• Feed RSS
A roda sobre Direitos da Infância está bastante interessante e vale a pena começá-la respondendo a pergunta de Carlos Messa, que nos questiona quem somos a ponto de precisar de uma lei para garantir a infância. Que tal: hu-ma-nos! Sim, Messa, somos seres aprendizes que ainda estamos bastante perdidos em enxergarmos a nós próprios diante de tantas necessidades ausentes e desejos na vitrine.
 

Mas não tenho dúvida de que nossos corações sabem e reconhecem essa necessidade de proteger as crianças. No facebook, a Pérola Boudakian também nos alerta que o caminho dessa blogagem pode estar invertido: Acho que o ponto central da reflexão é tomar consciência da existência do ECA e compreendê-lo no cotidiano, mas não com a possibilidade de "usá-lo" ou não, pq ela de fato não existe. Confesso que não caiu a ficha, mas imagino que Boudakian queira alertar-nos de que, independente do uso, o direito é garantido, construído e transformado pela evolução humana...

Enfim, Messa e Boudakian me fazem pensar que uma das razões pelas quais somos tão distantes do conhecimento do Estatuto da Criança e Adolescente é porque tais direitos são humanos, estão impregnados nas boas almas que compreendem o amor vivo no coração. Mas isso é muito filosófico agora. Que tal a gente dar as mãos naquilo que é visível a todos?

Ana Campos nos leva para sala de parto e, de aula. Ela escreve no seu post que, diferente do que ela descobriu sobre o ECA, na vida dela nada daquilo foi presente: não teve direito de ser acompanhada pelo mesmo médico na hora do parto nem de vaga para filha na creche. Será que seria diferente se eu e você tivéssemos lido sobre esses direitos na escola? Renata me fez pensar nisso quando sugeriu, no Facebook, resgatarmos a história da infância neste espaço de discussão.

A Sylvia que lista os 10 princípios a partir da sua experiência diz que o Estado até se esforça em algumas situações, mas deixa claro o quanto há desafios para ela colocar em prática o que está na lei dentro da escola. Por outro lado, Syvlia traz uma lição e tanto pra quem ainda não sacou que direitos da infância são deveres de pais: ela deixou de ver novela depois que a filha nasceu...Soa estranho para você?! Pra mim, trata-se de responsabilidade familiar.

A Cozinha do Vurdóns lembrou a importância de metermos a colher na casa do vizinho ou parente quando se trata de responsabilidade com as nossas crianças. Nada adianta ter uma boa alma que só enxerga o umbigo: sim, depois do Estado e da família vem a comunidade e a sociedade. Portanto, devemos sim dar pitaco desde que seja para garantir os direitos das nossas crianças. Mas, pra isso, vale reforçar o post da Rô que nos mostra a importância de conhecer o ECA. Aproveite pra fazer isso conosco, respondendo no seu blog até dia 30/06: Direitos da Infância, o que são e pra que servem?

Eu agradeço a partilha de todos e prometo voltar na quarta pra continuar essa roda.  Veja abaixo as postagens do Desabafo sobre a temática:
Direitos da Infância, só sei que não sei

Direitos da Infância, posso entendê-los?
Escrevi o texto abaixo quando meu primeiro filho ainda não tinha completado um ano. A única coisa que tinha em mente era: ele "precisa" gostar de livro! Idéia fixa. Foi ai, então, que começaram os experimentos... funcionou, como vocês podem ver no texto. Hoje, Tomás tem cinco anos e é apaixonado por livros... esse ano começou a ler, ainda com dificuldade, mas fica lá, sentado na cama me perguntando como se lê essa ou aquela palavra... e ainda A-DO-RA ler antes de dormir. No mínimo dois livros, caso contrário ele se recusa a fechar os olhos...

2006 - Como toda mãe novata, fiquei em dúvida sobre quando e como deveria apresentar o primeiro livro ao meu filho. Quando ele completou três meses, essa dúvida se intensificou. Passava tardes nas livrarias, buscando algo que o interessasse. A primeira tentativa foram os livros coloridos, com formatos diferentes, adequados para a sua idade. No entanto, ele não se sentiu estimulado e logo os trocou pelos brinquedos que tocam música. Três, quatro, cinco meses... e nada. Decidi dar tempo ao tempo.

