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Fiz minha estreia no site Bebê.com, da Abril, no mês passado, com uma reportagem sobre listas de enxoval do bebê (vale ler as dicas de quantidades mínimas necessárias) e, durante a apuração, fiquei pasma com a quantidade de prefeitura que doa enxoval para as grávidas. Detalhe: a maioria das entregas é celebrada em um evento com a presença do prefeito. Cheguei a questionar a alguns assessores no twitter a lista do enxoval do governo e se havia alguma outra ação destinada a grávidas...mas imagine se houve resposta...Lógico que não. O que vale é a foto do prefeito com pacote na mão da grávida.


Vale ressaltar algumas frases:
Temos feito da assistência social uma política pública, de forma que o projeto Amigo da Gestante é uma ação solidária para a família que tem necessidade de apoio material, saúde, de valorização e respeito à vida”, explica o prefeito.
“Sou muito grata à primeira-dama Marcia e a todos os funcionários do Fundo Social. A gente luta com muitas dificuldades e esse enxoval é uma ajuda muito grande para mim e para o meu bebê”, disse Morgana.
Eu não sou contra doar enxoval para classe mais pobre, mas acho que isso não é política pública. É fácil criticar presa no meu quartinho fechado do meu AP de classe média, mas precisava desabafar...O bichinho coçou...Minha vontade mesmo era investigar todas os programas de saúde materna, ficar de olho nessa política pública municipal, saber se tem grana federal, se a única ação é mesmo a entrega do enxoval...Mas e grana pra isso? Quem vai pagar as contas do tempo dessa investigação? Você pagaria?

Bom mesmo seria um lugar onde nós, mães do sistema privado de saúde, pudéssemos arcar com a entrega do enxoval da classe mais pobre. Afinal, o que compramos na primeira gravidez não é brincadeira...Muito pouco será utilizado após um ano de vida dos bebês. Todo mundo que quer doar acha um jeito de doar ou passa para segundo filho, sobrinho, enfim, a troca existe. Mas já pensou se a sua doação pudesse influenciar na política pública da sua cidade?

SIM. Se a gente assume esse papel de entregar o enxoval num espaço onde já há educação para as grávidas, responda-me: onde o prefeito vai ter que tirar foto quando inventar um programa de saúde materna? Vale pensar...E um projeto desses pode ser interessante para empresas de logística. Afinal, vai precisar de quem seja realmente bom na entrega e distribuição nacional. Pena que não dá pra coçar mais esse bichinho, mas quem sabe você é a pessoa certa pra assumir essa responsabilidade social...Se você estiver disposto a montar esse lugar, conte com nosso apoio! Nós queremos saber o que é a política pública municipal da saúde materna. E você, quer?

PS: Vale ressaltar que esse lugar pode começar virtual numa página onde todas as blogueiras grávidas pudessem desovar a lista de enxoval que já não usam mais na prática. Aprendi que as roupinhas, por exemplo, perdem-se a cada três meses. E aí: alguma empresa se habilita?
Polêmica. Um casal canadense decidiu não identificar o sexo do filho (a) justificando que essa decisão é um tributo à liberdade em detrimento da limitação. O que você acha disso?

Muitos dos comentários enfatizam que gênero sexual não é uma opção: você nasce com pênis ou vagina e ponto final. E que a decisão desses pais é irresponsável no sentido de não educar ("criar") os filhos de acordo com o sexo. Hummm... pensei, repensei e realmente faz sentido essa justificativa. Mas, por outro lado, também entendo um pouco a motivação dos pais... eles, antes de tudo, querem dar LIBERDADE ao filho (a), LIBERDADE TOTAL, inclusive de optar por se homem ou mulher antes de qualquer um saber e ter a oportunidade de não ser julgado por essa opção.

Se você considerar o que rola no mundo hoje, pode até ser uma solução. Radical, concordo. Vivemos num mundo onde crianças e adolescentes se suicidam por não serem aceitas por sua opção ou identidade sexual. E isso, pra mim, já é o suficiente para entender a decisão desses pais. Eu, como mãe, não quero ver meus filhos serem julgados por suas opções sexuais. Quero que eles tenham o direito de decidir quem vão amar e quero que eles tenham o direito de viver em sociedade sem serem criticados ou ridicularizados.

Mas eu entendo a posição de outros pais, mais conservadores. Meu marido é um deles. É difícil entender que às vezes nada-se contra a maré. Nem tudo é tão preto e branco, existe cor. O amor que tenho pelos meus filhos é intenso e imenso e tudo o que desejo para eles é liberdade, inclusive para escolher quem amar e compartilhar essa vida. E esse é o meu mantra: eles sabem que são meninos, mas, acima de tudo meninos com opções, liberdade de escolher, por enquanto, a cor, o brinquedo, a roupa favorita... não importa qual. Afinal, tudo é cor, brinquedo e roupa.

