Confesso: estou triste. Me encontro, de novo, numa encruzilhada, pois percebo que ainda não selei amizade com parto. Lendo alguns depoimentos de partos percebo que ainda é muito difícil, pra mim, desvincular o parto do ambiente hospitalar. Sinto muito insegura em parir em casa, por mais que eu reconheça que tais procedimentos clínicos prejudicaram (MUITO) minha possibilidade de parir a Malu como gente.
Mas, cá entre nós, é possível parir como gente nas maternidades? Essa é a minha nova angústia que pretendo investigar no ano de 2011. Minha primeira entrevistada para essa nova obsessão foi Graziela Del Ben, neonatologista do São Luiz. Veja entrevista abaixo:
Graziela me ensinou que a luta é muito pior do que eu imaginava. Não há portas abertas para doulas dentro das maternidades? Na minha visão deveriam ser elas que humanizariam todos os processos burocráticos, o ambiente inadequado, os procedimentos desnecessários. A Grazi Flor me contou sobre como é parto normal na Inglaterra. Lá, a prioridade é nascer de forma natural, mas falta humanização. Aqui temos as duas carências: hospitais com cultura de césarea e falta de humanização total.
SÓ há dois anos, na Maternidade São Luiz, começou a se pensar em slings. Ou seja, a trajetória é bem longaaaaaaaaaaaa. Talvez, se a gente começar fazer alguma coisa agora, a Malu poderá ter os meus netos numa maternidade no Brasil de forma humanizada, mas pra isso a gente vai ter de convencer a indústria da mediciana a conhecer o parto humanizado. O diálogo começa com os obstetras. São eles a interface das maternidades ou é impressão minha?
Às mães que tiverem interesse de ajudar nessa luta, peço que comentem no vídeo do You Tube( http://www.youtube.com/watch?v=ty8mO1svXP8) sobre suas impressões da conversa com a Graziela Del Ben, que publiquem o vídeo em seus blogs e comentem o que pensam sobre isso, que dêem a sua opinião para que a gente possa dar continuidade a essa roda de conversa. Alguém se habilita?
O que tem no meu iPad: Procreate
3 horas atrás










9 comentários:
Oi Ceila!
Tive meus meninos no São Luiz, mas de cesariana. Entendi que o que acontece lá depende muito de quem é o obstetra. Meu médico foi o Renato Kalil, que tem uma enfermeira obstétrica maravilhosa na equipe, chamada Miriam Leal, que faz o papel de doula (uma boa sugestão de entrevista). Ela incentiva (e garante) amamentação na primeira hora de vida dos bebês e que o pai banhe e cuide dos bebês também. Tem algumas fotos do meu parto em http://vinhosviagenseumavidacomum.blogspot.com/2010/12/9-meses.html
Abs
Olá, tudo bem?
E sou Ricardo Rosa, sou responsável pela Produção online do Programa Avesso ( www.avesso.com.br ). Um programa onde você fica por dentro dos bastidores das ações de comunicação das principais marcas no Brasil.
Fiz uma visita aqui no blog e queria dizer que o trabalho que vem desenvolvendo é ótimo e está de parabéns!!!
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Ricardo Rosa
ricardo@avessotv.com.br
Tel. (11) 3578-0777
____________________
www.avesso.com.br
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Carol, obrigada pela visita. adorei seu blog e a dica da entrevista. acha que rola da gente conseguir entrevistá la? vc toparia fazer a entrevista?
vamos nos falando!
as fotos do nascimento dos bebês estão lindasssssssssssss
mas fiquei com uma dúvida: vc tentou parto normal, ou não?
Ceila, vou te mandar um email pro ceila5@hotmail.com, OK?
Bjs
Nossa, eu ainda estou de 4 meses, e não consigo me preocupar com o parto ainda.. rs
Espero que de tudo certo..
passa no meu blog...
beijos
http://coisasdavidagente.blogspot.com/
Oi Ceila,
Olha, moro em Salvador e tive o meu filho caçula, de 1 ano e 1 mês, na maternidade Santa Maria (Hospital Português), através de parto normal, numa sala própria para partos humanizados (lá tem duas salas). Inclusive nem tomei anestesia (por opção). Acho fantástico quando o hospital disponibiliza esse tipo de atendimento (sala especial para parto normal), abrindo a possibilidade para um parto tranquilo,sem tantas intervenções. Meu filho mamou ainda na sala de parto, logo após o nascimento. Foi um momento muito especial, inesquecível e partir daí vi que é possível, sim, a humanização dos partos nos hospitais. Mas é claro que não basta a garantia da amamentação logo após o nascimento, mas a conjugação de outros fatores, como a assistência direta à mãe, com o apoio de doulas ou enfermeiras especializadas, a utilização de iluminação menos agressiva, a garantia de participação efetiva do pai (como ocorreu comigo) etc.
Valeu muito à pena!!!
Eu tenho mais duas filhas e, embora também tenham nascido de parto normal (uma delas tb sem anestesia), não amamentei na sala de parto. Só quando tive João é que pude ter a certeza da importância desse ato logo após o nascimento. Pra mim é fundamental, não tem o que discutir.
Portanto, pela experiência do último parto, reitero que acho sim viável a humanização nos hospitais, através de um trabalho de conscientização conjunta (direção do hospital, médicos e pais grávidos).
