CULPA. Desde que me tornei mãe, a culpa tem sido minha companheira DIÁRIA. Quando escrevo posts como esse, a danada da culpa está lá no fundinho me perguntando “onde foi que errei ?” Se o dia foi uma correria e tudo o que consegui foi descongelar uma pizza para o jantar… lá vai a culpa de novo me lembrar “ué, mas se não TRABALHA porque vai servir pizza para os filhos?” … e por ai vai, lembro também da CULPA que senti por ter amamentado o Arthur até os três meses ou ter “ousado” pensar em trabalhar … Depressão, remédio e bebês definitivamente não combinam, mas a CULPA entende isso? Lógico que não, ela fica lá orquestrando uma tempestade no seu emocional e racional.Até ler o artigo Mother Madness de Erica Jong, no Wall Street Journal, não tinha parado para pensar no quanto a mídia, livros e revistas sobre bebês e maternidade “alimentam” indiretamente essa culpa na mulher. Jong chega a criticar em seu artigo o casal de médicos William e Martha Sears, autores do Livro do Bebê, considerado a “bíblia” de pais e mães. Ambos defendem a prática do “attachment parenting”, ou seja, a presença constante dos pais na criação dos filhos que inclui práticas como contato imediato após o nascimento, amamentação, dividir o quarto e carregá-lo para todos os lugares com o tal de sling. De acordo com Sears, esse é o segredo para criar filhos “bem resolvidos”. Além disso, não podemos nos esquecer do meio ambiente… comidas orgânicas feitas em casa, uso de fraldas de pano… a lista é enorme.
Jong recebeu duras críticas pelo seu artigo, acredito principalmente porque o “attachment parenting” é muito praticado nos Estados Unidos. Mas e a mãe que trabalha ou quer trabalhar, como fica nessa história? Hum… lógico que com a tal da CULPA. Ser mãe e responsável por um outro ser-humano já gera uma culpa danada… mas não conseguir ser a MÃE PERFEITA é pra lá de frustrante, cansativo e, porque não dizer, destrói sua auto-estima. Não somos nós que decidimos conscientemente virar a mãe perfeita, mas passamos a comparar nosso valor às qualidades que são atribuídas a essa mãe perfeita e, lógico, essa é uma conta matemática que jamais vai fechar, dai a frustração e a culpa constante.
Eis que, lá na França, Élisabeth Badinter teve a coragem de criticar essa forma de criar os filhos (o tal de “attachment parenting” ). No livro O Conflito: Mulher e Mãe, a autora defende que é impossível ser a MÃE PERFEITA. Pontos pra ela. Sinceramente, não dá. Sempre vai faltar alguma coisa. Ela vai mais além, ao afirmar que essa nova concepção de maternidade limita a liberdade da mulher e prejudica suas perspectivas profissionais.
Resumidamente, de acordo com Badinter, a política dos últimos 40 anos produziu três tendências que mudam o conceito de maternidade e, consequentemente, reduz a liberdade das mulheres. O primeiro, resumido por ela como “ecologia” é o desejo de retornar aos tempos mais simples; o segundo a ciência comportamental baseada no estudo do “comportamento animal” e por último o “essencialismo feminino” que elogia e valoriza a amamentação e o parto natural, desprezando hormônios artirficiais, anestesias e anticoncepcionais.
Todas essas tendências, afirma Badinter, que prometem trazer felicidade e sabedoria para mulher, mãe, família, sociedade e toda a humanidade, na realidade geram um enorme sentimento de culpa nas mulheres que não podem viver de acordo com esse “falso” ideal. O espectro da mãe ruim se impõe de forma ainda mais cruel a medida em que ela internaliza o ideal de boa mãe. E, ela acrescenta, que o bebê agora se torna o melhor aliado do homem no domínio masculino.
Exageros à parte, é uma nova forma de se pensar a maternidade no sentido de tentar racionalizar essa culpa e trabalhá-la de uma forma que não prejudique a essência da mulher, mãe. Adianto, eu não sou contra o parto normal ou amamentação, mas precisamos ter em mente que nem tudo o que funciona para mim, funciona para você. E que amamentação e parto normal não devem nunca ser um tipo de índice que vai definir que mãe é boa ou ruim...
