tinha uma esperança no meio do caminho
mas surgiu uma "verdade" no meio do caminho
No meio do caminho a verdade
matou a esperança
Eu não perdi a minha transformação como imaginava. Pelo contrário. A perda foi outra. Essa experiência tem embaralhado muito meu jeito de ver o mundo. Explico: o laudo médico do ultra-som, dito na semana passada, tinha uma esperança silenciosa, a qual só tive o direito de descobri-la depois de ter ouvido a verdade. O fato de não haver batimento cardíaco no embrião de apenas cinco semanas não significa só morte, mas também que o coração ainda não se formou. "São só células ainda" , explicou outro médico. Ou seja, havia esperança. Mas a verdade científica surgiu no meio do caminho. Logo, conclui: perdi minha gravidez! Não tive chance de exercer a minha fé.
ATENÇÃO: A verdade para um cético pode ser sem esperança. E quando verdades são ditas de nada adianta em que você acredita.
MANIFESTAMOS PELO ATIVISMO ANÔNIMO E INCANSÁVEL DAS MÃES
Nas trincheiras domésticas de uma sociedade cada vez mais dominada pelas leis cruéis do mercado.
E apoiamos as mães que questionam. Que boicotam.
Que tal um diálogo assim?
O embrião não tem batimento cardíaco, diz o médico.
Mas isso significa somente óbito fetal?, retruque
Sim. O embrião está morto, responde o médico.
Mas não são só células? Há CERTEZA de que o coração já esteja formado neste período?, retruque.
Sim. Já é possível detectar o coração neste período da gestação, responde o médico.
Mas qual é a estimativa da formação do coração? A partir de quando até quando isso acontece?
Talvez só aí apareça a esperança de um médico cético e, então, você terá o direito de sair da sala com informação suficiente para ter esperança. Ou não. Talvez ainda seja necessário questionar mais e mais e mais. Toda grávida tem o direito à informação, mas aprendi que nos dias de hoje é preciso questionar muito para obtê-la. Além, é claro, de pesquisar incansavelmente.
Eu não tive o direito de ter esperança diante de um feto sem batimento cardíaco, mas você tem. TODA GRÁVIDA TEM O DIREITO DE EXERCER SEU ATO DE FÉ! Ops, sorry, você não está entendendo nada? Calma! Vou tentar explicar um pedacinho da experiência que vivo agora: eu acredito que vivencio um aborto espontâneo desde sábado, quando comecei a sangrar no banho. Mas o saco gestacional continua lá. A previsão médica é de que ele seja expelido nos próximos dois dias. Talvez, agora, eu vivencie apenas um aborto retido?! Não sei ainda. O fato é que cada dia aprendo mais sobre aborto.
Tudo isso me fez questionar muito não só em relação ao aborto, ao discurso médico, mas também ao uso do ultra-som durante a gravidez. Comece a ler o artigo indicado no hiperlink que volto em breve para pensarmos juntas sobre isso. Obrigada a todas pelo apoio, pela força e pelos comentários. Prometo voltar devagarinho.
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5 comentários:
Força e fé.
E volte como quiser, aos poucos, estamos com vc.
bjs
So as mães são felizes!
http://www.coisa-de-mae.blogspot.com
Questionar sempre, por isso me sinto tão perdida com o atendimento americano, quando começo a questionar os médicos se sentem insultados, como se só eles pudessem ser os donos do conhecimento.
Nos ajude com sua experiência. Este bebê já veio com esta missão, ajudar o mundo com o conhecimento que ele deu a mãe dele e que ela pode partilhar.
A missão está sendo cumprida.
bjks
Só posso te dizer que te entendo super e que o blog aborto retido me ajudou muito quando abortei em dezembro do ano passado. Eu estava com 9 semanas, e a frase no consultório médico também foi de que não havia batimento cardíaco. Tudo começou com um enjoo, me senti meio mal, liguei pro médico, tive sangramento, repouso e um dia sem fim até ir fazer o ultrassom e constatar o que já estava constatado. Foi retido e meu médico (hoje ex-médico diga-se de passagem) queria que eu esperasse quanto tempo fosse para meu corpo "expelir" o embrião, eu até tentei, mas não dei conta... me sentia péssima, depois de ler alguns relatos de que eu eventualmente teria que finalizar o processo com uma curetagem, fui lá e fiz a curetagem e me senti bem melhor. Já tenho um filho, mas a dor de perder um bebê é imensa, e só sabe quem passou. Sou solidária viu? Aquele abraço, forte, aquele carinho para vc... eu também tive muita raiva, raiva do mundo, de todo mundo que me falava que acontece o tempo todo, de todas as grávidas que tiveram seus bebês perto de quando o meu nasceria, raiva do mundo. Mas passou. Só ficou a tristeza. Ainda não estou pronta para tentar de novo este bebê, mas acredito que deus sabe a hora certa pra tudo. Eu vou saber também.
Um super beijo e se quiser falar sobre o assunto, desabafar, me mande email franken@globo.com
um beijo
Fernanda
Oi Ceila. Espero que você esteja bem... Há 5 anos eu tive um aborto espotâneo. Foi muito ruim, um sentimento horrível, de perda, de vazio... Mas graças a Deus não precisei fazer curetagem e 2 meses depois eu estava grávida do Gabriel, hoje com 4 anos!
Força! Fique em paz! bjks
falar o que diante disso, apenas posso dizer que seja feita a vontade de Deus e não a nossa vontade
beijos
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