• Feed RSS
Um dos  aprendizados que o Manifesto vem me trazendo bem devagarinho é olhar um pouquinho mais de perto o danadinho do preconceito. Quais deles? OS MEUS preconceitos pessoais que contribuem para o difícil e árduo processo de juntar mulheres. Sim, eu tenho certeza absoluta de que fomos "feitas" pra ficar bastante desunidas.

Afinal, mulher não gosta de falar do fato de se tornar mulher. Pelo menos, não de forma consciente e intencional. É muito comum ouvir das mulheres que o tema é irritante. A própria Beauvoir já disse isso: o tema é irritante, principalmente para as mulheres. E até hoje ele continua asqueroso para muitas mulheres. Tenho uma amiga que tem horror a rodas, clubes ou grupos femininos...e detalhe, todas preferem justificar esse horror ao bom e velho discurso ideológico sobre o feminismo de que "eu gosto é de homem". 

OK. Eu também AMO homem, principalmente, meu marido. Não consigo dormir longe dele nem mesmo quando estamos de bode um do outro. Mas eu reconheço nessas rodas a importância de me tornar mulher e, hoje, a importância de me tornar mãe. Sem elas não aprendo a construir aquilo que quero, ou melhor me perco ainda no que quero agora e amanhã.

Mas mesmo apaixonada por rodas, luluzinhas e clubes, tenho cá meus vestígios do asco pelo tema. E tenho cobrado de mim um mergulho profundo nesses preconceitos. Ainda estou bem longe de ter noção de quantos deles estão fincados nas minhas raízes, mas já começo a sentir a força de um deles. Eu adotei um dos piores para orientar minha vida: "mulher chefa é ruim".

Como tive muitas chefas excelentes e extremamente competentes no exercício da profissão, eu usava essa frase preconceituosa para justificar os conflitos, os problemas e por aí vai...Vocês sabem muito bem o QUÃO ENORME e INTENSO são as frases que compõem o preconceito feminino para ascensão profissional.

Hoje estou tendo a chance de avaliar as relações de poder entre chefes e subordinados, e descobrindo devagarinho como sempre estive mais propensa a ser subordinada por homens do que por mulheres. Isso afeta não só a relação de poder, mas principalmente sua própria visão de poder. Ou seja, sua relação profissional consigo mesmo. Essa é uma das minhas feridas que aprendo a reconhecer bem devarinho...agora. E a sua: qual é teu preconceito feminino?


E, portanto, pela liberdade de sentir. De seguir os instintos. De viver em plenitude emoções e sentimentos totalmente femininos. Pois negá-los, seria abrir mão daquilo que faz da mulher, um ser único.
Manifestamos pelo direito de cada mulher escolher o papel que melhor lhe cabe no momento. Sem se sentir pressionada, desmerecida ou julgada pelo que decidiu não ser.
Assine nosso manifesto: www.grupocria.com.br



PS1: Manda seu link pra cá e, em breve, a gente monta uma roda de conversa lá no Cria pra colocar este tema do preconceito feminno no Manifesto, ok?
PS: Se você identificou com uma frase do manifesto e gostaria de falar mais no seu blog, crie seu próprio rodapé pra gente ir formando uma agenda de rodas de conversa.
Falta pouco pra gente atingir a meta de ter 1 mil cidadãos unidos pela valorização da maternidade. A maioria dessas 700 pessoas conscientes é mãe. Confira você mesmo aqui. A gente resolveu comemorar, agradecer: obrigada, obrigada e obrigada. Mas é pouco. Precisamos de mais, muito mais!

O Manifesto ainda precisa ser lido por centenas de pessoas. Até porque temos consciêncida de que somente PARTE das centenas terão a iniciativa de assiná-lo. Não é qualquer pessoa que se dispõe a fazer diferente, a colaborar e, detalhe, não é qualquer pessoa que acredita em manifestos, que reconhecem que manifestos ainda são um instrumento crucial para mudança social. Você, que já assinou o manifesto, sabe disso.

Muita gente já perdeu a fé em si mesmo há um tempão. E manifestar junto exige crença, paixão, utopia e garra. Só sonhadores mudam o mundo, mesmo que a mudança não seja pra eles. Eu quero um mundo melhor pra amanhã, mesmo que eu não esteja aqui em carne e osso. Se você também quer fazer parte da construção do mundo de amanhã, vamos começar dentro de casa? Então, assine nosso manifesto. É o meio de mostrarmos que estamos juntos pela valorização da maternidade consciente.