Finalmente, com toda a sinceridade, não me sentiria tão segura em ter meus filhos em casa. Neste aspecto, corroboro com o entendimento da Graziela. Pra quê correr riscos? Acredito que dá pra aliar,portanto, parto humanizado e ao mesmo tempo seguro, com todo o aparato que só um hospital pode oferecer em casos de emergência.
Essa é a minha modesta opinião! Bjos!
Ivana
Ceila, vou dar minha opinião de mulher que pariu numa sala humanizada numa maternidade particular no Rio. Como a gente pode ver no discurso da médica filmada, o protagonista do parto no ambiente hospitalar é o obstetra. Essa é a cultura e o procedimento padrão. A mãe só pode amamentar o bebê na sala da parto, se o obstetra garantir esse contato. Eu vivi exatamente isso. Tive um parto natural, acompanhada por minha irmã e meu marido, amamentarei Laura imediatamente, compartilhei o quarto com ela durante a noite na maternidade e tive poucas interferências das enfermeiras do hospital. Mas, tudo isso só foi possível por causa da postura de meu obstetra e da pediatra de Laura. Humanização seria mesmo se eu fosse escutada a priori. Aí, eu não teria vstido aquela camisola ridícula e aquela toquinha quente. Eu não teria sido conduzida para o a sala de parto numa maca, e não teria esperado 45 minutos para minha filha ser submetida a um exame auditivo que deveria ter sido feito apenas 36 horas depois.
O lucro é o que move as maternidades particulares. Isso é um fato. E partos sem intervenções geram muito menos lucro. Portanto, dificilmente, no Brasil, teremos mais abertura para partos naturais hospitalares. Em vários países, a prática de parteiras domiciliares credenciadas pelo sistema de saúde público é o comum. A médica do vídeo esqueceu de dizer que, parir no hospital aumenta muito o risco de se fazer uma cesariana, e tal procedimento aumenta em cerca de 28% o risco de mortalidade. Além disso, os riscos de infecção são maiores em hospitais.
Afinal, que tecnologia toda é essa que se faz necessária para parir? O que está por trás desse discurso? Evidências científicas ou interesses econômicos?
Meu relato de parto está aqui: http://www.whatmommyneeds.net/2010/01/um-sonho-e-o-meu-parto.html
Beijos
Essa questão do parto é algo tabu, mas adorei o comentário da Camila. Acho que ela sintetizou muito do que eu penso.
Eu sinceramente acho que todos esses riscos em parir em casa é invencionisse. Se assim fosse, ou seja, se nós mulheres não conseguíssemos parir naturalmente em qualquer lugar, a humanidade estaria extinta.
Logicamente existem aqueles casos em que não se pode agir dessa forma, pois a gravidez apresentou problemas, etc...nesse caso parir naturalmente num hospital diminuiria muito o risco de morte de ambos, mãe e bebê.
Uma das minhas ajudantes do lar trabalhava numa maternidade. Toda semana ela me contava dos bebês que haviam morrido no parto, ou logo depois dele. Parir num hospital tb não é garantia de que tudo corra bem.
Eu acho que o nascimento das pessoas é algo realmente natural e se hj temos tantos medos, tantos preconceitos, foi porque deixamos de fazer isso, largamos o nosso conhecimento não mão de obstetras, na sua maioria homens, e deixamos prá lá.
Esse é um tema que vale a pena discutir.
Eu tive parto normal em hospital com toda analgesia e intervenções possíveis e jurava que havia tido um bom parto. Minha filha mamou, mas sofreu todo tipo de intervenção desnecessária (meu coração doía ao ver tudo aquilo e foi ele que me disse que isso não era normal). Depois de muito ler
sobre o assunto quero um segundo parto normal, sem analgesia e em casa. Quero viver toda essa emoção novamente, mas plena, consciente e segura.
mas não critico quem escolhe cesariana eletiva. Com todas as condições e intervenções de um parto normal, fica claro entender por que essas mulheres escolhem estar deitadas numa maca e anestesiadas. Machuca menos, o corpo e a alma.
Beijos, Nine
Ceila, cheguei aqui através do What Mommy Needs.
Meu primeiro parto foi uma cesárea eletiva no Eisntein há 5 anos atrás, um hospital que, pelo que eu pesquisei na época, estava bem a frente nas práticas humanizadas, se é que a gente pode chamar assim.
No meu segundo parto, dois anos depois do primeiro, no São Luiz, entrei em trabalho de parto em pleno feriadão. A obstetra tinha ido viajar e ninguém para me dar apoio. Durante as poucas horas que fiquei em trabalho de parto na maternidade ouvi insistentemente das enfermeiras que nem valia a pena esperar pelo normal porque eu tinha uma cesárea, como eu contei aqui http://mae-de-duas.blogspot.com/2010/11/o-parto-parte-i.html e aqui também http://mae-de-duas.blogspot.com/2010/11/o-parto-parte-ii.html.
Cabe dizer que NÃO usei essas lindas salas "delivery" (parece pizza né?) com cromoterapia e tals porque me disseram que estavam todas ocupadas (ou será que foi porque eu não tinha médico nem ninguém pra fazer esse "pedido de delivery" pra mim??).
Consegui ter um parto normal (com anestesia e todas as intervenções que isso implica em um hospital)mas porque eu lutei. Em nenhum momento me senti acolhida no São Luiz.
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