Meu nascimento Waldorf surgiu numa roda de 12 mulheres, bem místico, sagrado e forte. Quando entrei na escola ainda enxergava tudo muito nublado...Só depois, com o TEMPO, descobri que atribuia à escola valores mágicos, quase infantis. Me descobri bem alienada quando comecei a cursar Introdução à Antroposofia e,então, percebi que a Waldorf é apenas uma escola. Uma ESCOLA feita para nossos filhos!
Não é um lugar feito para o seu filho, mas NOSSOS filhos. Sim, tornar-se uma Mãe Waldorf é transformar-se um pouco mãe da turminha. Você se sente em comunidade por mais estranhos que ainda somos uns para os outros. É diferente!
A sabedoria do tempo ganha mais intensidade e descobri que muito da minha alienação era apenas a identificação com as minhas raízes - aquelas cultivadas a partir dos seus primeiros vínculos sociais. Eu atribui muito à Waldorf minha própria infância que vivi rodeada de gente da cidade que cuidava de todos. Sim, eu vivi num interior comunitário, cheio de Donas e Seus, os quais representavam Respeito acima de tudo.
Sejam os desejos de oferecermos algo diferente do que a maioria oferece ou o de transformar nossos filhos tão humanos como um dia imaginamos. O fato é que aprendi que uma escola Waldorf assim como outras exigem concretização desses desejos e muito, mas muito comprometimento. Eu aprendi também o que é ponto caseado, fazer coroas de flores e até que existe um tal instrumento chamado kantelê. Admiro pessoas, as quais não sei quem são...e, às vezes, chego a sentir por elas um amor quase puro.
É meio confuso mesmo tornar-se uma Mãe Waldorf, mas a prática é tão clara, tão óbvia, tão presente. Antes quando ainda era apenas uma curiosidade entender o que era uma escola waldorf, eu procurava ansiosa por informações objetivas, claras, que pudessem detalhar as diferenças da pedagogia A, B ou C. Fiquei com RAIVA, muita raiva, de não encontrar nada. Nada que pudesse ser claro o suficiente pra eu fazer minha escolha. Minha dúvida, naquela época, era se minha filha seria muito atrasada em relação aos outros. Aprendi que agora, sem dúvida, ela fará menos que os outros. Por outro lado, ela também fará muito mais que os outros. Tudo depende do que é esse fazer...
As dúvidas continuam, mas a raiva já sumiu faz tempo. Aprendi que tem certas decisões que precisam passar pelo coração e as escolhas do coração seguem outra lógica - bem diferente da lógica da "informação". Ela exige informações claras e objetivas, mas elas virão de outra forma em outro tempo e de um jeito muito pessoal. Bem, pra fechar e depois de ter escrito tanto, eu não sei muito o que dizer sobre tornar-se uma Mãe Waldorf, mas posso lhe garantir que se você está com essa pulguinha atrás da orelha: ouça-a!
Vale indicar também um dos posts em que eu tentava ouvir essa pulguinha, leia-o!
PS: Ah, vale lembrar que suas perguntas poderão parir respostas para nossas dúvidas...então, fique à vontade pra questionar...posso demorar pra sair do casulo, mas eu sempre saio!










10 comentários:
Essas inquietações e curiosidades também tem me consumido muito. Antes de conhecer, eu não gostava da pedagogia e do estilo de ser Waldorf, mas senti uma vontade de mudar...de que algo precisava ser feito. Que meus filhos mereciam (sim é essa a palavra) outras vivências de aprendizado...e foi sobre isso que escrevi hoje, o que as pessoas querem das escolas dos filhos? O que esperar de um ensino cada vez mais verticalizado? ainda são tantas as dúvidas...
Nossa, que texto tão gostoso, tão sincero, tão delicado. Acho que foi o texto mais intimista que já li na net, sabia? Vc escreveu como se estivesse falando com seus botões, com seu diário, com seu espelho. Muito obrigada por nos presentear com sua "aparição".