Foto: Steve Russel, The Toronto Star
Hoje, 25 de maio, é o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas. Como já escrevi antes, crianças desaparecem não pelo descuido dos pais, mas porque tem muita gente doente esperando a oportunidade certa de agir. Crianças desaparecem por diversos motivos: sequestradas por um dos pais (ou familiar), pedófilos, tráfico sexual, drogas, vingança, violência... a lista é enorme, infelizmente. Como podemos ajudar? Divulgando, denunciando e prestando atenção naquela carinha que está ali num poster pregado na parede do supermercado... pois um dia você pode se deparar com a criança daquele poster e agir... libertá-la. Essa é a meta da divulgação constante desses rostinhos que, pra nós, remetem a medo e tristeza, sim... medo do mesmo acontecer com nossos filhos. Cada rostinho tem uma família, um pai e uma mãe que não cansam de buscar e lutar pelos filhos desaparecidos...

Existe esperança... casos recentes provam isso:
Jaycee Dugard (18 anos desaparecida); Elizabeth Smart (nove meses desaparecida); e Shawn Hornbeck e Ben Ownby (cinco anos e cinco dias desaparecidos, respectivamente). Semana passada, Scotland Yard anunciou que vai retomar as investigações do caso Madeleine McCann, que desapareceu há três anos num resort em Portugal, sua mãe, Kate, acaba de lançar um livro sobre a história que gerou muita polêmica pelas circunstâncias: Madeleine desapareceu enquanto dormia com os irmãos gêmeos no quarto do resort, sem a presença de um adulto, pois os pais jantavam com amigos num restaurante próximo e se revezavam para checar os filhos a cada 15 ou 30 minutos, nesse período, alguém entrou no quarto e levou a pequena Madeleine.

Muito tem sido feito para prevenir esse tipo de violência, nos Estados Unidos a mãe de
Amber lutou para que todos os estados adotassem o Amber Alert (America´s Missing Broadcasting Alert), que aciona a polícia, sinais rodoviários e meios de comunicação imediamente após o desaparecimento de uma criança. Onde moro, as escolas também têm um sistema de alerta, ano passado, em duas ocasiões, um homem abordou crianças nas proximidades da escola. Imediatamente recebi no meu celular, e-mail e telefone residencial um alerta com as descrições da pessoa e do carro, com instruções para ficar atenta e contatar a polícia em caso suspeito. Funciona. Não é apenas uma mãe olhando pelo filho, mas várias... olhando para o seu filho.

No Nepal, por exemplo, crianças são traficadas para Índia para trabalharem como prostitutas... o caso se estende para outros países da Ásia, Leste Europeu, África, América do Sul.... Veja
dados do UNICEF. Muda-se de país, muda-se de idioma, mas a realidade é a mesma: crianças desaparecidas. Como ajudar? Divulgando, apoiando campanhas, fazendo doações e prestando atenção ao seu redor, cuidando do seu filho e do meu filho e denunciando. Leia Mais:

Histórias de Mães
Mães da Sé
Desaparecidos
Dossiê de Crianças Desaparecidas no Mundo, UNICEF
Nesta semana, tive a oportunidade de entrevistar Cisele Ortiz, do Instituto Avisa Lá, para uma reportagem sobre adaptação infantil que será publicada em breve numa revista de educação. Cisele é daquelas fontes que a gente se apaixona porque sente o quanto ela ama o que faz. Mas não é só isso: ela me mostrou um novo mundo, um novo olhar para aquilo que eu entendia como creche, berçário ou escola infantil. Veja vídeo abaixo de Cisele, feito pelo Museu da Pessoa:




Aprendi o reflexo da história da educação infantil. Acho que se todo pai tivesse noção deste histórico teria, enfim, condições de fazer escolhas mais conscientes para seu filho. Meu caminho para essa descoberta começou com a leitura da reportagem feita pela Nova Escola. Lá, você aprende que a escola para crianças menores existia para ser assistencialista. A LBA (Legião da Boa Vontade) foi o retrato desta época. A Cisele, então, ensina as funções existentes hoje na escola infantil. Então, você descobre que a história nos deixou como legado a tal função na hora de escolher e fazer a escola infantil:


Função Assistencialista: Para os pobres: cuidar das crianças enquanto as mães trabalham. Para a classe média: cuidar das crianças enquanto as mães trabalham ou não, mas substituindo a babá ou a avó. (Cisele Ortiz, Instituto Avisa Lá)

Os cem anos de escola infantil mostra que a história só começa a mudar entre a década de 80 e 90 quando os ricos começam a colocar seus filhinhos na pré-escola. Aí, a creche deixa de ser só assistencialista, passa a virar política e ganha novas funções. Vale acompanhar o cronograma que a Nova Escola traça para entender os direitos da criança como sujeito, os quais na maioria das vezes não é respeitado na escola nem dentro de casa. Mas, voltando às funções que esclarecem bastante a sensação de sempre encontrar o mesmo diante das maratonas que é feita pelos pais em busca da escola infantil. Entre elas estão:

Função Compensatória: Para as classes pobres: compensar os "atrasos" das crianças em função das privações culturais e econômica (levando-se em conta os padrões e modelos da classe média, sem questionamentos). Treinar habilidades específicas, ou ainda evitar a repetência e a evasão escolar nas séries iniciais. Para a classe média: acelerar as possibilidades da criança, principalmente na leitura e na escrita, para evitar o insucesso e diferenciar a criança frente aos seus iguais (que ela leve vantagem diante dos outros).