O processo de viver a maternidade é cheio de culpas e escolhas, muitas vezes a mulher ganha nessa escolha, outras é a mãe… Ressalto que a questão da culpa não envolve apenas a maternidade, mas todos os aspectos da vida moderna, incluindo a profissão. É possível dedicar-se à maternidade e à carreira, com perfeição... duvido, sempre vai faltar algo... e é nesse pequeno espaço que envolve fazer escolhas conscientes é que vive a tal da culpa, pelo menos no meu caso.
O livro de Badinter, que já causa polêmica na Europa e nos Estados Unidos, será traduzido para o inglês e português no segundo semestre desse ano.










17 comentários:
Su, Badinter é uma feminista clássica, e feministas clássicas desprezam e consideram inferiores atividades como gerar, parir e amamentar, atividade essas exclusivas...da mulher! Acho isso tão durreal! Escrevi sobre isso no blog um tempo atrás (o blog tá fechado pra balanço, mas vou transcrever em comentário a parte.
Quanto à questão do “attachment parenting”, discordo que pregar "a presença constante dos pais na criação dos filhos que inclui práticas como contato imediato após o nascimento, amamentação, dividir o quarto e carregá-lo para todos os lugares com o tal de sling" seja tentar atribuir mais culpa à mulher. Penso que não existe perfeição, a vida, aliás, não é um projeto de perfeição, até porque acredito que a beleza esteja justamente na nossa humanidade. Mas lutar pelo ideal, cientificamente comprovado, por uma qualidade de maternagem melhor, do ponto de vista emocional, físico e psíquico, não pode ser condenado. Devemos lutar tb pra que essa informação chegue a todos, de preferência antes de decidirem ter filhos, pra que possam se preparar. Decisões tomadas com responsabilidade e consciência jamais geram culpa. Se temos questões, frustrações, se não nos preparamos como devíamos, podemos sim nos sentir mal, até culpadas, mas não precisamos de ninguem que passe a mão na nossa cabeça, mas sim de encarar de frente o que precisa ser encarado e seguir adiante mais fortalecidas.
Nesse aspecto, acho que as feministas estao trabalhando contra a mulher e a favor de um sistema capitalista, masculino, e que prioriza interesses economicos, produtividade, em detrimento da saúde integral da humanidade.
beijo!
Re
Olha o Su, o que eu havia escrito no blog:
"Vira e mexe esse assunto polêmico vem à tona pelo mundo. Algo tão natural como amamentar os seres que trazemos ao mundo gera polêmica. E a gente discute, debate, briga e nunca chega a um acordo. Sim, somos seres culturais, mas nem apelando pra ciência, pra razão, é fácil lançar luz (no sentido oposto de trevas mesmo) sobre o tema.
A Denise Arcoverde postou outro dia no Facebook um texto muito interessante: “Is breastfeeding advocacy anti-feminist?”, de Katherine A. Dettwyler.
Gostei muito de um trecho, que me parece estar na base da discussão, por isso resolvi traduzí-lo pra postar aqui:
“Dentro da cultura americana predominante, a construção cultural tradicional (pré-feminista) das diferenças biológicas entre os sexos, e assim a definição dos papéis adequados a homens e mulheres na sociedade, se baseou em duas premissas: a primeira, de que mulheres não podem fazer coisas que os homens fazem porque são: (a) mais fracas (limitações físicas, especialmente força); (b) menos inteligentes (limitações cognitivas, especialmente para ciências/matemática); e (c) deficientes do ponto de vista moral (muito emocionais, não racionais)”. A segunda: “Apenas atividades consideradas masculinas são importantes: atividades produtivas na esfera pública”. Um corolário da segunda premissa é que as coisas que os homens especificamente não podem fazer por razões biológicas – menstruar, conceber, gestar, parir e amamentar – não são são relevantes. Essas atividades reprodutivas fazem parte da esfera privada, doméstica; são atividades que obviamente competem exclusivamente às mulheres, que por sua natureza, afinal, são incapazes de atuar no mundo masculino das “verdadeiras” realizações.
