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Meu filho Tomás sempre foi, e ainda é, uma criança que dorme pouco, chora muito e quer atenção o tempo todo. Quando tinha um, dois anos… dava um trabalhão. Chorava o tempo todo. E as mamães que viam o meu desespero me alertavam: quando crescer melhora, você vai ver. Na época, lógico, não acreditei.

Ele cresceu e hoje, com quatro anos, me descubro ainda mais apaixonada por ele. Tão carinhoso, tão companheiro. Conversa o dia todo, entende cada vez mais o certo e errado e está disposto a aprender tudo. Ainda apronta e muito, mas agora é diferente. Um não é um não. É possível negociar, conversar.

Toda noite, antes de dormir, a gente entra na tenda secreta (debaixo dos cobertores) e fala um para o outro tudo o que gostou e não gostou do dia, inclusive se eu não gostei de alguma atitude dele e vice e versa. O objetivo é tentar agir melhor no dia seguinte. Tem funcionado.

Se alguma mamãe ainda se desespera, repito aqui o que escutei há dois anos: com o tempo melhora e muito. Quando meu filho caçula, que tem 18 meses, está me deixando louca com seus gritos e choros. Penso: vai melhorar. E olha que o Arthur é mil vezes mais danado que o Tomás. Gosta de bater e, agora, não sei onde aprendeu, começou também a cuspir. Repito. Ele tem 18 meses. Minha paciência está no limite com o pequeno. Mas sigo em frente, mais dois anos e eu estarei me (re)apaixonando pelo Arthur da mesma forma como me reapaixonei pelo Tomás. Haja amor e paciência…
Eu já tive resistência de dizer: Vamos regulamentar agora! Queria ouvir todos os lados, compreender melhor o que estava em jogo e saber, enfim, quais eram os tais projetos. Eu ouvi os dois lados, compreendi os interesses, mas ainda não tenho a resposta de quantos e quais são os projetos de lei que estão em tramitação. Se alguma mãe já superou essa tarefa, please, mande seu post pra cá!

O principal passo de toda essa caminhada foi debate online que tive com nove mães, cujos compilados foram publicados em diferentes blogs. Entre eles, o Futuro do Presente que dividiu em três tópicos as nossas conversas baseadas nas nossas experiências de casa e percepções de mundo. Eu quero uma lei agora para proteger minha filha da subjetividade imposta pela TV. Mas quero ter o direito de saber que lei é essa.

Não sou contra a publicidade nem a produção industrial. Confesso que me incomoda o acúmulo dos lucros, a busca incessante pelas margens de receita e a frenética doença da eficiência pela exploração humana. Eu não sou a favor deste capitalismo selvagem, mas isso é outra história. O que considero importante esclarecer aqui é sou a favor da indústria. Mas questiono os abusos empresariais, principalmente, quando eles afetam a minha família.

No debate que tivemos, Publicidade infantil: proibir ou não? Minha resposta é PROIBIR JÁ! Por outro lado, o debate me colocou diante de tantas outras perguntas sem resposta. Ainda não sei como caminhar sozinha quando questiono: como proteger a infância por meio da conscientização? Explico: a conclusão do grupo foi de que as crianças precisam ser orientadas sobre o que é propaganda
De quebra, boa parte das propagandas voltadas para crianças são mentirosas e desonestas. Nossos filhos devem e precisam saber: propaganda mente. É um jogo que não se trata do bonzinho e do maldoso, mas de interesses. Conscientizar as crianças já é algo proativo que nós pais podemos fazer independente de qualquer coisa: começar a ser mais enfáticos neste sentido com as crianças em casa.

Esse é meu dever como mãe, mas como orientar sem influenciar??? Será que a Malu tem capacidade de entender o real e imaginário? Eu acho que é muita política para uma cabecinha infantil. Ela não precisaria passar por esta descoberta agora. Nem eu entendo a complexidade que envolve essa tal publicidade infantil como posso transmitir algo a ela. Eu resolvi ser radical: desliguei a TV desde janeiro dentro de casa.

Mas eu sei que essa estratégia é paliativa e ela continua exposta à publicidade infantil. Talvez, agora, ainda mais porque é longe de casa. Eu concordo com especialistas de marketing de que "proibir deve ser proibido" somente nesta ação de proibir a TV, mas não no âmbito da lei. Se houvesse papel do Estado, não precisaria adotar essa política autoritária dentro de casa.