Função “Médica -Terapêutica”: Para as classes populares: substitui a família e os profissionais na solução de problemas de comportamento e de aprendizagem. Para as classes abastadas: resolver os problemas de educação com os quais a família não consegue lidar. Centra-se nos processos psicológicos, de grupo, fonoaudiológicos, etc.

Função Higienista: Centra-se, em ambas as classes sociais, no cuidado físico da criança, preservando a sua saúde através do ensino dos hábitos de higiene, da super alimentação, do atendimento médico e odontológico, na própria instituição escolar.

Função Recreativa: Sua principal finalidade é brincar pelo brincar, distrair a criança ao máximo, procurando preencher o seu tempo. Esta concepção aparece em ambas as classes sociais, numa espécie de dissociação entre brincar e aprender.

Função Educativa: Incide nos processos de ensino - metodologias específicas - e de aprendizagem - nas formas próprias de aprendizagem da criança. Procura trabalhar tanto com os conteúdos de ensino, como com os processos de formação de valores.

Quando li as funções listadas por Cisele comecei a associar com o histórico da Nova Escola e também com as informações obtidas sobre as teorias psicológicas e pedagógicas dos anos 60, que se transformaram na principal pauta da mídia pra falar de educação infantil. É raro não encontrar uma reportagem que lista os tais métodos pedagógicos: tradicional, construtivista e por aí vai. Essa listinha da mídia quase me deixou paranóica enquanto eu buscava a escola infantil da Malu. Agora, responda-me: pra que ela serve?

Primeiro o que existe é teoria. Segundo colocar a teoria em prática é raro. Terceiro: Cisele ensina que a educação na primeira infância consiste em organizar  TEMPO e ESPAÇO. Ou seja, as tais teorias vão defender como organizar este tempo e espaço. A diferença de uma teoria para outra está na relação com a criança. A escola que pratica tratar a criança como sujeito vai respeitá-la mais no seu ritmo e nas suas peculiaridades, enquanto escolas mais rígidas vão impor uma rotina determinada para todos.

ATENÇÃO:
Alfabetização não é tema para escola infantil. O que pode acontecer é a criança ter contato com letras, mas qualquer ação além disso já é pressão social, seja dos pais ou do mercado. Eu também tive essa ansiedade, mas antes de achar que seu filho de 3 anos não sabe inglês nem escrever como do vizinho, tente lembrar da sua infância. Você só entrou na escola aos 5 anos ou aos 7? Se frequentou creche, ela era assistencialista. Vale voltar atrás pra discernir as cobranças que faz agora. Alfabetização finaliza aos 9 anos.

Os pais podem analisar a programação da escola, o tempo destinado a brincadeiras, onde e como acontecem essas brincadeiras. Pode-se perguntar, por exemplo, se a criança vai todos os dias para um espaço externo. Se a pedagoga falar sobre linguagem oral é porque haverá um conteúdo focado em diálogos, enquanto a linguagem expressiva envolve mais atividades artísticas. Todas essas atividades estão relacionadas a uma corrente mais interativa, enquanto a corrente tradicional trabalha num campo mais teórico como o teatrinho para ensinar escovar os dentes ao invés da prática”, esclarece Cisele Ortiz.

Então, anote: ESPAÇO e TEMPO!!!
Esses são os critérios que você precisa observar quando pensar em pedagogia para crianças de 0 a 6 anos. Vale ressaltar que a Secretaria de Educação do seu município tem o dever de fiscalizar a escola infantil PRIVADA. Você pode reclamar de espaço que não segue a diretriz do MEC, da quantidade de pedagogo por turma que não segue a diretriz do MEC e da falta de programa pedagógico, o qual deve ser aprovado pelo MEC. É dificil pedir tudo isso a escola do seu filho, mas essa é uma relação comercial que precisa ser tratada como tal. Vale lembrar que não consegui entrevistar a técnica responsável da Secretaria de Educação de São Paulo. Essas informações foram confirmadas via email cheia de citações da lei: Deliberação CME 04/09 e Lei 9394.

Lições de uma mãe que agora é do Ensino Fundamental:
Eu aprendi que toda escola vai dizer que é construtivista porque faz mais sucesso do que dizer que é tradicional. Outras vão admitir que são híbridas: tem um pouco de tudo. CORRA! Não dá pra ter um pouco de tudo. Ou faz direito ou não entendeu nada. Não existe um programa pedagógico que ora segue a corrente A, ora segue a corrente B. O que existe é uma coordenação que não sabe colocar a teoria em prática. Aliás, tá cheio de escola cara assim. Cuidado!

Aprendi que nós, PAIS, somos muito responsáveis pela mudança da educação infantil. É raro a gente sair do umbigo nesta fase materna, mas se além do coração e institno materno, a gente ter consciência de que a escola tem a obrigação de ensinar uma rotina para nosso filho, tem a obrigação de oferecer espaços adequados aos nossos filhos e ainda de respeitá-lo como sujeito, MUDA MUITO. 