Muitas feministas devotaram muito de seu tempo combatendo a primeira proposição, lutando pelo reconhecimento de que mulheres são capazes de realizar e se interessam pelas atividades tradicionalmente consideradas masculinas, e merecem ter oportunidades iguais às dos homens de atuarem na esfera pública, se assim quiserem. Ao mesmo tempo algumas feministas aceitaram, sem questionar, a segunda proposição, concordando com a visão masculina de que apenas o que os homens fazem é importante, e as coisas que apenas as mulheres podem fazer, por conta de sua biologia, não tem a mesma relevância. Qualquer coisa que possa impedir que as mulheres alcancem o sucesso, do ponto de vista masculino, é visto como opressivo por essas feministas, já que elas partem do princípio de que a contribuição das mulheres como reprodutoras, tanto do ponto de vista biológico(ao dar à luz) quanto cultural (ao criar os filhos), não tem valor dentro dos sistemas culturais ocidentais tradicionais.”
Evoluímos muito. Hoje há muitas mulheres que “chegam lá” (temos até uma mulher na presidência da república!), e elas têm muito mérito, pois continua sendo muito mais difícil pra nós do que para os homens. Mas é preciso refletir sobre o preço que estamos pagando pra nos igualar aos homens: a cada dia mais mulheres optam por interromper seus ciclos menstruais com contraceptivos repletos de hormônios masculinos, sob a justificativa de acabar com crises de TPM (que as torna menos produtivas no universo masculino capitalista); cada vez mais casos de infertilidade e menopausa precoce chegam a meu conhecimento, e embora não tenha informações estatísticas sobre o assunto, não consigo desvincular esses fenômenos da forma como vivemos o feminino hoje.
O feminismo questionou e continua questionando muitas coisas, e cumpre um importantíssimo papel. Mas, por outro lado, precisa também sofrer questionamentos. Valorizemos as conquistas, mas com a certeza de que é preciso avançar mais, e em outros rumos também."
beijo
Re
Ótimo texto Sueli.
Culpa...eu não sei até que ponto realmente a sentimos pode nossas escolhas ou temos entranhado em nosso racional que é assim que devemos nos sentir, porque afinal, mãe e culpa DEVEM andar juntas, não é? Ainda mais nos dias de hoje com tanta informação.
Também acho que culpa é algo que está associada em maior grau a nós mulheres que temos OPÇÕES, porque quando não se tem, vejo que a culpa não anda tão associada à maternidade.
Também tenho visto que a culpa é algo muito associado com a nossa geração de mães. Um dia falando sobre isso com a minha mãe, ela me contou que na época dela não havia esse negócio todo de culpa: era tudo muito natural: estudar, casar, ter os filhos (vários e não apenas 1 ou 2)...enfim, outros tempos.
Hoje temos teorias e livros de ajuda para tudo e todos. Antes as mães se viam às voltas com o Livro do Bebê e com os cnselhos das avós e mães. Hoje temos teorias de todos os tipos...difícil estar segura das suas escolhas quando existem 50 caminhos diferentes para o desfralde ter sucesso, por exemplo, e cada um defende que o seu método é o melhor, mais eficiente e que vai causar mnos danos no psicológico do futuro adulto.
Difícil, né?
Beijos,
Nine
Renata, suas colocações são ótimas. Não abordei no post.. porque senão viraria livro a questão da luta feminista para igualar, quase que literalmente, a mulher ao homem... isso em relação não apenas às conquistas profissionais, mas mudanças físicas... como citou o fato de algumas optarem por não mentruar etc... Esse novo olhar sobre a maternidade precisa considerar a mulher moderna, não obrigá-la a assumir mais responsabilidades além das que ela já assumiu...
Concordo quando diz que a decisão de ter o filho começa na concepção, é uma opção, uma escolha, uma responsabilidade. Mas perder-se no meio de tantas informações e obrigações, que a cada dia parecem brotar das paredes, também é fácil. Quando não somos vítimas e assumimos nossas escolhas consciente há menos espaço para a culpa... porque ela existe, não dá pra negar. beijos e obrigada pela ótima contribuição! Sueli
Nine, bem por ai... na época da nossa mãe era mais simples mesmo. Dai o retorno a esse período, que agora irrita as feministas.. kkkk me sinto às vezes flutuando entre dois canteiros completamente diferentes... o simples nesse caso não é retroceder às conquistas da mulher, mas uma oportunidade de viver a maternidade de uma forma mais pura e, sim, simples... sem muitas teorias e blá,blás...
beijo grande
Sueli
Afe, é muita culpa mesmo. Acho que sinto culpa de tanta culpa que sinto, se é que esta frase faz sentido. E não me sinto muito melhor em saber que não existe mãe perfeita, claro que sabemos disso, mas a culpa não é lá muito racional. Nem os julgamentos, os olhares, as comparações... Independentemente de ser feminista ou não, amamentar ou não, a culpa está sempre lá. Ou aqui.