Tentei novamente quando ele completou seis meses. Muita coisa mudou. Desta vez, apresentei os livros com fotos de bichinhos – cachorro, gato, vaca, pato, galinha, porcos – e texturas diferentes. Ele amou. Amou ainda mais os animais que fazem parte de sua vida, como os cachorros, patos e pássaros que vê durante nossas caminhadas pelo parque. Além de reconhecer os animais, ele também adora sentir que o pelo do cachorro é diferente da pele do porco.

Aprendeu também que o ganso é branco, canta quá, quá e tem plumas macias, e o galo é marrom, faz cocoricó e tem penas que fazem cócegas. O livro com diversos animais faz um sucesso enorme, não apenas pelas texturas (pode-se sentir a cestinha de pão, a pele dos animais e até mesmo o focinho do cachorro), mas também pelos diferentes sons emitidos por cada animal. Hoje, ele imita o muuuuuu da vaca e o bééééé da cabra. Ainda estamos trabalhando no au, au do cachorro e no miau do gato! Agora, com oito meses, ele já se interessa pelos livros que mostram suas atividades diárias: mamãe acariciando o bebê, hora do banho, papinha na cadeira alta! Também adora os livros que fazem barulhinho, seja o som do sapo ou apenas o grunhido de uma orelha feita de celofane. Quando está menos agitado, ele escuta as estorinhas que leio com atenção e sempre ri quando imito seus animais favoritos. Os livros que ainda não despertam a atenção dele são aqueles que falam das formas – quadrado, círculo, triângulo – e das cores.

Também aprendi que é imprescindível comprar livros de páginas resistentes, feitas de papelão, plástico ou borracha. Para o bebê, não basta apenas folhear, ele quer mais... morder, lamber e jogar! Para o próximo mês, já estou buscando novos livros... agora um pouco mais complexos. Recentemente achei um que traz um espelhinho e, na lateral, carinhas mostrando como o bebê se sente – alegre, triste, bravo, curioso, amedrontado! Talvez seja cedo demais, talvez não... assim como amou os livros de animais e rejeitou o de cores, ele saberá me comunicar se está preparado ou não para esta nova etapa! Dicas de Livro: Coleção Happy Baby, Baby Einstein .


Veja outros posts da seção Livro Infantil:

Procura-se contadores de estórias
Você já usou sua chave com seu filho?
Você já parou para pensar como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) pode fazer parte da sua vida? Se você já segue o que estabelece o estatuto, compartilhe conosco seu conhecimento, caso seja uma mãe que não sabe o que isso significa ou como usar o estatuto dentro de casa, compartilhe conosco essa dúvida e enriqueça nossa blogagem. Vamos aprender juntos! Confira abaixo os blogs que já participaram da blogagem coletiva Direitos da Infância:


Praia grande desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente

Eca, Direito das Crianças

Eca em casa... Fala sério

Blogagem coletiva: Direitos da Infância

Os Direitos da Infância

As nossas crianças

Crianças, adolescentes, os pais e a homeopatia

Direitos da Infância: só sei que não sei

Direitos da Infância: eu posso entendê-los

Regras para blogagem:
1- Escrever seu post no seu blog até dia 30 de junho. Ou comentar aqui seus questionamentos sobre Direitos da Infância.
2- Enviar a URL do seu post entre os comentários
Quando lançamos a blogagem coletiva sobre Direitos da Infância na semana passada a participação foi baixa! Não por falta de interesse, acredito… mas por não entender como o Estatuto da Criança e do Adolescente faz e não faz parte da nossa vida cotidiana. Eu, por exemplo, sou mãe que lê jornal, que tem interesse por assuntos que tratam de direitos da criança, da mulher… mas não tenho a mínima noção se estou ou não cumprindo com o ECA para educar meus próprios filhos.

Pronto, falei: não sei nada do ECA. E você sabe? Se a resposta é sim, como você traz o ECA pra dentro da sua casa? Se a resposta é não, o que então você gostaria de entender sobre o ECA?

