinheiro comprando livros para sorteá-los em concursos culturais, os quais promovia junto com outras blogueiras. O concurso, que cito abaixo, acabou.

Mas o sonho de transformar todas as mães em Rainhas do Livro continua. E a missão desta sexta é contar um pouquinho o jeito que achei para trazer o Saci para infância da Malu. Convido as rainhas do Mãememorial, Tem quem goste e Mãe tudo igual a contar também suas experiências nesta missão. Aproveito pra dizer que agora, na prática, o livro O Saci virou recurso de recadinho de geladeira: toda manhã, depois que releio o livro para Malu à noite, escolho duas palavras mágicas pra serem lidas por ela. Em breve falo mais disso aqui...Por enquanto, segue minha experiência do passado. Boas Férias!


Setembro 2008* - Todo mundo conhece o Saci Pererê, mas são poucas as crianças que têm idéia do que está escrito no livro O Saci, de Monteiro Lobato. Pelo menos, essa é minha constatação entre as crianças, de 3 a 5 anos, que encontro no meu dia-a-dia. É por isso que resolvi não só passar alguns segredos do negrinho de uma perna só, contados pelo Tio Barnabé ao Pedrinho como também o livro será (foi) sorteado no debate criado pelo blog Repórter Mãe, que participa participou do concurso Onde você lê com seu filho, promovido em parceria com Desabafo de Mãe* entre os dias 15 de setembro até 15 de outubro de 2008.

Tem muita coisa que já não lembrava mais como as mãos furadas do saci, que gosta de passar carvão de uma para outra. Você já contou para seu filho como se pega um saci? Não? Então, aproveite para explicar a ele que é preciso ter uma peneira de cruzeta, uma garrafa e uma rolha com cruzinha desenhada em cima. Depois é só esperar o rodamoinho de poeira e folha pra jogar a peneira. Enfia a garrafa debaixo dessa peneira e não se esqueça de fechá-la com a rolha com a cruzinha desenhada. É a cruzinha que segura o saci. Faça igual tio Barnabé e avisa ao seu filho que o saci só aparece na garrafa depois que você cair de uma modorra. Antes disso, o saci fica invisível dentro da garrafa.

Eu estou desenhando todos esses detalhes no caderninho da Malu porque o livro, que temos em casa será (foi) doado em breve para quem ganhar(ou) o debate promovido neste mês pela Ana Inês. Espero que o vencedor nos conte sobre a experiência de ler ou acompanhar a leitura com filho para podermos criar uma Cultura em Debate (seção do site extinto) por aqui, que tal? UPGRADE: quem ganhou o livro, na época, foi Bia Peixoto. Quem sabe, nestas férias, ela não topa virar Rainha e fazer parte desta roda de leitura?

Desenhar foi a melhor maneira para transformar a Malu numa fã do saci. Ela sabe que ele adora fazer travessuras e basta deixar um suco ou leite cair na mesa para dizer que aquilo foi coisa do saci. Também expliquei a ela que o saci vive no Brasil onde há floresta. Ele não virou "gente" da Walt Disney como a Branca de Neve ou a Cinderela e tantos outros personagens que toda criança conhece a estória de cor e salteado.

Outra coisa que a Malu adorou descobrir (e a gente repete toda hora) é a vida do saci. Ele nasce nos gomos dos taquaruçus (bambus) e vive lá dentro por sete anos, depois vira o saci que é invisível para um monte de gente, o qual continua dessa forma até os 77 anos. Todo saci com 77 anos vira cogumelo venenoso. Essas são as partes que a Malu considera mais marcantes até agora.

Hoje comecei a contar as conversas que o Pedrinho tem tido com Saci na floresta. Haja paciência. A Malu me interrompe toda hora pra me explicar como ela faz para pernilongo não mordê-la, como é a fada Vida, que vive dentro do passarinho, dos bichos e da gente. Enfim, minha filha virou o saci contador de estórias, que sabe tudo sobre a floresta.

Eu faço o maior teatro nas cenas perigosas da onça pintada, da sucuri ou da cascavel. O olhinho brilha, mas dá medo. Imagino que contar essas aventuras para um menino deve ser maravilhoso desde que ele consiga prestar atenção, né!?

Infelizmente a coleção Monteiro Lobato peca muito pela falta de imagem.(UPGRADE: melhor assim para a imaginação criar suas próprias imagens). Por isso, desenhar e repetir toda a hora a mesma história antes de prosseguir a leitura do livro tem sido crucial para minha filha aprender sobre o menino de uma perna só. Gostou do pedaço do livro O Saci? Então, participe do debate neste mês no blog Repórter Mãe, que começou nesta segunda-feira. Quem sabe seu comentário não é o escolhido?  Então, aproveite para colocá-lo na lista de leitura dessas férias de julho e partilhe conosco essa experiência.

