Eu nunca tinha entendido o desejo enorme que sempre senti pelas dores do parto. Bastou descobrir a gravidez para o desejo de ter um parto normal invadir minha alma, meu corpo e minha vida. Agora (acabo de descobrir como foi o meu parto) esse desejo começa a ganhar sentido... Foram quase 48 horas de dores para eu nascer...Eu só cheguei ao mundo via faca e cirurgia assim como minha filha.
A diferença é que a Malu nasceu após oito horas de contrações, mas eu demorei quase DOIS DIAS - minha mãe quase morreu!!! Ela explica que tinha útero virado ou um problema qualquer que a impediria de ter parto normal. Eu tinha tudo certinho, mas a Malu não descia e quando nasceu estava com tres circulares de cordão umbilical preso no pescoço. Eu ainda choro pela cesárea e desejo um parto normal.
Ah! Como eu queria conhecer o gostinho de parir suando, chorando e sorrindo...Imagino que deve ser a maior emoção do mundo!
OK! Calma! Eu sei e conheço que a emoção de ter um filho via cesárea existe, mas ainda desejo e sonho pelo parto normal. Coisas de humano.
A idéia deste post, entretanto, não é conversar sobre a dobradinha parto ou cesárea ( informação é o que não falta sobre isso. Basta usar o Google ou ir em qualquer banca de jornal). Minha descoberta está no fato de voltar ao meu parto só agora depois de 35 anos!!! Eu ouço há muito tempo sobre meu nascimento: a dificuldade, os médicos, a falta de infraestrutura no hospital, os choros e as dores...mas nunca tive a atenção necessária para ouvir os mínimos detalhes, encará-los de frente e re-pensar sobre minha chegada.
Como assim, você se dedica ao Desabafo de Mãe e não tem detalhes sobre seu parto?
Fiquei com vergonha quando ouvi do outro tal indagação. Afinal, o outro tem razão. Eu tinha que saber tudo sobre isso, né? Não! Não precisamos ser as experts desde o momento em que Ser Mãe torna-se uma missão de vida. Pelo contrário. É justamente o aprendizado de mães e a diversidade do conhecimento que pode ser trocado entre nós, as especialistas em parto, as especialistas em histórias, as especialistas em receita, as especialistas em educação e por aí vai que dá sentido à maternidade, a internet, á minha vida, á sua e ao projeto Desabafo de Mãe.
Conhecer mais de você pela paixão do outro começa a dar sentido a suas dores, aos seus desejos e até nas suas transformações. Mas isso jamais a tornará especialista senão for a sua grande paixão e missão de vida. Eu estou começando agora a resgatar meu parto e isso tem sido muito importante pra mim. É por isso que lhe pergunto: como foi seu parto? Não aquele onde você teve chance, ou não, de fazer uma escolha se seu filho chegaria numa sala de cirurgia ou só na hora normal do parto. Mas sim o parto que trouxe você ao mundo. Sabe exatamente o que seu pai sentia, onde ele estava e como foi o apoio dado á sua mãe?
Tem sido muito mágico eu voltar ao meu parto e, por isso, resolvi compartilhar contigo essa experiência. Quem sabe essa magia não pode acontecer com você também num processo de re-pensar o passado para transformar o futuro. Conte um pouco pra gente o que significa pra você descobrir o seu nascimento, agora que você também é mãe!!!
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










11 comentários:
Agora fiquei cheia de curiosidade tambem :)
Sei que foi no hospital e foi parto normal..mas faltam-me os pormenores.
Obrigada por me lembrares de falar isso com a minha mãe :))
Beijinhos
Meu parto foi normal..ou seria anormal...meu pai não estava lá minha avó que estava..e eu estava tão apressada que saí na mão da enfermeira...com o médico colocando uma luva(oi?)eu queria era lovo ver esse mundão e "viver a vida"...sou chique benhê...
Mãe carinho, muito bom saber que motivei vc a rever esses momentos com atenção em longos bate-papos com sua mãe e seu pai. Boa magia!
Pri, com uma chegada dessas não dava pra vc ficar sem saber todos detalhes, né! Mas fiquei curiosa se vc continua tão apressada como naquele dia?
