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Tá difícil controlar a ansiedade aqui em casa... Tomás já conhece o Mr. Bunny e por isso está contando as horas para procurar os ovos de chocolate pela casa! Domingo é o grande dia! Vai ser a primeira caça aos ovos do Arthur, vamos ver se ele vai conseguir garantir pelo menos um ovinho, porque o Tomás, quando se trata de chocolate, é mais rápido que um coelho...
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Dúvida cruel! Desde o começo do ano, estou mergulhada em informações sobre escolas e compartilhando minhas aflições com as professoras do Tomás a ponta de enlouquecê-las! Eu não sei mais o que fazer e estou - também - enlouquecendo, por isso peço a sábia opinião de vocês!

Desde que nos mudamos para os Estados Unidos, Tomás frequenta uma escola particular. Pouquíssimos alunos na sala de aula. Ele ama a escola, as professoras. Mas eu nem tanto... Primeiro porque acho que, socialmente, não oferece muito. A maioria das crianças tem nível social alto, portanto, acabam se integrando com pessoas do mesmo círculo social. Somos uma família de estrangeiros expatriados... nada a ver com tradição, família e a socialite que frequenta as famosas corridas de cavalo...

Em setembro, começa o novo ano letivo. Importante, porque vai ser alfabetizado. Mas ele é novinho, faz cinco anos só em novembro, ou seja, as crianças da classe já terão cinco ou seis anos. Emocionalmente, segundo as professoras, ele ainda não está preparado. É ai que surge a dúvida.

Visitei recentemente a escola pública que ele frequentaria - em NY, as crianças são direcionadas para a escola mais próxima da casa - e gostei muito. A escola tem muito a oferecer. No kindergarten, são 63 alunos, divididos em três salas. Cada sala com dois ou três professores. Caso o aluno não consiga acompanhar a turma, ele recebe aulas individuais até conseguir o mesmo desempenho. A escola também oferece aulas de esqui no inverno e cursos de verão. Tudo de graça.

A escola que ele frequenta hoje não é tão tradicional se comparada à escola pública. Lembra muito a metodologia montessoriana, as crianças usufruem de uma liberdade vigiada. A escola incentiva o raciocínio crítico, tomada de decisões e a formar cidadão confiantes. São, no máximo, 15 alunos na sala e uma professora. O Tomás adora. Ele se sente feliz e seguro lá, conhece as professoras, o ambiente... Mas nessa nova turma, restará apenas uma amiguinha da classe do prezinho que ele vai agora, os demais vão pra escola pública.

O outro porém é que mudamos demais de cidade, país... Se o transferimos para a escola pública e, daqui dois anos, mudamos de país novamente... Lá vai outra mudança. Por isso, penso em mantê-lo na escola atual. Mas se a gente deixa o Tomás lá e não muda de país e ele acaba numa escola pública daqui dois anos, vai ter que começar do zero a amizade com um grupo de estudantes que já se conhece desde o primeiro ano. Ele seria o estranho no ninho.

As professoras falam que para ele seria melhor uma classe menor. Escola pública é imensa, muitos estudantes. Mas conheço o Tomás, ele precisa de direção, orientação. Não pode ter tanta liberdade, porque é distraído demais (como a mãe kkkk). A escola pública, com seu ensino tradicional, oferece isso, mas a particular não...

O que fazer? SOCORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PS. Gostei muito da escola católica, mas os meninos precisam usar calça, sapato social e gravata!!!!!!!!!!! Tomás tem 4 anos, não vou forçá-lo a usar gravata e sapato social desde agora. Criança precisa de liberdade, tênis no pé pra correr... calça de moleton!!!!!!! Por isso, descartei essa opção...

Domingão, tarde da noite e insônia! Liguei a TV e, para minha alegria, um novo programa: Jamie´s Food Revolution. Resumo rápido: Jamie Oliver é um chef inglês que tem como meta modificar o hábito alimentar dos habitantes de Huntington, West Virgina, que é considerada a cidade mais "doente" dos Estados Unidos, com maior número de pessoas obesas e vítimas de doenças relacionadas à obesidade - ataque cardíaco, pressão alta e diabetes.

