Ouça abaixo o que rolou na CBN na semana passada:
Alexandre Garcia não está sozinho. Ele representa uma boa parcela de senhores de cabelos brancos assim como ele, além de tantas outras mulheres e homens que consideram uma bobagem o parto humanizado.
Soa tão absurdo para mães conscientes que lutam pelo processo mais natural possível do nascimento, um formador de opinião ser tão "desinformado". Ou, seria tão...preconceituoso??? Ou, talvez, simplesmente um cidadão comum que acredita naquilo que vê e considera o parto humanizado coisa de mulher fora da realidade ( pra não dizer o que realmente a maioria pensa de mães conscientes). Eu acho que existem muitos alexandresgarcias espalhados não só pela elite da qual o jornalista faz parte, mas também pela classe média e pobre do nosso Brazilsão. E porque essas pessoas ainda pensam assim?
Motivos não faltam. Correria/Money, Praticidade/Comodidade e Nova Tecnologias/Evolução podem ser parte das razões que fazem alexandresgarcias multiplicarem na nossa sociedade. O jeito que a maioria leva a vida não condiz com os princípios naturais do parto. É preciso buscar equilíbrio entre tais princípios para que os alexandresgarcias tenham condições de entender o que é um parto humanizado. Sem isso, não adianta tentar informar tal parcela da sociedade. Eles nunca conseguirão ouvir o que estamos dizendo, simplesmente porque a gente não ouve aquilo que não entende. Tenho pena dos alexandresgarcias, mas imagino que eles cultivam o mesmo sentimento por mim.
Eu acredito, entretanto, que há algo que faça alexandresgarcias ouvirem até mesmo aquilo que não entende. Como? Esqueceu que na nossa aldeia global, a chave do nosso tempo são as massas? O dia em que as mães sairem dos seus guetos isolados para darem as mãos, nossa voz terá sentido. Enquanto as mães conscientes que lutam pelo parto natural continuarem falando entre guetos continuarão sendo guetos. E gueto tem sua própria língua, logo, pode ser incompreensível para os demais guetos da mesma tribo. Ou seja, juntar guetos implica fazer guerra pela paz. SIMMMMM, ninguém chega a paz sem luta.
Eu ando com saco cheio das pessoas que interpretam a cultura da paz com atitudes de acomodação para "respeitar" as diferenças. É raro encontrar pessoas que têm consciência de que se somos diferentes vamos ter conflitos, portanto, vamos discutir, brigar assim como quem discute futebol. É preciso paixão para entender que discutir não é coisa do mal, mas é o meio necessário para atingir o bem comum. Tenho a sensação de que guetos preferem respeitar as diferenças e não entrar em conflito para viver em paz. Espero que eu esteja errada!!!
E nois aqui: o que vamos fazer diante da bobagem do Alexandre Garcia??? Propor conversa, diálogo entre eu e você, topa? Não somos blogueiras por acaso. Adoramos papear sobre a maternidade e acreditamos na força dessa conversa. E a pergunta da semana é: o que você acha do parto humanizado?
Entrevista c/ a parteira tradicional Suely Carvalho
5 minutos atrás











15 comentários:
Pra mim, é imprecindível no parto humanizado a figura do parto normal, é claro q existem suas exceções. Principalmente, o parto humanizado é aquele em que a vontade da mãe é respeitada e que ela tem todas as informações em mãos para decidir de forma consciente o que ela realmente quer. O parto humanizado pra mim, n é definido, por aquele com anestesia, ou sem, com episio ou sem, mas aquele em que a vontade da mãe não é só levado em conta, mas é respeitada e atendida mediante as posibilidades do momento. Eu considero que meu parto foi humanizado, pq foi do jeito q eu quis. Teve episio, embora estivesse em dúvida em querer ou n, n era algo q me perturbava, n teve anestesia (eu quis, mas n deu tempo, hihi..) mas principalmente a médica respeitou a minha vontade de ter um pn, até pq segundo ela eu tinha muitas condições de ter e juntou uma equipe de mulheres, q foi algo que pedi muito a ela. Desejo meu, já que falei q n ficaria a vontade com um médico homem, ela me entendeu, me respeitou e fez de tudo p q fosse do meu jeito. O parto humanizado, é aquele com que sonhamos.
Não acredito! Estou bege... Uma das minhas frustrações foi ter feito uma cesariana de emergência no nascimento do Tomás. Não pude pegá-lo assim que nasceu, desmaiei depois do parte e acordei tendo perdido duas horas da vida de quem mais eu amo. Então, eu acho que o parto humanizado deve ser a primeira opção de qualquer mulher. E que poucos homens entendem do assunto.
Ceila, eu sou super pró parto humanizado. Tive dois partos normais, o primeiro dele na Espanha e bem pouco humanizado e sei bem a diferença entre eles. O segundo foi a melhor experiência da minha vida.
No entanto 99% das minhas amigas é contra, e até acho que me olham como "aquela com a fofa frouxa" - o que é uma grande bobagem, diga-se de passagem porque os músculos voltam ao lugar direitinho, viu??
