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Foto retirada do blog Canto-do-conto.
O quê? OUTONO!
Soa estranho a gente contar algo para nossos filhos que envolvam estações do ano, né? A gente pensa que esses temas são coisas para escola... E são mesmo, mas cada lugar tem seu papel. Crianças ainda vivem em casa e o outono, por mais que a gente não perceba, está ali, no cantinho do quintal ou no frio na ponta do nariz. Resolvi assumir mais essa missão com a Malu: perceber o tempo da natureza. Mas, quem foi que disse que aprendi isso em algum lugar e sei quando começa cada estação? KKKKKK...

Fui uma criança que só aprendi a decoreba na escola. Minha mãe nunca contou nada sobre outono para mim. Pelo menos, nenhum conto que ficasse na minha memória. Na escola, a imagem era sempre a mesma. Resultado: cresci e até hoje confundia o outono com as folhas amarelas do povo lá de cima. Talvez, por isso, seja tão alienada em relação a estações do ano. Talvez quando eu era criança resolvi acreditar que não tinha direito ao Outono já que nunca vi aquelas árvores amarelas ao vivo. Talvez. Mas, e agora, José?

Agora, existe google que somado à sobra da minha infância resta colheitas e folhas amarelas caindo no chão, logo pensei qual seria o reflexo do Outono na nossa agricultura? Afffff, sem saída. Descobri a tal safrinha do milho, que parece que um tal de híbrido sintético mudou essa colheita. Outra descoberta foi que o nosso Amarelo e vermelho vem do fruto do café, mas isso nos anos 80, quando a colheita demandava grande quantidade de mão-de-obra, a fim de impedir que os frutos, uma vez secos, caíssem. Hummm, mas você já viu alguma imagem de Outono relacionada ao frutinho amarelo do café? E frutinhos secos de café caídos ao chão?

Parece quase tarefa impossível...Isso se eu abandonasse os mitos e as lendas antigas. Ufa! Adeus aos preconceitos e vamos ao mergulho! A expressão correta para a busca é Equinócio de Outono e, neste mergulho, você poderá encontrar informações sobre a Roda do Ano Celta. Opa! tá ficando interessante, mas muito desconhecido para mães como eu. Preciso ainda de estórias para crianças. Acabei achando a Folhinha Verde, da Betty Mello. E assim fui criando uma nova concepção do Outono cinza, que vivo na cidade de São Paulo.

Foto retirada daqui.
Não dá para ignorar o DVD da Lola, que tinha raiva da meia e do casaco que era obrigada a usar no Outono. Ele já faz parte da vida da Malu. Tenho a sorte de ser abençoada com a presença da Renata e da Carla que colocaram a Waldorf na minha vida e a escola traz a Páscoa junto com outono. Então, minha filhota tem a oportunidade de vivenciar a transformação da lagarta em borboleta. Opa, outono é passagem entre verão e inverno. Opa, é hora de comemorar o sono da natureza: o verde das plantas perde seu vigor, as folhas caem e os frutos aparecem em abundância, denotando que a terra conclui o seu trabalho. (Texto escrito pela professora Juliana enviado aos pais da escola). Acho que já temos um bom começo para contar estórias sobre Outono aqui em casa. E você já fez sua trajetória para encontrar o outono que irá apresentar ao seu filho? Não se esqueça que celebrar faz parte da vida e somos nós quem ensinamos aos nossos filhos a alegria das festas, inclusive das festas que exigem de nós uma pausa para olhar para natureza e, consequentemente, para sentido da vida!
Bom outono à blogosfera materna e a todas as famílias!

PS: Você sabia da super Lua que marcou a chegada do outono?
Ufa! Meio da semana e só agora consegui "fechar" nossa roda. Eu não consegui ler muitos posts, mas eu quero voltar nessa conversa ainda e prometo colocar todos os links não-lidos na listinha de pendência. Parece ter muita coisa boa espalhada pela nossa blogagem coletiva. A listinha daquilo que consegui mapear na rede segue abaixo. Se você participou da roda, mas meus dedos não a tocaram, então comenta aí com sua URL que no tempo-de-mãe a gente vai atualizando, bem devagarinho.

O que dizer no post que fecha esta blogagem coletiva? Tanta coisa que a gente fica sem palavra. Ainda estou deslumbrada com a troca. Muita reflexão que vai precisar de bastante prática pra gente digerir. Afinal, de nada adianta a gente refletir aqui senão praticarmos dentro de casa. Reflexão, troca e prática. Essa é a receita que deixo para todas as mães blogueiras que tiveram a coragem de sair da zona de conforto. Agora não dá mais pra fingir que não vemos as diferenças, elas fizeram parte da nossa conversa por quase 10 dias, mas precisamos de muitas dezenas de tempo para praticá-la e transformá-la.

É preciso ficarmos alertas não só aos nossos filhos, mas principalmente a nós mesmos. Aprendi que negro é negro, mulato é mulato, japonês é japonês. Não podemos ter medo das palavras, sabemos do peso que cada uma delas carrega nos significados negativos da escravidão, da inferioridade ou superioridade e por aí vai. Mas é colocando essas palavras em prática que podemos transformar esses significados. É sua responsabilidade usar essas palavras na hora certa na frente dos seus filhos. Quem continua atribuindo ao negro os significados de pobreza, de vagabundagem, de roubo, de inferioridade fortalece nossos fantasmas tão pobres de espírito e nos torna também mais pobres.