Minha percepção, sim esse post é mais reflexão que qualquer outra coisa, é que ao entender sobre o ECA passo a entender quais os direitos que eu, como mãe, posso reinvindicar do governo, comunidade, escola e, inclusive, da empresa onde trabalho e, assim, garantir ao meu filho tudo o que prega o ECA.

A tendência no Brasil, na minnha opinião, é olhar para os extremos e esquecer da grande massa que fica entre essas duas pontas. Ajuda-se os pobres, admira-se os ricos… e a classe média que oscila entre esses dois mundos acaba IGNORADA, sem ter quem lutar por eles ou informar-lhes sobre seus direitos. Entender o ECA, na minha opinião, é como enxergar numa multidão de cegos, é saber exatamente os direitos garantidos por lei que seu filho tem o direito de usufruir e, o mais importante, saber lutar por esses direitos.

Mais você pode ser muito mais que apenas aquele passou a enxergar na multidão de cegos, você pode ser o porta-voz, o guia de outros pais e mães nessa luta que envolve aprender, melhorar e exigir. Por isso, lançamos a blogagem… entendemos que é importante ter a humildade de falar NÃO SEI e a generosidade de COMPARTILHAR O QUE SABE com outras mães que, como eu, tem como recurso fazer pesquisa na web. Participe!

Selinho da blogagem Direitos da Infância:

Luana, do Mãemorial,acaba de publicar o bate-papo que teve com Ezequiel Theodoro da Silva, professor aposentado e colaborador da Universidade de Campinas. Baseada nessa conversa, ela lança a blogagem coletiva: "Exemplos que dou e exemplos que sou". Mais uma vez, bate-se na tecla: não há necessidade de guia, orientação para ler para o filho. Basta ler. Criança "aprende por osmose". Se o pai lê, o filho vai imitar...

Concordo com esse raciocínio, mas ainda assim, quando o assunto é escolher o livro para o filho me sinto perdida. Não estou falando da lista dos melhores, porque acho que definir o que é melhor ainda é uma escolha pessoal, aquele ditado de "o que é bom para mim nem sempre é para você" cabe como uma luva. Qual é, então, a razão de eu ainda estar perdida? Pesquiso antes de comprar o livro, leio resenhas, vejo também a lista dos "melhores", mas ainda assim acho que falta alguma coisa, uma compreensão mais profunda do quanto a literatura pode sim ser mais que um "contar estórias"! O que falo faz sentido ou não professor Ezequiel?

Mas voltando à blogagem, outro dia, estava deitada na cama lendo “The lovely bones”. Tomás entrou no quarto, deitou-se ao meu lado e pegou a coleção de livros dao “Curious George” para ler. Fingi não perceber, mas depois de alguns minutos foi impossível não prestar atenção. Aqui nos Estados Unidos , eles aprendem a ler foneticamente… ou seja… é um tal de rrrr irrrr.. grrruruur até formar a palavra que é impossível, ao menos pra mim, não prestar atenção nessa tentativa quase sofrida de formar a tal palavra…

É o hábito e, sim, crianças imitam. Às vezes imitam coisas boas como ler, comer cenoura e salpicão, às vezes imitam coisas ruins, como gritar… no meu caso, quando perco a paciência, não bato, mas falo mais alto, bem mais alto. Outro dia, vi um gritando para o outro. Coisa imitada, não faz parte da essência deles, faz parte de mim, que cresci com um pai que grita, aliás, BERRA! Urgh… sempre abominei isso … e… cá estou eu sendo uma mãe que grita, exatamente como meu pai foi e ainda é, um pai que grita!

Lição aprendida. Agora, com muito esforço, tento me acalmar e manter a voz baixa. Eles percebem meu nervoso, mas a voz tá lá… baixa… quase querendo gritar. Se eles tiverem que imitar alguma coisa minha que seja o hábito de leitura, comer comida saudável, fazer exercícios… enfim, que seja algo bom. Isso me mostra mais uma vez que, na vida, o esforço para se tornar uma pessoa melhor não acaba nunca, pois há SEMPRE o que melhorar!