A rotina da escola irá ajudá-lo a controlar o tempo, as atividades e o espaço dele. Pense que espaço também é psicológico. Se você dá espaço para seu filho ser o rei, ele ocupará esse lugar. E a lição que mais valeu na minha vida de mãe: escola não é pra ser a segunda casa de ninguém, mas um lugar voltado à educação, inclusive de pais.
O Parto é Nosso?
Sim, questione! Pense se você realmente é dona do seu parto. Se está realmente livre para tomar essa decisão. Ou sente-se insegura, acuada e com receio de agir da forma errada? Vale ler mães que vivenciaram o conflito que proponho para você. Reflita sobre as histórias reais e identifique se realmente tem posse deste momento.

Existe uma rede em ação nesta semana, que espalha imagens por 16 cidades com objetivo de nos alertar que podemos tomar rédeas da nossa liberdade. Eu já cansei de repetir aqui que não há liberdade sem conhecimento. Pois é através do conhecimento que nos tornamos responsáveis. Sim, parir exige uma certa responsa da nossa parte. Eu descobri isso tarde, muito tarde...pois a gestação tem o limite do tempo, seja o tempo da natureza ou o nosso tempo. Fui vencida pelo meu tempo...É uma questão confusa ainda. Afinal, trata-se de VIDA! Conheça mais sobre a rede em ação no vídeo abaixo feito pelo Canal Futura:





Hoje prometo não desabafar sobre minha cesárea, mas volto para refletí-la aqui (em breve...) Hoje é dia de renascer o Respeito pelo Nascimento, entender o porquê nos dias de hoje ainda é necessário criar rede para afirmar que O PARTO É NOSSO! Não se trata de guerra, mas de união pelo nascimento, pela liberdade e pela humanidade. A rede Parto do Princípio nos convoca para celebrar a Semana Mundial do Respeito pelo Nascimento. São 16 mulheres que se esforçaram para realizar uma exposição de fotos nas cidades delas. Eu tive a oportunidade de acompanhar essa ação. É gratificante sentir na pele os desafios de fazer acontecer...

Mas pra fazer sentido, você também precisa participar: com a sua voz, a sua crítica, o seu olhar e os seus medos. Afinal contra QUEM estamos lutando? Estamos lutando entre nós? Faz sentido levar nosso conflito interno para fora dos nossos corpos? Não. Tenho absoluta certeza que o conflito feminino é individual, não se pode julgar pela experiência do outro, mas somar com os desafios comuns. Ninguém discute que há DESINFORMAÇÃO diante de tantas teses da ciência da saúde. Porquê?

Acredito que a resposta está no consenso feminino. Não vale se esconder atrás das bandeiras, das estatísticas. Não se trata de pertencer ao grupo A ou B, mas de ser uma Mulher Livre com Direito à Informação para ter liberdade da posse dos nossos corpos. Hoje essa liberdade está em risco. Os motivos são vários e um deles é porque nós nos julgamos pela experiência do outro. Deixamos o julgamento no lugar certo para termos condições de lutar pelo bem comum. Participe da SMRN e faça um post pelo Respeito ao Nascimento. A semana começou no dia 15, mas só termina domingo: bora postar!
Arthur está falando cada dia mais… o vocabulário, que antes era bem restrito para a sua idade, aumenta dia após dia. Me surpreende, me conforta… comprova para mim que dedicação e paciência realmente dão resultado. Não, ele não virou uma anjo da noite pro dia, pelo contrário, ainda exige muito de mim. Vira bicho quando não tem suas vontades atendidas e “não” provalmente é “sim” nesse novo mundo de palavras e sons.

Por inúmeros motivos, optamos por não comprar brinquedos que incitam “violência”, “briga”, “guerra” ou “conflito” de qualquer natureza. Aqui em casa não tem espaço pra tanque de guerra ou revólver de brinquedo… não tinha. Eis que recentemente os meninos ganharam de lembrancinha no aniversário de um amigo o tal revólver de água. Tomás demorou um pouco pra entender como funcionava aquilo… Arthur, ao contrário, segurou com prontidão e soltou com fúria o “bam, bam”. Meu marido e eu nos entreolhamos com aquela expressão de “onde foi que ele aprendeu isso?”

Dia desses, estava na sala com o pequeno que vira pra mim e fala “Mommy, I am MEAN” (EU SOU RUIM). Hummmm, como? Você não é ruim Arthur, às vezes, faz coisas que não são boas… “No, I am MEAN”. Falei pra professora dele no dia seguinte… “que medo!!! Agora ele verbaliza”. A experiência de lidar com uma criança de gênio forte e temperamental não tem sido fácil e, sim, muitas vezes tenho o egoísmo de pensar que SÓ eu vivo isso. Mas… salve, salve a Internet e mães como Taís Vinha que compartilham a própria experiência de forma tão sublime que faz outras mães, como eu, suspirarem aliviadas… “NÃO ESTOU SOZINHA”.