Calma! Eu adotei também a orientação dentro de casa. Antes de ser radical, a Malu ficava exposta a porcarias e DVDs infantis. Naquela epóca, minha estratégia era explicar que publicidade mentia. tivemos longas conversas sobre o tema...Até que percebi que falava pra mim mesma. E não sei se aquilo tudo tinha sentido para ela. Confesso: a ausência de ação do Governo está afetando minha vida pessoal de mãe...E a sua vida de mãe é afetada pela demora na regulamentação da publicidade infantil?
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Quase uma semana fértil. De fato, nada mudou. Mas, espiritualmente, me pego pensando em cachinhos, olhos verdes e num menininho. Não posso definir sexo. Ai meu Deus!!!! E se vier uma menina.
Hummm, não consigo ver a carinha dela, mas a chamaria Ana Clara.
Eu quero um menino. João Henrique. Ufa! Consegui expressar meu desejo...Ou aceitá-lo?

Coisa dificil é essa de gêneros e sexos. Ok. Eu sei. Tudo é humano. Mas, nem probabilidade de existir há e já começa essa guerra de sexos na minha cabeça de mãe. Ou seria na minha cabeça feminina. Acho que coisa de humano mesmo, né?! Cabeça de humano - sem gênero definido, né - que pensa: menina ou menino?

Eu resisto querer um menininho com medo de vir uma menininha. Não sei identificar se seria culpa de ser humana, ter desejo, vontades...Ou de ser criança que não sabe lidar com os desejos e as vontades. PS: verdade mesmo? não tô nem aí.

Confesso: no fundo não estou ligando muito para esse sentimento "se vier menina", o que vem me seduzindo é o fato de pensar no menino, de querer sentir o cheirinho, de querer me preparar para chegada dele e de realizar o sonho de parir naturalmente. De agora ser capaz de reconhecer a necessidade da cesárea quando ela for necessária. De começar a falar francamente sobre ela com obstetra, apontar o erro do passado, reconhecer o meu erro e me sentir pronta para uma nova tentativa. Eu quero parir!!!

Ainda não me vejo parindo. Não sinto ele normal, mas também não lembro da cesarea. Só prevejo a preparação. Sinto que estou ficando pronta e, o melhor, sinto meu marido cada vez mais completo. Ele está se construindo ao meu lado para sermos agora 100% criadores. Já conseguimos fazer essa diferença para Malu. Sem dúvida nenhuma, ela foi a grande fonte para nosso salto à maturidade. Mas ainda não chegamos lá.

Devagarinho...Com fortes mudanças, mas tudo gradativo. Agora, comecei a viajar: o menininho é desejo ou concepção? E aí tem coragem de opinar? Acredita na concepção antes da fertilização?
Você acredita que haja mães sensatas nos dias de hoje quando o tema é consumo infantil? Calma! Não responde ainda. Posso lhe revelar um segredo antes? Eu sou mãe e, quando era adolescente, faria tudo por uma calça de marca. E, detalhe: cheguei a sofrer pelo enxoval das revistas que nunca teria condições de adquirir quando estava grávida.

Já sei. Você não tem dúvida nenhuma de que sou uma consumista de carteirinha, né? E a minha filha, coitadinha, sabe mais sobre a Lilica & Ripilica do que um rato normal. Ou seria um gato? Eu entendo muito bem seu pensamento. Participei de alguns eventos voltados ao tema Consumo Infantil com lobbies contrários, mas senti que havia um discurso comum entre os especialistas sociais e os especialistas de marketing: os pais são sempre culpados por alguma distorção que resulta em crianças consumistas, mais alienadas e individualistas. A sensação é de que TUDO É CULPA NOSTRA.

Vale ressaltar, entretanto, que nenhum lobby tem Mães ou Pais "se defendendo" no palco ou participando do debate como um integrante da sociedade. Somos apenas OS CULPADOS, mas ninguém tem interesse de ouvir tais "assassinos". É, por isso, que me exalto ao falar sobre mim... Sorry! mas minha filha nunca teve uma boneca de R$ 100 e, MORRA DE INVEJA, caros especialistas, ela não pede as coisas no shopping. Você acredita?

Hahahahahahahahaha (risada de madrasta, lembra!) E agora? Responda-me, "sociedade": de quem é a culpa do consumo doentio?

