Parou pra pensar o quanto você e eu buscamos sentido na vida? Pense um pouco: tem alguma ação ou reação na vida que não lhe faça pensar o porquê aquilo aconteceu. Quando a gente não entende bem uma coisa, a primeira dúvida é: mas por que raios isso aconteceu comigo?
Razão, razão e razão. Precisamos racionalizar tudo. Até mesmo a morte! E..., no nosso caso, haja razão pra ser mãe, né. A gente fica doidinha em busca de respostas para conseguir resolver certos desafios como o choro do bebê ou a hora do sono. Enquanto a maternidade não vem, a gente fica buscando sentido pra ela, definindo exatamente quando e porquê queremos, ou não, ter filhos.
É tão louco essa busca pelo sentido que a bichinha faz parte até de teorias. YES!! Conceito, coisa que algum humano observou, formatou, inventou (talvez), constatou e todo mundo aprovou. Uma delas ensina que a comunicação tem como missão transmitir mensagens. E o que são mensagens? Algo que faça sentido pra mim e pra você. Ou seja, algo que faça sentido pra maioria. É por isso que a mídia foi classificada como o QUARTO PODER. Ela dá sentido a coisas. Mas tal teoria ALERTA e ensina que as mensagens não são recebidas da mesma maneira. Porquê?
A teoria explica as diversas razões e não é casod e trazê-las aqui. Mas eu acabo de ler um livrinho (nada a ver com teorias) que me deu a certeza de que uma das razões da mensagem da mídia não ser percebida sempre da mesma maneira por todos é de que as coisas nem sempre tem sentido. O quê??? Uma vida sem sentido???
É, eu sei, soa estranho. Mas esse livrinho (se preferir comprá-lo, custa 30 reais nas lojas e 11 reais em sebos) deu sentido, pra mim, a certas coisas que não tinham sentido na minha percepção de mundo. Exemplo? Porquê coisas ruins acontecem às pessoas boas? Qual é a razão de os miseráveis morrerem numa enchente ou das centenas que morrreram num acidente de avião ou de um filho nascer com alguma deficiência? São justamente dessas coisas sem sentido que o tal livro discute tão bem sob a perspectiva religiosa.
Eu confesso que sempre sofri muito com minha escolha religiosa. Nasci mineira católica apostólica romana numa cidadezinha do interior, vesti de anjinho pra coroar Nossa Senhora na procissão e sofria horrores quando a hóstia grudava no céu da língua. Mas cresci e não podia ser tão ingênua a ponto de acreditar num Deus que julga, que impõe o sofrimento como mérito para conseguir viver ao lado do papai do céu e que pune aquele que desobedece...Então, sempre tive dificuldade de assumir em o que, afinal, eu acredito e em qual grupo religioso me encaixava. Adoro rituais, sinto uma energia misteriosa e acredito muito no poder da união de pessoas, coletivos, redes, grupos, comunidades... Eu acredito, mas em o quê?
O livro Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas, escrito pelo rabino Harold S. Kushner, mostrou um Deus nada juiz e muito menos onipotente. É um Deus que nos deu a liberdade de fazer escolhas num universo não-racional. Ou seja, mesmo que eu faça a escolha certa, o resultado dela é imprevisível. Não há garantias. E, por isso mesmo, não há culpados. ATENÇÃO: nem sempre há culpados. Nem sempre você merece passar por isso ou aquilo. Você pode ter agido certo, mas tudo deu errado.
Numa vida sem sentido é muito mais complicado viver porque não há razão para ensinar ao seu filho o caminho certo. Afinal, mesmo que você determine este caminho como o ideal não há garantias de que ele o seguirá. E, detalhe, se você for a imagem e semelhança de Deus e dar a liberdade de escolha ao seu filho, corre o risco dele escolher o caminho errado. E aí???
O que fará diante da escolha errada do seu filho? Dará seu amor em troca do erro, sua compaixão pela consequência sofrida, ou não? Há algo a mais que você pode fazer por ele?
Resumo da ópera: o livro teológico de Kushner pode ajudar, e muito, na culpa materna. Eu o indico às mamães culpadas e áquelas que ainda não se decidiram em o que acreditar... Boa leitura!
