Ahhhhhhhhh, enfim, as férias estão acabando!!!
Hoje vou publicar um velho desabafo sobre a leitura de Ziraldo para menina. Sim!!! Menina também gosta de Ziraldo nas férias, mas confesso que acho que Ziraldo faz mais sucesso entre os moleques. Vale ler os textos da Sueli para confirmar minha percepção.
Dezembro 2007 - Confesso que minha filha está bastante distante de ter uma avó tão moderna quanto a vovó Delícia, do Ziraldo, criada em 1997 pelo escritor mineiro. Mas tenho absoluta certeza de que a Maria Luiza encontrará vários perfis assim entre as avós das amiguinhas dela. Estamos falando de uma mulher linda, magra, loira e que ainda passará por uma plástica. Essa é a personagem que representa Vovó Delícia criada por Ziraldo. Mas não é só a mudança radical do perfil das avós da nova geração que Ziraldo trata com maestria neste livro, cujo exemplar lido por mim foi doado pelo Desabafo de Mãe à pequena leitora Kethleyn, de 9 anos, que mora em Curitiba/PR. Ele também nos leva para um mundo mágico que implica deitar de barriga voltada para o chão, cruzar as pernas para o ar e mergulhar literalmente nesta "conversa" típica de criança. É exatamente nesta posição que imagino a personagem principal deste livro que também é a narradora desta estória.
Adoro ler livros em primeira pessoa. Sinto-me muito mais íntima do escritor e, ás vezes, chego até a responder suas indagações. Não testei o livro com nenhuma criança porque a Maria Luiza ainda não aprendeu a ler, imagina "conversar" com os personagens por meio da leitura... Mas a própria narradora da estória explica que "a gente não lê livro, mas conversa com livro". Penso que as outras crianças entre 8 e 10 anos também terão a mesma sensação.
Quem tiver uma mãe moderna que se recusa a ser retratada com a vovozinha do Chapeuzinho Vermelho, ou a gordinha da família que adora fazer comidas, dará um presente enorme ao filho ao apresentá-lo o livro Vovó Delícia. Além da linguagem familiar, Ziraldo coloca a dose certa de humor nas páginas desta estória. Para se ter uma idéia, a Vovó Delícia é uma dessas guerreiras que até recebe flores de namorado, canta samba na mesa do bar e não faz muitas perguntas á neta. Ela ainda representa uma das mulheres de uma família do interior que se reúne naquelas típicas fazendas com mais de 100 familiares para a festa que acontece uma vez por ano.
Dei muita risada. Fiquei ansiosa em apresentar esta personagem à Maria Luiza porque mesmo que minha mãe e minha sogra ainda façam parte do perfil que era a minha avó - se é que elas ainda não são mais caretas - ainda acho imprescindível que minha filha conheça as diferenças e admire mulheres como a Vovó Delícia que adoram viver o agora da vida. Acho que nossos filhos têm uma chance muito maior que nós tivemos de saber lidar com a diversidade humana. E a leitura pode ser mais um caminho para eles atingirem essa harmonia.
Vale lembrar que a pequena narradora de Ziraldo cita em seu "diário" o livro "Minha vida de Menina", de Helena Morley, que só se tornou uma literatura clássica nacional porque quando era criança, na Diamantina dos anos 1890, seu pai, pequeno minerador descendente de ingleses, aconselhou-a a escrever diariamente num caderno suas observações sobre o mundo à sua volta. Uma chance para os pais de hoje não só incentivarem a escrita, mas a leitura de crianças do século XIX e daquele que mesmo na pele de um adulto continua sendo criança na hora de escrever.
Contar histórias ou estórias?
1 hora atrás