Participe da blogagem da Luana e faça também parte dessa discussão sobre livro infantil, hábito de leitura liderada pelo Rainhas do Livro! Nesta semana, o Desabafo iniciou blogagem sobre Direitos da Infância, participou? Se sim, deixe o link aqui.
Você já usou os Direitos da Infância na sua vida de mãe? Eu confesso, bem baixinho, que nunca os associei na minha prática materna até o dia em que cai na real de que são os direitos da minha filha. Portanto, devem ser relacionados aos meus deveres, certo?

Mas o que eu faço com aqueles 10 princípios que estão copiados em todos os lugares da blogosfera? Eu não aguento mais ver aquela listinha, que virou hit nos 20 anos do ECA. O que eu quero saber é como eu uso o tal estatuto no meu dia a dia, dentro da minha casa, na escola da minha filha, com a mãe vizinha, no shopping, nas viagens, enfim, pra que serve o ECA pra quem é mãe como nós?

Essas são as respostas que queremos. Mas, como obtê-las, onde, quem, porquê? Afff, que batalhão de dúvidas. Por isso, criamos o espaço Direitos da Infância como mais uma seção do blog Desabafo de Mãe. Mas não dá pra ter seção de blog sem diálogos. Então, propomos uma blogagem coletiva com você: topa refletir pra que servem os direitos da infância na sua vida?

Nós vamos assumir essa missão de agora em diante, mas você pode nos ajudar a entender se há necessidade de trilhar este caminho, refletindo conosco. A blogagem coletiva começa agora. Nada de entrar em pânico em busca de especialistas. Nossa proposta é simples: vamos começar esse encontro dentro de nós. Ou seja, questionando o que podem ser os direitos da infância. Você já passou os olhos milhares de vezes naquela listinha, mas... o que foi que ela lhe disse?

Pra mim, a listinha não disse nada. Porquê Direitos da Infância são tão distantes da nossa casa?
São o pensar nesses questionamentos o tema da blogagem coletiva que termina dia 30 de junho. Como é muito espinhoso e pode ser que ninguém esteja disposto a entrar nessa encruzilhada, eu levanto o mouse e publiquei o post abaixo como um exemplo para ser o primeiro desta blogagem.

Regras para blogagem:
1- Escrever seu post no seu blog até dia 30 de junho. Ou comentar aqui seus questionamentos sobre Direitos da Infância.
2- Enviar a URL do seu post entre os comentários
Veja também convite no Facebook e divulgue!
PS: selinho ainda não rolou porque sou péssima em design, mas assim que aparecer uma mãe artista a gente coloca uma imagem aqui, tá!?

Upgrade:
Primeiro Resumo da Blogagem: Direitos da Infância: é preciso conhecê-los
Minha sensação é de IMPOTÊNCIA. O Santo Google só me traz violência, sexo, escravidão, fome e haja desafios associados ao tema Direitos da Infância. [OK, eu já aprendi que a violência doméstica pode estar aqui. Muitas vezes mora ao lado, mas sem dúvida nenhuma acontece agora. Mas essa lição não basta para eu acreditar que o ECA ( Estatuto do Direitos da Infância e Adolescente) também foi feito para minha filha.] Eu quero fazer parte, mas como?

Tudo que leio me deixa impotente, me assusta, me cega. É dificil conseguir um contato entre os especialistas, não há tempo, pouco feedback e um certo código do qual eu não faço parte. Mas, e daí: eu sou blogueira mãe e tenho o direito à informação. Resolvi encarar de frente: TV Justiça no You Tube.



É cansativo, mas o advogado Enio Gentil mostra que existe um lugar vago que é nosso. Sim, a família tem seus deveres para proteger a garantia dos direitos da infância. Quais são eles? Calma! Só vi a primeira aula do You Tube. Mas vale ressaltar que antes de nós, o ESTADO é o soberano.

A lei entende que ele (O ESTADO) é o principal responsável pela garantia de direitos da criança.

Vale ressaltar também porque o ECA é tão aclamado entre os especialistas: o documento marca uma mudança de atitude da sociedade. Qual? A legislação deixa de regular a infância pela situação irregular ( Código dos Menores) e passa a tratá-la como uma etapa que precisa ser protegida e garantida.

