Li um artigo de uma mãe que se contradiz: ela pratica o attachment parenting, mas bate. No caso, ela bateu no filho que se escondeu num mercado e criou pânico geral ao levar os pais a acreditarem que ele tinha sumido. Quando o encontrou, apesar do imenso alíviou que sentiu, a mãe castigou o filho com palmadas para que ele não o fizesse novamente. Por causa disso, ela é uma péssima mãe? Na minha opinião não.
Mas a questão vai além de ser ou não uma boa mãe, envolve entender o porquê da necessidade de gerar dor física na criança para que ela compreenda o certo e o errado. E é também uma contradição, pois ensinamos aos nossos filhos que bater é errado e, num momento de fúria ou exaustão, recorremos às palmadas para castigar. O pior é que nos acostumamos a isso e, acredito, de palmadas... os filhos passam a levar chineladas e assim por diante, com a desculpa que dor de mão já não ensina mais.
Exemplos? Duas matérias recentes me chocaram: Girl spanked to death in the name of God, onde uma menina foi espancada até a morte pelos pais em "nome de Deus". Na casa, eles encontraram o livro To train up a child, de Michael e Debi Pearl, que acreditam que a criança só vai vai aprender o certo se ela sentir dor, a outra matéria é sobre uma mãe que castigava o filho com banhos gelados e, pasmem, virando um vidro de pimenta na boca dele. Nos EUA, não existe uma lei que proíba as palmadas, mas ambos os pais e a mãe dos casos acima foram condenados pela justiça americana por violência e abuso às crianças.
No Brasil, a Lei da Palmada ainda não foi aprovada e, se for, acredito que ainda estamos longe, bem longe de acabar com a violência cometida contra a criança e, também, pouco preparados para punir os pais culpados. Se eu disser que nunca bati, estarei mentindo, mas adianto que nessa ocasião, além de sentir uma culpa terrível, vi que o problema era mais meu que do meu filho, pois envolvia cansaço, falta de paciência, irritabilidade... e criança é criança, ela não vai parar de ser criança apenas porque nós, pais, não estamos tendo um bom dia. É preciso rever essa contradição "maternagem" e "palmada" o quanto antes, porque, como nós mesmos dizemos, BATER É ERRADO.
Leitura interessante: Mania de Bater - A punição corporal doméstica de crianças e adolescentes no Brasil, de Maria Amélia Azevedo e Viviane Azevedo Guerra.










15 comentários:
Oi
Eu estava pensando sobre este assunto hoje.
Como você também diz, não vou dizer que nunca bati, mas confesso que me arrependi logo em seguida. Acredito que quando chegamos a esse ponto somos perdedoras, já não temos mais argumentos pra lidar com a situação e acabamos partindo pra agressão física, e quem sabe o limite? Engana-se quem acredita que assim a criança aprenda. Aliás, aprende a ter medo da gente e não respeito que é que deveriam aprender.
Educar dá trabalho, pois é necessário muito diálogo.Bater resolve o problema momentaneamente e não resolve a causa do problema.
Este é um assunto muito polêmico.
Adoro este blog, me indentifico muito.
Concordo plenamente. Ensinar pela dor ou pelo mendo não é ensinar, e sim impor algo que vai além da compreensão. tô fora.
Ai Sueli, tema controverso esse, né?
Eu te digo que antes de ter filhos me dizia a favor da palmada educativa...depois do nascimento da minha filha virei contra e tenho conseguido me manter firme até o momento, mas confesso que é realmente muito difícil não sucumbir em determinados momentos, no cansaço é pior, como vc disse.
Bater é algo cultural...eu apanhei quando criança, surras feias que muito me feriram na época e hoje, quando me lembro delas. Acaba descontado na minha irmã mais nova e batia nela tb.
Um dia, aos 15 anos, me caiu a ficha de que se eu não gostava de apanhar, ela tb não, e parei com aquela agressão estúpida.
