Comecei a fazer o que
Kaká Werá cita em seu blog sobre o fim dos ciclos. É hora de passar a limpo as situações, coisas, armários, janelas, textos, sonhos...Por isso, cá estou eu, cheia de links pra indicar e tentar costurá-los. A roupa que se forma nestes links é a minha maternidade.
Explico: Eu sou o tipo de mãe que ama ler para filha. Essa é minha brincadeira, esse é meu criancês, estória pra mim significa cuidar do outro. Eu sou um belo desastre
quando penso nos exemplos de mães que cuidam da alimentação ou saúde. Eu não aprendi cuidar nem da minha alimentação e saúde, imagine cuidar e orientar a do outro?! É aí que mora minha frustração materna.
Minha mãe leu pra mim quando era criança. Pouco, muito pouco.
Mas ela leu. Resultado: eu gostava de ler quando era criança. Tive muito pouco acesso a livros, mas tive. Minha mãe comprava as coleções que eram vendidas porta a porta. Eram lindas, lindas, dava até medo de manusear. Mas nunca me reconheci uma ratoeira de biblioteca. Li muito pouco até.... me tornar mãe.
A maternidade resgatou meu amor pela leitura. Na verdade sinto que a
maternidade ME resgatou. Ler aqui em casa, agora, faz parte da rotina.
Essa é tal "roupa" que começou a ser costurada
aqui. É o link que fala do meu desafio de ler
Reinações de Narizinho, livro de Monteiro Lobato, para Malu. Foi assim que eu descobri a
Cassy que me ensinou a importância de ler fábulas enquanto eu brigava "na minha curva"
de ser a mãe que existe dentro de mim. Mas "a curva" foi crucial para realizar a festa dos cinco anos da Malu (vejam as fotos) e encontrar a artista
Chris Ferreira - uma mãe de dar inveja pela arte das mãos ao cuidar das filhas. Veja o que a
Chris apronta dentro de casa no blog dela. São essas costuras que me faz sentir bem com quem eu sou e perceber a diversidade da maternidade.
Eu sou a melhor mãe do mundo quando leio para minha filha, mas nem por isso sei o caminho para encarnar esse poder dentro de mim. Vou aprendendo aqui com muitas curvas a praticar
"o tipo de mãe que sou". E, muitas vezes, descobrindo o desafio e o esforço pra ser o tipo de mãe que não sou...mas que faz parte da missão de ser mãe.
O link do Kaká (lá em cima) surgiu com a descoberta das fábulas. Li Monteiro Lobato, com algum sacrifício e de certa forma pode mesmo ter sido um "erro" porque foi muito cedo para Malu, mas só por meio da leitura de Lobato encontrei o caminho das fábulas de Esopo, das Histórias Brasileiras de Ana Maria Machado e agora encontrei
Iauaretê. E mais ainda: só com a leitura precoce de Lobato, Malu viveu os momentos mais mágicos da vida dela ao falar com a
Emília no telefone, ao encher os olhos de água ao vê-la pessoalmente e ao ficar em dúvida se a Emília era a Emília de verdade. Ou seja, as curvas são cruciais para criarmos nossa própria caminhada mesmo quando os "manuais" estão certos -- e nós não o seguimos de raiva deles existirem e dizer o que é certo ou errado (risos!). Raiva com amor sempre dá certo! Por isso, eu acredito mais nos instintos maternos...
O Desabafo de Mãe -
meu grande karma (ufa!) - só tem sentido porque é através das experiências de outros tipos de mães que consigo
descobrir e acreditar no tipo de mãe que sou. Eu só dedico meu tempo a tudo isso porque sei, COMO JORNALISTA PROFISSIONAL, o quanto a MÍDIA nos influencia, determina de certo modo a nossa cultura e hoje tem sido um instrumento muito importante
não só para nos informar, mas também para mostrar como devemos viver a nossa vida e no que devemos acreditar. E isso, muitas vezes, nos faz sentirmos culpadas, erradas, feias, bobas, ruins....argh!
São por essas razões que acredito que só a diversidade materna ( leia-se diferentes tipos de mães) tem capacidade de mostrar a cada uma de nós que não existe manual que determina certo ou errado, mas a
descoberta de você mesma em ser o tipo de mãe que você é e aprender com as curvas e as escolhas a se transformar num ser humano melhor, que muitas vezes você não é e, talvez, nunca será. Mesmo assim, com certeza:
você é a melhor mãe do mundo. Só precisa saber qual é tipo onde você encarna esse poder. Boa sorte para navegar nos diferentes links da maternidade!