Precisamos da sua insistência, colocando o selo no seu blog (o código tá com problema now, desculpe! mas assim que ele estiver do ladinho desse blog é porque já consertamos a falha) e falando pra amiga da amiga sobre o manifesto. Não tem jeito. É de gotinha em gotinha.

Aqui, na blogosfera, a gente resolveu criar outra maneira pra manter o Manifesto vivo. Como? Falando dele entre blogs. Pra participar, você só precisa se manifestar, dando a sua opinião. Como? Blogando. Mas blogar, pra mim, vai além de pensar alto dentro do seu blog, envolve também usar o recurso mais colaborativo da face da terra: o HIPERLINK certo no lugar certo.

Nossa ideia é desfazer o que foi feito no manifesto, é desconstruir, é fragmentar tudo aquilo, que demorou meses de conversas entre eu, Ana, Tais, Sueli e Renata e resultou naquele texto tão mãe. A Tais foi quem resumiu toda nossa roda de conversa no Manifesto e cada parágrafo foi pensado no que era comum entre nós. Agora é hora de voltar atrás. Ou seja, voltar pra roda de conversas com todas que já se identificaram com Grupo Cria. É hora de colocar o pedacinho seu na criação do grupo.

O Manifesto nos liga, mas ele só viverá se tiver aquilo que não nos liga, aquilo que nos é peculiar, aquilo que é só nosso. Ou seja, você!!! Ops, sorry, seu post (risos!!!).

É por isso que a gente começa devagarinho a desmembrar o Manifesto com suas frases. A primeira frase que abre a roda de conversas entre blogs será AMAMENTAÇÃO. A ideia não é refazer o que já foi feito, nem gerar páginas e páginas de posts de blogs. NÃOOOOOOOO!!!! A gente não passou horas sem dormir pra brincar de fazer números.

Queremos CRIAR mesmo um debate que dê vida ao manifesto não só agora, mas pra sempre. É por isso que INSISTO pela inserção dos rodapés nos posts de amamentação para que a conversa avance e permita que novas mães tenham a possibilidade de acompanhar a trajetória do que já rolou na blogosfera materna. Pegue o seu post que você mais se identifica sobre Amamentação e coloca na roda. Pra colocar na roda, basta inserir o código do rodapé.

Dúvidas: gritam!!! Comentários servem mesmo pra isso.

Anote!!!! (http://www.grupocria.com.br/index.php/2010/08/maes-pela-amamentacao/)
Essa será a URL do diretório dos melhores posts de amamentação do Grupo Cria. Soa utópico, mas essa é a intenção.
Toda vez que me revolto demais com a realidade, tento respirar fundo...( nem sempre consigo). Tento contar até 1 mil (risos!), tento dormir pelo menos uma noite (insônia) e tento me colocar no lugar do outro. Foi assim que conclui o seguinte: O OUTRO não me conhece nem tem a mínima idéia de quem eu sou. E o pior de tudo, o OUTRO sempre ouve o mesmo discurso sobre mim: "mãe não tem tempo para ler com filho" ou " a culpa é dos pais que não ensinam seus filhos a...." ou "os pais não têm interesse pela cultura..... por isso, nós...." e por aí vai.

O Outro em questão é o evento cultural realizado em São Paulo nesta semana láaaaaaaaaaaaa no Anhembi. Talvez pelo OUTRO ser tão parecido com os outros (que não me conhecem nem fazem parte da minha realidade) é que a Bienal do Livro não promove descontos em livros infantis ou juvenis para quem é "só" Mãe ou Pai. Só tem desconto na Bienal do Livro quem é professor.

Lá, na Bienal do Livro, o preço dos livros infantis para quem é mãe (ou pai) é o mesmo da livraria do shopping: acima de 20 reais ( pelo menos, esse foi o preço daqueles que eu tinha o sonho de comprar para minha filha). Ou seja, promoção da leitura pelo bolso só mesmo para o público específico. Mas eu entendo o OUTRO quando diz que...
a culpa é nossa...
Ué, porquê é nossa culpa de novo? 
Simples: quem de nós reclama dessa situação? 