Bacana o post.
beeijos,
Laís.
Meninas, adorei o blog. É exatamente isso, a culpa esta presente o tempo todo, sendo ou não sendo mãe.
Esses dias, cai na besteira de tentar ser perfeita. Fiz uma lista de tudo que precisava fazer:
- Exercicios
- Reciclagem
- Cuidados pessoais
- Ler Livros
- Ligar para os amigos
- Amar a familia
- Sair pra passear
- Viajar de vez enquando
- Ser organizada
- Ser boa mãe
- Ser atenciosa e paciente com o marido
- Ajuda o próximo
- Fazer caridade
etc...
Só sei que pirei, por que se faço metade disso, são em dias completamente diferentes... Ou seja, chegar a perfeição é impossivel... ainda mais com um bebê alergico...Até comecei um blog, com dicas para alergicos, pq esse universo é imenso e a culpa esta sempre presente... :(
Enfim, é isso ai!
Abraços
Oi,
amei seu blog, falar de culpa e ser uma mãe perfeita é um assunto complicado mesmo e não tem uma fórmula pra ser usada, afinal a culpa vai aparecer em várias situações, até hoje a que mais me dói é quando tenho que dar um NÃO pra minha filha, mas eu acredito em procurar fazer o melhor para os filhos porque pra eles já somos perfeitas mesmo com tanta imperfeição e a opnião das outras pessoas não deve nos ferir, pois ninguém passa 24 horas com nossos filhos pra saber o que é melhor pra eles além de nós.
Meu nome é Carol comecei um blog esses dias onde vou postar tudo sobre minha grávidez, a infância, até os dias de hoje entrando na adolescência. Quando tiver um tempinho passa por lá.
Bjos
http://fasesdemae.blogspot.com/
A culpa faz mesmo parte deste universo que é a maternidade. Se trabalhamos sentimos culpa por nao estarmos perto do filho e, acreditem, se optarmos por cuidar deles e abandonar a profissão (mesmo que seja um abandono temporario)somos renegadas e muitas vezes taxadas de alienada ou tola. Mas a discussão é sempre válida, principalmente para tentarmos minimizar a sensação de que este universo da culpa é somente nosso. Acredito que compartilhando experiencias nos tornamos mais fortes e prontas para encarar os desafios.
Post super pertinente, adorei!
Abracos,
Bia, mamae do Victor
O problema é que toda escolha representa pelo menos uma renúncia. Aí começa o ciclo de culpa e arrependimentos... Enfim, com o tempo apenas somamos obrigações. E ainda temos que ser boas em tudo o que fazemos, estarmos lindas e sermos perfeitas. Difícil... Vivemos nos equilibrando...
Afffe... acho que culpa e mãe tem uma relação tão direta quanto gravidez e anemia!rsrs
O que nos falta é o desapego desse perfeccionismo doentio... seja pro lado da feminista que quer viver uma carreira de sucesso como um homem faria independente de filhos, seja pro lado da "mamífera" que quer criar seus filhos com olhos vidrados 24h.
Precisamos do equilibrio. E esse equilibrio não está em nenhuma teoria pq ele é individualizado. Não há modelo ideal e por isso filhos não vêem acompanhados de manual. Há o que se encaixa melhor para você e sua família.
Tenho tentado viver assim. Mas ainda me frustro, ainda me culpo.
Beijos
Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com
Adorei o post. Realmente a cobrança por uma mãe perfeita existe e nos persegue em todas as fases, desde a gravidez até só Deus sabe quando.
Meu bebê não tem nem um mês ainda e sábado vou fazer uma prova para uma vaga de emprego. Resultado: CULPA.
Não estou me acertando com a amamentação e comecei a dar NAN para ele. Resultado: CULPA.
Enfim, apenas dois exemplos de como essa palavrinha já me acompanha. O que tento fazer é fechar um pouquinho os ouvidos para o que os outros dizem (que geralmente alimenta a culpa). E bola pra frente, né?! Porque com culpa ou sem ela a vida segue!
Beijos, Ananda.
http://projetodemae.wordpress.com/
Mãe demais faz mal (Dr. Fernando Nóbrega - ex-presidente da Academia Brasileira de Pediatria)
Eu não quero ser a Mãe Perfeita. Quero ser uma mãe melhor para meus filhos a cada dia.