Porquê tem que existir um culpado, né! Como se problemas sociais fossem resolvidos com soluções mágicas. Eu até acredito que é preciso de muita magia para começar uma revolução, mas a mágica está na colaboração entre os especialistas de marketing, os especialistas sociais, os representantes das mães, pais e, principalmente, os políticos e as produtoras de TV. Parece mesmo que pra juntar esse monte de gente só por milagre. Mas eu acredito em milagres.

Quer um sinal de que ele existe? Tem muita mãe sensata nos dias de hoje. Eu conheço "pessoalmente" umas 10. Elas estão aqui discutindo, debatendo, buscando alternativas para entender toda a complexidade que envolve ser cidadão. A Ana que acredita que o Futuro dos nossos filhos é Agora dividiu toda nossa conversa em mais dois tópicos, além do link acima: Risco da proibição e Futuro. A gente sabe que trocar ideias não basta, é preciso agir...Nós acreditamos que a ação começa dentro de casa, mas só isso não basta. É preciso também participar, ter voz ativa para deixarmos de ser OS CULPADOS e nos tornarmos MÃES E PAIS CONSCIENTES E CIDADÃOS. E aí topa fazer parte desta mudança? Então, comece agora questionando a si própria o quê você compra para seu filho: roupa, preço ou Lilica&Ripilica?

Leia Mais:
Mamãe, quero ser sexy!
Eu quero mais!!!
Recebi o comentário abaixo num dos posts, mas ainda não sou mãe de adolescente e por isso decidi postar aqui para que outras mamães possam ajudar nossa leitora anônima, que tem apenas 16 anos... Não sou mãe de adolescente, mas já fui uma e passei pelas mesmas coisas, de me sentir feia, perdida e infeliz. Mas tudo isso passa, apesar de parecer que não. Acho que você deveria conversar com seus pais, falar como se sente... tenho certeza que isso melhorará a relação de vocês. Coragem!

"Meu comentário não tem nada a ver com o artigo, é que pelo nome do blog senti que podia desabafar. Tenho 16 anos e me sinto muito feia, aliás, eu sou muito feia. Meu nariz é feio, meu corpo é feio. Tenho todos os defeitos que possam imaginar, uso óculos e são bem fortes e ainda por cima preciso usar aparelho nos dentes, vou virar a 'Betty a Feia' com a diferença é que eu nunca vou ser bonita, meus pais também são um problema. Eles não me deixam sair com minhas amigas... Agora estou no terceiro ano e nunca mais beijei ninguém, minhas 'amigas' me zoam por isso, elas são mais bonitas que eu e podem sair à vontade. Antes eu e minha amigas éramos mais unidas, mas elas começaram a sair e me deixaram de lado. Somos três, então as outras duas ficam falando sobre um monte de coisas e eu sempre sobro no recreio das aulas, fico sozinha na biblioteca da escola... Às vezes acho que minha vida não tem nenhum sentido...desculpa por usar esse espaço para falar, mas eu precisava e se puder me responder vou adorar..."
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Tenho recebido alguns comentários neste post, que escrevi já faz um tempinho. Algumas mamães estão preocupadas com o fato do filho gostar de boneca. Eu, particularmente, não vejo problema algum, mas entendo a angústia, já que esse mundo está cheio de certo e errado e tudo precisa de um rótulo...

Meu conselho é: respeitar, entender. São crianças e elas têm curiosidade, gostam de brincar de tudo e com tudo. Tomás, meu filho mais velho, gosta de cozinhar e de dar comida para os ursos. Arthur, meu caçula, que tem o mesmo signo do irmão, é completamente diferente, ele gosta de bola, carrinho. Não estou preocupada. Ele tem 4anos e convive comigo, mãe, o tempo todo!!!!! Eu sou sua influência no dia-a-dia.

Existem casos de crianças transexuais, que desde muito cedo já mostram vários sinais.
E os pais, acredito, precisam estar atentos para aprender mais sobre o filho, respeitar e aceitar. Nesses casos, eu acho que o amor de uma mãe, um pai vai além de uma opção sexual, de vida... Eu tenho isso muito claro dentro de mim. A opção sexual dos meus filhos não tem nada a ver com o pessoa que são ou serão e isso, para mim, é o que importa.

Como vocês encaram isso?