É hora de transformar nossa bagagem cultural. Somos nós quem consumimos e pagamos pela cultura do Brasil, porquê não termos direito de opinar na hora da novela, do filme ou livro infantil? Tá na hora da gente deixar o umbiguismo, a vergonha, a moral e a comodidade e gritar por novelas mais conscientes, menos racistas; por livros infantis que retratam as diferentes culturas do Brasil (negro, índio, imigrações) e por filmes nacionais que nos dão orgulho de sermos quem somos. Não dá pra mudar dentro de casa sem mudar fora.

Eu prometi uma surpresa pra gente fechar essa roda com chave de ouro, lembram? Pois bem, consegui uma entrevista com professor da USP, Dennis de Oliveira, que foi uma das primeiras pessoas que me fez refletir sobre raça (obrigada!). Foi um bate-papo muito gostoso que publico na íntegra no You Tube. Convido a todos a conversar com vídeo em seus blogs e, se acharem válido, divulgar e rodá-lo em suas redes. Abraços no coração de todos e continuamos a busca por uma infância sem racismo.






  1. Associação Internacional Maylê Sara Kaly (AMSK) - Conversas na cozinha dos Vurdóns
  2. Bia Mello - Racismo, vamos discutir a respeito?
  3. Sylvia - Campanha contra o Racismo - Unicef
  4. Rogéria - #infanciasemracismo
  5. Marina - Infância sem Racismo
  6. Priscila Viana - Por uma infância Sem Racismo
  7. Tati, da Rede Mulher e Mãe - Estamos ensinando nossos filhos a lidar com o diferente?
  8. Roberta Fraga - Infância sem Racismo
  9. Mariana (Viciados em Colo) - Infância Sem Racismo - blogagem coletiva
  10. Mariana (Viciados em Colo) - Dicas da Unicef para uma Infância Sem Racismo #comofaz
  11. Lud Aquino - Infância Sem Racismo
  12. Mariana (Viciados em Colo)  - Minha Infância Sem Racismo
  13. Nine - Minha ação por uma infância sem racismo
  14. Mariana (Viciados em Colo) - Minha ação por uma Infância Sem Racismo
  15. Mariana (Viciados em Colo) - Patrulhamento X Infância Sem Racismo
  16. Mariana (Viciados em Colo) - Fechando a série #infanciasemracismo
  17. Fabrícia Mello - Sobre os discursos politicamente corretos e  a #infancia sem racismo
  18. Dani - Minha ação por uma infância Sem Racismo
  19. Lu Ivanike - Racismo também é papo de mãe
  20. Dolores Medeiros - É de pequenino que se torce o pepino
  21. Vanessa - Por uma Infância Sem Racismo
  22. Telma Maciel - Minha ação por uma infância sem racismo
  23. Raquel - Minha ação por uma infância sem racismo
  24. Marcella - Minha ação por uma infância sem racismo
  25. Liana - Por Uma infância sem racismo
  26. Simone Miletic - Por uma infância sem Racismo - Juntos somos ótimos
  27. Patrícia Gomes - Minha ação por uma infância sem racismo
  28. Paulo Caldas - Marina Nasceu
  29. Sueli  Sueishi- Minha ação por uma infancia sem racismo
  30. Ceila Santos - Livros e cabelos por uma infancia sem racismo
  31. Roteiro Baby - Minha ação por uma infancia sem racismo
  32. Gilmara - Racismo
  33. Ceila Santos - Escola e pais por uma infância sem racismo
  34. Priscilla Perlatti - Por uma infância sem racismo: sobre as cores
  35. Ivana - Por uma infância sem racismo: a nossa vivência
  36. Ceila Santos - Conheça-te e confie: por uma infância sem racismo
  37. Elcio Tuiribepi - Agenda cheia
  38. Carolina Pombo - Detalhes racistas: campanha por uma infancia sem racismo
  39. Graziela - Por uma infância sem Racismo
Aprendi tanto, mas tanto com essa brincadeira de roda que demoraria anos, ou até vidas, pra sacar algumas coisas, se vivesse somente a minha vidinha prática do dia a dia. Foi muito bom relfetir com vocês sobre uma Infância sem Racismo. Na roda de hoje, temos mãos que foram fundo no mergulho blogueiro. Destaco a Raquel, que trouxe várias lições. Mas uma du cueiro. Uma lição que há muito achava que entendia, mas só agora senti na pele. 

Raquel fala da nossa atitude com a vida. Sabe aquele lance de basta uma dificuldade para perdermos a capacidade de usufruir das coisas boas da vida. É essa atitude de impotência (só porque não temos acesso ao banquete que se estabelece a nossa frente) que transforma as diferenças cada vez mais enraizadas na força do dinheiro. Tá filosófico demais, né? Sorry, coisas de Raquel gerados de uma troca com Tais Vinha.

PS:
Tais, comentou que um dia ainda vai escrever sobre isso. Sorry...Não aguentei. Agora virou promessa. A blogosfera materna aguarda aquele post.
Antes de deixar esse papo-cabeça, e enquanto o texto da Ombudsmãe não vem..., vale ler também a Maternidade Lésbica que também toca nesta questão que, pra mim, foi a principal lição da blogagem coletiva. Vale destacar a frase: O ser humano tem aquela mania de achar que o seu sofrimento é sempre maior do que o dos outros, será que ser chamada de neguinha é pior do que ser chamada de baiana?
Mas voltando para realidade. Marcella trouxe para roda AMOR e ainda me ajudou a criar palavras no criancês para tratar do racismo: sanguinho ligado no coração com cores brancas e negras.  Eu to só pincelando alguns fragmentos que considero importante, mas para rodar mesmo, é preciso linkar em cada post citado. CLIQUE!