E eu prefiro não discutir. Ouço as besteiras tipo "tive que fazer cesárea porque o cordão estava enrolado" ou "o médico só quer esperar até 38 semanas, depois disso é só sofrimento para a mãe já que o bebê já está pronto"
Mas sou culpada. Porque engulo tudo, pensando que cada um sabe de si. Porque prefiro preservar a amizade. Mas principalmente porque, como já tenho as filhas que quero e não pretendo engravidar mais, acho que o parto acabou virando assunto do passado.
É uma pena.
Absurdo!
Como se ele soubesse a respeito do que está opinando...
Falando em guetos, me irrita profundamente ter consciência dessa subserviência de muitas mulheres, desse medo de opinar, dessa voz que nunca se faz ouvir, seja por medo ou acomodação.
Não sei se me fiz entender e VIVA O PARTO HUMANIZADO!
Obrigada pelo post!
Beijos
Gi & Lucca
Olá meninas, queria mandar uma sugestão de post para vcs. Podem me mandar seu email, por favor?
O meu é anaflavia.lacchia@ketchum.com.br
Obrigada e abs,
Ana
Olá,
bom, eu não discuti muito parto nem quando estava grávida. Tinha um pouco de medo do parto normal e falava sempre que aconteceria o que viesse primeiro. Isaac nasceu prematuro, eu fiquei em trabalho de parto por 6 horas e não tive dilatação, nem tempo pra um parto normal. Foi cesárea e não me arrependo. Mas sou super a favor de tudo o que é humanizado. E acho, de coração, que o alexandre garcia (profissional que respeito) deveria esperar a próxima encarnação, quando nascer mulher, pra falar sobre algo que envolva tantos detalhes e sentimentos.
pronto. falei.
Ceila, postei hoje o texto sobre a publicidade infantil: http://viajandonamaternidade.blogspot.com
bjocas
carol
Olha só, o que me incomoda nesse assunto todo sobre parto é o radicalismo, e acredito que muitas pessoas acabam falando um monte de besteiras porque encontram esses radicais pelo caminho. Parto humanizado na minha opinião é o ideal, mas infelizmente não é o único caminho. Eu sonhei e idealizei um parto normal e não tive condições. Acredito plenamente no médico e as condições eu que eu estava me obrigaram a uma cesárea. Sou menos mãe por isso? Claro que não! Mas até isso eu já escutei de uma radical defensora do pn.
Na minha opinião o melhor parto é aquele em que a mãe e o bêbe passem por ele da melhor forma possível.
Bom, moçada, vamos separar o assunto por partes (sem alusão ao açogueiro ou Jack, pois o contexto não é de piada).
Tenho duas filhas e assisti os dois partos. Da primeira filha confesso que foi sem querer mesmo, pois não curto muito o ambiente e esse monte de sangue pra lá e pra cá, além do medo de ver minha esposa toda cortada. Mas ela agarrou na minha mão e literalmente me puxou. Não pude lhe negar a assistência. NÃO ME ARREPENDI e jamais vou me arrepender, pois o que vi vai ficar gravado na memória pra sempre. Lembro até de aparecer um pessoal na porta oferecendo filmagem e eu quase anestesiado como minha esposa, só consegui balbuciar que não. Pra quê? Esse filme posso acessar e rever quando e onde quiser. Ah, e esse negócio de ver a esposa cortada, esquece. Tudo é feito muito profissionalmente, de forma que não choca, você quase não vê o corte (na cesária) e só te chamam mesmo na hora de tirar a criança. Você olha ela sair, sabe que é sua esposa que está ali, mas a emoção é tanta e a equipe passa confiança que é como se não fosse com a sua esposa.
Da segunda filha eu mesmo avisei a médica que queria entrar e assistir. Foi só emoção. Nas duas ocasiões minha esposa se sentiu melhor, mais tranquila e menos tensa no pré-parto. Não só apoio a presença do pai como aconselho a todos (claro desde que não atrapalhe a equipe, pois o pessoal já tem trabalho pra caramba, e que tenha o consentimento do médico). Acho que a presença do pai desde essa hora cria um víncuoo mais forte com os filhos.
O outro lado do parto humanizado, e que em muitas maternidades falta justamente o lado humano, é a escolha da mãe pelo parto "natural" ou pela cesária. Digo isso porque é quase uma tortura o que algumas maternidades (que ganham até prêmio pra incentivar o "natural") fazem com as grávidas, num eterno vai-vem da casa pro hospital. Sofrimento desnecessário. Já soube de casos de complicações de parto e até mesmo de óbito, tudo por causa da demora na realização do parto.
