Na roda de conversa sobre Publicidade Infantil tá rolando muita troca boa. Por outro lado, a troca deixa claro o quanto o descaso do legislativo afeta, ou melhor prejudica, a nossa vida. A Lu Ivanike compartilhou uma pérola da filhota que retrata bem nosso desafio:
“Por que você dói meu cabelo e a mãe do menino na TV não dói o cabelo dele?”…
Responda-me minha cara indústria de cosméticos, que fatura entre R$ 2,6 BILHÕES ou seria aquela de R$ 3,7 BILHÕES por ano, o que devemos responder aos nossos filhos?
Enquanto o lucro dessas empresas crescem acima de 10% (quase 20%), o caos da minha casa ultrapassa os 100%. É lucro para investidores versus prejuízos para famílias. Essa relação poderia ser um ganha-ganha. Lucro para todos, certo? PS: Eu não sou contra o lucro da sua empresa, mas acho que poderia continuar lucrando sem precisar apelar para infância. Nós não vamos deixar de lavar o cabelo dos nossos filhos, mas queremos ser responsáveis por essa escolha. Venda seu xampu infantil para quem compra (ei, acorde, somos nós quem compramos, helooooooooooo!!!). Nós sabemos avaliar o produto, o cheiro, a imagem, mas também queremos saber como você faz o seu xampu, como paga seus empregados e se pra eu lavar o cabelo da minha filha estou contribuindo para o desmatamento, ou não.
Agora, é possível fazer escolhas de produtos que não exploram a infância? Dizem que já existe empresas "conscientes". Eu não as conheço. Mas gostaria de saber quais são elas. Afinal, eu ainda acredito no mantra agir local para reagir globalmente. Pode parecer insano, mas EU QUERO FAZER ESSA ESCOLHA. Quero comprar de quem respeita a infância. Será que as blogueiras-verdes topam entrar nesta roda de mães? Hummmmmm! Convido a Monique, do Mimirabolantes, que tive o prazer de conhecer recentemente, para responder a pergunta: Existe como descobrir quem são as empresas verdes?
Se a Lu me instigou a mergulhar na indústria, a Carol trouxe à tona nosso papel de pais ao apresentar o quanto a oferta excessiva do mundo em que vivemos nos dá também a possibilidade de escolhas. Eu tenho lutado comigo mesma para ter condições de discernir como equilibrar a balança do que vem de fora e o que vou colocar aqui dentro de casa. Parte do meu emagrecimento deve-se ao voltar pular corda com a Malu, mas é pouco. Muito pouco. Também resolvi fazer bonecas de pano com minha filha, mas ainda não consegui controlar a minha ânsia de oferecer a ela todos os livros infantis. Reconheço agora que isso precisa de equilíbro, mas jamais recuperarei o tempo em que estava cega para exagero da literatura...Ou seja, de novo, a oferta excessiva exige de nós, pais e mães, um discernimento que eu particularmente não tenho. Por isso, lutar pela regulamentação ganha ainda mais sentido.
A Christianne Alcântara, do Coisa de Mãe, também aceitou o desafio proposto e me fez repensar na parceria dentro de casa. Se a gente fica cega diante de tanto excesso, como começar a abrir não só os nossos olhos de mãe como também os olhos de pai. Dá raiva quando a gente acorda da alienação consumista e começa a perceber o poder infernal da convergência e o quanto a gente contribui e colabora para que nossos filhos sejam inseridos neste caos simbolíco. Mas aí na hora de mostrar isso para o pai que também tá correndo sem tempo pra respirar, a gente sente que tá exagerando, tá demonizando a coisa...Porquê??? O tema merece outros capítulos, mas vale colocar mais uma pergunta no ar: Será porque somos as principais vítimas do lucro só para empresas?
PS: esse texto é resultado da roda de conversa entre blogs proposta aqui, mas que começou ainda em março a partir da união de 10 mães numa troca de emails. Você pode acompanhar esse debate, clicando nos links deste post e conhecendo mães que estão em busca de um caminho para vencer os desafios da publicidade infantil. Manifeste você também no seu blog. Permita-se ter consciência!