Epa! Mas e aqui dentro de casa: quando eu repreendo meu filho, eu estou garantindo a infância dele ou criando regras a partir dos erros pré-estabelecidos por mim? Dá pra pensar nessa transformação ou ela acontece em gerações? Viagem demais...Talvez.

Ouvir o advogado também me trouxe paz porque entendi a razão da minha impotência. Não há diálogos conosco em função dos desafios que precisam ser resolvidos urgentemente e, talvez, por causa da nossa história (Código dos Menores). A sensação de sermos excluídos do ECA não é conceitual, mas em função da prática. Parece que Direitos da Infância foram feitos somente pra quem tem problema, pra quem é pobre e não tem as condições básicas...

Na verdade só parece, mas não é. Tive a sensação de que entender mais sobre os Direitos da Infância nos ajudará, inclusive, a inserir a responsabilidade dentro de casa de forma gradativa. Lembra daquele lance da toalha? Pois bem, fiquei imaginando que conhecer mais sobre os Direitos da Infância poderá nos dar mais condições de avaliar o tamanho da infância dos nossos filhos.

Até onde dá pra cobrar e onde precisa-se proteger.
..óbvio que o ECA não vai virar a lei da minha vida de mãe, mas me dará critérios para minha escolha. Afinal, pra uma mãe mamífera, blogueira, que tá se achando até feminista, quem cuida da minha filha sou eu.

Este post foi escrito para inaugurar a blogagem coletiva sobre Direitos da Infância, proposta hoje até dia 30 de junho. Participe você também: basta questionar-se no seu blog e nos enviar o link nos comentários
deste post.
Você já se sentiu extremamente decepcionada com as marcas da vida? Não. Então, responda se você já admirou do fundo do coração o nosso multimídia tupiniquim? Ah...sorte a sua não ter essa admiração profunda por Marcelo Tas. Eu tinha. E MUITA, tinha orgulho de ter um Tas no Brasil. Orgulho mesmo!!! Daqueles de encher a boca por ter nascido no mesmo país dele. Mas acabou. Não dá pra passar por tanta transformação trazida pela maternidade e manter a cegueira e a surdez diante do machismo do CQC. Tudo tem limite, principalmente, a piada.

É por isso que resolvi apoiar o grito da Rede Mãe & Mulher: BASTA!  Não dá mais pra relevar a piadinha do avô, do pai, do irmão, do namorado, do marido e agora do trio do espetáculo. Não dá mais pra achar bonitinho o filho dar risada do pai que satiriza a mulher porque ela o seduz. Não dá! A gente já tem desafio demais pra lidar com a sensualidade que nos impõe e com aquela que é natural do feminino. Não é nada fácil trazer na bagagem o arquetipo da beleza diante da sacanagem, da sátira, da falta de respeito e ética. CHEGA! Eu tô do lado da feminista. Ainda não sei o que é se encaixar na identidade FEMINISTA, mas se o post da Lola retrata o feminismo atual, então, eu sou feminista. E detalhe: feminista de coração porque minha decepção com Tas foi dolorida.

Mas tudo isso me fez questionar se nossos netos também farão piada do #Mamaço?  Eu não tenho dúvida de que muitos filhos continuarão agindo com o poder do trio nojento diante do deixa pra lá de quem ainda releva essa falta de respeito e essa ausência de ética. Sim SOMOS responsáveis pela misoginia do Tas. Não sei como mudar isso, mas não tenho dúvida de que é preciso achar um caminho e tenho a intuição de que ele começa em casa.

Não basta participar da blogagem coletiva e retirar o Tas do coração. É preciso seguir o mantra da modernidade: agir local para influenciar global. Vamos ter de fazer nossa lição de casa. Talvez ela já começou só pelo fato de unir gente que luta pelo mamaço, pelo feminismo e pela rede mãe&mulher. Minha luta interna ainda passa por me sentir presa ao que ouvi durante o espetáculo do trio. É exatamente aquele machismo que ainda impera no medo de amamentar em público. É fácil postar na telinha, mas colocar o peito pra fora é revolucionário. Eu admiro essas mulheres. Parabéns pelo mamaço nacional. Eu também quero ir para a rua, mesmo sem meu bebê para alimentar: eu quero fazer diferente! Eu digo BASTA pra cegueira, pra surdez e ah! mas veja bem...

