Mas Bia traz ainda o outro lado dessa história, aquele que a maioria não sabe lidar: o “The black boy” ou o japoneusa, da Sueli. O que é respeitar a diferença quando você é mãe da criança que expressa o diferente pela cor ou o formato dos olhos? Devemos reprimir os filhos que dizem: aquele negrinho, ele é preto ou japonês? O que significa reprimir? Reprimir pode também ser perpetuar o racismo, ou não?
A Sylvia, nossa segunda corajosa que enfrentou o convite da blogagem coletiva, responde um pouco essas questões ao indicar o velho e bom livro A Menina Bonita do Laço de fita (neste link, a Renata sugeriu outro livro: O Cabelo de Lelê, conhecem?) porque ele atribui beleza a cor negra. Eu acho que o desafio não está nas palavras negrinho, preto, índio ou japonês, mas no significado delas. O negrinho, por exemplo, precisa ganhar outra história além da conhecida Negrinho Pastoreiro. É importante que as crianças conheçam a escravidão, mas devemos dar continuidade a esse conto e trazer outros significados às características que ainda nos deixam tão perplexos. A literatura é um bom lugar pra gente mudar isso. Mas quando tem, a gente nem sempre usa. Quer um exemplo?
Você conhece as fábulas do Iauretê? Não? Então, tá na hora de diversificar a literatura lida dentro de casa. Tomare que possamos indicar outros livros além do velho e tradicional livrinho da Ana Clara Machado. Por isso, acho válido pedirmos dicas de livros infantis no twitter com personagens negros, japoneses ou índios. Topam?
Sylvia também vai além e traz algo que concordo muito com ela: a identidade da beleza e da moda. Assumir nossos crespos, caracóis ou enrolados, por exemplo, seria um começo e tanto para mostrar às nossas crianças outros significados da palavra negra. Não é por acaso que hoje tenho maior orgulho de ter enterrado meu secador no fundo do guarda roupa. A-do-ro assumir meus cachos, ser natural, mostrar que tenho um jeitinho de brasileira.E você continua na chapinha? Como acha que vai ensinar seus filhos sobre a beleza dos crespos?
Agradeço Bia e Sylvia pela coragem de aceitar o convite de blogar Por uma Infância Sem Racismo. Se você também tem essa coragem, participe da blogagem coletiva até dia 28 de março. Veja abaixo as regras:
Regras para blogagem coletiva:
1- Escreva seu post sobre a Infância sem Racismo ou sua história com título Minha ação Por uma Infância Sem Racismo.
2- Envie a URL do seu post entre os comentários desta postagem: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/03/racismo-tambem-e-papo-de-mae.html
Regras para blogagem coletiva:
1- Escreva seu post sobre a Infância sem Racismo ou sua história com título Minha ação Por uma Infância Sem Racismo.2- Envie a URL do seu post entre os comentários desta postagem: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/03/racismo-tambem-e-papo-de-mae.html
3- Utilize a imagem e os links da campanha da Unicef
4- Convide todos a entrar nesta conversa até dia 28 de março
4- Convide todos a entrar nesta conversa até dia 28 de março











9 comentários:
Não acho que, como mães, devemos reprimir o filho diante de um comentário como pretinho, japoneusa... mas aproveitar a oportunidade para mostrar que sim, somos todos diferentes e isso não é mais importante que a pessoa, que tem nome e é exatamente como ele. Enxergar além da cor da pele, dos atributos físicos... é enxergar o outro exatamente como ele é, exatamente como você é...
Celia,
Estou contente com a discussão sobre Racismo e a riqueza dos arqgumentos e informações que estão fluindo desta conversa. Ainda mais quando compartilhamos boa literatura e buscamos novas possibilidades de diálogo com nossos filhos. Vamos ao Twitter, aos blogs, Facebook, onde for necessário! Tenho certeza de que sua iniciativa renderá bons e suculentos frutos (aliás isso já está aconecendo, ne?). Um abraço,
Também concordo que a estratégia não deva ser a repressão com as palavras que vem da boca das crianças, mas a transformação do significados. Confesso que ficava super preocupada, com dor nas costas até, quando a Malu expressava o que via: o preto, o gordo, o japonês ou o índio. Tinha medo das palavras...Agora entendo mais que elas devam ser ditas e gritadas até se for necessário, mas é preciso que haja resignificações...Obrigada!
Bia, não há mesmo melhor fruto que o aprendizado coletivo. obrigada por partilhar e vamos em frente atrás das ressignificações, certo?
bjkas e inté!
Os posts foram ótimos até agora... o meus é bem menos "cult" que os demais... tenho menos a sugerir porque ainda sou uma mãe com pouca bagagem (minha primeira filha tem apenas 5 meses)... mas quero participar para estar informada e preparada para educá-la da melhor forma possível, inclusive, em relação a este assunto.
