Conheci Maria Mariana, durante o programa Sem Censura, e de cara me simpatizei com ela. Super educada e bastante solícita, ela questionava sobre a maquiagem, mostrava as fotos da família e assim fui entendo a razão da sinergia. Eu sou apaixonada pelo fato de ter me tornado mãe, mas aquela mulher tinha mudado radicalmente a vida em função da maternidade. Mas só entendi o motivo dessa simpatia que sentia no primeiro olhar, quando li o último capítulo do livro Confissões de Mãe. Mariana conseguiu fazer uma escolha, que de certa maneira retratava um pouco da dor que sinto quando o fechamento da revista ultrapassa ás 21h00 e sei que não poderei fazer minha filha dormir naquela noite.
Eu nunca tive vontade de ficar 24 horas por dia dentro de casa, cuidando exclusivamente da minha filha, mas sinto muita vontade de ficar mais tempo ao lado dela. Essa dor da ausência da Malu, ás vezes até insuportável, é o principal sentimento da minha vida agora. É por causa dessa dor que cresço, me reviro em quatro, que busco cada vez mais meu papel feminino dentro de mim e que contribui, e MUITO, para eu me encontrar em tantas outras mulheres. A escolha que Mariana fez, infelizmente, não é válida como uma opção para a maioria das mulheres. Motivo? Grana.
Enquanto lia o livro, durante o vôo de volta para São Paulo, fui descobrindo pedaços da maternidade que já fizeram parte de mim e de tantas outras mulheres que levantam a bandeira da amamentação ou do parto natural. Mas, aquela leitura também me mostrava uma mãe peculiar como todas mães que leio no Desabafo de Mãe e pelas centenas de blogs que já acompanhei durante esses três anos de maternidade online. Ou seja, uma vivência apenas. Pode até ser que alguma mulher encare tal vivência como referência. Eu, particularmente, prefiro construir minha própria referência.
É bom lembrar que o risco de qualquer ser humano ao se confessar é de mostrar fragmentos do seu próprio eu. Ninguém consegue confessar-se por inteiro. Mas, quando uma mãe se confessa, ela entrega um fragmento intenso, forte, extremamente agora. É puro sentimento.
Eu não tenho dúvida nenhuma de que a maternidade é transformadora. E tal transformação passa, principalmente, pelo reconhecimento do outro. E, neste caso, o outro geralmente representa o papel do homem na nossa vida. Mariana reconheceu um companheiro, que assume o papel do marinheiro que navega a partir da bussóla feminina que ela aprendeu a se tornar dentro de casa. A sensação, diante do aprendizado de Mariana, é de que essa construção foi tão forte que tornou-se algo sagrado. Tão sagrado que valeria evangelizar, divulgar, publicar o livro. Pelo menos, essa foi a minha percepção ao ler Confissões de Mãe.
Mas Mariana conseguiu mais. Muito mais. Alguns classificam como polêmica, eu prefiro assumir que Mariana conseguiu trazer á tona a roda de conversa. Escrevo aqui porque li ali, acolá e o que não falta é mãe se confessando pela rede um pouco dos seus próprios fragmentos em função da entrevista da Época, cujo título é: Maria Mariana - Deus quer o homem no leme ( dica de lista de discussão de mulheres via email). A roda de conversa, que surgiu em função daquilo que Mariana acha, resulta num pedaço registrado da maternidade de agora. E porquê raios agora precisamos falar de algo tão comum como ser mãe? Hummmmmm, adoraria ter feito Ciências Sociais para começar tal resposta, mas sou apenas uma mulher, mãe, que trabalha e busca de uma forma insana um equilíbrio entre tantas atribuições.
Já li muitos relatos sobre mãe. Só no Desabafo, foram mais de 1 mil até agora. Todos tem algo em comum, mas nenhum deles defende a mesma coisa. A diversidade das mães é algo que me impressiona a cada segundo. É óbvio que há seus guetos e quando eles se formam, a identidade é tão forte, essencial, necessária que não há nenhuma dúvida de que aquele interesse é uma verdade absoluta. Afinal, estamos falando de alma, de crenças, de vida, de construções... Do HUMANO, esse ser complexo que, cá entre nós, eu te pergunto: basta dizer apenas que é um bicho, animal racional, pensante, sei lá...?
OK. E daí, né? O que você quer saber mesmo é se eu concordo , ou não, com aquilo que a Mariana escreveu ou aquilo que a Época publicou...Mariana erra quando traz sua vida á tona como uma resposta à maternidade. Eu concordo que é preciso resgatar mais feminino e se aprofundar mais dentro de si mesma para formação dos nossos filhos. Há muito descaso, sim, na maternidade. Porém, discordo que amamentação é pra quem merece. Não é um detalhe mesmo, mas é um processo único de cada um. Agora, há um exagero em atribuir o sagrado à maternidade. Eu tenho muita fé e acho muito importante cultivarmos nossa própria espiritualidade, mas isso não é maternidade.
E pra continuarmos essa roda de conversa, eu coloco o livro disponível para quem quiser ler. Basta comentar aqui e me mandar email com endereço. SÓ TENHO UM LIVRO, logo o critério será para o primeiro que dizer aqui que deseja o livro. Se houver interesse de mais uma pessoa, acho que seria legal dar o livro para quem tem o hábito de colocar livro na roda após leitura, ok? Assim, o livro roda para outros interessados.
Fui!
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1 hora atrás