Tá na hora da gente entender o que esse feminismo que nos colocou em ação. E aí alguém se habilita nos responder: qual é o espaço das mães na luta pelo feminismo?


Essa entrevista dá sequência a conversa que iniciamos no dia 3 junho, com Regina Machado. Participam do Rainhas do Livro os blogs: Mãe é tudo igual, Pelos cotovelos e cotovelinhos, Mãemorial e Tem quem goste.
O trabalho é de formiga e envolve o indíviduo (pai , mãe, professor), a comunidade (escolas, bibliotecas), a sociedade e, por fim, o nosso governo. Se todo mundo fizer sua parte e estiver disposto a reverter esse cenário de “Brasil, país de analfabetos”, dá pra mudar. Não é sonho ou idealismo, é buscar esse tempo dentro de casa, é envolver-se com a comunidade (escola incentivando pais e pais incentivando a escola), é exigir do governo a continuidade de programas voltados para Educação e Cultura. Essa foi conclusão que tive depois de entrevistar Ana Lúcia Brandão, doutora em Comunicação e Semiótica, integrante de um grupo de estudos na USP chamado Literatura e Cultura para Crianças e Jovens e autora de cinco livros infantis.

Por onde, então, começar? Dentro de casa, com seu filho. E não precisa exatamente ter nascido dentro de uma família que sempre “cultivou” a leitura. Eu, por exemplo, não tive pais que leram para mim, mas minha mãe, na sua ingenuidade e sem saber o quanto isso foi importante no processo de despertar em mim o interesse pela leitura, me contava contos do Japão e me levava para Bienal. Bastou isso para eu descobrir os livros e nunca mais deixá-los. Meu caso não é único. Ana conta que seus pais não leram para ela “meus pais me levaram para livraria, compraram os livros que eu gostava ou o que eles achavam bom para mim”… e essa foi sua oportunidade.

O pai e mãe que não tiveram pais que leram para eles podem descobrir com o filho esse mundo da literatura. “O importante é se abrir para a possibilidade e, porque não, voltar à própria infância e retomar esse processo com o filho, ir para a livraria com ele, escolher o livro e começar a ler juntos”, explica. “É buscar a biblioteca mais perto de casa, levar o filho para uma contação de história”. Resumo: o incentivo à leitura pode vir em diversas formas, desde o simples ato de comprar um livro para o filho até criar o hábito, a rotina de ler para ele periodicamente. O mais importante, não é preciso experiência para se tornar “contador de história” dentro da sua própria casa, basta um livro.

Nesse processo, é importante ressaltar que quantidade não significa qualidade. Compartilhei com Ana sobre a minha experiência americana, onde as bibliotecas são excelentes e a quantidade de livros é imensa. Mas minha sensação é de que não há uma seleção qualitativa dos livros, muitos deles, como diz Ana, são “subprodutos da tv” (livros inspirados nos desenhos animados). Sim, é o que também move o mercado editorial que, de certa forma, atende a uma demanda. Mas diante disso os pais acabam se perdendo diante de tantas opções. O que comprar? Adianto que não sou contra esses livrinhos, mas estar atento ao fato de que dentro de casa a leitura já compete com tv, internet, joguinhos de celula, por isso o ideal seria aproveitar esse tempo para ler um livro de histórias, contos e lendas brasileiras seria trazer algo diferente para as crianças.

Isso feito dentro de casa, que tal, então,olhar ao seu redor? Abraçar a comunidade? Como? Interagindo com a escola do seu filho, aproximando-se dos professores… talvez até lutando, como comunidade, para promover melhorias na biblioteca da escola, do bairro. Uma voz pode não ser forte o suficiente para mover uma montanha, mas quem sabe… várias vozes? Infelizmente, não vou conseguir postar na íntegra o áudio da conversa que tive com Ana Lúcia, porque a gravação ficou terrível. Uma pena, mas coloco aqui alguns trechos:

É possível um pai ou mãe sem tempo inserir o livro dentro de casa?