*Esse texto foi publicado no site Desabafo de Mãe no ano de 2008, quando nós promovemos em parceria com blogueiras concursos culturais, os quais sorteavam livros como prêmios. O site existiu entre outubro de 2006 e março de 2010, durante o período de 20 meses. As idealizadoras do site são as autoras deste blog.
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Mãe novata, mãe exagerada, costumo dizer. Até completar dois anos e meio, Tomás não assistiu TV. Por isso, não adiantava ler as estorinhas de personagens como Mickey, Diego e Dora, que na minha opinião são livros longos com estórias não muito interessantes. Por isso, nessa época vasculhei demais as livrarias da cidade onde morava em busca de bons livros para uma criança de um ano e meio… Foi ai que lembrei de Ziraldo e da coleção Bebê Maluquinho. Bingo! Cinco anos depois e mãe pela segunda vez, posso dizer que TV faz parte da vida do meu segundo filho e Dora, Diego e Mickey estão na estante de livros juntinhos da coleção Bebê Maluquinho… Arthur adora os dois, mas, como Tomás, ainda assim prefere os livros do bebê… explico o porquê no texto abaixo!



2007 - Depois que passou a euforia pelos livros de texturas e pop-ups, comecei a ler para Tomás a Coleção Bebê Maluquinho, de Ziraldo. O primeiro livrinho contava o dia do Bebê Maluquinho na fazendo do avô… vacas, galinhas, cachorro, passarinho, tudo o que encanta uma criança de quase dois anos. As frases são curtas, ou seja, leitura rápida e divertida, dobradinha perfeita para prender atenção de um molequinho que quase não parava sentado no sofá tamanha a agitação.

O que mais gostei da coleção são as histórias que tratam de situações do cotidiano: hora de comer, hora de brincar etc. Tomás se identificava com elas. Lembro até que o Bebê Maluquinho usava chupeta e, depois de algumas reinvidicações, Ziraldo decidiu tirar a chupeta do bebê… Hum! Caiu como uma luva, Tomás largou a mamadeia quando completou um ano, mas a chupeta… foi um capítulo à parte. Mas graças ao bebê, tive várias oportunidades de incentivá-lo a também deixar a “pepeta” de lado.

Visite o website oficial do autor!
Começa agora uma missão para as Rainhas do Livro: ler Lobato e Ziraldo nas férias. Toda quarta, a Sueli traz sua experiência de ter lido Ziraldo para Tomás, enquanto na sexta é a minha vez de desabafar sobre Lobato. Pra começar essa brincadeira publico a dor e delícia de ter lido Monteiro Lobato quando minha filha tinha apenas quatro anos.


Quem também vai encarar essa missão no decorrer do mês de julho são as blogueiras do MãeMemorial, Mãe é tudo igual e Tem quem Goste. Eu e a Su também vamos colocar essa missão em prática. Aliás, eu já comecei na semana passada a reler O Saci e, em breve, publico aqui sobre a experiência de lê-lo para uma criança de 4 e quase sete anos.


Boa leitura! Espero que você também encarne a rainha que tem dentro de você e assuma a missão de férias dentro da sua casa.

Março de 2009* - Eu não conheço nenhum escritor, ou alguém que gosta de leitura, que não cita Monteiro Lobato como o ícone nacional para o hábito da leitura. Por isso, assim que me apaixonei pelos livros em função do nascimento da Malu - merece um parenteses: eu já tinha o bichinho da leitura dentro de mim, mas ele estava quase morto de tão adormecido. Foi a maternidade que me fez resgatar essa magia. Fecha parenteses- comprei Reinações de Narizinho e bastou a Malu completar 3 anos para começar a ler pra ela. Foi um desastre!

Comecei até a me sentir uma completa ignorante: como não consigo ler Monteiro Lobato para minha filha? Era monótono, cansativo, extenso, enfim, a minha percepção era cada vez mais negativa. Mas não desisti. Resolvi ler alguns capítulos sozinha e depois contava a história pra ela do meu jeito. Cantava parte das músicas que lembrava e assim a gente foi descobrindo alguns caminhos para entrar no Sítio do Picapau Amarelo.



