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Completei 36 anos neste mês e, pra variar, acho que vivo o melhor momento da minha vida. Engana-se quem acha que atingi meu pico profissional (ele já passou), muito menos que estou viciada pela euforia da maternidade (a filhota já tem cinco anos). Definitivamente, agora, não vivo uma fase de picos. Se você vive a paixão pelo trabalho, pelo blog ou pelo filho sabe bem do que já passou por aqui...

Não digo que estou mais calma que uma eufórica apaixonada. Não...Continuo maluca, como dizem meus amigos (risos!). Adoraria afirmar que agora estou mais consciente. Mas, arghhhhhhh, ainda não tenho essa segurança toda. É bem um meio-termo, saca?

Sigo o ciclo da profissão com olhar tão diferente que ás vezes me assusta. Diria que nesta seara, meu principal desejo é a liberdade. Detalhe: não existe liberdade sem conhecimento. Pelo menos, eu acredito nisso. Então, cada dia que passa me aproximo mais de universidades, cursos, grupos, livros e, principalmente, PESSOAS. Sim, eu acredito que elas (pessoas) ainda são a principal fonte para a liberdade.

Mas o que isso tem a ver com a tal Lista de Prioridades???
Minha busca pelo autoconhecimento cada vez mais coloca pessoas em minha vida que faz eu questionar sobre as tais prioridades. Eu não sabia que elas existiam ainda. É verdade. Pode soar estranho, mas eu fui treinada desde o meu primeiro emprego como repórter a acreditar que tudo é prioridade. nasci como reporter na época que a internet batia nas portas das redações e a gente tinha que ser tudo e fazer tudo (internet, papel, papel e internet). na minha vivência profissional fui feita pra não enxergar prioridades, entende? Resultado: fui feita pra assumir o inatingível e fiquei cega para aquilo que é possível.

Desde então agi como se tudo fosse prioridade: ser mãe, mulher, perfeita, profissa e haja capa de revista pra dizer o que significa esse tudo. Hoje, muito mais livre que no passado, consigo re-aprender que existe prioridades. Uma delas (das prioridades) pode ser o fato de assumir a maternidade. E quando você determina uma prioridade, você também descartou zilhões de coisas que nunca serão feitas. Hummmmmmm, então, se minha prioridade é ser mãe, quais os zilhões de coisas que descarto ser...Lá vem o trabalho gritando na ponta da língua, né?



Eu também senti na pele que se sou mãe não consigo ser profissional. Tem muita verdade nisso, mas também tem muita construção nessa verdade. Já se perguntou o porquê existe tal divergência??? Tempo, tempo, tempo...TEMPO. Não há dúvida de que as prioridades são necessárias porque o tempo é escasso e, detalhe, tem fim. Não existe 30 horas no dia nem vida eterna. Mas há também razões históricas para tal dicotomia. Uma delas é a própria luta do feminismo, que já chegou a brigar com a maternidade porque ela seria o motivo da dominação dos sexos.

Conhecer mais tal historinha das mulheres me ajudou a reconhecer que preciso fazer escolhas, mas também é possível existir lista de prioridades. A primeira ou a terceira pode ser mãe, enquanto a quinquagéssima ou a primeira pode ser trabalho. Isso determina um pouco o seu jeito de viver...E organiza pacas as tarefas da vida. Eu não vou confessar assim , em público, qual é a minha primeira prioridade...Ainda sou uma menina-moça envergonhada, apesar de estar tão próxima aos 40. Mas posso lhe adiantar que consegui descer a minha mala do guarda-roupa onde eu guardava as velhas calças de antes da gravidez. Ufa!
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A Ceila me perguntou recentemente: “ você se sente mais paciente com Arthur por já ter passado por tudo isso (terríveis dois anos, choros) com Tomás?” Minha resposta para ela: Não! O fato de ter tido um filho não facilita em nada a chegada do segundo, principalmente se a diferença de idade entre eles é grande. Tomás e Arthur têm três anos de diferença, ou seja, quando tive o Arthur, tive que fazer um esforço danado para lembrar de tudo… Tinha esquecido que o peito dói quando está cheio de leite, que bebê REALMENTE acorda a cada duas ou três horas e que, sim, eles vão começar a andar e, ao mesmo tempo te deixar louca de preocupação.