Bjus
Dani, esse "algo que precisa ser feito" acho que é o nosso ouvir a pulguinha...Ninguém duvida de que o mundo continua de cabeça pra baixo: uma ganância esquizofrênica dos ricos que são admirados pelos milhões, bilhões e trilhões, enquanto famílias morrem de fome por falta de dinheiro, guerras acontecem pelo dinheiro; pessoas se escravizam pelo trabalho, se glorificam de dizer que passam 24 horas da vida trabalhando por "amor"...Nenhum amor exige tanto tempo e desequilibrio....Eu realmente acredito que vale a pena investir no humano, ter contato com a beleza da arte, ouvir os contos de fada, cantar, cantar e cantar as lindas músicas Waldorf, dar as mãos, acreditar no outro....como é bom ter o alívio de acreditar em alguém que não seja da sua família...Enfim, obrigada por partilhar sua experiencia...A pulguinha com certeza existe...Agora a questão é: qual impacto que a gente traz pra vida dos nossos filhos quando resolvemos ouvi-la?
Obrigada, Patrícia, pela sua leitura tão sensível, pelo comentário que me deixou feliz e pela visita: abraços!
Oi, aqui em São José esta tendo um grupo de estudo sobre a educação Waldorf. Vou na primeira reunião nessa semana, ainda não sei como definir, mas o pouco q eu sei já m desperta uma curiosidade incriviel!!!!
Oi, muito legal o seu blog. Uma importante questão para nós Mães é como contar para os filhos (ou melhor explicar) sobre perdas, como agir numa situação dessas. Achei um filme bem bonito que conta uma história sobre esse assunto http://www.youtube.com/watch?v=cgNzzdMZh5Y - boa reflexão.
Um texto bem legal = D
Me visite ... ;)
Sou atenta aos blogues que me seguem seguindo tanbem, e ando sempre deixando comentarioooo aos blogues amigos :D
Beijoo
Futura mama
estou sofrendo do mesmo dilema...
quando estava grávida da Larissa fui conhecer a pedagogia waldorf, participei de bazar e algumas festas, como a festa da lanterna.Percebo que lá é tudo lúdico, um espaço em meio a natureza enfim me apaixonei, pórem a Larissa não tem idade ainda não tem 2 anos e ano que vem preciso coloca-lá na escola pois começam meus estágios... Esse é um assunto que me embrullha a barriga de pensar... Sei que 6 meses não vi fazer diferençam em uma escola com pedagogia que estamos acostumados...mas não estou segura dessa decisão até pensei em parar 6 meses a faculdade para ela ir direto para a pedagogia waldorf.
Como mãe sempre queremos o melhor pro nossos filhos, eu conversei com o meu marido sobre esse estigma da criança ser atrasada e não emportamos com isso temos que respeitar o tempo de cada um, até pq alguma criança precisa assinar alguma documento? Esse é um outro assunto não temos que nos realizar em nossos filhos sei que é dificil isso , temos sim que mostrar os caminhos.
Desculpe ficou grande
Abraços
Pati, que delícia saber que a pulguinha Waldorf está entrando na sua vida, assim cheia de desafios do tempo e cheia de dúvidas... Olha, tudo se resolve qdo a gente dá espaço pra resolver, tá. Esperar é algo prazeroso nos dias de hoje pq tudo é cobrado pra ontem e essas decisões exigem espera, nos ensina que há dia e noite... Olha, as crianças não são atrasadas...Elas só não seguem a cartilha dos indicadores capitalistas que não medem sentimento, emoção, felicidade. Boa sorte na sua caminhada e tomare que a Larissa seja mais uma criança a ter a liberdade da educação. Vc mora onde? Qual escola vc já visitou?
Que lindo texto, Ceila!
Sou mãe Waldorf há 11 anos (Luiza e Miguel nunca estudaram em outra escola) e ainda me surpreendo com as transformações que o fazer parte de uma comunidade como essa trazem para a nossa vida (se a gente permite, claro; sempre há aqueles que deixam essa experiência passar em brancas nuvens e perdem oportunidades de ouro).
Concordo com você que faltam informações mais claras sobre a pedagogia, mas aos poucos o interesse por ela tem crescido e a mídia tem feito matérias menos estereotipadas que fazia no passado. Você viu um reportagem que saiu no NY TImes sobre uma escola do Vale do Silício? Segue o link: http://www.nytimes.com/2011/10/23/technology/at-waldorf-school-in-silicon-valley-technology-can-wait.html?scp=3&sq=Matt%20Richtel&st=cse
Beijos!
Katia Geiling
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