
Ontem comemoramos o Martin Luther King´s Day. Ótima oportunidade para conversar, mais uma vez, com Tomás sobre desigualdade, racismo e a percepção em relação ao diferente. Lemos um livrinho que conta de forma bem simples o sonho de Martin Luther King Jr: um mundo onde crianças de todas as cores podem brincar juntas e frequentar a mesma escola. Tomás me contou, com tom de indignidade, que no passado os afro-americanos** eram sempre os últimos nas filas e não podiam se sentar nos ônibus, pois os assentos eram reservados para os brancos. E acrescentou "this is not fair"! Não, não é...
Converso sobre raça com meu filho desde muito cedo. Ele sabe que existem pessoas boas e más, não importa a cor e que jamais devemos julgar o outro baseados na sua aparência, cor e sexo. Todo mundo tem sua beleza e importância nesse mundo. No ano passado, depois de muitos questionamentos, decidimos transferir nosso filho para uma escola pública, principalmente pela diversidade. Para mim, aceitar e viver essa diversidade é tão importante quanto o currículo escolar, talvez até mais, porque vai ter um impacto positivo no caráter e na formação da criança.
Nessa reportagem especial da CNN, conduzida por Anderson Cooper, é mostrada a importância de se discutir sobre raça dentro de casa. Muitos casais brancos não abordam o assunto, talvez por não terem que lidar com o assunto no dia-a-dia, ao contrário dos casais afro-americanos ou interraciais, que precisam preparar os filhos para uma possível situação hostil (o que infelizmente ainda acontece). A resposta das crianças, cujos pais discutem o assunto dentro de casa, foi de que a cor do boneco não tem influência alguma na beleza ou caráter dele.
Pode parecer coisa do passado esse papo de branco e preto, mas não é. Seu filho não vai se deparar apenas com a diversidade racial... há muito a ser discutido dentro de casa: diferenças sociais, portadores de deficiência física... E como você, mãe, lida com o assunto dentro de casa?
**Nos Estados Unidos, utilizamos a terminologia black ou afro-americans, porque negro "niger" é extremamente ofensivo. No Brasil, ainda se discute qual a terminologia mais adequada se preto ou negro, eu prefiro afro-brasileiro...)










8 comentários:
Olá meninas, cheguei aqui pelo blog Viciados em Colo. Que maravilha! Adorei o blog, já estou com cadeira cativa!! Parabéns.
Rejane
www.vestidoderodar.com.br
bem legal esse post, meninas.
estava pensando nisso ontem, quando me toquei que o caio começou a perceber as diferentes cores de olhos das pessoas. Há alguns dias ele começou a falar: meu olho é preto, e o seu mamãe? e o seu papai? o olho da tia flá é verde..... e por aí afora. É ainda uma coisa pequena, mas já é um sinal de que sua percepção sobre as diferenças entre as pessoas está aumentando, e talvez seja um bom momento pra começar a introduzir esses valores que você menciona no post. Gostei da idéia, nunca é cedo demais pra transmitir valores de respeito à diferença e ao ser humano.
Caio sempre conviveu com diferentes: temos amigos negros, japoneses, minhas irmãs são loiras de olhos claros, na escolinha existem filhos de imigrantes latinos, temos um amigo deficiente... e aos poucos ele vai notar mais essas diferenças, e, sem dúvida, dar as bases para essa percepção é nosso papel.
obrigada pela reflexão.
beijos
thaís
Olá, sempre com temas mt bacanas!
olha, eu gosto da terminacao negro mesmo, nao acho que seja preconceituoso, eu acho preto, algo como uma coisa, sei lá, preto é a cor do lápis de cor, p. ex., negro nao é lápis, é negro e lindo!
vc pergunta como nossos filhos lidam com a diversidade, boa pergunta. desde q eles sao bem pequenos, tento mostrar a importância da diversidade no mundo, mas como sempre moramos no Amazonas, onde todo mundo é mt parecido (morenos, cabelos lisos com tipo meio indígena) era difícil pra eles terem de fato essa nocao do diferente. Vivemos atualmente na Alemanha, numa regiao onde tem mts estrangeiros, de todo o mundo. Vejo q a base q passei a eles foi mt importante. Eles tem amigos de todo tipo, cultura, cor, raca, religiao. E defendem como podem seus amigos qd percebem algum tipo (raro) de discriminacao.
