Enfim, voltamos ao PARTO! E, agora, pra mim, falar de parto também é concepção, gestação, espiritualidade e consciência. Não dá para ignorar a ausência da consciência feminina diante da fábrica da medicina. Eu lutei pelo meu parto normal, mas só agora tenho noção das armas que nunca tive para enfrentar essa luta. Era impossível vencer as realidades da cesárea quando tive minha filha há cinco anos. Naquela época, eu não sabia detalhes da minha chegada ao mundo, não estava preparada psicologicamente para espera da gestação e não tinha a mínima idéia da importância do ambiente para parir.Com certeza devo ter lido, ou ouvido algo, digerido a informação, mas... Eu li muito, mas tudo era superficial. Não havia o contexto pessoal para que ISSO fizesse o sentido que faz hoje. Agora, eu reconheço a fábrica da medicina. Eu vivi ela na pele, após meu aborto, e reconheci a indústria. Antes, não entendia essa luta contra cesárea. Apoiava o parto normal, queria parir como gente, assinaria qualquer carta ou manifesto pelo parto natural, mas... Não tinha consciência da luta.
Conheci a Casa Angela (assine a petição aqui), no encontro promovido pela Anep Brasil para falar com Ionna Mari, que contou uma história sobre as construções humanas. Muito do que ela falou, eu já sabia. Muito do que ela falou estava em Odent, Luzes e na minha experiência de vida. Mas ouvi-la, naquele lugar, fez toda diferença. As fotos de Marcelo Min com os relatos de Luciana Benatti trouxeram contexto para a melodia francesa que dizia Mari. E foi ali que caiu a ficha da necessidade de conscientização.
Não dá mais para deixar tanto conhecimento dentro de guetos. É preciso espalhar informação nas maternidades, supermercados, escolas, enfim, para todo lugar onde existe mulher no Brasil. Mas o que pode ser feito agora? Informar a existência do Parto do Príncipio, do Gama, das Casas de Parto, da Anep Brasil, da Rehuna é MUITO POUCO. E, detalhe, essa informação precisa de código pra ser espalhada pela blogosfera materna. Todas, juntas, precisamos urgente se unir para criar APIs da saúde da maternidade. Sem valorizar e divulgar essas guerreiras não vamos sair do lugar comum. Precisamos dar força pra quem já entendeu a luta. E nós, blogueiras (ou não), que já parimos com faca, anestesiadas e costura fazemos parte disso?
Muito. Eu não tenho dúvida de que são as guerreiras da saúde, doulas, parteiras e mulheres da educação pré-natal que vão revolucionar o nascimento no Brasil, mas elas precisam de nós para mudar o sistema de saúde. Temos filhas e filhos, que precisarão entender a importância do nascer. E somos nós quem ensinamos, e vivemos, essas coisas dentro de casa. E, eu não sei sobre você, mas pra mim, informação só não basta para conscientização. É preciso troca, encontros, conversas, experiências. É, por isso, que acredito que existe um papel crucial para as blogueiras maternas que fazem diferente. Só nós podemos pensar alto e conversar sobre a maternidade em busca da nossa própria consciência. E aí podemos contar contigo para essa roda de conversa em 2011?












