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Eu prometi a mim mesma que, neste ano, eu teria um balanço de vida. Uma retrospectiva mesmo!!! E nada melhor para isso do que ter um blog. Devo mergulhar, nestas férias, nos meus velhos posts...Reler a mim mesma. Essa é minha proposta pra você: refletir!

Voltar atrás, com certeza, nos permitirá transformar. Mas, enquanto a passagem não chega, aprendi a conhecer o Advento. A palavra vem do aproximar-se, vir chegando aos poucos. Passamos momentos mágicos com a montagem do presépio em casa. Cada semana, um reino, uma chegada, uma história, uma dança, um aprendizado. Tem sido muito bom. Sugiro que você faça o mesmo: deixa ele se aproximar!

E, se 2010 foi o ano da dúvida intelectual sobre a escola também foi da certeza do que eu quero: uma Mãe Waldorf. A certeza veio mesmo do coração e do brilho do olhar da Malu.

Ufa! Aprendi muito. Fui tão abençoada com encontros. Por todo lado. Aqui (carolinas, nine, lu ivanike, gra flor....), nas listas ( renata, ana, tais, silvia, monique, isabella, pp, perola) e quanta gente boa olhei nos olhos (Obrigada!!!!). Fecho o ano crente de que o mundo está melhor. Tem muita gente de bom coração, almas caridosas, generosas, sábias. E o melhor de tudo: tem gente demais que quer o bem comum (ufa, que alívio). Acho que conheci os anjos da terra. Verdade, pura da pura, como diz Emília.

Confesso: tava cansada de ver só interesse próprio, capital, money, maldade, inveja, cíumes. Acabou!

Também resolvi fechar minha identidade jornalista de TI (eca, não aguento mais!!!). Tô literalmente desempregada e nunca me senti tão leve em toda a minha vida. Quero respirar coisas novas, agir de verdade, escrever num outro ritmo e fazer aquilo que seja bom pra mim, pra minha filha e para o homem que mais amo neste mundo. Sou mesmo abençoada!!!

Quero, acima de tudo, agradecer a você. Você que tem a paciência de me ler, de acompanhar minha vida, meus pensamentos altos, meus refletires. Você que eu acho que eu não conheço, mas que me transforma. Você que nunca comenta, mas se identifica. Você que chora, ás vezes, assim como chorei tanto ao ler outras blogueiras. Você que se sensibiliza com a minha dor, quer me colocar no colo, ás vezes. Enfim, você que como eu acredita. FELIZ NATAL! e boas férias!
Volto em 2011!
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Vale a pena ter atenção no vídeo abaixo, feito pelo Grupo Curumim, de Pernambuco, principalmente, se você já decidiu pela cesárea. A razão é simples: os relatos trazem não só as razões ditas em qualquer lugar de não fazer cesárea como também mostra algumas ocultas, subtendidas...Ou seja, aquelas que podem realmente acender a luz alerta para vida. Exemplo?



Preste atenção como o parto da nossa mãe influencia a nossa decisão. Coisa de gente maluco beleza demais? Você realmente acha que sua relação familiar não afeta em nada sua vida? Saber como você chegou ao mundo é um papo que deveria ser obrigatório dentro de casa. Leia AQUI. Entender o porquê sua mãe sofreu tanto é extremamente importante para compreender que sua história pode ser diferente. São voltas como essa que fazem a gente voltar com novo olhar ao mundo. De certa maneira faz a gente nascer de novo.

Não dá pra olhar passado, achando que podemos replicá-lo. Ou, pior, achando que ele não influencia em nada agora. É preciso entender o contexto. Ou seja, qual era a situação da saúde na época em que nossas mães pariram; qual era o número de revistas, blogs e programas de TVs que nossas mães tiveram acesso; qua era o status das nossas mães; o que era legal ser feito naquela época.

Enfim, tudo isso e muito mais influenciaram MUITO os relatos temebrosos sobre a dor do parto. Agora, vivemos o alerta das cesáreas. Tudo é muito diferente, mas pode ser ainda mais. E isso depende de mim e de você. Vale lembrar:“para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”
Tô com raiva. Chego a ter dor nas costas quando vejo isso. É um descaso absoluto com a responsabilidade do jornalismo. De quem é a culpa: da repórter, do editor, da realidade ou dos leitores? De TODOS, inclusive minha se eu deixar a raiva passar e não fizer nada. E, você, o que vai fazer com isso?

Clica, leia bem, preste atenção na informação dada: mimos, fidelidade, hotelaria, beleza. Só no rodapé tem algo informativo: NÃO É ESSENCIAL, logo não deveria ser relevante para se transformar numa notícia. O fato existe: os hospitais estão contratando know how em HOTELARIA pra ver quem vende mais. Mas, segundo as regras de jornalismo, um acontecimento só vira notícia se for relevante. E, se for jornalismo de qualidade, só deve ser transformado em notícia se for para o bem comum. O interesse é claro: vender hotelaria e beleza ao parto. Parto não é isso. Ou seja, a notícia não visa um bem comum, mas interesse específico da indústria.

CONHEÇO MILHARES DE MÃES QUE TÊM MUITO DINHEIRO E NÃO QUEREM ISSO. Ou seja, fidelidade???? De quem, cara pálida?