Espero que gostem da minha singela contribuição nesta campanha...
Obrigada por ter ido ao meu cantinho,achei muito boa a proposta dessa discussão,pois no Brasil o racismo e o preconceito são velados.Coisa escondida,ninguém quer ser,mas é racista e preconceitusoso.
Mais q palavras os pequenos tem q ver atitudes.Estou tentando q os meus filhos sigam pelo caminho certo,convivem com o diferente tds os dias dentro da própria casa,pai branco,mãe morena,bisavó mulata e cadeirante.A escola q eles estudam e de confissão católica e foi toda adaptada para receber um menino cadeirante.Minha filha d 10 anos está no 6º ano e ficou encantada com um trabalho de religião,no qual a prof.pediu q cada um escrevesse a história de sua religião e levasse um símbolo.Ela amou descobrir q tem uma amiga budista,outra espírita,uma é batista e a outra e da messiânica,ali houve todo um trabalho de tolerância entre as religiões eu fiquei muito feliz,pois é daí q virá a mudança.Parabéns pela iniciativa e a coragem de puxar este assunto, q aqui no Brasil parece ser tão bem resolvido,mas na verdade não é.Bjs!!!Rogéria Thompson
Ei querida!
Parabéns pela coragem e pela iniciativa de falar sobre esse assunto. Vi o vídeo da unicef no yotube e fiz questão de ler os comentários do vídeo. Fiquei arrepiada com os termos pejorativos e preconceituoso com o qual algumas pessoas comentaram sobre o vídeo. É preciso coragem para falar sobre isso, pois o Brasil apresenta muita hipocrisia nesse assunto.O brasileiro é preconceituoso sim e ´não admite que é. É necessário muito discussão e debate sobre o racismo para se desmistificar essa cultura européia de valorização apenas do branco em detrimento dos demais negros, amarelos e índios.
Contei muitas vezes para minha filha a historinha "menina bonita do laço de fita", mas é bem complicado livrá-la do preconceito.
Há algum tempo aposentei a chapinha e agora uso meu cabelo totalmente afro e estou adorando meus cachinhos tonhonhóim.
Esse assunto muito me toca e tenho receio de não saber usar as palavras adequadas, já que sinto o problema na "pele", por isso ainda vou amadurecer a idéia de participar da blogagem coletiva. De qualquer forma vou acompanhar todas as postagens.
Mais uma vez parabéns pela iniciativa.
Gd beijo
Ai, que legal tá rolando aqui. Amanhã escreverei meu post, viu? Sou o que hj é chamado de afro-descendente. Pai negro, mão branca. Tenho uma irmã negra e um irmão, como se diz: mestiço. Detalhe, os três são mestiços, mas, como a pele é o "que conta", acabamos sendo rotulados. Muitas vezes não acreditavam que éramos irmãos e a gente mostrava a identidade. Depois de um tempo, começamos a deixar para lá. Meu filho me pergunta: "mãe, porque eu nasci branco? Eu queria ser preto, igual a meu avô...". Assim que escrever sigo as orientação daqui. Amei e vou enfatizar lá, tb. Bjs.
Roteiro Baby, nós amamos a sua história. Ichiiiiiiii a gente tá ficando Cult, é? Cult é chato, ou não? Pela sua história não achei vc uma mãe com pouca bagagem. A gente começa a se preparar pra maternidade cedo, muito antes deles virem pra terrinha. Só do fato de vc estar aqui e agora falando de um tema que requer tanta disposição já te coloca bem lá no topo da maternidade. Seja bem vinda e parabéns!
Rogéria, vc falou tudo!!!! Amei e como a escola tem um papel importante de inserir a tolerância na socialização, né. Respeitar o diferente é uma lição complexa e se casa, escola e TV trabalhassem pra mudar as mensagens atuais, com certeza, teríamos um mundo melhor para nossos filhos. Obrigada!
Gilmara, que delícia saber que abandonou a chapinha. Só de mostrar essa opção para sua filha e para o mundo já está fazendo muita diferença. Parabéns! Eu sinto a diferença na pele de forma inversa, mas tenho cabelo encaracolado do meu bisavô negro e minha filha não gosta. Esses dias uma amiguinha dela disse que eu era feia por causa do meu cabelo. Ela chorou muito porque quer que eu deixe o cabelo crescer e não seja mais feia. Não é fácil ser a gente quando há Barbie e princesas da Disney na disputa pela beleza. Precisamos de bonecas diversificadas urgente. Jogar a Barbie no lixo seria um bom começo, mas quem pode contra a Barbie????? Seria mto bom ter sua participação: desabafe!
Patrícia, que mistura gostosa, tô aqui ansiosa pra ver no que vai dar essa conversa tão colorida, inté!
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