Toda vez que me revolto demais com a realidade, tento respirar fundo...( nem sempre consigo). Tento contar até 1 mil (risos!), tento dormir pelo menos uma noite (insônia) e tento me colocar no lugar do outro. Foi assim que conclui o seguinte: O OUTRO não me conhece nem tem a mínima idéia de quem eu sou. E o pior de tudo, o OUTRO sempre ouve o mesmo discurso sobre mim: "mãe não tem tempo para ler com filho" ou " a culpa é dos pais que não ensinam seus filhos a...." ou "os pais não têm interesse pela cultura..... por isso, nós...." e por aí vai.
O Outro em questão é o evento cultural realizado em São Paulo nesta semana láaaaaaaaaaaaa no Anhembi. Talvez pelo OUTRO ser tão parecido com os outros (que não me conhecem nem fazem parte da minha realidade) é que a Bienal do Livro não promove descontos em livros infantis ou juvenis para quem é "só" Mãe ou Pai. Só tem desconto na Bienal do Livro quem é professor.
Lá, na Bienal do Livro, o preço dos livros infantis para quem é mãe (ou pai) é o mesmo da livraria do shopping: acima de 20 reais ( pelo menos, esse foi o preço daqueles que eu tinha o sonho de comprar para minha filha). Ou seja, promoção da leitura pelo bolso só mesmo para o público específico. Mas eu entendo o OUTRO quando diz que...
a culpa é nossa...
Ué, porquê é nossa culpa de novo?
Simples: quem de nós reclama dessa situação?
Por outro lado, apesar do OUTRO definir seu público de leitores, NÓS, mães e pais ( mesmo aqueles que não fizeram pedagogia na universidade) invadem sem culpa a Bienal do Livro. YES!!! E muitos de nós resolvem levar filhos, amigos dos filhos, sobrinhos, carrinhos e água mineral. Sim, nós estamos lá!!!
Perdidas, (é verdade), em busca de uma programação adequada para nossos filhos..., mas (de novo) a programação da Bienal do Livro parece ser feita só para as escolas. Talvez, o OUTRO ouça apenas aquele velho discurso de que crianças, coitadinhas, só lêem na escola porque os pais não têm interesse pela educação dos filhos nem tempo para compartilhar uma leitura familiar... É por isso que a gente precisa gritar mais alto para mudar o que o OUTRO e os outros ouvem sobre nós. É preciso blogar, tuitar, manifestar e gritar em coro: BIENAL DO LIVRO É COISA DE MÃE!
Eu recomendo que você continue invadindo a Bienal do Livro. É longe pra chegar e não há descontos para os livros infantis, mas vale a pena pra gente conhecer o que tem de novo e de velho nos estandes das editoras. Eu não pude comprar nada. Tudo estava muito caro para meu bolso, mas canetei tudo que valia a pena colocar numa listinha de desejos de consumo. Meu maior desejo foi o livro Princesas Esquecidas ou Desconhecidas ( R$ 60,00), na Salamandra.
Também passei horas sonhando com os velhos livros da Cia. das Letrinhas, que vende a coleção do Érico Veríssimo, entre outros. O Monteiro Lobato continua na Editora Globo, que neste ano não deu sacolinha nem criou a promoção leve dois e ganhe três (snifff). O que valia a pena? O Saci custava quase 15 reais. Ziraldo e Cocoricó estão no estande da Melhoramentos. Gostei muito de uma editora que não conhecia: Solisluna e lógico que fiquei horas lendo e escolhendo os livros importados da Brinque-Book, mas os preços tiraram todos os escolhidos a dedo da minha mochila, que voltou quase vazia para casa. Detalhe: achei um monte de gente brasileira com livro legal na Brinque-Book, o que me deixou com orgulho danado de ser brasileira.
Acho que é isso!
Ops, não posso esquecer da última dica. No ano passado, eu aprendi que a Bienal do Livro não é o lugar ideal para criança que ainda não lê. Soa até negativo para as mães sedentas por oferecer cultura aos bebês, mas considero coerente esse filtro do OUTRO. Eu já fui doente pela vitrine cultural quando a Malu ainda mamava no peito e só precisava de carinho. Corria atrás de música, teatro, livrinhos para bebês, enfim, essa parafernália toda de cultura para bebês/crianças. Tanto que levei a Malu na Bienal do Livro no ano passado. Hoje acho que faria diferente e ando buscando um caminho menos exagerado aqui em casa. Exemplos???
