Quando li a manchete do Estadão tive aquela RAIVA de quando a gente não aguenta mais ler de novo a mesma coisa. Corri para Fundação Perseu Abramo para tentar descobrir outro lado da história. Foi assim que descobri o slide 248 com 20 itens e um deles, SIM, quase me saltou os olhos: 86% dos maridos desqualificam continuamente a sua atuação como mãe. É o maior percentual da cultura da violência doméstica detectada na pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos espaços público e privado, que virou hit na listas de mães e manchete na maioria dos jornais.
Essa foi uma das razões que me levou a solicitar uma entrevista com sociólogo Gustavo Venturi com objetivo de desmistificar essa violência tão brutal onde Cinco Mulheres em cada dois minutos apanham. Minha inocência fechada nas quatro paredes do meu condomínio de classe média não podia acreditar que essa era uma estatística válida. Não! Isso devia ser um recorte dentro de outro recorte...
Foi com esse umbiguismo (e egoísmo) que comecei a conversa com Gustavo na intenção de defender que a amostra não representava a minha realidade já que só 14% tinha uma renda familiar acima de 5 salários mínimos (acima de 2 mil reais) e 16% tinha faculdade. Mas, sem me julgar nem dar aquele risinho que eu merecia, Gustavo disse que na amostra tinha gente privilegiada como nós e lembrou de novo que esse é o perfil da nossa população. Ou seja, somos mães que vivemos, SIM, dentro dessa amostra. Pertencer a isso é muito importante. Mas SE eu não apanho, o que tenho de comum com essa mulher e o que posso fazer para mudar essa estatística tão vergonhosa e tão antiga?
Muitas dessas respostas estão no vídeo abaixo. Quero e vou continuar falando delas aqui no Desabafo de Mãe, mas elas só farão parte do meu dia a dia se você também estiver disposta a trocar idéias sobre Casamento, Mídia e Sexismo. Quem topa começar essa roda de conversa?
PS: A entrevista com Gustavo ainda rendeu três vídeos, os quais serão publicados neste blog no decorrer do mês de abril de 2011. Fique alerta!
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










9 comentários:
Foi por esse motivo que a AMSK no Brasil, através da Cozinha dos Vurdóns e das Homeopatas dos Pés Descalços, solicitaram em seus blogs, que no dia internacional da mulher - no corrente ano - que o emblema contra essa violência deveria estar exposto.
É mais imprecionante ainda a quantidade de omissão que mulheres da classe média - como nós - acabamos por omitir, disfarçado de um dicurso da moda. ANDO DEPRIMIDA COM ESSE TIPO DE COISA SABE, QUE NEM LEIO MAIS JORNAL. Pois bem, ficamos felizes pela sua iniciativa, mais triste pelos dados. Infelizmente eles estão certos, em parte. Acredita-se que um número muito maior sofra, só que calada. Em pauta a violência verbal e psicológica.
Em qualquer dos nossos blogs você encontra o selo contra a violência e aos homens o discurso do saudozo José Saramago - "NÓS NOS PRONUNCIAMOS".
Essa é uma das mais rics bandeiras que as mulheres brasileiras deveriam carregar. Juntas, podemos mais do que se imagina.
um bj carinho das mulheres da AMSK - BRASIL
Muito bacana, o vídeo!
De fato, os números são estarrecedores e tristes.
Vamos torcer por uma conscientização (de ambos os gêneros), porque a legislação por si só não dá conta dos casos.
Bela iniciativa!
Muito bom, muito bom, mas por favor, notem, não é violência DA mulher, mas violência CONTRA A mulher. A troca da preposição faz uma baita diferença!
Casamento, Mídia e Sexismo...pq lembro logo de novela, hein? Sabe algo sobre casamento que se fala muito e se pratica pouco: divisão das tarefas "familiares". Sobre as tarefas de casa ainda falam um pouco, mas se a gente abrir um pouco mais isso...quais as tarefas relacionadas à família, que são pesadas ou não, e são ou não levadas ao rol do que pode/deve/quer ser compartilhado?
É comum também o parceiro que comete a agressão não se intitular como tendo "enfraquecido" essa ligação marido-mulher. É a justificação pela agressão, seja ela moral/física, como foi citado. Não medem a dimensão que a agressão pode provocar, os danos causados psicologicamente, eternizados e que geram revolta. A mulher agredida também não é bem vista, pois ainda há pessoas que insistem em dizer "o que ela aprontou" ou "se não denunciou então não tem vergonha". Não sei se vocês viram o caso da mulher que passou no programa da Ana Maria Braga, que abandonou os filhos e fugiu de casa, mudou o nome e viveu por anos a fio com medo do ex marido, devido a agressão que vivia. Veja bem, ela só se acalmou e revelou sua identidade depois que a equipe disse que o ex marido havia falecido há alguns anos atrás.
Triste, quem nunca foi vítima se revolta, mas quem já foi, sabe bem que "o buraco é mais embaixo".
Oi Ceila, vim aqui ontem, li o post, vi vídeo (por sinal, mt bom!) e fiz um baita dum comentário, mas deu erro :-( entao, decidi fazer um post. Fazendo a minha parte como vc pediu.
Parabéns pela iniciativa e parabéns tbm ao Gustavo, por trabalhar num tema tao difícil qt esse!
Parabéns tbm ao blog, vcs tratam de temas ótimos.
Valeu o alerta mulheres do AMSK. Vamos ficar mais atentas. Acho que imagem diz tudo hj em dia, mas confesso que ainda não sei qual é a imagem que quero defender sobre essa conversa. quem sabe nessa roda a gente descubra isso. Obrigada pelo apoio de sempre.
Roberta, topa então falar mais da lei Maria da Penha no seu blog? Afinal, é uma lei que abrange também a agressão psíquica e verbal como desqualificar a mulher como mãe ou sexualmente?
Denise, obrigada pela generosidade de nos mostrar onde erramos. Agora sim estamos prontas para lutar contra a violência.
Patrícia, o que acha de assumir a responsabilidade de escrever sobre as influências da novela para a permanência da prática da violência doméstica, topa?
Key, acabo de ver que está grávida. PARABÉNS! E muita nergia boa. Deve ter sido esse momento sublime que fez vc nos alertar para o medo e a nossa cegueira de reconhecer a violência doméstica. São dois lados da moeda, que talvez qdo Joaquim fizer dois anos vc pode trazer pra roda. Agora acho que é hora de ler e escrever as boas coisas da vida. Boa gestação, querida!
Nina, amei seu post. Corajoso, digno de alguém que se tornou mulher, parabéns!
Dá conversa, surgiu uma reflexão sobre a lei maria da penha. O peculiarizar postou hoje http://www.peculiarizar.com/2011/04/atitudes-violentas-lei-maria-da-penha.html
Espero que tenha sido útil. Abraço a todas as mulheres deste nosso Brasil.
Oi Celia,
posso colocar este vídeo no meu facebook? acho q temos q usar esta ferramenta mundial para acordar as pessoas no Brasil na sua "inocência fechada nas quatro paredes dos condomínios de classe média..." suas sábias palavras----claro que quero colocar a dmencao ao seu site....por favor me fala se tem problema...obrigada....
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