Telma assumiu o desafio que é ser preconceituoso nas terras da hipocrisia. A gente tem medo daquilo que não conhece e pra conhecer quem somos precisamos conhecer a história da negritude, das imigrações, das guerras indígenas por diferentes vozes e não só da mãe Europa e do papai americano. A gente tem que conhecer nossa identidade para ensinar aos nossos filhos respeitar a diferença. E, cá entre nós, a gente dá o sangue pra pagar as mensalidades da escola, mas já sabemos que eles não vão dar conta do recado. Pelo menos, não agora. Então, a gente vai ter de completar em casa. Como?

Ué, o que a gente tá fazendo agora? Procurando essas respostas. A blogagem ensinou que livros, bonecas, cabelos e filmes são meios que podem contribuir para nossa mudança. Mas onde eles estão? Nos guetos negros, indígenas, japoneses e judaicos. Se a gente quiser mesmo uma Infância sem Racismo vamos ter de bater na porta dos outros. A escolha é nossa. E aí blogosfera materna o que vamos fazer com tanta reflexão? Vocês decidem!
Teve muita coisa boa, mas não consegui linkar todo mundo no tempo da blogagem, mas nem pense que você se livrou de mim. Saiba que acredito que neste mundo há diversos tempos. O tempo da blogagem coletiva acaba segunda-feira, dia 28. Mas eu ainda vou continuar rodando pelos links, comentando e hiperlinkando aqui. Só que no meu tempo, tá. Não me cobre, please!

Não sei se consigo montar uma lista...(não sou boa em listas), mas aconselho a todas as mães que querem fazer a diferença a CLICAR, mas não só naquilo que indiquei ou que está entre os comentários, use o Google ao seu favor. Use a pesquisa avançada e opte pelo domínio blogspot.com com a expressão Por uma Infância Sem Racismo. Rode, rode, rode...vale a pena!
Obrigada! A blogagem coletiva rola até segunda e...tchantchanctchan...consegui uma surpresa pra gente fechar, na próxima semana, com chave de ouro.
Não consegui acompanhar a blogagem coletiva desta quarta-feira. Sorry, mas amanhã continua e prometo voltar com novidades sobre nossa roda de conversa Por uma Infância Sem Racismo. O papo é espinhoso (por isso, mais chance de aprendizado), mas temos tempo: até dia 28 de março. Se você não tem idéia do que estou falando, clica e participe!

UPDATE: Hoje, às 18h, o ator e Embaixador do UNICEF no Brasil, Lázaro Ramos, e a Oficial de Programas do UNICEF Helena Oliveira participarão de uma transmissão ao vivo na Internet para falar e responder perguntas dos internautas sobre o impacto do racismo na infância e adolescência. Uma ótima oportunidade para as mães da blogosfera que participam ou não da nossa blogagem coletiva se aprofundarem sobre o assunto. Para participar, o internauta deve seguir o perfl do UNICEF no Twitter em www.twitter.com/unicefbrasil (@unicefbrasil), que divulgará o link para a transmissão. Os internautas também poderão enviar mensagens para o perfil no Twitter (via reply) ou participar diretamente na sala de chat da Twitcam clicando no link que será divulgado pelo @unicefbrasil.

Aproveito a energia da colaboração para apresentar minha primeira pesquisa informal, cujo foco é blogs de mães. Quero conhecer mais sobre nós não só por curiosidade, mas também porque ando paquerando a área acadêmica desde 2009 e ainda continuo no meu aprendizado para colocar em prática teorias (ou seria, utopias) de economia criativa, inteligencia coletiva e jornalismo cidadão. Enfim, as intenções são infinitas e a principal delas é que os resultados estarão disponíveis a todas assim que eu atingir o número de 100 respostas, ok?

Por isso, peço ajuda a você. Basta clicar neste link e responder sete perguntinhas sobre sua prática de blogar como mãe. É super rapidinho e muito importante para nossa identidade. Espero que o tempo dedicado à pesquisa reverta em novos tempos para nossa blogosfera materna.

Abraços e obrigada pela participação e apoio na blogagem coletiva desta semana!

Você sabia que existe lei para obrigar as escolas a contar uma história diferente daquela que a gente não conheceu? Acabo de achar a danadinha (10.639) de 2003. A lei é antiga, mas a gente sabe o quanto a prática demora. Imaginem a diferença que faz nossos filhos conhecer os heróis africanos, os faraós do Egito, as deusas da cultura negra, ao invés de relacionar a cor negra somente com a escravidão. História muda mentes. Veja aqui.

Eu não tenho dúvida de que esse conhecimento pode fazer a diferença que a Tati proclamou na Rede Mãe e Mulher. Mas as escolas não mudam sozinhas. Faz tempo que nós, mães e pais, fomos obrigados a participar mais da educação fora de casa. É preciso verificar se seu filho realmente aprendeu além da escravidão ou, pelo menos, se escola está cumprindo a lei. Diálogos são sempre transformadores.