Sou contra bater, mesmo, mas isso exige da gente muita paciência, comprometimento e segurança de que estamos fazendo o melhor.
Beijos,
Nine
Acho que a uma diferença bem GRANDE em espancar, bater e dar umas palmadinhas. E outra : Maus tratos que denigre, acaba com a auto-estima e causa problemas psicológicos irreversíveis. Acho que a Lei não deveria chamar Palmadas e sim Lei Contra o Espancamento e os Maus Tratos. Quem não já deu umas palmadinhas e não já levou? Muitas pessoas se arrependem e conseguem consertar o "erro". Mas aquele que espanca ele repete sempre a maldade! A fúria e a sede do sangue está dentro da pessoa. Esses deveriam ser punidos junto com aqueles que praticam os maus tratos como deixar uma criança em um banheiro presa sem luz, prender a criança com correntes e etc.
Esse assunto me dói MUITO... é desses que eu não me interesso em acompanhar pelas mídias sensacionalistas. Meu estômago embrulha, choro...
Já dei 3 tapas na minha filha e nesse dia foi como se eu tivesse chegado ao fundo do posso... no auge da ignorância, da incompetência, da hipocrisia e da crueldade. Cada tapa ainda me dói na alma... eu que nunca apanhei da minha mãe.
Criar não é pra qualquer um... exige uma análise íntima e constante de nós mesmos. Nos remete à nossa infância que nem sempre foi cor-de-rosa. Ser criança é duro, difícil.
Educar envolve um exercício de paciência, de criatividade e de amor, o tempo todo, sem folga, sem descanso, sem final de semana. E a gente cansa... e por isso, às vezes, falha.
Mas não consigo assimilar a violência como via de regra. Bater só ensina a criança a apanhar... porque se quem mais a ama (ou deveria amar) age assim... o resto do mundo tem esse direito. Bem como ela tem o direito de resolver suas frustrações da mesma maneira.
Que formação é essa??
sou uma das que era a favor e que ficou contra assim que minha primeira filha nasceu. é covarde bater numa criança pequena e humilhante bater numa maior, ou num adolescente que já sabe se comunicar.
resolver conflitos com diálogo é realmente um desafio, especialmente quando estamos no limite na exaustão e da impaciência. recebi pouquíssimas palmadas, apenas nos momentos em que meus pais se descontrolavam. uma estratégia ineficaz de educação e a repetição é a garantia da quebra de vínculos.
acho a lei e a discussão fundamentais, tenho convicção sobre os princípios, mas tenho dúvidas sérias quanto à operação: com o aparelho de ESTADO que temos, o que faremos com os filhos que apanham? tiraremos das famílias? colocaremos nos "maravilhosos" abrigos? e com os pais? como serão punidos? ainda assim sou pela aprovação da lei!
abraços!
Olá!! fiquei feliz demais em ver o seu blog e encontrar tantos comentários sensatos, me faz acreditar que ainda temos chances. Sou mãe, e devendo a educação livre de vilência física e castigos humilhantes, para isso, criei até um blog. É uma tarefa muito difícil conscientizar as pessoas, numa sociedade que tem arraigada na violência o seu modelo de educação. É um trabalho de formiguinha...Por isso colocarei o seu blog na minha lista de favoritos, espero que possa visitar o meu e ajudar a divulgá-lo, pelo bem de nossas crianças...Abs
http://naobataeduqueeuapoio.blogspot.com/
Meninas, obrigada pelos comentários...
trouxe o tema à tona exatamente por ser um tema controverso. Eu também levei boas palmadas e não tenho boas recordações... acho que uma boa conversa, com MUITA PACIÊNCIA, é a melhor saída.. acho que violência incita violência... bater no filho é ensinar a resolver os problemas por meio da violência... abuso psicológico também é outro problema... causam danos que a criança carrega pra vida adulta.
mas concordo que é um desafio manter o controle diante de uma birra sem motivo, quando estamos cansadas, sem paciência e com a cabeça em outro lugar... mas quem foi que disse que viver a maternidade seria fácil, não é...