A solução veio após nossa visita à Bienal do Livro, onde adquiri o livro O Saci, entre outros, os quais foram sorteados no ex-site Desabafo de Mãe*. Antes de colocar O Saci na roda, comecei a lê-lo para Malu. Foi um sucesso! Tanto que até escrevi um desabafo sobre o nosso jeito de ler Monteiro Lobato (Em breve será publicado aqui).

Como nos contos de fada, o destino também nos ajudou. A escola resolveu trabalhar com os personagens para festa da família e, yes!, a Malu arrasou porque conhecia todos os segredos do saci e tornou-se a contadora de estórias para um monte de criança, que não tinha idéia de que o saci nascia no bambuzal nem como caçava saci e muito menos que ele tinha as mãos furadas.

Olhar minha filha, na maioria das vezes tímida, contando sem parar o que ela sabia foi a minha melhor vitória. Eu tenho orgulho diário de quem a Malu é, mas observar essa evolução foi mesmo de cortar o coração de tanto orgulho. E foi assim que aprendi o quanto é importante a gente seguir nossa intuição de mãe mesmo quando a imprensa, os guias e a elite da informação determinam a idade certa para livro certo. Segundo a elite da informação, Monteiro Lobato é coisa pra quem tem 6 anos. Aqui em casa descobri que não existe idade certa para leitura. (UPGRADE: Vale ler post escrito em 2009, cujo título é Sou o tipo de mãe que lê)


Vestido das princesas feito pela "Dona Aranha"
Mas ainda assim o tão famoso Reinações de Narizinho continuava um parto. Um desastre literalmente. Eu não sou doente de impor nada. Pelo contrário. Como sempre fui muito respeitada quando criança aprendi a tentar ouvir o tempo da Malu- não tenho a mesma capacidade e paciência que minha mãe e avó tinham comigo, apesar de não ter lembrança de alguma delas terem lido comigo. Só leio quando ela quer, mas eu a convido para ler quase todos dias. Mas, continuando o relato sobre nossa luta, a escola teve papel fundamental para minha persistência, além da nossa própria imaginação.

Quem leu sobre o vestido que a "Dona Aranha" ajudou nossa costureira a fazer para Malu sabe da nossa capacidade de viajarmos dentro de nós mesmas. Depois veio o teatro, com a peça do Sítio do Picapau Amarelo, que eu não queria ir de jeito nenhum por causa do preço, mas acabei pagando. E adorei. A peça é uma delícia e foi o melhor estímulo para gente voltar a ler Reinações, que estava jogado no canto do armário há meses. A minha preguiça, entretanto, impediu de voltar a relê-lo.

Foi só depois do DVD do Sítio (da época em que eu era criança) adquirido que comecei a cumprir minha promessa. Vimos o DVD juntas naquele mesmo dia até de madrugada. Eu dormi, ela continuou assistindo até o fim de todo seriado. Essa experiência do DVD aconteceu há um mês e, nesta segunda*(2009), resolvi resgatar Reinações de onde eu tinha parado - no capítulo do Gato Felix - a Malu dormiu, enquanto eu lia.

Hoje contei pra ela tudo que eu li, enquanto ela tinha dormido e a convenci de escolher o Reinações para nosso ritual da hora do sono. Venci e li um capítulo a mais, parando toda hora, explicando cada pedacinho, comentando, enfim, não é uma leitura linear. É pura conversa entre nós.

Ela cansou, reclamou quando quis avançar para próximo capítulo e foi pra sala. Então, chamei o pai para quarto e resolvi contar a ele o que aconteceu no livro. Ela contou tudooooooooo. Eu começava e ela disparava a explicar o que tinha acontecido quando Príncipe Escamado foi visitar a Dona Benta. E, detalhe, o próximo capítulo é da Dona Aranha. A Malu teve como lição de casa ontem recortar a letra A das revistas e lembram quem ajudou a fazer o vestido de princesa dela???? Enfim, achamos o nosso caminho para se apaixonar por Monteiro Lobato. E você como anda sua busca com seu filho pelo difícil e árduo caminho de ler Reinações para uma criança com menos de 6 anos? Please, compartilhe aqui a sua trajetória.

*Esse texto foi publicado no site Desabafo de Mãe no ano de 2009. O site existiu entre outubro de 2006 e março de 2010, durante o período de 20 meses. As idealizadoras do site são as autoras deste blog.
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É a minha sexta férias de julho como mãe. Por isso, eu lhe garanto: tudo se ajeita. Quanto mais o tempo passa, melhor fica. Existe, no entanto, um segredinho que nunca falha: partilhar... Partilhe sua agenda, sua rotina, seus passeios, casas, dicas, jornais. Levei muito tempo para aprender a partilhar a rotina da casa com marido. Nas férias é um bom momento pra acalmar a leoa materna e, devagarinho, liberar o filhote nas mãos dos outros.