Prova disso é a conversa que o avô da Dani teve com chefe dele na época em que era o “caminhoneiro negão”. É coisa de telão, pena que os donos do cinema no Brasil não gostam de contar nossas histórias como os norte-americanos. A Rogéria Thompson, aliás, indicou um desses filmes no seu post como um meio para conhecermos mais a história deles e associar um pouco aos nossos fantasmas. Vocês sabiam que a maioria dos filmes nacionais são financiados com nossos impostos, né? Mas pra quê ter filme assim que traz uma identidade de dignidade e orgulho da nossa mistura nacional?
A lição do avó da Dani é simples: diálogo demanda persistência e paciência. Não dá pra sair gritando, brigando e cheio de verdade. Não com a escola. Mas vale denunciar depois que as entrelinhas ficam mais claras como no caso da filha da Lu Ivanike. E denúncia já pode ser feito pela internet. Veja aqui.

O blog da loja infantil Marré Deci aponta alguns desafios. Não dá pra acreditar que nossos preconceitos ainda sejam tão arcaicos. Mas são. É por isso que tenho a sensação de que os velhos conceitos sempre existirão por mais reformulados que sejam. O que pode mudar, e muito, é a quantidade de pessoas que continuarão com os velhos conceitos. Rogéria ainda trata dos apelidos, aqueles que fizeram a gente sofrer tanto na infância e tenho a sensação de que vão continuar eternos. Por isso, insisti tanto com a ampliação dos significados no post de ontem. Isso nós podemos mudar e isso começa dentro de casa. Eu acredito muito nas intervenções culturais dentro de casa: música, livro e brinquedo.
Eu, por exemplo, fui a gordinha da escola. Foi importante para meu crescimento esse apelido triste, mas poderia ter acreditado e lutado mais por mim se houvesse outras práticas em casa e na escola além dos apelidos. É por isso que acredito que a luta começa em casa com a escolha dos brinquedos, com a oferta de novos significados nos livros infantis, mas precisa continuar na sala de aula com o cumprimento da lei e com as fábulas de Iauretê. Sem essa parceria, acho complicado nossos filhos respeitar o diferente (clica, please, e conheça a história de uma mãe com condições que optou pela escola pública) e entender o que deve ser igual.

A blogagem coletiva contou ainda com os seguintes posts:
 A roda, no entanto, continua até dia 28 de março. Participe! As regras estão aqui.


Bia Mello foi a primeira mãe que participou da blogagem Por uma Infância Sem Racismo, que acontece até dia 28 de março. Ela traz duas questões fundamentais para perpetuar nossa dificuldade de lidar com os fantasmas da escravidão, do extermínio dos índios ou das imigrações: impunidade e educação. É preciso que a Justiça e o governo ajam considerando o histórico do nosso país.  Eu acho que a discriminação começa com a falta de oportunidades de moradia, escola e emprego.


Mas Bia traz ainda o outro lado dessa história, aquele que a maioria não sabe lidar: o “The black boy” ou o japoneusa, da Sueli. O que é respeitar a diferença quando você é mãe da criança que expressa o diferente pela cor ou o formato dos olhos? Devemos reprimir os filhos que dizem: aquele negrinho, ele é preto ou japonês? O que significa reprimir? Reprimir pode também ser perpetuar o racismo, ou não?

A Sylvia, nossa segunda corajosa que enfrentou o convite da blogagem coletiva, responde um pouco essas questões ao indicar o velho e bom livro A Menina Bonita do Laço de fita (neste link, a Renata sugeriu outro livro: O Cabelo de Lelê, conhecem?) porque ele atribui beleza a cor negra. Eu acho que o desafio não está nas palavras negrinho, preto, índio ou japonês, mas no significado delas. O negrinho, por exemplo, precisa ganhar outra história além da conhecida Negrinho Pastoreiro. É importante que as crianças conheçam a escravidão, mas devemos dar continuidade a esse conto e trazer outros significados às características que ainda nos deixam tão perplexos. A literatura é um bom lugar pra gente mudar isso. Mas quando tem, a gente nem sempre usa. Quer um exemplo?

Você conhece as fábulas do Iauretê? Não? Então, tá na hora de diversificar a literatura lida dentro de casa. Tomare que possamos indicar outros livros além do velho e tradicional livrinho da Ana Clara Machado. Por isso, acho válido pedirmos dicas de livros infantis no twitter com personagens negros, japoneses ou índios. Topam?

Sylvia também vai além e traz algo que concordo muito com ela: a identidade da beleza e da moda. Assumir nossos crespos, caracóis ou enrolados, por exemplo, seria um começo e tanto para mostrar às nossas crianças outros significados da palavra negra. Não é por acaso que hoje tenho maior orgulho de ter enterrado meu secador no fundo do guarda roupa. A-do-ro assumir meus cachos, ser natural, mostrar que tenho um jeitinho de brasileira.E você continua na chapinha? Como acha que vai ensinar seus filhos sobre a beleza dos crespos?

Agradeço Bia e Sylvia pela coragem de aceitar o convite de blogar Por uma Infância Sem Racismo. Se você também tem essa coragem, participe da blogagem coletiva até dia 28 de março. Veja abaixo as regras:

Regras para blogagem coletiva:
1- Escreva seu post sobre a Infância sem Racismo ou sua história com título Minha ação Por uma Infância Sem Racismo.
2- Envie a URL do seu post entre os comentários desta postagem: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/03/racismo-tambem-e-papo-de-mae.html
3- Utilize a imagem e os links da campanha da Unicef
4- Convide todos a entrar nesta conversa até dia 28 de março

Quando escuto Lady Day cantando What a Little Moonlight Can Do, leio esse poema de Maya Angelou, ou lembro das obras de Tomie Ohtake, Frida Kahlo ou dos murais de Diego Riviera… me pergunto, quando raça teve alguma coisa a ver com talento, inteligência e superioridade? É insano, não? Não é preciso especificar, apontar… a prova está ai… nas bibliotecas, cds, dvds, livros e museus. Não existe raça superior, nunca existiu.