Sim, Arthur precisa de uma atenção extra e de um empurrãozinho aqui e ali pra não descarrilar… mas por outro lado, ele tem uma coração cheio de amor. Eu sinto, nós sentimos… Ontem, por exemplo, Tomás chorou que não queria dormir sozinho… cinco vezes ele desceu as escadas para dormir no nosso quarto, o pai que já havia colocado o filho inúmeras vezes na cama numa mesma noite perdeu a paciência e deu um tapa na bunda. Arthur, do seu quarto, escutou o irmão chorando e quando todos estavam cada um no seu quarto dormindo, ele vai de mansinho para o quarto do Tomás dar um beijo e dormir abraçado com o irmão. No dia seguinte, Tomás me conta essa história e acrescenta “Arthur me fez parar de chorar e eu me senti melhor”.

Detalhe: Tomás, parafraseando Taís, também nasceu com “senso moral de um velhinho”. É um eterno seguidor de regras, tanto que esses dias foi mandado embora do grupo de amigos por lembrá-los a toda hora das regras do playground da escola… a história é longa, por isso fica pra outro post! Falo isso só para vocês entenderem o que é ser mãe de dois meninos COMPLETAMENTE diferentes.
Visitei 10 blogs da nossa listinha no dia 5 de maio. Escolhi aqueles que andavam meio desanimados. Ou seja, não postavam há mais de um mês. Gostei muito das temáticas que vi e da diversidade que encontrei nessa primeira navegada, mas percebi algo comum entre eles: quem são, onde moram e qual contato? Dos 10 blogs visitados, sete não informam o local em que moram. De repente são meus vizinhos, mas eu não sei. Qual importância de esconder tal informação?

Não acredito que seja uma estratégia de proteção, mas de desatenção. A maioria dos blogs visitados está disposta a conversar, sentar na sala e partilhar experiências, mas como refletir ao lado de alguém que omite até onde mora. Pense um pouco o quanto a sua identidade é importante para manter nossa blogosfera materna viva, atuante e consciente. Caso seja sua opção esconder isso, no problem. Mas não esqueça de que blog de mãe retrata um pouco do que é a gente. Não só de quem é você, mas interfere na minha identidade também porque temos em comum o fato de sermos blogs de mães. Acho muito importante que nossa identidade tenha como princípio a transparência. E você o que acha disso?

Outro desafio da nossa blogosfera materna é identificar o nome da blogueira. Como devo chamar alguém que não tem nome? Tem muita coisa quadrada na tecnologia que segue padrão acadêmico, mas o Perfil no blog é uma convenção essencial para blogar. Saber quem está falando do outro lado é muito importante para termos um diálogo justo que enriqueça mais a nós mesmos como mães e pais. Por isso, que tal investir um pouco do seu tempo num novo perfil do seu blog: com nome, local e contato.

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Não adianta reclamar amanhã ou ficar puto com o descaso político na área da Saúde Materna, é preciso agir na hora certa. E a hora chegou: a Agencia Nacional de Saúde Suplementar abriu consulta pública para debater os procedimentos clínicos dos PLANOS DE SAÚDE. O que não faltarão são advogados renomados defendendo operadoras, operadoras, operadoras ou hospitais, hospitais, hospitais e algumas entidades de profissionais de saúde. Nós, mães e pais, não temos representatividade em nenhum lugar institucional. Então, chegou a hora de testar pra que servem esses blogs?


O desafio é grande: temos apenas três dias. Muitas decisões serão tomadas por esses advogados, mas afetarão exclusivamente os nossos bolsos. O que não faltam são artigos na consulta pública, que tratam das nossas necessidades... Mas não teremos chance de se manifestar na maioria deles. Um artigo, no entanto, temos a oportunidade de lutar. Trata-se do artigo 19, que não contempla o direito ao acompanhante na sala de parto. A rede Parto do Príncipio elaborou a parte mais complicada: CONTEÚDO. O resto agora é conosco: vamos divulgar! Eu defendo blogagem coletiva JÁ!

Para participar é simples, divulgue o texto abaixo no seu blog com o título acima ou faça o que achar mais apropriado desde que defenda a lei do acompanhante agora. [Se você é mãe blogueira e advogada, o que acha de criar um grupo de mães para, na próxima consulta pública, termos chance de opinar sobre outros artigos?]

O primeiro passo para agir é entrar na página da consulta pública. Aqui ó: http://www.ans.gov.br/index.php/participacao-da-sociedade/consultas-publicas/529-consulta-publica-40

O segundo passo é encontrar o formulário, quase no rodapé e começar a preencher os campos. Segue modelinho feito pela turma da PP:
Preencha os campos abaixo:
Tipo de Usuário: Consumidor
...
Tipo de Contribuição: Alteração de artigo de Resolução Normativa

Selecione o Artigo a ser alterado: Art. 19º

Insira a alteração do Artigo selecionado:
(copie e cole)
I - cobertura das despesas, incluindo acomodação, alimentação e paramentação quando necessária relativas ao acompanhante indicado pela mulher durante o pré-parto, parto e até 10 dias do pós-parto, de acordo com a Lei 11.108, de 7 de abril de 2005, ou outra que venha substituí-la;

Justificativa: (copie e cole)
Hospitais praticam a cobrança do usuário referente à "taxa de paramentação do acompanhante" como condição para que o acompanhante possa estar presente no parto. Essa taxa deve ser cobrada do plano de saúde. E de acordo com a Portaria 2.418 de 2005 que regulamenta a Lei Federal nº 11.108/05, o "pós-parto imediato" citado na referida lei foi definido como os primeiros 10 dias após o parto.