Logo no começo do programa, a bofetada. Oliver vai até uma rádio local para divulgar seu programa e é hostilizado pelo radialista, que não gosta nadinha de ver um inglês criticando a alimentação dos cidadãos de Huntington. É duro ser criticado. É mais duro ainda saber, lá no fundo, que o outro tem razão. Imagine se um desconhecido entra na sua casa e critica a forma como você alimenta seu filho, falando que não é saudável e que toda essa porcaria que você cozinha está contribuindo para a morte prematura do seu filho... É bem por ai a relação de Oliver com a população de Huntington.

Quando ele chega na escola pública, outro choque: o cardápio é pavoroso. As crianças comem pizza no café da manhã, nuggets no almoço e diversas outras coisas nada saudáveis, tudo processado e industrializado. As cozinheiras, lógico, se sentem ofendidas com as perguntas e sugestões do chef inglês, mas como já disse, é duro ser criticado. Nessa de ser prático, a sensação que tenho é que os americanos acabaram substituindo alimentos frescos por industrializados. É mais fácil e mais barato colocar um prato congelado no microondas que gastar horas lavando, cortando cozinhado cenoura, batata, cebola e verdura.

Mas é ai que entra a tal da responsabilidade. Eu, como já confessei milhões de vezes, odeio cozinhar. Mas cozinho todo santo dia. Ainda falta muito para eu me considerar uma boa mãe, falta paciência, falta tempo pra brincar e ensinar... enfim, falta muito. Mas posso afirmar que me esforço muito para oferecer uma alimentação saudável para meus filhos. Eles comem no McDonald´s, mas bem pouco. Um exemplo, quando eles almoçam arroz, feijão, legumes e frango, três horas depois estão morrendo de fome! Quando eles comem aqueles franguinhos empanados no McDonald´s (nuggets), 7 da noite e nada deles reclamarem de fome! A coisa é poderosa, gordurosa...

Se o seu filho desde pequeno só come pizza, frango empanado e um monte de coisinhas fritas (batata, coxinha, kibe...), não vai ser do dia pra noite que ele vai comer legumes grelhados e arroz integral. É como ver as crianças nesse programa. Oliver fez sua versão de lanche - frango grelhado e arroz - mas a maioria das crianças optou pela pizza e pelos nuggets, porque é isso que elas conhecem. O cardápio para crianças oferecido pelos restaurantes americanos só tem isso: pizza, hot dog, nuggets e os famosos macaroni and cheese e peanut butter jelly. É mais ou menos como assumir, sem perguntar, que criança só vai comer isso, porque só gosta disso. E é ai que eles erram, e feio...

Oliver entrevista uma mãe que tem três filhos, dois meninos e uma menina. Todos obesos. Ela mostra o que eles comem, todos os dias, no café da manhã: donuts frito banhado em chocolate, ovo mexido e bacon. No almoço, jantar: batata frita, nuggets frito, pizza, hamburguer. Salada? Hummmmmm, nop. Muito triste assistir isso. Ele então abre o freezer e, bum, dezenas de caixas com pizza congelada. É o hábito. Essa mãe provavelmente cresceu comendo esse tipo de comida e, por isso, alimenta os filhos dessa forma.

Eu tenho uma amiga que é extremamente consciente. As filhas não sabem o que é McDonalds, nunca entraram na loja e nem sabem o que se vende lá. Uma raridade, se é que me entendem! Todas às vezes que estou com preguiça de cozinhar e prestes a parar num drive-thru, penso nela (sinto uma culpa enorme) e resisto... kkkkk Não é fácil ser consciente e responsável todo santo dia!

* Dica de lanche saudável (Tomás adora):

- Fatias de maçã verde, fatias de queijo (suiço, parmesão fresco) e bolachinhas integrais (crackers).
Quando mundo está como agora dizem que buscamos respostas no passado. Talvez seja essa a razão de estar lendo coisas da Idade Média. E o mais maluco: encontrando respostas e luzes onde antes era pura cegueira. Uma das minhas cegueiras era achar que só a mãe do lado abandona. Eu...eu...JAMAIS! Nunca tercerizaria a maternidade...