Mas porque, então, ainda falamos sobre racismo, preconceito em 2011? Eu acredito que é algo interiorizado, não discutido que passa de geração para geração. Se não discutimos, como então desmitificá-lo? Racismo, quando falo, não é apenas em relação ao negro, amarelo e vermelho. Judeus, muçulmanos… a lista é grande, não importa a cor. É exatamente por ai que comecei a explicar para meu filho, ainda pequeno, sobre preconceito, racismo, RESPEITO, aceitação e TOLERÂNCIA.

E exemplos no dia-a-dia, acreditem, não faltam. Na minha última viagem para Bruxelas, o avião atrasou duas horas para levantar vôo. Problemas técnicos? Não… pelo acaso do destino, acabaram sentadas lado a lado uma mulher judia e uma muçulmana. A passageira judia se recusou a viajar ao lado da passageira muçulmana. O avião estava lotado. Não havia outro lugar. Comissária correndo pra lá e pra cá. Duas horas depois… foi decidido que a passageira judia se sentaria no lugar de um dos comissários enquanto a muçulmana ficaria no próprio lugar, mas sem vizinhos. Ótima oportunidade pra falar com Tomás, mais uma vez, sobre preconceito, racismo e, neste caso o mais importante, tolerância.

Eu, confesso, ainda aprendo diariamente sobre tolerância. Apesar de não aceitar uma religião que coloca a mulher num lugar tão submisso e baixo, sou tolerante. E não permito que outras pessoas falem mal dos muçulmanos perto dos meus filhos. É um exercício diário e, sim, exige esforço e vontade. Quanto mais aprendo sobre o alcorão, mais confusa fico, mas isso não me dá o direito de criticar ou humilhar quem acredita e segue. A campanha da UNICEF, que a Ceila está ajudando a divulgar por meio de uma blogagem coletiva entre blogs de mães, é inovadora no sentido de incentivar os pais a falarem de um assunto não tão agradável, que envolve sentimentos que não queremos nunca admitir que sentimos.

Adianto que é um trabalho diário e que exige atenção constante. São comentários cotidianos ou olhares suspeitos. Você pode achar que seu filho não percebeu, mas está enganada… seu filho está aprendendo com você, diariamente, o que é preconceito, racismo indiretamente. Ter essa consciência, adianto, só beneficiará seu filho. Tomás tem cinco anos e NUNCA escutei ele se referir a um amigo por suas características físicas. E isso pra mim, que na infância fui neusa, japoneusa, sarakura, é uma vitória. Hoje, trabalhamos um pouco além do racismo… trabalhamos OPÇÃO, ACEITAÇÃO e TOLERÂNCIA. Comprei o livro My Princess Boy para ele… quem quiser dar esse passo além, aconselho!

Racismo é ódio… e que mãe no mundo quer ensinar ou deixar o filho a odiar? A hora é essa… vamos acabar, uma mãe por vez, com o ódio que ainda existe no mundo. Topa?

Passado ou presente?

Vale a pena ler (e ver vídeos) os resultados dos dois estudos abaixo para entender o papel da mãe na educação do filho quando o assunto é racismo e preconceito. Em 1940, os psicólogos americanos Kenneth Clark e Mamie Clark conduziram um experimento utilizando bonecas brancas e pretas para estudarem a percepção das crianças em relação à raça. No estudo, conduzido em duas escolas americanas - segregacionista (Washington, DC) e anti-segregacionista (New York) – foi concluído que as crianças expostas à segregação haviam internalizado o racismo e por isso preferiam a boneca branca, atribuindo a ela características como bonita e boa, enquanto a boneca preta foi preterida e caracterizada como feia e má. Em 1954, esse estudo teve grande influência no caso Brown vs Board of Education of Topeka, no qual foi concluído que a segregação racial nas escolas americanas públicas era inconstitucional. Na ocasião, o juíz Earl Warren apontou que:

Separar simplesmente por causa da raça gera sentimento de inferioridade e reduz a importância dessas pessoas na comunidade, afetando para sempre suas mentes e corações


Anos depois… em 2005, a estudante americana Kiri Davis repetiu o experimento para seu documentário A Girl Like Me e comprovou que, apesar das mudanças na sociedade atual, os resultados foram semelhantes ao do passado: 15 das 21 crianças entrevistadas escolheram a boneca branca, atribuindo a ela características como bonita e boa; enquanto a boneca negra foi preterida e caracterizada como feia e má.

Outro estudo, que faz parte de uma reportagem produzida pela CNN em 2010, também mostra que a maioria das crianças tem preferência pela boneca branca, trazendo à tona a discussão sobre a influência dos pais na decisão dos filhos em escolher a boneca branca ou preta. A psicóloga afirma que para muitos pais, como lembra a Ceila, o assunto não é fácil de se trazer à tona por causa da complexidade e, também, por não ser um assunto agradável. Mas, como adultos, somos responsáveis em orientar as crianças que são um reflexo de como agimos. Também de acordo com a reportagem, as famílias interraciais são as que mais falam sobre raça já que precisam preparar os filhos para lidar com o assunto no dia-a-dia.
Clique aqui para participar da campanha.
Acabo de ver a campanha da Unicef no twitter. Pois é, eu também não conhecia nem vi o selo em nenhum blog de mãe que conheço. Só depois que fiz uma pesquisa é que achei a Edjane Oliveira. Então, comecei a questionar os porquês dessas campanhas estarem tão distantes das minhas conexões. Listo apenas dois deles, os quais podemos transformá-los. O resto (são vários porquês) mudará com a alteração desses.
O primeiro porquê é pela minha falta de interesse em buscar esses temas como pauta para minha vida de mãe. Afinal, que mãe branca tem curiosidade suficiente pra ensinar ao seu filho o respeito pela diferença?