Outra boa partilha é a mídia: distribua as dicas entre vizinhas e parentes para combinar as idas aos eventos. Gostei muito da listinha da Época, mas senti falta de mais eventos gratuitos e semanais. Eu já coloquei na agenda o espaço cultural do Banco do Brasil. Também já comprei ingresso de um parque de diversão com mais duas mães (vamos economizar no transporte) e recomendo a visita no Palácio dos Bandeirantes às crianças acima de 7 anos. Aliás, partilha boa mesmo é encarnar o turista em São Paulo e visitar todos os pontos turísticos: dos museus às bibliotecas. Poucos estão preparados para nos recebermos, mas todos valem a pena.

Agora, se você vai viajar...eu recomendo uma boa "lavagem" antes de pegar as malas. Sim, uma lavagem mental do casal para se prepararem e ter uma Férias de Verdade. Ela é possível, não demanda muito dinheiro, mas exige preparo. Prova disso está no link acima. Bem, essa é a minha partilha. E a sua, qual é? Topa dividir conosco suas dicas de férias entre os comentários? Então, manda bala!
A blogagem coletiva Direitos da Infância chega ao fim. Nos últimos 15 dias, debatemos via blog, comentários, facebook e twitter sobre como lidamos com ECA dentro das nossas casas. Depois de ler os posts, entendo que cumprimos com o estatuto, não por conhecermos literalmente tudo o que manda a lei, mas por seguirmos nossa intuição e termos consciência dos valores e responsabilidades que envolvem educar e criar uma criança. Carlos Messa traduz bem o que penso ao afirmar em seu post que "uma mãe, absolutamente inculta, sabe muito bem o cuidado que deve dedicar ao filho. É uma questão de valor. Pode sim, por não ter informação, errar quanto ao que oferece, mas nunca na prioridade".

Assim como eu, mães como Luana e Laudiane confessaram não conhecer exatamente o ECA, entretanto, ao ler os posts chego à conclusão que elas não apenas entendem como têm consciência da sua importância ao trazerem para a discussão a questão do trabalho infantil. Sim, apesar de parecer óbvio que devemos garantir às crianças direito à educação, lazer, moradia e proteção, lá na esquina de casa tem um menino vendendo cigarro no farol ou uma menina se prostituindo.

Carolina e Ivana fazem uma análise detalhada do estatuto, destacando nossos deveres como adultos "responsáveis" pelas crianças e adolescentes, inclusive com poder de exigir do Estado o cumprimento das leis que criou. Não é tão preto no branco, como sabemos, temos direito à Saúde, mas pagamos um seguro por conhecer a precariadade do atendimento hospitalar público; nossos filhos têm direito à educação, mas pagamos escolas privadas por saber da baixa qualidade do ensino público.

Quando paro para pensar me sinto idiota, afinal já pago (impostos e mais impostos) para garantir à minha família direito à educação, saúde e segurança! Mas ainda assim, trabalho mais, junto aqui e acolá pra pagar plano de saúde, escola particular e a cerca elétrica em volta da casa! Isso porque tenho oportunidade de economizar, e a mãe que não tem? A sociedade sabe que tem direito, mas se resigna com a justificativa que é lutar em vão... enquanto isso pagamos o que podemos para garantir aos nossos filhos seus direitos e, quem não pode pagar, é obrigada a aceitar o que lhe é ou não dado.

Esses mesmos pontos foram levantados por Bárbara, que não espera nada do Estado, e Vanessa, que cumpre rigorosamente com o estatuto até "a página 20". Pois, como destaca ela, "criar uma criança em um país com profundas deformações éticas e diferenças sociais é uma tarefa e tanto". Assim como Vanessa, entendo que o meu papel como mãe é assegurar que meu filho, independentemente da intervenção ou não do Estado, seja tratato com dignidade e respeito.

Meu papel como cidadã é olhar para o lado e intervir quando o Estado falhar, usando a minha voz, unindo-me a outras pessoas... Nosso papel como membros dessa sociedade é darmos as mãos e exigir que o Estado cumpra com seu dever, facilitando o meu e o seu papel como mãe!

Saiba também o que pensam outras mães que participaram da blogagem, clicando aqui.

Obrigada a todos pela participação!

Veja outros posts do Desabafo de Mãe:

Direitos da Infância: ECA dentro de casa
Direitos da Infância: eu posso entendê-los?