Arthur não fala ainda, ou seja, chora o tempo todo frustrado por não conseguir se comunicar. Tomás foi o primeiro filho, então, com tempo, tive a oportunidade de ensinar a linguagem de sinais. O mesmo não foi possível com o Arthur que, mais ou menos, precisa seguir a rotina do Tomás. Não sobra muito tempo para ele. Primeiro filho tem a vantagem do tempo, da paciência. Li muito mais sobre bebês na época do Tomás, por isso, quando engravidei do segundo, desencanei das leituras por achar que JÁ sabia. Mas me enganei…. Lógico que me cobro e me culpo demais por não oferecer ao Arthur o mesmo que ofereci ao Tomás, mas não é possível.

Além disso, devemos considerar a personalidade. Meus dois filhos são do signo de Escorpião, mas com personalidades TOTALMENTE diferentes. Tomás é supercarinhoso, gosta de abraçar, beijar, falar “eu te amo” e ficar pertinho; Arthur é na dele, rebelde, independente e aventureiro. Ter tido um primeiro filho definitivamente não facilita a chegada do segundo. São personalidades diferentes, desafios diferentes…
Uma coisa adianto… melhor ter enquanto você tem disposição para correr, aguentar choro, mais choro e mais choro… A minha já está no fim. Por isso, mesmo com o maridão querendo tentar a “menina”, a resposta é não… Eu amo meus meninos e todo a minha paciência, o restinho que falta, vai para eles…
Ouça abaixo o que rolou na CBN na semana passada:


Alexandre Garcia não está sozinho. Ele representa uma boa parcela de senhores de cabelos brancos assim como ele, além de tantas outras mulheres e homens que consideram uma bobagem o parto humanizado.

Soa tão absurdo para mães conscientes que lutam pelo processo mais natural possível do nascimento, um formador de opinião ser tão "desinformado". Ou, seria tão...preconceituoso??? Ou, talvez, simplesmente um cidadão comum que acredita naquilo que vê e considera o parto humanizado coisa de mulher fora da realidade ( pra não dizer o que realmente a maioria pensa de mães conscientes). Eu acho que existem muitos alexandresgarcias espalhados não só pela elite da qual o jornalista faz parte, mas também pela classe média e pobre do nosso Brazilsão. E porque essas pessoas ainda pensam assim?

Motivos não faltam. Correria/Money, Praticidade/Comodidade e Nova Tecnologias/Evolução podem ser parte das razões que fazem alexandresgarcias multiplicarem na nossa sociedade. O jeito que a maioria leva a vida não condiz com os princípios naturais do parto. É preciso buscar equilíbrio entre tais princípios para que os alexandresgarcias tenham condições de entender o que é um parto humanizado. Sem isso, não adianta tentar informar tal parcela da sociedade. Eles nunca conseguirão ouvir o que estamos dizendo, simplesmente porque a gente não ouve aquilo que não entende. Tenho pena dos alexandresgarcias, mas imagino que eles cultivam o mesmo sentimento por mim.

Eu acredito, entretanto, que há algo que faça alexandresgarcias ouvirem até mesmo aquilo que não entende. Como? Esqueceu que na nossa aldeia global, a chave do nosso tempo são as massas? O dia em que as mães sairem dos seus guetos isolados para darem as mãos, nossa voz terá sentido. Enquanto as mães conscientes que lutam pelo parto natural continuarem falando entre guetos continuarão sendo guetos. E gueto tem sua própria língua, logo, pode ser incompreensível para os demais guetos da mesma tribo. Ou seja, juntar guetos implica fazer guerra pela paz. SIMMMMM, ninguém chega a paz sem luta.

Eu ando com saco cheio das pessoas que interpretam a cultura da paz com atitudes de acomodação para "respeitar" as diferenças. É raro encontrar pessoas que têm consciência de que se somos diferentes vamos ter conflitos, portanto, vamos discutir, brigar assim como quem discute futebol. É preciso paixão para entender que discutir não é coisa do mal, mas é o meio necessário para atingir o bem comum. Tenho a sensação de que guetos preferem respeitar as diferenças e não entrar em conflito para viver em paz. Espero que eu esteja errada!!!