Tempo_Audio.mp3

O que esperamos do governo? Mais bibliotecas, mais espaços culturais e, sim, continuidade dos programas voltados para Educação e Cultura… Não dá pra ter lacuna de um governo para o outro, a continuidade é fundamental! Se tudo parar a cada quatro anos, sempre que se muda de governante, para-se o aprendizado, deixa-se uma lacuna na vida dessa criança... o processo do "aprender" deve ser constante.

biblioteca_sp.mp3

Ana Lúcia Brandão é doutora em Comunicação e Semiótica, com extenso currículo na área de literatura infantil. Publicou cinco livros infantis, foi resenhadora da Biblioteca Monteiro Lobato de São Paulo. Hoje, integra um grupo de estudos da USP chamado Literatura e Cultura para Crianças e Jovens, da Capes, faz pesquisa sobre o percurso estético da ilustradora de livros infantis Cláudia Scatamacchia. Em 2000, foi para Nova Iorque para participar de um programa de contação de histórias para crianças do Brooklyn, apresentando a elas a literatura infantil brasileira. E sabe quem eles adoraram? Saci...



Quebrando tabus, parte I: aborto espontâneo

Ainda hoje, consigo escutar a minha médica me perguntando: “você quer fazer curetagem ou esperar o corpo expulsar o embrião naturalmente?” Sem responder, e ainda caindo na realidade de que tinha perdido a gravidez, perguntei sobre os riscos. Por menor que seja, há riscos envolvendo a curetagem, como: perfuração do útero, infecção, hemorragia e o desenvolvimento da Síndrome de Asherman, que é a formação de cicatriz no tecido do útero por causa de raspagem agressiva ou reação à raspagem. A cicatriz pode cobrir o útero completamente, levando ao fim do período menstrual e, assim, à infertilidade.
Algumas, entretanto, não conseguem expulsar o embrião naturalmente tornando a curetagem necessária. Nessa época, li alguns casos de mulheres que optaram pela curetagem imediamente, pois “não queriam carregar algo já sem vida”. É explicável, considerando o peso psicológico que envolve a perda da gravidez, tristeza e a espera para expulsar o que antes era um “sonho realizado”. Um amiga passou pela experiência de indução para expulsão do embrião após o aborto espontâneo. Foi uma experiência dolorosa. Todas as dores de um parto para expulsar o embrião e não “fazer nascer” um bebê. O retorno ao médico é fundamental e necessário.

No meu caso, optei por esperar, o risco de algo dar errado e me tornar infértil falou mais alto. Tudo correu bem, apenas senti cólica um pouco mais forte que a cólica menstrual e o fluxo bem mais intenso, por alguns dias. Logo depois, precisei retornar ao médico para fazer um exame e garantir que a expulsão realmente havia ocorrido. Agora, pasmem, numa rápida pesquisa descobri que de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 1995 e 2007, a curetagem pós-aborto foi a cirurgia mais realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS): 3,1 milhões de procedimentos. O aborto precedente à curetagem é uma das principais causas de morte no Brasil. Não há números oficiais de aborto no Brasil, pois a mulher quando procura ajuda com medo de punição omite se o aborto foi lega, ilegal ou espontâneo. Mais sobre o assunto aqui.

Procedimentos que envolvem Dilatação e Curetagem

1. A paciente recebe antibióticos via oral ou intravenal
2.O cervix é examinado para saber se está dilatado ou não. Caso não esteja, um instrumento (espéculo) é intruzido para dilatar o cervix e permitir realização da curetagem
3. Uma cânula ligada um aparelho de sucção (aspiração à vácuo) é introduzido para remover o conteúdo do útero. O diâmetro da cânula vai variar de acordo com o número do período gestacional, por exemplo, uma cânula de 7 mm é usada para uma gravidez gestacional de sete semanas. O uso de um objeto mais afinado para raspagem do útero também pode ser utilizado, mas frequentemente não é necessário
4. O tecido removido é enviado a um laboratório para a realização de testes (tentar descobrir o que causou o aborto espontâneo)
5. Assim que o médico se certificar que o útero está intacto e o sangramento parou ou reduziu bastante, o espéculo é retirado e a paciente deve ficar em repouso.

Sobre a anestesia: pode ser local ou geral, muitas mulheres escolhem geral para não terem consciência durante o procedimento.