Hummmmm...Estive muito cega diante dos estigmas criados com as babás, achando que EU não agia daquela maneira. Mas, agora depois de cinco anos de abandono, eu o descubro. Abandonei, sim, minha filha como muitas mães fazem nos dias de hoje. Reconhecer isso doi a alma, mas é verdade. Tento justificar de todas as maneiras os porquês fiz isso...Como se houvesse resposta para o desconhecido!?

Eu fico abduzida pelo computador e quantas vezes estive mergulhada nessa vida online com minha filha do lado. SIMMMMM,ela totalmente abandonada. Também consegui fingir que tudo bem deixar minha filha quase 8 horas na escolinha e ainda pagar pela carga de 12 horas para possíveis imprevistos...Ah..como estive cega!

Mas a pior de todas as cegueiras foi cair na tal "qualidade do tempo". E o que é o pouco qualitativo???? Responda-me: o que significa dedicar pouco tempo com qualidade quando seu filho se forma com os outros? É a escola que a "educava" na obediencia das palavrinhas mágicas e robóticas do por favor, obrigado e com licença. Também foi a escola que ensinou comer verdura, legumes e frutas...Ah! como eu pude ser tão cega. E quando a reunião se estendia...ah joga a Malu pra casa da sogra.

Mas nunca é tarde para resgatar o filho abandonado. Venho aprendendo a discernir o que vale a pena fazer com meu tempo para tornar-se uma mãe consciente. E você como anda seu processo do tempo e do ser mãe?
Estou acabando de ler o livro Half the Sky: Turning oppression into opportunity for women worldwide, escrito pelo casal de jornalistas Nicholas Kristof e Sheryl Wudunn. Ainda não sei se traduziram para o Português, mas já adianto que é uma leitura que vale a pena. Informa, educa, ensina a ajudar e mostra, mais uma vez, o quanto a educação tem um papel fundamental na evolução da sociedade e, porque não dizer, humanidade. Não há como negar a importância da mulher na formação dos filhos e, consequentemente, de cidadãos que constituem uma sociedade. É ela que nutre, que educa. Mas antes disso, é preciso que ela sobreviva. Sobreviva ao parto, à violência, à ignorância, ao fanatismo religioso, à guerra... A lista, infelizmente, é longa. No link acima, você pode conhecer algumas histórias de mulheres impressionantes e, se quiser, fazer parte desse movimento que reúne pessoas de vários países que lutam para salvar "o mundo, uma mulher de cada vez".
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Tem uma dor constante na minha cabeça. Não sei se é a famosa enxaqueca, um impacto de tanta mudança emocional, reflexo dos meus cinco anos de DIU/Mirena ou...Talvez seja os três pontinhos que dão um medo danado de ligar ao médico. Minha avó morreu de câncer e, mesmo sendo mãe, ainda me pego com ações tão infantis. Sinto uma tristeza interna. Até já mergulhei lá dentro, mas nenhuma resposta foi suficiente. Voltei a falar que estou cansada...

Queria muito que Março tivesse águas de limpeza... Hummmmmmm, água me lembra tanta coisa boa. Me dá sensação de estar viva para ser feliz. Tem coisa mais completa que uma boa imagem de água. Dependendo da publicidade, basta um simples copo de água...Na vida real só mesmo uma cachoeira pra retratar as águas de março que preciso. Sinto que a dor de agora é necessária, mas ela grita tanto...

Voltei a achar que estou no caminho alienado...É tão ruim, de novo, me ver andando pelas trevas profissionais, tentando passar sempre por baixo de alguém pra não sentir a força do sol. Hummmmmm, não tem ninguém pior que nós mesmos. Somos nós quem determinamos quem somos. Queria ser mais o que fui em fevereiro, talvez. Era carnaval, mas sentia que estava nua. Sem fantasias, livre e muito mais feliz!

É muito mais difícil ser mãe quando há dores na cabeça e tristeza na alma...Espero que um bom copo de água e uma cachoeira mentalizada limpem esse comecinho de março. Que venham as águas de março!!!!