E nois aqui: o que vamos fazer diante da bobagem do Alexandre Garcia??? Propor conversa, diálogo entre eu e você, topa? Não somos blogueiras por acaso. Adoramos papear sobre a maternidade e acreditamos na força dessa conversa. E a pergunta da semana é: o que você acha do parto humanizado?
Eu vou ser chata e espero vencer sua resistência pelo cansaço. Você precisa me ouvir: é muito sério!!! Por que você acha que não tem capacidade de falar de publicidade infantil? Você tem TV em casa, certo? Tem filho em casa, certo? Adora ver sua novela das oito, certo? E não sabe o que fazer quando sua filha questiona você com os mesmos argumentos da propaganda, certo? Ei, ACORDE, se você que é culpada por tudo de errado que as crianças são de exemplo hoje, porque raios você não pode escrever no seu blog sobre Publicidade Infantil?

Eu já cheguei a ouvir de certos publicitários que nos dias de hoje, os pais estão tão reféns que quem escolhe o carro da família são os bebês autoritários. Sim, eles dizem em cima do palco que nós ( eu e você) criamos os monstrinhos do consumismo e, se nossos filhos são quem decide o consumo da família, eles podem ver tudo na TV para analisar o que seus pais vão comprar pra ele, certo? Entende, agora, porque você precisa sair da sua zona de conforto?

Quer outra que já ouvi em cima do palco? Lá vai: É uma questão de geração. As crianças não são tão inocentes assim como quem defende o fim da publicidade infantil aponta que são. Sorry! Eu não concordo! E preciso de você para fazer coro contrário a esses discursos generalistas. Caracas, a maioria dos pais que conheço não está criando monstrinho do consumo nem pequenos adultos. E mesmo que a "gente" faça das nossas crianças pequenos adultos, infância é infância pra sempre e precisa de proteção.


Eu também demorei a acreditar que eu podia falar sobre Publicidade Infantil. Não foi fácil meter o pitaco em algo que pode virar lei e que "não tem nada a ver com aquilo que eu entendo". Afinal, publicidade é coisa pra publicitário e quem tá lutando pelo fim da publicidade eu nem sei a quais interesses estão defendendo. Melhor ficar quieta. Até penso que propaganda gera consumo desnecessário, mas proibir pode ser um exagero, não?

Mas pensar alto (blogar) faz a gente refletir e ouvir a nós mesmas, faz a gente buscar mais gente pra falar daquilo que não entende. Foi assim que consegui ter possibilidade de escolha e decidir o que penso e o que eu quero sobre Publicidade Infantil. Mas isso não me trouxe paz. Pelo contrário: pensar junto faz você pensar além e minha principal dúvida sem resposta foi: Como orientar minha filha diante da publicidade na TV? Dizer que aquilo é mentirinha ou discursar sobre a propaganda é algo que minha filha entende? Convido duas mães pra começar essa conversa: Lu Ivanike e Carol Garcia.

As oito mães que resolveram sair das cascas e conversarem sobre tema até chegou a tratar do tópico acima na roda de conversas como você pode perceber na leitura da segundo compilado, publicado no Futuro do Presente, cujo título é O risco da proibição e a capacidade da sociedade se tornar imune. Mas ainda dá pra falar muito das experiências pessoais dentro de casa. Nesse tópico, a gente pensou em impactos do fim da publicidade no sentido de criar uma sociedade alienada com a proibição da propaganda. Não conseguimos aprofundar muito, mas ficou claro a importância de cada um de nós ( pais, publicitários, produtores culturais e governo) assumirmos nossas responsabilidades. E quais são as responsabilidades dos pais diante do excesso de informação e da convergência das mídias? Eu convido duas jornalistas para essa missão: Christianne Alcantara e Roberta Manreza.

Você também pode escrever um post sobre tema mesmo que seja para expor suas milhares de dúvidas. A ideia é usar o blog pra conversar e difundir as questões relacionadas à Publicidade Infantil à nossa rede materna para que no futuro nós tenhamos certeza absoluta de que o tema tem tudo a ver conosco e precisamos meter o pitaco nessa decisão política que afeta principalmente a minha e a sua vida.
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Parou pra pensar o quanto você e eu buscamos sentido na vida? Pense um pouco: tem alguma ação ou reação na vida que não lhe faça pensar o porquê aquilo aconteceu. Quando a gente não entende bem uma coisa, a primeira dúvida é: mas por que raios isso aconteceu comigo?

