Você sabia que existe lei para obrigar as escolas a contar uma história diferente daquela que a gente não conheceu? Acabo de achar a danadinha (10.639) de 2003. A lei é antiga, mas a gente sabe o quanto a prática demora. Imaginem a diferença que faz nossos filhos conhecer os heróis africanos, os faraós do Egito, as deusas da cultura negra, ao invés de relacionar a cor negra somente com a escravidão. História muda mentes. Veja aqui.
Eu não tenho dúvida de que esse conhecimento pode fazer a diferença que a Tati proclamou na Rede Mãe e Mulher. Mas as escolas não mudam sozinhas. Faz tempo que nós, mães e pais, fomos obrigados a participar mais da educação fora de casa. É preciso verificar se seu filho realmente aprendeu além da escravidão ou, pelo menos, se escola está cumprindo a lei. Diálogos são sempre transformadores.
Prova disso é a conversa que o avô da Dani teve com chefe dele na época em que era o “caminhoneiro negão”. É coisa de telão, pena que os donos do cinema no Brasil não gostam de contar nossas histórias como os norte-americanos. A Rogéria Thompson, aliás, indicou um desses filmes no seu post como um meio para conhecermos mais a história deles e associar um pouco aos nossos fantasmas. Vocês sabiam que a maioria dos filmes nacionais são financiados com nossos impostos, né? Mas pra quê ter filme assim que traz uma identidade de dignidade e orgulho da nossa mistura nacional?
Prova disso é a conversa que o avô da Dani teve com chefe dele na época em que era o “caminhoneiro negão”. É coisa de telão, pena que os donos do cinema no Brasil não gostam de contar nossas histórias como os norte-americanos. A Rogéria Thompson, aliás, indicou um desses filmes no seu post como um meio para conhecermos mais a história deles e associar um pouco aos nossos fantasmas. Vocês sabiam que a maioria dos filmes nacionais são financiados com nossos impostos, né? Mas pra quê ter filme assim que traz uma identidade de dignidade e orgulho da nossa mistura nacional?
A lição do avó da Dani é simples: diálogo demanda persistência e paciência. Não dá pra sair gritando, brigando e cheio de verdade. Não com a escola. Mas vale denunciar depois que as entrelinhas ficam mais claras como no caso da filha da Lu Ivanike. E denúncia já pode ser feito pela internet. Veja aqui.
O blog da loja infantil Marré Deci aponta alguns desafios. Não dá pra acreditar que nossos preconceitos ainda sejam tão arcaicos. Mas são. É por isso que tenho a sensação de que os velhos conceitos sempre existirão por mais reformulados que sejam. O que pode mudar, e muito, é a quantidade de pessoas que continuarão com os velhos conceitos. Rogéria ainda trata dos apelidos, aqueles que fizeram a gente sofrer tanto na infância e tenho a sensação de que vão continuar eternos. Por isso, insisti tanto com a ampliação dos significados no post de ontem. Isso nós podemos mudar e isso começa dentro de casa. Eu acredito muito nas intervenções culturais dentro de casa: música, livro e brinquedo.
Eu, por exemplo, fui a gordinha da escola. Foi importante para meu crescimento esse apelido triste, mas poderia ter acreditado e lutado mais por mim se houvesse outras práticas em casa e na escola além dos apelidos. É por isso que acredito que a luta começa em casa com a escolha dos brinquedos, com a oferta de novos significados nos livros infantis, mas precisa continuar na sala de aula com o cumprimento da lei e com as fábulas de Iauretê. Sem essa parceria, acho complicado nossos filhos respeitar o diferente (clica, please, e conheça a história de uma mãe com condições que optou pela escola pública) e entender o que deve ser igual.
A blogagem coletiva contou ainda com os seguintes posts:
A roda, no entanto, continua até dia 28 de março. Participe! As regras estão aqui.











6 comentários:
Puxa...gostei muito do tema, da essência, do teor do blog
Ando meio enrolado, mas quem sabe numa próxima interação dessas não participo
Um abraço na alma...bom todo dia pra vocês
Oi!
Estou apredendo e refletindo muito com essa blogagem coletiva.
Segue o link do meu humilde post. Obrigada pela visitinha. http://www.roteirobabybrasilia.com/2011/03/minha-acao-por-uma-infancia-sem-racismo.html
Conto minha história de como lido com as diferenças dentro de casa aqui http://mae-de-duas.blogspot.com/2011/03/por-uma-infancia-sem-racismo-sobre-as.html
Bjs
Priscilla
É, Ceila... com certeza começa em casa!
Eu não sabia dessa lei das escolas! Muito interessante! O ruim é que realmente ainda não vi um livro diferente vindo pra casa ou Sofia contando a história de ter visto algum filme ou que a professora contou alguma história assim. Mas vamos ver... quem sabe seja só o início, né?
Vou ler os posts q vc citou aí em cima!
Bjs
Muito boa a idéia da blogagem coletiva Ceila e não poderia ficar de fora dessa: Segue o meu link: http://ivanacoisademae.blogspot.com/2011/03/por-uma-infancia-sem-racismo-nossa.html
Obrigada pela oportunidade!
Bjos!
Elcio, temos o fim de semana inteiro ainda. Faz uma forcinha.
Roteiro Baby, seu link já foi utilizado inclusive neste post (dê as clicadas).
Priscilla, Ivana, obrigada pela participação. Já chego lá pra falar com vcs.
Telma, a lei é de 2003. Faz 8 anos. Também não vi nada que fizesse eu perceber essa mudança. Agora o que me deixa mais furiosa é que não sei a quem e como dialogar com esse direito das crianças ao novo conhecimento. As informações são sempre muito fragmentadas, incompletas e não são direcionadas a nós, né. Descobri agora que existe uma entidade que representa os pais para o governo, uma tal de confenapa. Mas nunca tinha ouvido falar e, detalhe, não achei site. Difícil lutarmos pela educação dos nossos filhos e pelos nossos direitos, mas juntas chegaremos lá (risos!)
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