Eu já desabafei aqui a dor de viver na sociedade politicamente correta. É difícil pensar se temos preconceito, é pesado. Isso dificulta nossa responsabilidade de mãe. Eu nunca ouvi das minhas conexões: eu sou preconceituoso. Não imagino que exista alguém na minha rede que aceita esse estigma. Ninguém quer ser preconceituoso, é feio. Mas ninguém também quer discutir isso. Então, eu pergunto: como vamos ensinar a diferença para nossos filhos diante deste paradigma?

O segundo porquê que resolvi destacar aqui vem do lado de lá da mensagem. A Unicef adotou uma estratégia comum do mercado de comunicação para interagir com as pessoas e isso prejudica muitoooooo a disseminação da cidadania. Na campanha, existe uma estratégia de você contar sua história de #InfânciaSem Racismo, mas o lugar de publicação é na URL deles. Isso é muito comum entre os pensantes da comunicação, que já enxergam a necessidade de interagir, de abrir espaço ao outro, mas nem sempre exploram as características da rede como os blogs. Imagina se a Unicef colocasse um selo no seu blog, atribuindo à sua história uma ação de Infância Sem Racismo e ainda divulgasse seu link numa lista como ela faz com os Parceiros dela. Seria um diálogo interessante ter a credibilidade da Unicef no nosso cotidiano, não?

Pois bem, é isso que proponho à #blogosferamaterna: vamos contar nossas histórias de Infância Sem Racismo nos nossos blogs de mães? Mesmo que nossas histórias sejam de dúvidas como a minha. Ou seja, sejam mais questões do que histórias. Sejam mais dores que preconceito. Sejam mais não sei como agir dentro de casa com a roupa do meu filho, com o brinquedo e com as frases dos avós ou dos pais ou mesmo nossas. Afinal, é possível ensinar nossos filhos viver sem racismo quando vivemos e fomos criados para sermos racistas? COMO?

Além da Edjane, encontrei mais três posts de mães que já fizeram sua parte: a Mãe da Lara, a Mara e a Mulher Hip Hop. Eu não sei usar o feed das tags pra reunir todos os posts que rolarem nessa blogagem coletiva. Por isso, peço às mães que toparem esse desafio que envie a URL do seu post nos comentários deste post. A idéia é discutir a Infância Sem Racismo ou escrever sua história com o seguinte título: Minha ação por uma Infância Sem o Racismo (upgrade após comentário de anônimo). Não teria sentido criar uma blogagem coletiva sem divulgar a campanha da Unicef: use hiperlink e o selo deles. E a blogagem começa agora e vai até dia 28 de março. Na próxima semana, a Sueli vai contar a sua história de racismo. Participem!

Regras para blogagem coletiva:
1- Escreva seu post sobre a Infância sem Racismo ou sua história com título sugerido acima.
2- Envie a URL do seu post nos comentários para que possamos ter a lista dos participantes
3- Utilize a imagem e os links da campanha da Unicef
4- convide todos a entrar nesta conversa até dia 28 de março
Eu já tive inveja (muita mesmo!!!) de mães com babás (#prontofalei). Não pelo status e muito menos pela arrogância de ter alguém uniformizado ao seu lado, mas pelo desejado e sonhado tempo. Sim, uma babá facilita muito a vida de mãe, além de - em alguns casos - ser a única saída.

Mãe é tudo igual - Creche ou babá, eis a questão!
Viciados em colo - Sobre as babás
Minha velha inveja foi desaparecendo justamente quando percebi o quanto ter babá representava delegar determinadas funções, as quais liberavam a mãe a se tornar mulher. E isso conta bastante a ponto de mudar tudo na maternidade e, consequentemente, na vida da mulher. Exagero? Não sei... Eu já falei: nunca tive uma babá. Posso falar da diferença que faz não tê-la.
Fernanda Torres - Babás (ela tem e vale a pena lê-la)
Quando você não tem uma babá, aprende que o prazer tem os limites da responsabilidade. E isso dói, mas nos ensina a controlar impulsos, principalmente, os do consumo. Quer coisa mais insuportável que seu filho querer ir ao banheiro justamente na hora em que acabou de pedir um café ou de entrar no vestuário do outlet ( leia-se horas infinitas de escolhas)? Pior mesmo é entrar na livraria e não ter o direito de ler uma sinopse sequer de um livro adulto.

Quando você não tem uma babá, aprende que lua e sol ainda regem o tempo da terra. Tudo bem que o resto do universo vive o tempo da net, do money e da diversão, mas seu filho nem sempre entende esse relógio. E haja desapego pra colocar seu filho para acordar, comer e dormir.