Por outro lado, apesar do OUTRO definir seu público de leitores, NÓS, mães e pais ( mesmo aqueles que não fizeram pedagogia na universidade) invadem sem culpa a Bienal do Livro. YES!!! E muitos de nós resolvem levar filhos, amigos dos filhos, sobrinhos, carrinhos e água mineral. Sim, nós estamos lá!!!
Perdidas, (é verdade), em busca de uma programação adequada para nossos filhos..., mas (de novo) a programação da Bienal do Livro parece ser feita só para as escolas. Talvez, o OUTRO ouça apenas aquele velho discurso de que crianças, coitadinhas, só lêem na escola porque os pais não têm interesse pela educação dos filhos nem tempo para compartilhar uma leitura familiar... É por isso que a gente precisa gritar mais alto para mudar o que o OUTRO e os outros ouvem sobre nós. É preciso blogar, tuitar, manifestar e gritar em coro: BIENAL DO LIVRO É COISA DE MÃE!

Eu recomendo que você continue invadindo a Bienal do Livro. É longe pra chegar e não há descontos para os livros infantis, mas vale a pena pra gente conhecer o que tem de novo e de velho nos estandes das editoras. Eu não pude comprar nada. Tudo estava muito caro para meu bolso, mas canetei tudo que valia a pena colocar numa listinha de desejos de consumo. Meu maior desejo foi o livro Princesas Esquecidas ou Desconhecidas ( R$ 60,00), na Salamandra. 

Também passei horas sonhando com os velhos livros da Cia. das Letrinhas, que vende a coleção do Érico Veríssimo, entre outros. O Monteiro Lobato continua na Editora Globo, que neste ano não deu sacolinha nem criou a promoção leve dois e ganhe três (snifff). O que valia a pena? O Saci custava quase 15 reais. Ziraldo e Cocoricó estão no estande da Melhoramentos. Gostei muito de uma editora que não conhecia: Solisluna e lógico que fiquei horas lendo e escolhendo os livros importados da Brinque-Book, mas os preços tiraram todos os escolhidos a dedo da minha mochila, que voltou quase vazia para casa. Detalhe: achei um monte de gente brasileira com livro legal na Brinque-Book, o que me deixou com orgulho danado de ser brasileira.

Acho que é isso!
Ops, não posso esquecer da última dica. No ano passado, eu aprendi que a Bienal do Livro não é o lugar ideal para criança que ainda não lê. Soa até negativo para as mães sedentas por oferecer cultura aos bebês, mas considero coerente esse filtro do OUTRO. Eu já fui doente pela vitrine cultural quando a Malu ainda mamava no peito e só precisava de carinho. Corria atrás de música, teatro, livrinhos para bebês, enfim, essa parafernália toda de cultura para bebês/crianças. Tanto que levei a Malu na Bienal do Livro no ano passado. Hoje acho que faria diferente e ando buscando um caminho menos exagerado aqui em casa. Exemplos???

Eu fui para Bienal sozinha neste ano, mas quando a Malu estiver lendo: ela será minha principal companhia. Pode ser até que ela vá em bando com a turminha da escola, mas jamais isso substituirá nosso passeio juntas ao evento. Afinal, eu acredito: BIENAL DO LIVRO É COISA DE MÃE PRA FILHO. Mas eu não concordo muito que filho deva se comportar como um poderoso consumidor. Como assim?

É normal ouvir nos corredores da Bienal do Livro: o que você quer, filho? Acho que nós, MÃES, precisamos fazer o filtro das escolhas. Há muitos livros, a avalanche da oferta é muito pesada para nossos filhos. Eles merecem, no mínimo, que a gente se informe o suficiente para saber o que é adequado para idade dele, o que tem qualidade de conteúdo, os temas discutidos em cada livro. Só depois desse filtro adulto materno e paterno, acho que é hora de deixar seu filho decidir qual daqueles livros selecionados por você será colocado na mochilinha deles. É lógico que não estou me referindo aos filhos pré-adolescentes, mas às crianças que já lêem ( 5-7 a 8-10 anos). Mas como se informar sobre este mundo???