Outro assunto, o das mães soropositivas, claro que como em todo caso especial, que inspira cuidados, a gravidez deve ser assistida, o casal bem instruído (principalmente nessa campanha do governo, pois envolve a comunicação de massa), ou seja, quanto mais informação e infraestrutura adequada (para não ficar só na utopia), menor a probabilidade de erros no acompanhamento, contaminações, infecções hospitalares, procedimentos errados, risco para a equipe médica ou negligência dos mesmos. Tudo uma questão de vontade e de não transformarem coisas aparentemente simples (mas não menos trabalhosas) em trincheiras de batalhas ideológicas. Esqueçam ideologia, demagogia, utopia (e outros ias que não são inúteis, mas nada podem ajudar nesse momento), dogmas, mistérios da fé e da medicina, supostas benesses da "moral e dos bons costumes". Pensem realmente no SER e na palavra que o completa, o HUMANO.
Abraços, que já falei demais, rsrsrs.
Manoel
Existe uma diferença entre parto humanizado e parto normal.
Parto humanizado é aquele onde a mãe tem papel ativo, e as suas necessidades estão em primeiro lugar (seguidas das do bebê claro).
Uma cesárea pode ser um parto humanizado.
E por outro lado existem partos normais que não são, como o meu primeiro.
Mas é uma coisa que só fui saber depois do segundo, este sim humanizado.
Absolutamente, mulheres que fazem cesáreas não são menos mães que as outras, assim como quem não amamenta também não é menos mãe.
É tudo uma questão de escolha (salvo casos de problemas específicos), e o importante é que esta escolha seja da mulher bem informada, não de médicos e terceiros.
É mesmo lamentável que um formador de opinião se manifeste de uma forma como essa... Completa ignorância a respeito do tema é inconcebível! Não consegui sequer ter partos normais, embora tenha esperado até 42 semanas. Não sei o motivo... As crianças não encaixavam, quase 80% dos partos realizados pela minha médica são normais, mas não conseguimos. Admiro profundamente quem conseguiu ter partos normais, ainda mais o parto humanizado. Essa deveria ser a tendência porque é o natural, é o que a natureza nos proporciona. Sendo assim, considerando que Alexandre Garcia tem um espaço privilegiado para divulgar suas ideias, num veículo como o rádio, que atinge um grande número de ouvintes, ficam a indignação e o lamento! Mas não bastam! Vamos debater o assunto nos blogs, vamos colocar a boca no trombone!
Mariângela Simão, diretora de um departamento do Ministério da Saúde, deixou esclarecimentos neste post - http://www.nossosbebes.com.br/?p=1031 - Absurdas as declarações do Alexandre Garcia!
Primeiro que o termo "humanizado" me incomoda semanticamente. Se é um parto e se foi feito em mim, só pode ter sido humanizado. Extraterrestre é que não foi. Termo idiota, redundante, raso. Natural ou cesária, é humanizado de todo jeito, repito. No meu caso, sou absolutamente a favor da cesária. Fui ter minha filha com data marcada, unha feita, maquiada, cabelo escovado, não faço ideia do que seja sofrer de dor de contração, vi minha filha ser retirada de dentro da minha barriga, morri de chorar- linda e maravilhosa- e me sinto a mãe mais feliz, realizada e completa do mundo! É muita frescura, culpa católica e ranso patriarcalista achar que é mais mãe quem sofre mais no parto. Passo adiante tamanha ignorância!
Agora, se vc que está lendo isso aqui gostou de ter o seu parto natural, que bom pra vc. Só não dá é pra ficar pregando isso como se fosse a única forma correta de se ter filho. Que cada uma tenha como lhe convém, respeitando as limitações médicas que lhes foram impostas.
Por fim, não me senti nenhum pouco ofendida com a opinião do Alexandre Garcia.
mesmo que ainda haja opiniões ignorantes o melhor de tudo é que hoje se discute e se pode escolher a forma da criança nascer. o medo das mães do parto horrível e traumatizante pode ser discutido e esclarecido. o ruim é quando todas as vozes, ou pelo menos as que se fazem mais ouvir, falam somente uma coisa. em todas as classes sociais isso está sendo discutido e (para quem se interessa) esclarecido. do mesmo jeito hoje se fala mais sobre aleitamento materno, usar a chupeta ou não etc. ruim era quando diziam que leite materno é fraco. ruim era quando o parto normal era a única forma de parto, e muitas mães e crianças morriam. os alexandresgarcias da vida existem justamente para que a discussão e esclarecimento ñao parem nunca. e adorei o blog! espero q o site volte! bjs!
Vamos estudar seriamente
o processo do parto antes falar sobre. Vamos acreditar mais na sabedoria do nosso corpo. Tive meu filho de parto normal, meu marido do meu lado o tempo todo. É lógico que existe a dor , o medo, mas fiquei conectada ao sentimento de amor e foi lindo me senti forte, pude acompanhar meu filhote juntinho, o unico momento que não deu para escapar foi a aplicação da injeção de vitamina K nele.
Viva o parto normal Vamos respeitar a mulher-mãe sendo a favor do parto humanizado!
Nossa, que medo! "Coloque a sua mulher pra parir de cócoras, vai estourar o joelho"... jesus, santa ignorância! "O pai barbudo, bêbado, sujo de poeira da rua, pra infectar a sala cirúrgica..." Confesso que tive vontade de dar um tiro nesse mané.
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