Razão, razão e razão. Precisamos racionalizar tudo. Até mesmo a morte! E..., no nosso caso, haja razão pra ser mãe, né. A gente fica doidinha em busca de respostas para conseguir resolver certos desafios como o choro do bebê ou a hora do sono. Enquanto a maternidade não vem, a gente fica buscando sentido pra ela, definindo exatamente quando e porquê queremos, ou não, ter filhos.


É tão louco essa busca pelo sentido que a bichinha faz parte até de teorias. YES!! Conceito, coisa que algum humano observou, formatou, inventou (talvez), constatou e todo mundo aprovou. Uma delas ensina que a comunicação tem como missão transmitir mensagens. E o que são mensagens? Algo que faça sentido pra mim e pra você. Ou seja, algo que faça sentido pra maioria. É por isso que a mídia foi classificada como o QUARTO PODER. Ela dá sentido a coisas. Mas tal teoria ALERTA  e ensina que as mensagens não são recebidas da mesma maneira. Porquê?

A teoria explica as diversas razões e não é casod e trazê-las aqui. Mas eu acabo de ler um livrinho (nada a ver com teorias) que me deu a certeza de que uma das razões da mensagem da mídia não ser percebida sempre da mesma maneira por todos é de que as coisas nem sempre tem sentido. O quê??? Uma vida sem sentido???

É, eu sei, soa estranho. Mas esse livrinho (se preferir comprá-lo, custa 30 reais nas lojas e 11 reais em sebos) deu sentido, pra mim, a certas coisas que não tinham sentido na minha percepção de mundo. Exemplo? Porquê coisas ruins acontecem às pessoas boas? Qual é a razão de os miseráveis morrerem numa enchente ou das centenas que morrreram num acidente de avião ou de um filho nascer com alguma deficiência? São justamente dessas coisas sem sentido que o tal livro discute tão bem sob a perspectiva religiosa.


Eu confesso que sempre sofri muito com minha escolha religiosa. Nasci mineira católica apostólica romana numa cidadezinha do interior, vesti de anjinho pra coroar Nossa Senhora na procissão e sofria horrores quando a hóstia grudava no céu da língua. Mas cresci e não podia ser tão ingênua a ponto de acreditar num Deus que julga, que impõe o sofrimento como mérito para conseguir viver ao lado do papai do céu e que pune aquele que desobedece...Então, sempre tive dificuldade de assumir em o que, afinal, eu acredito e em qual grupo religioso me encaixava. Adoro rituais, sinto uma energia misteriosa e acredito muito no poder da união de pessoas, coletivos, redes, grupos, comunidades... Eu acredito, mas em o quê?

O livro Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas, escrito pelo rabino Harold S. Kushner, mostrou um Deus nada juiz e muito menos onipotente. É um Deus que nos deu a liberdade de fazer escolhas num universo não-racional. Ou seja, mesmo que eu faça a escolha certa, o resultado dela é imprevisível. Não há garantias. E, por isso mesmo, não há culpados. ATENÇÃO: nem sempre há culpados. Nem sempre você merece passar por isso ou aquilo. Você pode ter agido certo, mas tudo deu errado.

Numa vida sem sentido é muito mais complicado viver porque não há razão para ensinar ao seu filho o caminho certo. Afinal, mesmo que você determine este caminho como o ideal não há garantias de que ele o seguirá. E, detalhe, se você for a imagem e semelhança de Deus e dar a liberdade de escolha ao seu filho, corre o risco dele escolher o caminho errado. E aí???

O que fará diante da escolha errada do seu filho? Dará seu amor em troca do erro, sua compaixão pela consequência sofrida, ou não? Há algo a mais que você pode fazer por ele?

Resumo da ópera: o livro teológico de Kushner pode ajudar, e muito, na culpa materna. Eu o indico às mamães culpadas e áquelas que ainda não se decidiram em o que acreditar... Boa leitura!