
Essa entrevista dá sequência a conversa que iniciamos no dia 3 junho, com Regina Machado. Participam do Rainhas do Livro os blogs: Mãe é tudo igual, Pelos cotovelos e cotovelinhos, Mãemorial e Tem quem goste.O trabalho é de formiga e envolve o indíviduo (pai , mãe, professor), a comunidade (escolas, bibliotecas), a sociedade e, por fim, o nosso governo. Se todo mundo fizer sua parte e estiver disposto a reverter esse cenário de “Brasil, país de analfabetos”, dá pra mudar. Não é sonho ou idealismo, é buscar esse tempo dentro de casa, é envolver-se com a comunidade (escola incentivando pais e pais incentivando a escola), é exigir do governo a continuidade de programas voltados para Educação e Cultura. Essa foi conclusão que tive depois de entrevistar Ana Lúcia Brandão, doutora em Comunicação e Semiótica, integrante de um grupo de estudos na USP chamado Literatura e Cultura para Crianças e Jovens e autora de cinco livros infantis.
Por onde, então, começar? Dentro de casa, com seu filho. E não precisa exatamente ter nascido dentro de uma família que sempre “cultivou” a leitura. Eu, por exemplo, não tive pais que leram para mim, mas minha mãe, na sua ingenuidade e sem saber o quanto isso foi importante no processo de despertar em mim o interesse pela leitura, me contava contos do Japão e me levava para Bienal. Bastou isso para eu descobrir os livros e nunca mais deixá-los. Meu caso não é único. Ana conta que seus pais não leram para ela “meus pais me levaram para livraria, compraram os livros que eu gostava ou o que eles achavam bom para mim”… e essa foi sua oportunidade.
O pai e mãe que não tiveram pais que leram para eles podem descobrir com o filho esse mundo da literatura. “O importante é se abrir para a possibilidade e, porque não, voltar à própria infância e retomar esse processo com o filho, ir para a livraria com ele, escolher o livro e começar a ler juntos”, explica. “É buscar a biblioteca mais perto de casa, levar o filho para uma contação de história”. Resumo: o incentivo à leitura pode vir em diversas formas, desde o simples ato de comprar um livro para o filho até criar o hábito, a rotina de ler para ele periodicamente. O mais importante, não é preciso experiência para se tornar “contador de história” dentro da sua própria casa, basta um livro.
Nesse processo, é importante ressaltar que quantidade não significa qualidade. Compartilhei com Ana sobre a minha experiência americana, onde as bibliotecas são excelentes e a quantidade de livros é imensa. Mas minha sensação é de que não há uma seleção qualitativa dos livros, muitos deles, como diz Ana, são “subprodutos da tv” (livros inspirados nos desenhos animados). Sim, é o que também move o mercado editorial que, de certa forma, atende a uma demanda. Mas diante disso os pais acabam se perdendo diante de tantas opções. O que comprar? Adianto que não sou contra esses livrinhos, mas estar atento ao fato de que dentro de casa a leitura já compete com tv, internet, joguinhos de celula, por isso o ideal seria aproveitar esse tempo para ler um livro de histórias, contos e lendas brasileiras seria trazer algo diferente para as crianças.
Isso feito dentro de casa, que tal, então,olhar ao seu redor? Abraçar a comunidade? Como? Interagindo com a escola do seu filho, aproximando-se dos professores… talvez até lutando, como comunidade, para promover melhorias na biblioteca da escola, do bairro. Uma voz pode não ser forte o suficiente para mover uma montanha, mas quem sabe… várias vozes? Infelizmente, não vou conseguir postar na íntegra o áudio da conversa que tive com Ana Lúcia, porque a gravação ficou terrível. Uma pena, mas coloco aqui alguns trechos:
É possível um pai ou mãe sem tempo inserir o livro dentro de casa?
Tempo_Audio.mp3
O que esperamos do governo? Mais bibliotecas, mais espaços culturais e, sim, continuidade dos programas voltados para Educação e Cultura… Não dá pra ter lacuna de um governo para o outro, a continuidade é fundamental! Se tudo parar a cada quatro anos, sempre que se muda de governante, para-se o aprendizado, deixa-se uma lacuna na vida dessa criança... o processo do "aprender" deve ser constante.
biblioteca_sp.mp3
Ana Lúcia Brandão é doutora em Comunicação e Semiótica, com extenso currículo na área de literatura infantil. Publicou cinco livros infantis, foi resenhadora da Biblioteca Monteiro Lobato de São Paulo. Hoje, integra um grupo de estudos da USP chamado Literatura e Cultura para Crianças e Jovens, da Capes, faz pesquisa sobre o percurso estético da ilustradora de livros infantis Cláudia Scatamacchia. Em 2000, foi para Nova Iorque para participar de um programa de contação de histórias para crianças do Brooklyn, apresentando a elas a literatura infantil brasileira. E sabe quem eles adoraram? Saci...










1 comentários:
Ola,
Eu represento a "Mavens of London", uma compania de pesquisa de mercado na Inglaterra.
Nosso projeto atual consiste em entender o que pais brasileiros pensam.
Gostaria muito que vc participasse.
claudia.marcotti@gmail.com
www.mavens.co.uk
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