Mais informações: Lei do Acompanhante
*Imagem retirada do Blog Gestação Cósmica
Quando escrevi o post Badinter, Jong e o MITO da mãe perfeita meu objetivo era refletir sobre a culpa que permeia a escolha de “viver a maternidade em sua plenitude”. Nas minhas reflexões, citei leituras que, de certa forma, jogaram uma luz nesse processo que envolve adquirir conhecimento para, então, promover mudanças CONSCIENTES. Não sou 100% mamífera, não sou 100% feminista, mas com certeza tudo o que elas discutem tem um impacto na minha vida, por isso a importância de trazer à tona a discussão delas pra nossa roda. Não dá pra tomar decisão consciente vivendo no ostracismo.

Meus dois filhos nasceram de parto normal, amamentei e decidi deixar minha profissão pra ser mãe em tempo integral. Estou presente 100%, me preocupo com o meio-ambiente e a comida que eles colocam na boca. Sigo a risca o bê-a-bá da boa mãe. Mas ainda assim sinto culpa, um vazio. Quero ser mais, mas não dá. Culpo os meus filhos? Não. Culpo o meu marido? Não… e também não quero ser o meu marido, acho perfeita essa sintonia movida examente pela diferença. É uma vantagem saber que a relação que tenho com meus filhos é diferente da relação que meu marido tem com eles, que meu papel como mãe é insubstituível, além de ser fundamental na vida dessas duas crianças. Mas ainda assim quero saber o que fala Badinter. Ela, nas suas concepções extremistas, me faz ver o outro lado… a luta secular das mulheres para serem valorizadas como os homens no âmbito profissional.

Por outro lado, é importante entender o que move mães que defendem a maternagem, o “attachment parenting”. Evoluímos tanto que acabamos nos perdendo nesse processo. Esse resgaste não é para nos transportar a um mundo “pré-histórico”, mas para nos fazer enxergar que talvez a felicidade esteja ali, diante dos nossos olhos, na simplificação da vida moderna. Ninguém exige de mim mais do que eu mesma. Eu sou minha inimiga, pois me perdi no processo de aprendizagem e trouxe para dentro das minhas convicções mensagens aleatórias. Deixei meu valor como Mãe e Mulher ser julgado pelo exemplo da mãe perfeita, imposto pela mídia.

Eu defendo a escolha de cada mulher, mas desde que ela seja consciente. Não sou ingênua a ponto de acreditar que é normal 80% dos partos no Brasil serem cesarianas… é óbvio que FALTA INFORMAÇÃO. Não vou comprar o discurso de uma feminista francesa simplesmente por que ela defende a mulher no mercado de trabalho. É preciso ir além, saber quem é você e, a partir de informações de grupos como os que acabei de citar, entender suas opções antes de se decidir pelo caminho a trilhar. Não existe certo e errado, existe você, sua consciência e a vontade de acertar.

É importante ressaltar que Badinter é filha do fundador do Publicis Groupe, o quarto maior conglomerado de agências de publicidade no mundo. Ela tem três filhos. E atualmente, além escritora e FEMINISTA, é conselheira do Publicis, que tem entre seus clientes empresas como L´Oreal, Coca-Cola, Nestlè, Proctor and Gamble, Sanofi Aventis, entre outras. A partir disso, você pode tirar suas próprias conclusões ao entender seu papel de feminista num mundo que envolve não apenas dinheiro, mas poder e INFLUÊNCIA. Esse dever de casa, saber quem é Badinter, veio a partir da dica de Cláudia Bauer, que compartilhou por e-mail sua opinião sobre meu post anterior e indicou essa leitura. Valeu Cláudia, Renata, Nine, Laís, Juliana, Carol, Bia, Roberta, Fabiana, Ananda, Viviane, Carolina e Andréia, mães que compartilharam seus pensamentos e enriqueceram essa discussão que envolve maternagem, feminismo e… você!
Conheci Daniela, a blogueira Bióloga e Mãe, de Aracajú - que participou da nossa pesquisa - no post Dentinhos, dentes e dentões justamente quando postergava meu desejo de escrever sobre a etapa em que vivo agora com os primeiros dentes que caem...Malu tem seis anos e a queda do primeiro dente foi uma celebração exagerada aqui em casa. Vídeo, foto e muito discurso de fadas, princesas e crescimento...