Luana, visitei o seu blog e adorei! A causa vale a pena... tentei comentar, mas não consegui porque estou com problemas no meu open ID... beijo a todas
Sueli
Oie, sempre quando posso leio seu blog e adoro.
Me inspirei e fiz um blog também, se puder me siga, comente, de opinião, sugestão.
Beijos
Valéria Miranda
lelamiiranda.blogspot.com
Olá, adorei seu blog,já estou te seguido, espero que tambem
blog.http://bebebrincalhao.blogspot.com/2011_08_21_archive.html
beijos :*
Minha nossa, que horror os casos que vc citou.
Acho que no Brasil vai demorar muito para que as pessoas deixem de enxergar a palmada como algo normal...
É triste...
Beijos,
Rapha, mãe da Alice
Maternar Consciente
Filhote de Humano
Adorei o post e não sabia desta lei. Parabéns.
Karina Mendes - do Blog Amor Maior
http://amormaior-se.blogspot.com
Beijos***
Aracaju/SE
Tiça,
Já ouvi muita comparação como a sua: palmada é diferente de espancamento. Concordo! Mas o príncipio de quem dá a palmada e de quem espanca o filho na hora de "educá-lo" é o mesmo: ambos querem repreendê-lo. A gente precisa repreender o filho toda hora, ser a chata das chatas o tempo todo, tem hora que me sinto tão insuportável que só mesmo muito choro com massagem pra lembrar que sou apenas mãe...E isso só acontece quando não bato.
Eu dei palmada duas vezes na minha filha e só assim descobri a importância desse debate e entendi o quanto ajo a partir do mesmo principio de quem joga chinelo, espanca ou coloca um litro de pimenta na boca do filho.
Ainda tenho dúvida se a Lei da Palmada deve ser sancionada, acho o debate necessário, mas não sei se é algo que deve ser regulado...Acho algo muito privado para virar lei...enfim, essa é outra discussão.
Sou contra a agressão a qualquer tipo de pessoa, mesmo sendo filho, ou pai, vizinho ou desconhecido... Mas nao sou contra a correção física dos pais, pelo menos a forma a qual fui educado, foi bem eficaz. Meu pai nunca me bateu com raiva, ou por impulso, sempre que fiz algo errado, sentávamos e conversávamos bastante até eu conseguir entender o que eu tinha feito era errado e passível de punição, algumas punições eram castigos, outras eram perder algum direito, e quando era uma reincidência talvez eu apanharia, uma vez que o castigo não funcionou. Meu pai nunca me agrediu, nunca me bateu com raiva, ele sempre me explicou que era importante fazer isso, e todas as vezes que apanhei sei que foram necessárias, meu pai só me batia a partir do momento que eu entendia que isto era necessário, e encarava a punição como uma correção de amor vinda dele, varias vezes nao apanhei, simplesmente pelo fato de nao achar necessário e como sempre conversávamos antes de apanhar, uma boa conversava podia mudar a ideia inicial. Então toda vez que apanhei, foi com pleno consentimento da minha parte, sem pressão, mas por entender que aquilo era necessário. Nem sempre o necessário era o que eu queria, mas assumir os meus erros e encara-los de frente eu aprendi desde cedo, e dou graças a Deus a todas as correções e a educação que tive. Creio que essa forma não é um problema.
Um grande Abraço a todos.
escrevi o meu comentário e vi que nao deixei meu nome... nao "linkei" a nenhum perfil meu na web, pelo fato de nao querer me expor tanto, uma vez que tenho o pensamento um pouquinho diferente da grande maioria, mas concordo com varias pessoas aqui... apenas quis expor minha experiência de vida que foi um pouco diferente do pensamento da grande maioria. fica aqui meu agradecimento pela oportunidade. Abração
Ass. André
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