Oi Sueli, muito bom você abordar o ponto de vista dessas mulheres e feministas. Para quem acha que o feminismo se opõe à maternidade: isso sim é um mito! Feministas são diversas e não obedecem à dogmas, mas, enxergam as dificuldades culturais e sociais pelas quais passamos para sermos mães e mulheres. Algumas feministas acham que lançar mão de toda tecnologia ao alcance é bom para tirar a mulher da "desvantagem" em que nasce. Mas há aquelas lutam por melhores condições de saúde para o gênero, que implicam em práticas mais naturais e ecológicas. Badinter tem um ponto relevante de discussão, mas é mesmo muito radical, na verdade, acho que é parcial, pois se concentra em apenas uma dimensão do problema: a da dificuldade das mães permanecerem no mercado de trabalho e competirem igualmente com os homens. A preocupação dela é relevante. Mas, eu, como feminista, me preocupo com o bem estar e a saúde das mães que querem viver a experiência da maternagem da forma mais completa possível. Daquelas que se preocupam com a saúde mental dos filhos na primeira infância para que depois eles sejam autonomos de verdade. Claro que há muito exagero entre as "mamíferas", e muitas tem dificuldade em entender que não serão 100% suficientes para o bem estar dos filhos, e se culpam.
Valeu pelo post. Em breve vou tentar escrever sobre algo próximo.
Beijos
Meninas, o que eu vejo é que quando se critica o attachment parenting, geralmente se desconhece na prática do que se trata realmente. A Annie, autora do blog PhD in parenting, fez um belo trabalho explicando essa confusão, para quem lê inglês está ótimo, vejam-
http://www.phdinparenting.com/2010/12/02/parenting-styles-to-the-extreme/
Eu não acredito em mãe perfeita, mas sim no conceito de mãe suficientemente boa de Winnicot, conhecem?
Não há espaço para cultivar a tal culpa tão citada no texto, mas sim a responsabilidade.
Quando se diz que amamentação e parto normal não devem nunca ser um tipo de índice que vai definir que mãe é boa ou ruim, eu digo que é verdade que nem amamentar nem PN e nenhum outro ítem faz a diferença entre mãe boa ou ruim, sendo que a maternidade se constróe no dia a dia.
Mas é verdade que a falta de APOIO para tais eventos (amamentar, para o parto normal, e outras) é que deveria ser o enfoque e que poderia ser requisitado, inclusive por parte dos profissionais da saúde.
Na situação vigente, as taxas baixíssimas de amamentação e PNs é de responsabilidade compartilhada entre mães e profissionais, então eu particularmente acho mais proveitoso, ao invés de discutir culpa, discutir responsabilidade, fazer algo a respeito para aumentar o APOIO as mães que querem amamentar e terem partos dignos.
Mas cada cada pessoa tem vivências e alcances diferentes nesses temas, então o tipo de apoio que poderia dar também é distinto.
Beijos,
Andréia
Andréia, obrigada pelo comentário. Entendo seu ponto vista e acho também importante discutirmos responsabilidade e trabalhar para aumentar o apoio às mães. Entretanto, não acredito que discutir "culpa" no sentido de entender porque ela existe e porque nos sentimos assim mesmo após decisões conscientes com foco no direito de exercer a maternidade é perder tempo num assunto sem importância. É impossível praticar o attachment parenting se a mãe não se sente preparada e LIVRE para tal. Meu post é uma reflexão, baseada em leituras pessoais, sobre a culpa e sua influência na maternagem. Cito Badinter e Jong porque acho fundamental entender a perspectiva feminista, entretanto, isso não quer dizer que aceito a teoria delas. No meu processo de descobrir a maternagem busco respostas por meio de questionamentos e troca de informações, talvez meu texto não mostre com clareza esse objetivo. Meu mantra pessoa é exercer a tolerância... seja entendendo a perspectiva da maternagem ou feminista e, o mais importante, aceitando as escolhas de cada mãe, mulher.
Beijos, Sueli
querida, publiquei algo acerca desse tema e bebi de sua fonte. Achei que já tinha divulgado o link aqui, mas agora vi que não! Aí vai: http://www.whatmommyneeds.net/2011/05/do-que-mamae-precisa.html
Espero sua opinião! Beijocas
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