A Sueli trouxe o tema da Lei da Palmada no post Bater pra ensinar? o que contribuiu para eu retomar a dica do livro Flicts hoje. CALMA! O livro do Ziraldo fala das diferenças e cores, mas no ano de 2007, quando resolvi "ensinar" as cores para Malu, eu aprendi também o príncipio da palmada. Naquela época ainda não tinha o controle das minhas emoções e pesava muito pensar que uma simples palmadinha podia doer como um espancamento. Hoje tenho certeza de que o peso da palmada é tão forte quanto qualquer outra violência doméstica, mas conheço melhor meu coração. Também aprendi a enxergar melhor como bebê e identificar o amarelo e o azul da Malu, que não eram tão preto e branco como o meu, cheio de razão e intelectualidade. As cores dos bebês são mais sentimentais e o coração não precisa de tantos recursos como eu usei para "ensinar" as cores à minha filha. Basta aconchego e muita, muita música colorida.
Novembro de 2007 - *Falar sobre a Maria Luiza fica cada vez mais complicado porque não consigo concentrar num único tema. Ela realmente se tornou uma fonte plural, cheia de novas informações. Algumas são informações tão enraizadas que fica complicado percebê-las. É o caso do Aprender as Cores. Só fui perceber que tudo que ela achava bonito, ou não sabia, era vermelho há pouco tempo. Já a cor que achava feia, ou também não sabia, era preto. Raramente, ela soltava que determinada cor era amarelo ou azul.Comprei o Flicts, do Ziraldo, para tentar inserir as cores de uma forma mais visual, mas o livro ainda é muito avançado para ela que tem apenas dois anos e oito meses. Não houve interesse em ver as linhas horizontais, verticais ou as páginas inteiras vermelhas ou azuis nem ouvir a história da cor do Flicts, um livro que particularmente gostei muito como mãe, mas acredito que seja adequado para crianças entre 3 ou 4 anos.
Ela assiste o Bebê Mais (imagem abaixo) desde seis meses e adorava ver o macaquinho ou o jacaré falando A-zulllllllll ou a-ma-re-lo. Esse DVD, aliás, é o que vem me ajudando muito a ensiná-la a associar a cor do amarelo com a banana e o sol e o verde com a árvore ou a uva verde. Ela adora, mas ainda confunde tudo. Lógico que ela tem amiguinho na escola que já sabe as cores, e quando não sabe na frente dos que sabem, ela fala: mamãe, essa eu não sei.
Explico que o amiguinho é maior e que ela vai aprender como já aprendeu a fazer xixi no banheiro e comer sozinha. Assim, ela vem descobrindo as cores numa brincadeira de errou e acertou, com DVD, muitas associações e descobrindo o quanto ela já sabe, apesar de errar quando fala que o amarelo é vermelho. Esses vêm sendo os momentos mais mágicos da minha vida. Sempre acaba em risada, beijocas e muita, mas muita descoberta de olhares e cumplicidade entre nós. Mas nem tudo são cores.
A Maria Luiza continua me deixando totalmente maluca quando chora por fome ou sono. São gritos apavorantes. Minha vontade é de gritar CALA BOCA, peloarmodedeus! Eu respiro, mas confesso que nem sempre conto até dez e solto uns gritos e já cheguei a aumentar o som do carro porque o escândalo acontece sempre quando a pego na escola sem a mamadeira.
Um dia desses, entretanto, consegui segurar durante todo trajeto entre a escola e minha casa. Ela estava com fome e com sono. E como não reagi, ela ainda fez birra porque não queria sair do carro. Pedi desculpas a ela pela ausência da mamadeira, esperei uns minutos e ela se convenceu que o melhor era sair do carro. Não gritei nem a obriguei a sair do carro antes de convencê-la. O choro voltou no elevador ao lado de uma família espantada com a reação da minha filha. Risada de pastel e vamos em frente.
Não gritei e a convenci de aprender sobre as cores, enquanto eu fazia a mamadeira. Fiz o mais rápido possível e resolvi deitar, cheirar e aguardar toda a mamadeira ao lado dela como desculpas pela ausência daquilo que ela espera e precisa aprender que não terá mais em breve...( o tal desmame, aos poucos) Não sei se foi o embalo das cores do DVD, o aconchego ou o pedido de desculpas, mas foi um momento sublime e me senti pela primeira vez que tinha cumprido a missão de matar um choro de fome e sono sem usar da mesma arma infantil que em mim soa em gritos e falta de paciência.
*Esse texto foi publicado no site Desabafo de Mãe no ano de 2007. O site existiu entre outubro de 2006 e março de 2010, durante o período de 20 meses. As idealizadoras do site são as autoras deste blog.










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