Várias luzes se acenderam não só como mãe, profissional, ativista, mas principalmente como cidadã. E, quando eu me coloco neste lugar (o lugar da cidadania) reconheço a prática do blogar e me vejo 100% blogueira. Sinto que esse é o papel do Desabafo de Mãe: encontrar a cidadania da maternidade.
Acho que é uma busca constante de todos os pais que tentam se encaixar na vida de hoje, a qual não nos dá condições favoráveis para a família. Até mesmo os ricos sofrem influência deste novo padrão familiar baseado na ausência do humano. Mas vamos ao ponto: o que quero compartilhar com você hoje são as falas de Tião Rocha, do CPCD, que participou do encerramento do evento. Ele disse muitas coisas válidas, contou muitas práticas, mas destaco a fala em que ele coloca valores ou preços: o que vamos escolher para nossos filhos?Você vai continuar comprando o chocolatinho da padaria pra se sentir menos frustrada pela ausência ou vai cobrir seu filho de valores que incluem trabalho, limites, generosidade, sabedoria, tolerância....Eu achei bárbaro trazer essa questão de precificar a troca ou valorizar a troca porque ela pode servir de critério para muitos pais que ainda não acordaram para questão do consumo na infância. Acho que vale toda hora parar pra pensar a troca que você está estabelecendo com seu filho: ela resulta em preço ou valores? Você vai liberar o sorvete antes do almoço? Percebeu que além de prejudicar a hora do almoço fez uma troca paga. Ou seja, troca precificada. Qual valor desta troca? Pode ser o consumo para aliviar a dor de cabeça do choro ou da insistência infantil.
Tudo que tem preço vale a pena parar pra pensar antes de dar ao filho. Não estou defendendo uma ação xiita e neurótica contra consumo - eu nasci neste século capitalista, moderno e contemporâneo - estou só propondo uma reflexão, um parametro, um fôlego... É muito comum os pais fazerem isso no automático pelo simples hábito de se dar pela mercadoria: só uma bexiguinha, só um chiclete, só uma balinha...não tem importância...O problema é que a balinha vira hábito. Ninguém erra pela exceção, mas pelos hábitos do só.... Vale registrar também a fala de Eduardo Gianetti que destaca o desafio das crianças lidarem com as frustrações e, portanto, não saber esperar já que estão habituadas a agirem pelo impulso. Qual impulso? Aquele que a gente sacia pra ontem pra não ter de aguentar a parte chata da infância.
Enfim, essas falas tão importantes ( que espero retomar com tempo) me fez lembrar de Zygmunt Bauman, cujo livro Arte da Vida está com 50% de desconto na Livraria Cultura, que diz o seguinte: nenhum aumento na quantidade de um bem pode COMPENSAR plena e totalmente a falta de um outro de qualidade e proveniência diferentes. Portanto, não se engane: não há recompensas mercadológicas para ausências emocionais e espirituais. Reserve um tempo com seu filho sem trocas precificadas e o ensine a valorizar as trocas da vida.Bom fim de semana!










10 comentários:
Adorei o texto. Concordo com tudo. Realmente é uma questão a se pensar. O consumismo precoce tem me assustado demais. E tenho lido bastante sobre isso, me informando e aprendendo para evitar os possíveis erros. AMEI o post!
Obrigada Yahhh! Acho que nem podemos falar de "erros" já que a questão do consumo também é um fenomeno em que nós, pais, nos tornamos vítimas assim como a da cesarea em que acabo de ler no seu post. Não há condições favoráveis para abrirmos os olhos sobre a troca precificada...Precisamos estar alertas, mas como ficarmos alertas diante da dedicação que somos obrigados a ter com trabalho, a tecnologia e o dinheiro...Talvez, os blogs podem representar uma gotinha para esse "open your eyes", mas ainda assim continuaremos vítimas desse mundo moderno tão caotico, ambivalente e maravilhoso. Obrigada pelo comentário e prazer em conhecê-la.
Ceila, essa reflexão é fundamental porque não só fazemos esta toca inconscientemente. Fazemos com a intenção de compensar nossas faltas. Ouvi uma frase que é atribuída a max Gehringher:
Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"
(Max Gehringer)
Adorei td por aqui,já estou seguindo...
Venha conhecer o meu cantinho tb!
Bjs!!!
universofeminino-edna.blogspot.com/
Realmente algo para refletir, meu pequeno ainda é pequeno, mas com certeza não demorará muito para aparecer as oportunidades das trocas. Quem disse que seria fácil educar né!? Beijos
Ana, que honra ter um comentário seu por aqui...Acho que refletir sobre a troca é bom um começo para buscarmos caminhos da educação dentro de casa, mas reforço também a importancia da gente entender as causas das nossas ausências, a maioria delas nem sempre é resultado de uma escolha livre.
Oi Edna, obrigada!
Priscila, que bom que já está partilhando conosco essas reflexões com seu pequeno ainda pequeno...Muitas trocas são feitas desde o nascimento, mas não há dúvida de que as mais visiveis acontecem quando nossos filhos tornam-se mais falantes, sociais, quase mini-adultos de tão espertos. Bjkas e obrigada pelo comentário.
Olá Célia!
Essa reflexão é se suma importância para nós pais q estamos sempre buscando melhorar e dar educação de qualidade para nossos filhos.
Devo confessar q às vezes faço essa troca precificida,mas tento dosar tudo e demonstrar valores aos quais é preciso se ter na vida.
Ainda mais q passo o tempo todo com elas.Ontem mesmo ao vê-las em conflito,além de dar-lhes uma palmada,expliquei a elas q tudo o q elas fizerem de mal,ou bem,vai influir no comportamento do outro.Há uma frase q gosto muito e peço q elas tenham sempre em mente:"GENTILEZA GERA GENTILEZA".
Então na minha educação, para com elas tem muitos valores aos quais faço questão de estar sempre mostrando e dando exemplos q sempre temos a nossa volta,seja bom ou ruim,e todos eles tem uma consequência,q elas às vezes percebem e vêm falar comigo.
Sendo assim me demonstram q estão aprendendo e eu fico feliz,com isso tenho mais e mais vontade de aprender e fazer delas pessoas de boa índole capazes de saberem se comportar com quem for e aonde forem...
Bjs!!!
Adorei sua visitinha!
Volte sempre!!!
Eu estarei sempre por aqui...
Ceila querida, concordo, concordo, concordo. Acho que o fundamento de tudo isso esta na educação, na paciência e disposição que temos. Compensar nunca foi nem nunca será característica de uma boa educação.
beijoca
Muito bom o texto!!!
:D
Concordo com você, me preocupo muito com isso. Claro, nascemos num mundo capitalista, mas não precisamos ser consumidores compulsivos.
E muito menos pagar pelo carinho que não damos. Muito melhor, deitar e rolar no chão da sala, do que um chocolate ou um brinquedo.
A presença dos pais é fundamental no desenvolvimento de um bom caráter.
beijos
Karin
Karin, obrigada pelo comentário e visita. Acho que refletirmos sobre a troca precificada pela ausência humana é uma questão importante para sociedade moderna. E terminei fazendo um outro post sobre isso que, talvez, dá continuidade a essa conversa, segue: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/11/informacao-tambem-e-violencia-contra.html
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