Sobre a recuperação: muitas mulheres podem retornar ao trabalho depois de um ou dois dias. O médico pode preescrever algum remédio para dor. É muito provável a mulher ter sangramento e sentir cólica. O médico aconselhará não utilizar absorventes internos ou manter relações sexuais por um período de uma a duas semanas e, também, esperar um ou dois ciclos menstruais antes de começar a tentar engravidar.
Parece até que esse título está com buraco na pergunta, né? Como assim usar chave como meu filho? Que chave é essa? Bem, a idéia é essa mesma: questionar-se! Será mesmo que existe alguma porta que pode ser aberta entre pais e filhos? E já que estamos falando numa linguagem cheia de códigos, que tal a gente ousar e imaginar que precisamos ocupar um lugar antes de pensar na chave. Qual é o seu lugar na relação com seu filho?

Reflita mais! Vale responder que é o lugar de mãe, mas responda: que mãe é essa? Não precisa entrar na paranóia, basta entender que o lugar de mãe tem uma voz comum, uma voz de quem é responsável pelo outro. Sim, por mais que sejamos irresponsáveis, nosso papel é sermos responsáveis pelos nossos filhos, certo?

Por isso, a gente tá sempre de ouvidos abertos, olhos atentos e hiper cansada. Por isso, a gente tá sempre ouvindo tanta gente, tanta coisa e de olho em tudo e todos. Não é por acaso que todo mundo acha que tem alguma coisa a ensinar pra gente ou tem o lugar certo pra colocar a gente. E a gente com tanta coisa pra olhar, ouvir e fazer acaba acreditando em determinadas coisas e nos agarrando a elas como se fossem âncoras. Detalhe: algumas âncoras podem fazer nossa chave sumir pra sempre.

É que essa chave só aparece quando você respira, relaxa e deixa sair uma voz diferente daquela de mãe. Pode ser que essa voz diga assim ó: Era uma vez...

Regina Machado, professora de pós-graduação da ECA, foi quem me falou dessa chave. Eu já tinha usado essa chave antes, mas eu não sabia. Às vezes, eu sentia que alguma coisa tinha sido aberta entre eu e minha filha, mas não tinha certeza. Sabe porquê? Eu estava presa numa âncora que dizia que existia um jeito certo de contar estórias. Muitos guias e listas caíram na minha mão e eu escutei. Achei que existia uma única chave, talvez duas, mas jamais imaginei que cada mãe poderia ter a sua chave. Mas como falar sobre esse lugar que pode ser aberto de diferentes maneiras?

O Rainhas do Livro é o jeito que a gente encontrou para refletir sobre Livro Infantil com você. Nascemos hoje, em plena lua nova, dia 3 de junho, com um conto que foi publicado no livro Acordais, de Regina Machado. Cada blogueira conta hoje o pedaço deste conto em seus blogs. Elas são: Vanessa, do Mãe é tudo igual; Letícia, do Pelos cotovelos e cotovelinhos; Luana, do Mãemorial e Isabella, do Tem quem goste.

Antes de navegar pelos links, no entanto, conheça mais sobre Regina Machado que inaugura essa seção aqui no Desabafo de Mãe. Atenção: toda sexta, agora, tem seção Livro Infantil aqui no blog!


A conversa foi longa para o You Tube que não permite vídeos com mais de 15 minutos. Já EU que passei horas do lado da Regina, achei pouco. Queria ficar mais, ouvir mais, aprender mais, sentir mais. Por isso, comecei a ler o livro Acordais. É um livro acadêmico, tem fundamento teórico, mas é contado por Regina, tem estória, tem troca e, detalhe, abre as chaves maternas e paternas dentro de casa. Pra você sentir o gostinho, veja a segunda parte do vídeo e não esqueça do conto nos blogs Rainhas do Livro:



A Lenda das Areias:
Leia a parte 1 no blog da Vanessa - Mãe é tudo igual
Leia a parte 2 no blog da Letícia – Pelos Cotovelos e cotovelinhos;
Leia a parte 3 no blog da Luana – Mãememorial
A  parte 4 está no blog da Isabella – Tem quem goste