Comprou o quê para seu filho hoje?
Você é a favor da lei contra Publicidade Infantil
Eu quero Mais!!!












10 comentários:
Tenho que admitir que também só passei a pensar nisso depois que passei a acompanhar vcs, acabei tomando coagem pra escrever com a minha humilde visão do direito, mas ainda que tenha lido sobre o assunto, e visto das visões mais radicais as mais brandas, ainda acho muita coisa vaga...é dificil achar o equilibrio,sabe?!
Sou contra a publicidade dirigida para crianças. E o assunto me interessa muito, já escrevi sobre ele no blog. Conheço alguns dos blogs citados , visitarei os outros e ficarei de olho :-).
Abraço
Oi Ceila! Acompanho há algum tempo o blog e gosto muito! Já havia lido os textos anteriores sobre a publicidade infantil, mas ainda não me manifestei.
Confesso que estou completamente perdida nesse assunto. Eu quando criança não ganhava montes de brinquedos porque minha mãe não podia comprar. Não tinha celular, porque minha mãe não poderia comprar nem se existisse!
Eu ainda não sofro pedidos e comparações por parte da minha filha, pois ela tem apenas 1 ano, mas já sinto dificuldades em convencer os avós dela de que ela não precisa de um brinquedo novo sempre que eles a visitam!
Minha primeira ação será impedi-la de assistir aos canais infantis, pois fervilham propagandas, pelo menos no início, mas creio que por volta dos 3 anos será bom ela ter contato com esse tipo de informação para começarmos a explicar de maneira que ela entenda, que nem tudo que passa na TV é real ou é para se ter. Não quero criar uma filha numa redoma de vidro, alheia ao mundo que a cerca, porque ela vai viver nele e precisa saber se defender.
Acho que não ficaremos livres da propaganda infantil nociva, pois a indústria, no máximo, mudará a maneira de dizer as coisas, mas a mensagem sempre será "compre-me pois vc não será feliz sem mim".
E tb não é só com relação à propaganda destinada ao público infantil que devemos ficar atentas, Hj usam crianças para convencer os pais a consumirem determinados carros, seguros, bancos, produtos de beleza...
Acho que a conversa, o debate em casa e o exemplo (esse sim é capaz de mover montanhas) é que farão a diferença sobre nossos filhos, porque as leis de nada servem se não as colocamos em prática aqui no Brasil.
Enfim...acho super válida toda e qualquer discussão sobre o assunto, também gostaria que não existissem propagandas apelativas..., mas elas irão existir, de um jeito ou de outro, com ou sem lei, então minha preocupação é preparar minha filha para elas e não deixá-la vivendo num mundo de faz de conta, que não existe e não existirá nos próximos anos. Quero que ela tenha discernimento e se daqui alguns anos ela for alguém que dá mais valor para o famoso SER, do que para o fantástico TER, vou saber que fiz um bom trabalho, com ou sem propagandas...afinal, eu tb estive sob influência delas, vivi minha infância na década de 80, cresci com a Xuxa, e justamente porque minha mãe sempre me alertou sobre o que é importante, não sou uma consumista inveterada.
Enfim, eu acredito nisso, muito mais do que nas leis.
Beijos
Nine
www.minhapequenaisis.blogspot.com
Ah, lembrei de outra coisa: das novelas, programas de auditório, humor...eles ditam o que podemos ou não consumir, o que é ou não legal...e não haverá lei contra isso.
Creio que todos se lembram que o cajuzinho ganhou um tom pejorativo num programa...as pessoas passaram a dizer que não gostavam dele...lamentável!
E a cultura das séries juvenir começaram a trazer o conceito de que é vergonhoso o pai/mãe te levar e buscar da escola...que é mico...e os pais/mães aceitaram essa idéia...e nem são crianças...e essa idéia não veio numa propaganda destinada ao público infantil...
Hj tem uma discussão sobre canções infantis, historinhas...existe um movimento que considero ainda mais nocivo: o de querer simular um mundo de faz de conta para nossas crianças...tenho muito mais medo disso...