Quando um dente do nosso filho cai, a gente começa a cair também...De um modo diferente, é claro. Nossa queda é em cima da realidade. Qual? Ué, a de que eles cresceram: não são mais bebês, não precisam mais da gente como antes. Viraram crianças de verdade! Muda muito, mas o princípio é o mesmo dos dentinhos que surgem quando eles eram bebês: dor e crescimento. A diferença é que essa transformação, na segunda infância, tem sangue. Sim, queda de dente tem cor.

Diante de tantos símbolos imaginei que ia achar um batalhão de informações sobre queda de dentes...Ledo engano. Encontrei pouca coisa, mas o que não faltou foram vídeos no You Tube sobre o grande momento. Haja falta de privacidade...Tem criança de todo jeito e mil e uma maneiras de como arrancar o dente. Ué, mas eu também não vibrei em estilo eletrônico e tecnológico. E MUITO, PORQUÊ?

Não sei, só sei que foi assim. A gente precisa celebrar, gritar aos quatro ventos: mudou, cresceu, doeu, caiu. E toda queda tem uma subida. Foi assim que resolvi inserir a responsabilidade infantil dentro de casa. Cada dente que cai é uma responsabilidade que nasce. Tá dando certo, com muita negociação, é lógico. Mas não vejo a hora do segundo dentinho cair para eu nunca mais precisar ir ao banheiro com a filhota. São pequenas coisas, mas que nos exige um tempo danado. Vale ressaltar que antes da queda dos dentes, minhas tentativas com a responsabilidade familiar foram um desastre: desenhos, listinha, muita conversação. Nada disso deu certo, mas adivinha? Sim, de novo, eu tava errando, delegando, assumindo um poder autoritário demais...mas isso já é um outro post. #Fui!

E, você, que tal escrever no seu blog sobre a queda e a chegada dos dentes. Afinal, o que eles significam nas nossas vidas? Ah, você já postou, então manda o link pra cá. Não esqueça da URL completa, ok?
Faço 37 anos no Dia das Mães. Ironia? No mínimo, não é por acaso que inventei esse troço de desabafar em público minha maternidade. Nasci em maio e...Sim, eu tive de dividir meu bolo (ainda criança) com as mães da família. Sina ou karma? Ás vezes, sinto raiva disso: é muita coincidência. Outras, orgulho. Pelos sentimentos parece mesmo coisas cármicas, mas o fato é de que agora me tornei Mãe de Verdade. Anhã, eu já fui muito mãe de metirinha.

Eu já assumi o lugar da maternidade antes da Malu nascer...fui um pouco mãe dos meus irmãos, dos meus pais, dos meus primos e até dos meus amigos. Mãe de mentirinha, entende? Claro: uma mãe chata, intrometida e autoritária. Mas, no fundo, eles ainda me amam.

E o que significa ser uma mãe de verdade agora?
Ufa! Para alegria geral da minha família significa eu mudar de lugar na relação que tenho com eles e assumir o papel de mulher, de filha, de irmã, de amiga e de prima. Cá entre nós, ser mãe de verdade também significa eu assumir meu papel de blogueira. Sim, acho que também fui mãe de mentirinha com o uso dessa ferramenta. Agora, quero ser blogueira e, com um detalhe: uma blogueira Mãe jornalista. Muita coisa vai mudar de agora em diante: eu prometi isso pra mim.
Mas, calma aí, eu ainda estou em processo. Não me cobre nada porque vivo ainda a minha própria cobrança. Estou descobrindo esses novos lugares. Lembra, sou teimosa, nasci em maio: taurina. Não será uma mudança fácil...aliás, nenhuma transformação é fácil...nós que somos mães sabemos disso. Só pra você ter uma idéia do que nos espera: enquanto você lê este post, eu devo estar fazendo uma massagem no Balneário de Águas de Lindóia. JABÁ? Não.

Eu prezo a ética e não acredito na convergência conteúdo reflexivo + publicidade. Cada macaco no seu galho: tem certas divisões que precisam ser eternas para mantermos a liberdade. LIBERDADE, isso é o que desejo como blogueira. Por outro lado, eu acredito na mistura, na remixagem, nas saladas, nas trocas e nos pacotes de presente. Eu acredito na criatividade, no fazer junto, na mudança. Sim, lutamos pela publicidade em blogs. Queremos uma blogosfera materna viva, valorizada como a maternidade consciente merece. Ou seja, com ÉTICA!

Minha massagem é paga pelo bolso do maridão: presente!!!! Isso mesmo, mas antes que você morra de inveja, a viagem foi pedida há duas semanas. Sim, Mãe de verdade diz ao marido o que deseja dele. Chega de entrelinhas ou indiretas: esse namoro não combina mais comigo. Meu negócio é amar de corpo, alma e espírito. É assim que quero nascer de novo no Dia das Mães e preciso de você para a ser a blogueira consciente da maternidade. Conte comigo para levar a sério esse ato de blogar. É, por isso, que presenteio o Desabafo de Mãe, neste meu aniversário, com uma lista de 80 blogs*. Esses endereços já fazem parte da minha mudança. São fruto da pesquisa da Blogosfera Materna, que começou no dia 24 de março e se encerrou no dia 30 de abril. A listinha ficará na íntegra até dia 13 de maio. Depois para aparecer no nosso cantinho: vai ter de blogar. E conte conosco para essa conversa.