Morar fora do Brasil mostrou pra gente o quanto no nosso país somos hipócritas, ao afirmar q nao temos preconceito de raca, temos sim... e tá embutido de tal forma q o povo já nem percebe como preconceito... acho triste. A Alemanha me motra a cada dia o quao importante é ter respeito e tolerância por aquilo que é diferente da gente.. quem diria...
Olá!
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Abraços!
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Adorei o post, precisamos mesmo participar nossos filhos da realidade do mundo aí fora, e também ajudar a construir tijolinhos dos valores da personalidade...aqui em casa já fui surpreendida por um comentário do meu filho de 2 anos falando que fulano é gordo, ou preto, e eu falo e explico que isso é apenas uma diferença que torna as pessoas especiais, que não é o que vai determinar se ele vai ser amigo ou não da pessoa, que ele vai ser amigo de quem ele se sentir bem junto, e que ele não vai julgar ninguém pela aparência... acho que é nosso papel, função social! bjs
Oi Sueli! Adorei o texto. Eu ainda não trato especificamente da diferença nas cores de pele das pessoas, pq minha filha ainda é pequena e não faz esse tipo de percepção, mas com certeza trabalharei com ela o tema da mesma maneira que minha mãe trabalhou comigo: raça só existe a HUMANA, o resto é apenas capa, vestimenta, e como habitamos lugares diferentes no mundo, desenvolvemos habilidades diferentes, entre elas o tom de pele para nos proteger do sol escasso ou excessivo.
Confesso que o termo afro-brasileiro não me agrada, como não me agrada quando chamam negros de "morenos" ou qualquer coisa do tipo.
Assim como os brasileiros descendentes de alemães não são designados como euro-brasileiros, os de japoneses não são oriento-brasileiros, os de índios não são indio-brasileiros ou qualquer coisa do tipo, penso que não poderiam se designar tb os tais afro-brasileiros, pois isso nada mais é do que mais um tipo disfarçado de separação. Existem os brasileiros e os afro-brasileiros ou algo do tipo.
Assim como quando quero usar como referência que "está ao lado da moça loira, alta, baixa, gorda, magra", penso que tb posso falar que está ao lado da moça "negra" ou "preta", porque essa é uma característica marcante da aparência física dela, assim como eu posso ser chamada de baixinha e gordinha, ou morena.
Ser chamado de preto, negro, loiro, moreno ou ruivo não pode e não deve caracterizar ofensa para ninguém, pois é APENAS uma caracterísitca de aparência de alguém.
Beijos,
Nine
muito boa reflexão, meninas!
publiquei no blog da ciadasmães esses dias um texto que toca nessa questão também: http://www.ciadasmaes.com.br/blog/2011/01/criancas-e-racismo/
beijos,
Helô.
Meninas, muito bom ler o q vcs acham do assunto. Acho muito importante a gente passar isso para nosso filhos. Nine, entendo de verdade sua reflexão e o fato de não gostar do termo african-american. Faz sentido. Na realidade, as pessoas têm nome e são muito mais que aparência... por isso o ideal seria ser identificado pelo nome, pela competência.. não pela raça ou característica física. Eu , por exemplo, sou Sueli, Su, Suel... por isso não gosto q me chame de japa, neusa, japoneusa... japinha... me irrita, só isso.. kkkkk sou muito consciente sobre essa questão, principalmente por viver isso no dia-a-dia.... Amei ler os comentários!!! obrigada!!! bj a todas
Sueli
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