Please, vaidosas, acalmem! Não sou contra fazer unha, arrumar cabelo e ter um quarto cinco estrelas pra dormir. Mas, atenção, alerto pelo fato de que ISSO não é essencial. Podemos até achar conveniente que tenha uma manicure a disposição depois do parto, mas sorry o que precisamos e queremos é AMAMENTAR NOSSOS FILHOS. É ter um ambiente propício para parir assim como nossa casa e, definitivamente, conheço poucas casas que são feitas com o design da hotelaria cinco estrelas. Uma coisa é ser aconchegante, outra é ter glamour e sofisticação. Definitivamente, os quartos de hotéis vão além do aconchegante lar.

Cara pálida, você usou a palavra errada para pessoa errada. Não são as mães que buscam isso na maternidade. São as maternidades que querem enfiar isso guela abaixo como nossos valores. Mude seu título (Maternidades particulares oferecem ‘mimos’ para fidelizar pacientes). Pelo menos. Já que não ousou ouvir os pacientes das maternidades, que pensam o contrário. Não somos fiéis por isso. Seja transparente: mostre quem deseja vender isso. Podemos até comprar serviço de beleza na maternidade, mas o que queremos é, no mínimo, RESPEITO, é protagonismo e isso é uma luta árdua para ser consumido.
Confesso: estou triste. Me encontro, de novo, numa encruzilhada, pois percebo que ainda não selei amizade com parto. Lendo alguns depoimentos de partos percebo que ainda é muito difícil, pra mim, desvincular o parto do ambiente hospitalar. Sinto muito insegura em parir em casa, por mais que eu reconheça que tais procedimentos clínicos prejudicaram (MUITO) minha possibilidade de parir a Malu como gente.

Mas, cá entre nós, é possível parir como gente nas maternidades? Essa é a minha nova angústia que pretendo investigar no ano de 2011. Minha primeira entrevistada para essa nova obsessão foi Graziela Del Ben, neonatologista do São Luiz. Veja entrevista abaixo:



Graziela me ensinou que a luta é muito pior do que eu imaginava. Não há portas abertas para doulas dentro das maternidades? Na minha visão deveriam ser elas que humanizariam todos os processos burocráticos, o ambiente inadequado, os procedimentos desnecessários. A Grazi Flor me contou sobre como é parto normal na Inglaterra. Lá, a prioridade é nascer de forma natural, mas falta humanização. Aqui temos as duas carências: hospitais com cultura de césarea e falta de humanização total.


há dois anos, na Maternidade São Luiz, começou a se pensar em slings. Ou seja, a trajetória é bem longaaaaaaaaaaaa. Talvez, se a gente começar fazer alguma coisa agora, a Malu poderá ter os meus netos numa maternidade no Brasil de forma humanizada, mas pra isso a gente vai ter de convencer a indústria da mediciana a conhecer o parto humanizado. O diálogo começa com os obstetras. São eles a interface das maternidades ou é impressão minha?

Às mães que tiverem interesse de ajudar nessa luta, peço que comentem no vídeo do You Tube( http://www.youtube.com/watch?v=ty8mO1svXP8) sobre suas impressões da conversa com a Graziela Del Ben, que publiquem o vídeo em seus blogs e comentem o que pensam sobre isso, que dêem a sua opinião para que a gente possa dar continuidade a essa roda de conversa. Alguém se habilita?
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Continuando os balanços do fim de ano, resolvi copiar uma das páginas do Livro das Virtudes porque retrata muito bem a lição que venho aprendendo no ciclo de 2010. Aprendennnnnnnnnnndo (puro gerúndio). Ainda não digeri o suficiente da tal disciplina. Sei que só mesmo a prática e a fazedura das coisas vão trazer essa virtude para minha alma. Mas, enquanto isso...


Sobre a disciplina
(Górgias, Platão)
Sócrates - Todo homem é seu próprio governante, mas pensas que não há necessidade de ele se governar a si mesmo e sim aos outros?
Cálicles - Que entender por "governar a si mesmo"?
S - Uma coisa bem simples: ser disciplinado, ter domínio de si e governar prazeres e paixões.
C - Que inocência! Confundes sabedoria com tolice.
S -Qualquer um entende o que eu digo.
C -Não. Como pode um homem ser feliz se é escravo? A maneira certa de viver é deixar crescer as paixões e não reprimir, servi-las com coragem e inteligência e satisfazer a todos os desejos (...)
S - Com que bravura, Cálicles, argumentas. Continua. Então, não reprimir as paixões é virtude?
C -Sim
S - Então, quem nada quer é que é feliz?
C - Não, pois mais felizes seriam os mortos e as pedras.

Prometo copiar o decorrer do diálogo publicado no livro, mas antes que tal uma blogadinha? Cá entre nós, tem conversa mais adequada pra mãe do que essa que rolou há uns 400 anos antes de Cristo? Releia e responda-me: você governa a si mesma ou acha esse lance de se governar uma tolice?

Imagem retirada daqui
Confesso que, com a leitura, comecei a pensar nos limites que ainda são bastante complicados de eu colocar pra Malu justamente porque eu ainda não os tenho. E haja controle quando a gente está nascendo como mãe e a agenda dos prazeres e das velhas paixões ainda batem na sua porta, né?

Não dá pra negar que a gente, lá no fundinho, se sente mesmo um pouco escravo da maternidade. Ainda mais se ela chegar de supetão sem estarmos preparados para o bem comum, mas exclusivamente para nosso bel prazer. Prometo continuar a copiar os direitos autorais dos outros aqui, mas só corro esse risco se você entrar nessa roda de conversa, topa? Então, dá lhe post no seu blog e manda a URL nos comentários deste post, tá!
Volto em breve!