Enfim, trouxe esse comentário ENORME só para enfatizar de que sem crianças bem orientadas e preparadas de nada adiantam as discussões sobre leis.
Mas apóio e defendo todo e qualquer movimento para que leis melhores existam! Estou com vcs!
Nine
Luana e Vanessa, please, passem seus textos com as respectivas URLs para que a gente inclua vcs na blogagem coletiva e nessa discussão entre mães...assim a gente vai se aprofundando juntas sobre tema.
Nine, amei suas colocações porque acredito muito nelas e me dá a oportunidade de dizer o que penso disso: concordo contigo que nosso papel de proteção e nossa responsabilidade de criar nossos filhos para relacionar com mundo. Só não sei se relacionar com mundo implica fazer e mostrar aquilo que o mundo apresenta. Podemos formar humanos, protegendo os enquanto eles não tem a capacidade de discernir nem pensar toda complexidade intelectual, mas proteger exige suporte e concordo contigo que a lei pode nãos ervir pra nada, mas ainda assim precisamos de defesa de certos abusos publicitários e eu acredito que ela só existirá, com ou sem lei, se eu, vc, a luana e a vanessa e todas as mães que estão acordando pra isso começar a agir e gritar na hora que houver abuso. Nós temos a responsabilidade não só de desligar a tv, mas principalmente de mudar a TV. eu não precisaria desligar a Tv o tempo todo se ela tivesse mais qualidade e menos abuso. Acho que criar redoma dentro de casa não protege nada, mas quebrar redomas fora muda o mundo.
bjkas e obrigada a todas por permitir-me ser consciente!
Sim Ceila! Faço suas minhas palavras também! Vamos nos unir para deixarmos pessoas melhores para o mundo!
Beijos!
Nine
Eu sou completamente contra a publicidade voltada aos pequenos, principalmente com produtos que não tem relação alguma com eles. Minha filha, com 3 anos recém completos ao ser chamada atenção para cuidar para não manchar a roupa de tinta enquanto brincava me diz:
"não preciso cuidar mamãe, compra vanish que tira"
fiquei muito indignada e daquele dia em diante passei a observar isso, hoje, ela com 7 anos já percebe em alguns momentos que "tudo eles querem vender pra tirar nosso dinheiro" e também que as propagandas são enganosas, como essas bonecas que voam, que soltam brilhos e coisas do tipo.
Boa Ceiloca!!!
assunto que a agente não pode descuidar nunca!
acontece que tá tão inserido no nosso dia a dia que é fácil escorregar.
incrível como as mamas estão conscientes, mas muitas pecam por acahr que filho pequeno não se liga em propaganda...
bjoca
carol
http://viajandonamaternidade.blogspot.com
ola Celia, adorei o post. nao sou mae (ainda!), mas confesso q morro de medo da tal publicidade infantil e do excesso de consumismo na infancia de hj. tenho 30 e assisti a muita tv na infancia, sempre fui louca por Barbie e nao fui privada de bens materiais. Mas nao tinha o quarto entulhado de brinquedos e nem ganhava montanhas de coisas em cada aniversario. gostava de brincar de elastico (lembra disso? era tao divertido!) e cantar, ler etc. nao sei nem pq tou dizendo isso - nao me vejo como uma pessoa tradicional ou nostalgica - mas acho q precisamos urgentemente nos unir como mulheres, maes e, acima de tudo (na visao da publicidade) CONSUMIDORAS para exigir limites sim. Crianca nao ganha dinheiro e nao consome e, portanto, usa-las como alvo de propaganda eh imoral e deveria ser ilegal - como em varios paises europeus. nao sei como lutar contra isso, mas estou disposto a participar da luta. Boa sorte para todas nos - e para nossas criancas, coitadas, que estao aprendendo q comprar e comprar e possuir e ter e descartar eh a receita da felicidade....
Oi Ceila,
segue a minha resposta ao post de vocês
http://www.tabloideverde.com.br/2010/07/23/por-tras-do-selo-verde/
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