Pois é, essa pergunta só terá resposta quando os OUTROS descobrirem quem somos, o que fazemos dentro de casa e o que queremos para o futuro dos nossos filhos. Ou seja, é hora de berrar!!! Comece pelo teu blog, quem sabe alguém não ouve outro discurso diferente daquele velho que nos culpa por tudo!
Sempre fico com a sensação de que, DE NOVO, eu deixei de contribuir na hora certa com o tema da semana. Penso que, talvez, uma das razões seja a tal pergunta que martela na minha cabeça agora: mas como posso contribuir com este movimento? Participar da blogagem coletiva de novo? Pra falar o quê?

Eu sei. Você tem razão!!! No mínimo devo retomar o que passou. Então, lá vou eu...No começo deste ano, eu descobri outra maternidade que exigiu ainda mais de mim mesma e, consequentemente, também me trouxe muito mais daquilo que fui buscar. Uma das surpresas que tive foi encontrar o post da Tais, do Ombudsmãe, que escreve divinamente o seguinte Amamentar não é um ato de amor. Naquela época, eu lia Badinter o que me fez ler Tais com novos questionamentos: Será que sou uma boa mãe?
E como é importante resgatar, voltar, pesquisar seus rastros de pensar alto na web. Encontro Sandra que traz um aprendizado muito importante dito a ela por um médico: “a amamentação é um círculo apenas, que está dentro de algo muito maior que é a maternidade”. Gostei, UM CICLO. E acrescento: um ciclo que sempre recomeça.

Eu amamentei! Em 2005. Foi um ciclo de pura emoção. Não tenho registros agora do que aconteceu de lá até 2008. Mas sei que em 2008 entrei no novo ciclo. Naquela época, ainda era mais blogueira que mãe. Estava rodeada pelo fenômeno da profssionalização dos blogs e vivia minha metamorfose pessoal de jornalista para blogueira. Foi assim que achei Amigas do Parto e publiquei essa entrevista com Adriana Nogueira, também fizemos blogagem coletiva, indicamos muita gente do Orkut  e relatos pessoais.

Naquela época, o bombardeio de informações da Semana Mundial de Amamentação fazia nos questionar sobre as mães que não estavam inclusas nessa prática. Foi assim que surgiu o post Não conseguiu amamentar, leia o blog da Sam. A Samantha era uma das mães que fazia parte do Desabafo de Mãe e escreveu o post indicado a Divinização ao leite Materno. Também tivemos a honra de ter um relato aqui escrito por Rodolfo Sikora, um dos programadores que nos ajudou na trajetória tecnológica do site Desabafo de Mãe, que de novo está fora do ar.

Se por aqui a inclusão começava, lá nos Estados Unidos, Sueli trouxe para nosso universo: outro preconceito: Proibido amamentar em museu, o que gerou troca entre eu e ela no post Tem vergonha de amamentar seu filho em lugares públicos? . Foi ela também que fez o relato da Semana da Amamentação daquele ano, trazendo a experiência de uma mãe brasileira que vive no exterior.

Eu não sei muito bem como surgiu o novo ciclo da amamentação que vivo agora. Mas não tenho dúvida que hoje amamentar, pra mim, não é um ato de amor, mas é extremamente necessário. E pra começar esse novo ciclo, eu resolvi buscar Rousseau – um dos pais da amamentação – que se tornou um dos responsáveis pela confusão que se faz entre amar e amamentar: “Quando o lar não passa de uma triste solidão, é preciso divertir-se em outro lugar. Mas, se as mães dignarem a amamentar seus filhos, os costumes reforma-se-ão por si mesmos, e os sentimentos da natureza despertarão em todos os corações”

Pra fechar, convido a todas as blogueiras mães a escreverem seu ciclo de amamentação, principalmente, aquelas que já deixaram de amamentar e já relataram sobre sua vivência de amamentação. Talvez seja a sua hora de resgatar o que passou pra você sobre a amamentação e o que resta agora. Àquelas que aceitarem o convite, peço encarecidamente que inclua a frase abaixo do nosso manifesto no rodapé do seu post dando mais vida e força a ele. Segue o exemplo:

Mãenifesto pela amamentação:

Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.

Assine nosso Manifesto: http://www.grupocria.com.br/

Ações offline: Pati Merlin

Outras Mães do Cria:
Leite Materno vs Fórmula Infantil: sem combate