Feliz Dia das Mães!
* Quatro blogs ainda não entraram na listinha porque os endereços não têm feed. Nos avise quando colocarem feed no seu blog, ok?
CULPA. Desde que me tornei mãe, a culpa tem sido minha companheira DIÁRIA. Quando escrevo posts como esse, a danada da culpa está lá no fundinho me perguntando “onde foi que errei ?” Se o dia foi uma correria e tudo o que consegui foi descongelar uma pizza para o jantar… lá vai a culpa de novo me lembrar “ué, mas se não TRABALHA porque vai servir pizza para os filhos?” … e por ai vai, lembro também da CULPA que senti por ter amamentado o Arthur até os três meses ou ter “ousado” pensar em trabalhar … Depressão, remédio e bebês definitivamente não combinam, mas a CULPA entende isso? Lógico que não, ela fica lá orquestrando uma tempestade no seu emocional e racional.

Até ler o artigo Mother Madness de Erica Jong, no Wall Street Journal, não tinha parado para pensar no quanto a mídia, livros e revistas sobre bebês e maternidade “alimentam” indiretamente essa culpa na mulher. Jong chega a criticar em seu artigo o casal de médicos William e Martha Sears, autores do Livro do Bebê, considerado a “bíblia” de pais e mães. Ambos defendem a prática do attachment parenting”, ou seja, a presença constante dos pais na criação dos filhos que inclui práticas como contato imediato após o nascimento, amamentação, dividir o quarto e carregá-lo para todos os lugares com o tal de sling. De acordo com Sears, esse é o segredo para criar filhos “bem resolvidos”. Além disso, não podemos nos esquecer do meio ambiente… comidas orgânicas feitas em casa, uso de fraldas de pano… a lista é enorme.

Jong recebeu duras críticas pelo seu artigo, acredito principalmente porque o “attachment parenting” é muito praticado nos Estados Unidos. Mas e a mãe que trabalha ou quer trabalhar, como fica nessa história? Hum… lógico que com a tal da CULPA. Ser mãe e responsável por um outro ser-humano já gera uma culpa danada… mas não conseguir ser a MÃE PERFEITA é pra lá de frustrante, cansativo e, porque não dizer, destrói sua auto-estima. Não somos nós que decidimos conscientemente virar a mãe perfeita, mas passamos a comparar nosso valor às qualidades que são atribuídas a essa mãe perfeita e, lógico, essa é uma conta matemática que jamais vai fechar, dai a frustração e a culpa constante.

Eis que, lá na França, Élisabeth Badinter teve a coragem de criticar essa forma de criar os filhos (o tal de “attachment parenting” ). No livro O Conflito: Mulher e Mãe, a autora defende que é impossível ser a MÃE PERFEITA. Pontos pra ela. Sinceramente, não dá. Sempre vai faltar alguma coisa. Ela vai mais além, ao afirmar que essa nova concepção de maternidade limita a liberdade da mulher e prejudica suas perspectivas profissionais.

Resumidamente, de acordo com Badinter, a política dos últimos 40 anos produziu três tendências que mudam o conceito de maternidade e, consequentemente, reduz a liberdade das mulheres. O primeiro, resumido por ela como “ecologia” é o desejo de retornar aos tempos mais simples; o segundo a ciência comportamental baseada no estudo do “comportamento animal” e por último o “essencialismo feminino” que elogia e valoriza a amamentação e o parto natural, desprezando hormônios artirficiais, anestesias e anticoncepcionais.

Todas essas tendências, afirma Badinter, que prometem trazer felicidade e sabedoria para mulher, mãe, família, sociedade e toda a humanidade, na realidade geram um enorme sentimento de culpa nas mulheres que não podem viver de acordo com esse “falso” ideal. O espectro da mãe ruim se impõe de forma ainda mais cruel a medida em que ela internaliza o ideal de boa mãe. E, ela acrescenta, que o bebê agora se torna o melhor aliado do homem no domínio masculino.

Exageros à parte, é uma nova forma de se pensar a maternidade no sentido de tentar racionalizar essa culpa e trabalhá-la de uma forma que não prejudique a essência da mulher, mãe. Adianto, eu não sou contra o parto normal ou amamentação, mas precisamos ter em mente que nem tudo o que funciona para mim, funciona para você. E que amamentação e parto normal não devem nunca ser um tipo de índice que vai definir que mãe é boa ou ruim...

O processo de viver a maternidade é cheio de culpas e escolhas, muitas vezes a mulher ganha nessa escolha, outras é a mãe… Ressalto que a questão da culpa não envolve apenas a maternidade, mas todos os aspectos da vida moderna, incluindo a profissão. É possível dedicar-se à maternidade e à carreira, com perfeição... duvido, sempre vai faltar algo... e é nesse pequeno espaço que envolve fazer escolhas conscientes é que vive a tal da culpa, pelo menos no meu caso.

O livro de Badinter, que já causa polêmica na Europa e nos Estados Unidos, será traduzido para o inglês e português no segundo semestre desse ano.