Quando você não tem babá, aprende que determinadas praticidades tem um preço muito caro. Tão caro que pode colocar a vida do seu filho em risco. Aprende que cozinhar leva tempo não só em frente ao fogão, mas principalmente no pensar, planejar e comprar.  Aprende que TV ou game são tão fascinantes que você pode até esquecer que existem crianças dentro de casa (silêncio puro e tranqüilizante).
Rosely Sayão - Tão longe, tão perto
Lógico que podemos aprender tudo isso, e muito mais, sem colocar a mão na massa o tempo todo, mas no meu caso (confesso) eu deixaria as babás roubarem as funções mais chatas e árduas da vida de mãe, que (para mim) tornaram-se justamente as funções mais primárias da maternidade. Sem elas não seria a mãe imperfeita (Ana Claudia Bessa - Procura-se Mãe Perfeita), chata, nervosa, cansada e presente que sou hoje.

Simplesmente porque foi pelo fato de não ter babá que aprendi mais sobre a disciplina, rotina e responsabilidade. Antes que você me julgue, vale ressaltar que nem a ausência das babás me livrou do fenômeno de terceirizar a maternidade

PS: gostou dos links indicados, mas conhece melhores sobre tema, manda nos comentários!

Até a Ceila me mandar este link, não havia escutado falar do caso Baby Joseph. Procurei saber mais e encontrei uma reportagem da CNN explicando o caso, alguns blogs e sites pró-vida defendendo a causa e uma página no Facebook.

Antes do resumo, o bebê já foi transferido para um hospital infantil dos Estados Unidos. Joseph sofre de uma doença degenerativa e a corte canadense concedeu ao hospital uma autorização para desligar os aparelhos sem a permissão dos pais, desde então os pais iniciaram uma luta para manter o filho vivo independentemente de seu estado vegetativo.

Nunca vivi essa experiência e espero nunca viver. Espero também que nenhuma outra mãe tenha que passar por isso. É uma situação de extrema dor e complexidade. Primeiro, porque falamos de filho, segundo… de deixar o filho partir com a sensação de não ter lutado pela vida dele (digo sensação, porque não deve existir mãe no mundo que não lute com unhas e dentes pelo filho).

Eu entendo demais o lado dos pais… mas, sempre quando leio casos como esse, me lembro uma reportagem antiga que li sobre uma mãe que lutou de todas as formas para salvar a vida do filho, que também sofria de doença degenerativa. Ela conseguiu inscrevê-lo num tratamento experimental sobre a doença conduzido pela renomada Universidade Duke, da Carolina do Norte (EUA). Com isso, uma criança que tinha pouco tempo de vida pela frente… viveu dois, três, quatro, cinco anos… Nesse período, diversas internações, agulhas, remédios e, sim, sofrimento físico para a criança e emocional para os pais. O tratamento não surtiu o mesmo efeito promissor nele… ao contrário de algumas crianças que demostraram diversos progressos…

Eis que… depois de outra recaída… e prestes a iniciar uma nova série de tratamentos, a mãe olhou para o filho que olhou para ela… Sim, ele estava exausto, cansado e doente. Ele vivia para ela. Não havia cura para ele. A mãe, naquele momento, entendeu o filho. Entendeu que ele estava vivo para ela e que, com tais tratamentos, viveria por mais tempo… mas para quê? Ela entendeu, naquela troca de olhares, que lutar pela vida do filho era, também, um egoísmo seu. Ela, então, decidiu que era hora de deixar partir o que mais amava. Não por ela, mas por ele. O filho que ela amava e não queria mais ver sofrer.

A mãe parou com o tratamento e eles passaram os dias que antecederam a morte dele, aproveitando cada segundo. Arrependimento? Não. O filho que ela tanto ama não sofre mais…

Sem dúvida alguma, eu sou a mãe que luta... mas, depois de conhecer essa história, passei a querer ser mais do que nunca a mãe que deixa partir...

(*** Foto de família)

Praticamente, tenho dedicado minhas últimas semanas à leitura. Não, não estou falando de romances ou algo do tipo. Psicologia, mas especificamente de crianças na fase de 2 e 3 anos. Escrevi não faz tanto tempo sobre o período difícil que atravesso com meu filho caçula e, sem querer desencorajar outras mães que vivem o mesmo que eu, a situação está piorando.

Li e reli e tudo o que li e reli sempre bate na mesma tecla: paciência. Sim, eu tenho paciência para esperar ele crescer, mas quero uma solução imediata para os empurrões, mordidas e tapas. Nesta terça, ele mordeu uma amiguinha no rosto com tanta fúria que a fez sangrar. A mãe, nem preciso dizer, está furiosa comigo, com o Arthur... Conversei, pedi mil desculpas, mas não adiantou, afinal que mãe gosta de ver o filho sofrendo? Essa mãe tem toda razão de estar FU-RI-O-SA!

Mas o outro lado também é difícil... me dói muito saber que meu filho machuca outra criança. E, pra ajudar, as dicas desses livros e websites não são tão eficientes: "Se seu filho morder, procure não rir da situação". COMO ASSIM? Por acaso tem mãe que ri? "Coloque seu filho de castigo num lugar seguro para evitar que ele se machuque ao se debater"e blá, blá, blá...

A única coisa que li e faz sentido é sobre a capacidade da criança se comunicar. Arthur não se comunica bem e, por isso, se frustra demais. Esse problema somado a sua personalidade que é forte traz um resultado que não é dos mais agradáveis. Ele é teimoso e quando quer uma coisa, nada o impede de conseguir. Falado assim parece ser uma característica boa, mas não é .... ele tem dois anos e, acredito, essa é a hora de aprender a dividir, esperar e respeitar.