Eu fui para Bienal sozinha neste ano, mas quando a Malu estiver lendo: ela será minha principal companhia. Pode ser até que ela vá em bando com a turminha da escola, mas jamais isso substituirá nosso passeio juntas ao evento. Afinal, eu acredito: BIENAL DO LIVRO É COISA DE MÃE PRA FILHO. Mas eu não concordo muito que filho deva se comportar como um poderoso consumidor. Como assim?
É normal ouvir nos corredores da Bienal do Livro: o que você quer, filho? Acho que nós, MÃES, precisamos fazer o filtro das escolhas. Há muitos livros, a avalanche da oferta é muito pesada para nossos filhos. Eles merecem, no mínimo, que a gente se informe o suficiente para saber o que é adequado para idade dele, o que tem qualidade de conteúdo, os temas discutidos em cada livro. Só depois desse filtro adulto materno e paterno, acho que é hora de deixar seu filho decidir qual daqueles livros selecionados por você será colocado na mochilinha deles. É lógico que não estou me referindo aos filhos pré-adolescentes, mas às crianças que já lêem ( 5-7 a 8-10 anos). Mas como se informar sobre este mundo???
Pois é, essa pergunta só terá resposta quando os OUTROS descobrirem quem somos, o que fazemos dentro de casa e o que queremos para o futuro dos nossos filhos. Ou seja, é hora de berrar!!! Comece pelo teu blog, quem sabe alguém não ouve outro discurso diferente daquele velho que nos culpa por tudo!
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás











6 comentários:
concordo ultra!
será que a gente vai precisar montar associação e fazer carteirinha pra ganhar descontos mais que justos e merecidos?
puuuufffffff....
queria muito ir a bienal este ano. não vai dar. fico com os livros caríssimos que acho nas poucas livrarias da minha cidade.
puuuuffffff...
e sim! vamos nos movimentar e filtrar e exigir e escolher!
bjo bjo
Olá! Adorei o post! Também andei a bessa com a Laura, aos 6 meses na Bienal ano passado... Calor infernal, péssimas opções de lanche e estandes abarrotados de filas!!! Eu adorava a Bienal quando era criança e adora ler, mas isso nunca foi programa de escola pra mim - sempre fui com meus pais. O hábito da leitura sem dúvida começa em casa. E o desconto de livros infantis deveria ser para todos na Bienal - afinal, what's the point? A Bienal não deveria servir para promover a democratização do hábito de ler?
Além disso, o velho mito de que família e escola são ambientes contrários tem que ser superado! Depois dá uma olhadinha no meu último post sobre as creches parentais - meu verdadeiro sonho de consumo!
Beijos!
Ola!
Olha eu tb fui e concordo! Na realidade cheguei ate a fazer um post no bloguinho sobre a bienal mas naocom este pto de vista, pode deixar que assim q der eu me retifico!! conte comigo!
bjos!
Sou nova no blog,criei um para mim tb quando tiver tempo passa por lá,parabens e obrigada o blog é lindo ajuda muito
Concordo plenamente com vc......
É amiga. Qdo refletimos friamente sobre tantas coisas a serem modificadas, acho q temos q fazer como vc: respirar fundo, contar até um milh~~aããã~~aããão e... se engajar!
Eu assinei o manifesto do Cria, to aqui pra agradecer e parabenizá-las e dizer que estou colocando esse trabalho como maior expoente das minhas bases.
Comecei meu blog agora, ainda nao tenho nenhuma postagem sobre amamentação, mas tenho uma sobre maternidade de qdo conheci o cria. posso linkar nesse post o codigo do rodapé?
Ou melhor fazer uma postagem exclusiva sobre o ato de amamentar?
Bom, de qquer forma amigas, parabens mesmo pela iniciativa. To auqi lendo o blog e amando!
Me visitem caso tenham tempo e que troquemos continuamente essas ideias que nao faram somente nosso peq universo melhor, mas o todo e especialmente o todo q sera de nossas crias!
Bjos bjos
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