O algoz também é vítima
2 horas atrás












6 comentários:
Assunto complexo e delicado. Muito.
Antes do Isaac nascer eu achava que acreditava em algo. Depois mudou tudo. Fiquei mais apegada aos valores que aprendi com a minha avó, nas missas de manhãzinha. Me tornei mais intensa, em tudo, inclusive na religiosidade. Acredito em Deus e nas diversas formas de me "religar" com ele. Acredito nesse sentido de religião, o de estar em contato. Respeito e ouço as várias denominações e crenças que me unem ao Deus que acredito (aquele do catolicismo, com uma pitada da realidade e tudo o que a ciência nos ensinou da Bíblia até hoje).
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Ceila! Convite aceito viu? Assim que postar te mando o link.
Bjocas e obrigada!
Carol
viajandonamaternidade.blogspot.com
Oi Carol, fico tão feliz em ter aceito o convite. Na sexta a gente começa essa conversa e você conhece as outras mães que também toparam enfrentar esse outro tema polêmico...
Esses dias ouvi de uma amiga que não frequenta nenhuma igreja que se considerava a mulher mais religiosa do mundo justamente pelo termo re-ligare, de religação com divino. Acho que a maternidade propicia esse re-ligare, né!
bjkas e inté nosso bate-papo via blogs!
Chamo de fé o que sinto e de Deus a força em que eu acredito que criou tudo isso, mas além de tudo acredito que nossa existência é mais do que apenas uma vida. Acredito em dimensões diferentes, em planos diferentes.
Na minha casa meu marido é ateu, eu sou crente (do verbo crer) e tento passar para meu filho um caminho, pq se fazemos os filhos acreditar em papai noel, fada dos dentes, coelhinho da páscoa, pq não em Deus?
Talvez o Deus que habita em cada um de nós.
Eu também cresci na igreja católica e também senti um pouco do que você descreveu, mas principalmente não gostava da competição e da fofocada que havia dentro da igreja e principalmente durante as missas.
Também tenho muitas dúvidas e em alguns momentos me revolto e me desespero com as injustiças e tragédias, mas acho que isso faz parte de Ser Humano.
ötimo post
bjks
Gostei do post e da maneira sincera e delicada que voce se posiciona. Tambem nasci catolica, mas depois de muito tempo de busca, questoes e afins encontrei um Deus que é muito mais um amigo que um juiz. E é Nele em quem me apoio, coloco a vida do meu filho diante Dele, pois é o que tenho de mais precioso.
Certamente a maternidade nos aproxima de Deus. Não tem como ser diferente. O fato de dar a luz a uma nova vida nos torna parte deste Deus incrivel, mas misterioso em alguns momentos. Com o nascimento de um filho desenvolvemos mais compaixão, amor e a busca incessante por algo maior, que dê sentido a nossa existência. Vou tentar achar o livro por aqui, achei otimo o tema!
Abracos,
Oi Bia, que comentário mais gostoso. obrigada! Olha, um dos links deste post tem o livro inteiro via Google Books, ok? Se quiser começar a leitura via máquina, basta acessá-lo. Boa leitura!
Cristiane, quanto tempo!!! Vc tem razão essas revoltas faz mesmo parte do ser humano, mas tentar entendê-las pode nos transformar e buscar novas alternativas que nos tragem menos revoltas, mais paz e equilíbrio. Bjkas e obrigada pela visita!
Estou a cada instante de leitura aqui mais apaixonda pelo que leio!
Nossa, começar a escrever em blog tem me possibillitado encontrar pessoas que questionam o que não nos é permitido questionar, portanto, quase inquestionavel. Isso me faz sentir peixe dentro d´água.
Eu penso que cada um de nós é resultado de uma gama de "ingredientes": educação, religião, grupo social, genética, características próprias e muito mais. Se a gente não se enxergar assim, tudo fica sem sentido. Então, por que o sentido das coisas está em resumir tudo a uma única ótica e quem quer ver mais, mesmo que não faça sentido geral está fora de órbita?
Fico feliz, mesmo, em poder ver que mais e mais blogueiros mergulham no que chamo de movimento "vamos deixar um mundo melhor para os nossos filhos e filhos melhores neste mundo".
Parabéns, para vocês!!!
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