A sua agressividade não vem de casa. Não somos agressivos e agora, mais do que nunca, tento controlar o tom da minha voz. Mesmo falando firme, minha voz é baixa. Faço ele me olhar no olho enquanto falamos de uma situação errada. Ele parece entender e não... uma incógnita. Pode ser seleção de informação? Entende o que quer e quando quer? Ele entende o não, mas será que entende a explicação do não... Será que ele entende que machucar o outro não é bom, que traz tristeza e sofrimento? Ele pede desculpas, mas às vezes não quer... briga comigo!

Pensando nessa teoria da comunicação, agendei uma visita ao médico para iniciar sessões com uma fonoaudióloga e também tentar outras técnicas que me ajudem a controlar a ira do pequeno. Ele é a única criança que morde na sala, ele é a única criança que bate na sala... É a ovelha negra. As mães me olham de rabo de olho... como se eu fosse a pior mãe do mundo! Um sentimento que não gostaria que outra mãe sentisse. Se der certo, volto aqui para postar e dividir essa vitória com outras mães e, quem sabe, ajudá-la a controlar seu pequeno tirano!
Quando estou pela milésima vez separando meus filhos de uma briga ou tentando acalmar os nervos do caçula que se debate no chão, penso em como seria minha vida se não tivesse filhos. Muito provalmente uma vida de trabalho, amigos, viagens e fim de semana dormindo até tarde... ah! e lógico, pensando em "como seria minha vida se fosse casada e com filhos". Até você viver, você sonha. E quando você tem a oportunidade de viver, volta a sonhar com o "e se". Não tem jeito.

Por isso me chamou muito a atenção o livro Hiroshima in the Morning, escrito por Rahna Reiko Rizzuto, uma mãe que decidiu deixar a família por seis meses para realizar pesquisas no Japão. Nesse período, ela se redescobriu e decidiu que não queria ser mãe em tempo integral. Rahna, então, retorna aos Estados Unidos, e decide se separar do marido e deixar seus dois filhos, na época com cinco e três anos. "Nunca quis ser mãe", ela afirma na entrevista que você pode ver aqui.

No livro, ela escreve sobre as duras críticas que recebeu por ter decidido abandonar a família e sobre os motivos que a levaram a agir assim. Eu ainda não li o livro, mas estou muito curiosa. Até consigo entender, por mais que algumas mães sejam contra, o que a levou a tomar uma decisão assim. Nos primeiros comentários que li, dos 600 que foram postados até agora, a palavra "egoísta" foi a mais utilizada. Eu já não sei se a palavra certa é egoísmo, pois acredito que tem muita relação com o que você deseja mais na sua vida, às vezes, é a carreira...

Tanto que a na entrevista é questionado se essa decisão é uma nova forma de "repensar a maternidade". Vocês acham que sim, que é uma nova forma de encarar a maternidade? No blog do Today Show, eles perguntam para as mães se elas teriam coragem de deixar os filhos por seis meses. A resposta: 72% disse NÃO; enquanto 28% disse SIM.

Hoje, Rahna divide custódia dos filhos - agora adolescentes - como o ex-marido e diz que o tempo que passa com eles é extremamente rico, pois não está exercendo a maternidade entre tantos outros afazeres.
Quando te perguntei se seu filho arrumava a cama dele, vivia um momento intenso de reflexão - falava mais das empregadas domésticas e da minha prática de assumir as rédeas da casa. Agora, já não estou tão 8/80, e posso falar mais do que nos interessa: a educação dos nossos filhos. Ou seja, quando e o quê as crianças devem assumir dos hábitos domésticos.

Malu tem seis anos e guarda suas próprias roupas depois que algum adulto passou e dobrou, mas a cama ainda não se tornou rotina aqui em casa. Motivos são vários: acorda muito cedo, chora na hora de dobrar o lençol porque é grande, complicado e difícil...e, pra piorar, a danada da cama não ajuda pois a estrutura impede que a saia da colcha caia dos dois lados. Um saco!!! Então, a gente arruma juntas ou nem arruma. Talvez, com 7 anos, vira obrigação. Por enquanto, ainda não coloquei a responsa na listinha dela. E, você, qual foi a idade em que o seu filho tornou-se responsável em arrumar a cama dele?

Hoje recebi um post de uma amiga que trouxe a missão da toalha. Aqui em casa, a tolha fica no varal. É alto, portanto, não dá para uma criança de 6 anos pegá-la. Mas, cá entre nós, melhor mudar o local do varal porque a toalha é outra boa tarefa para ensinar responsabilidade às crianças. Afinal, não há relação melhor do que a tolha pra começar a ensinar a difícil e cansativa responsa de cuidar de si mesmo. Toalha seca o corpo depois de uma boa chuverada, que alivia a alma. Opa, a toalha significa muito. Preciso urgente achar um lugarzinho especial para criança pegá-la e colocá-la antes e depois do banho. Me conta, logo, quando seu filho tornou-se responsável pela toalha?

A listinha daqui de casa ainda tem a mochila, lancheira e brin-que-dos, tudo agora é responsa da Malu. Não tem nada melhor para a coluna de uma mãe beirando os 40. Recomendo para todas, inclusive àquelas que adoraaaam achar o filhinho, um coitadinho. Educação começa em casa e, sorry, nós somos responsáveis por isso, inclusive pela divulgação das tarefas domésticas que devem ser responsabilidade das crianças. Abusem dos vossos blogs para essa difícil gestão de tarefas infantis!