Oi Ceila... sou cunhada da Lu Ivanike, e ela sempre fala do seu blog. Por isso vim dar uma bisbilhotada... Adorei!! ainda não li muita coisa por falta de tempo, mas não por falta de vontade...
Meu parto? foi normal, e tb fui um tanto quanto "apressadinha"... minha mãe ficou em TP de manhã e na hora do almoço ela tava no hospital... meu pai não tinha tomado café nem almoçado, perguntou pro médico se dava tempo de fazer um lanchinho antes do parto, e o médico garantiu que sim. Quando ele voltou, eu já tinha nascido!! hehehehe...
Na minha gestação vi um vídeo sobre parto natural que sugeria essa conversa entre mãe e filha, como tinha sido o parto e tal... Eu já sabia algumas coisas sobre como eu tinha nascido, mas durante a minha gestação conversei muito mais com a minha mãe... nossa relação mudou muito depois que virei mãe.
Parabéns pelo blog. Lindo lindo!!
Beijos. Isa e Ana Clara.
Ceila nao gosto muito de saber sobre meu parto, porque eu nao fui querida, desejada ou sei la mais o que se pode dizer. Alias ouvi da minha mae, ate os meus 15 anos, que ela nao era feliz pois tinha engravidado de mim.
Se ela nunca me quis, porque iria se preparar para o parto, e foi isso que aconteceu, ela nao se preparou, e na primeira dor que sentiu correu para o hospital, no sabado, ficou la uma semana, pois eu so nasci na terca, isso porque medicaram-na erroneamente e la fui eu nascer de uma cesaria de emergencia, quando me tiraram da barriga da minha mae, ela conta que uma pessoa disse assim: "Pode embrulhar e jogar fora". Eu estava roxa e tive problemas por falta de oxigenacao no cerebro. Nao sei se essa fala e' verdadeira ou se ela pensou isso na hora.
So sei que quando eu engravidei, quis qualquer coisa, menos ter um parto como minha mae teve.
Ja digeri tudo isso, sei nao, talvez precise ainda de uns anos de terapia, so tento nao lembrar, para nao sofrer.
Desculpa o comentario enorme.
Bjs e fico muito feliz por saber que voce e sua mae se aproximam ao falar de algo tao bonito, tao vivo!
Gra
Eu nasci de parto "anormal forceps", coitada de minha mãe, ela diz que sofreu muito, eu era enorme pro tamanho do quadril dela, nasci com mais de 4kg, meu pai estava no hospital com ela, mas não assistiu ao parto. São raros os homens que nesta hora realmente ficam com suas esposas...
Ele diz pra mim que o medico falou, ou retirava na marra ou minha mãe não poderia ter mais filhos caso fizesse uma cesárea... Aí fico me perguntando: tinha que ser na marra?
Ceila, não temos mais onde postar nossos desabafos?
Isa, delícia te conhecer. Seja bem-vinda e muito bom saber que vc aproveitou esses momentos de dialogo com sua mãe ainda na gestação.
Gra, muito interessante saber como um dos anjos da minha vida chegou ao mundo (risos!!!). Olha, eu sempre acreditei que universo deveria ser obrigado a fazer terapia, mas apesar do sofrimento, acho que vale muito ouvir melhor sua mãe sobre seu nascimento para entender melhor tanto causos e histórias negativas e o quanto esse discurso afeta sua vida até hoje. depois dos 15 anos ou quando se tornou mãe vc voltou a falar com ele sobre aquele dia???
Silvia, legal seus questionamentos. tinha que ser na marra? adorei! Em relação aos desabafos, o meu maior desejo é vber o site no ar novamente, mas desde que perdemos o patrocinio de hospedagem estamos aguardando um amigo para fazer a migração do site. Já avançamos muito: conseguimos patrocinio de hospedagem e uma alma caridosa pra fazer migração de graça, mas precisamos esperar o tempinho livre dele...Vamos torcer juntas. é um processo simples, mas sem grana tudo fica mais demorado. assim que voltar vamos mandar email a todas cadastradas no site. Neste interim, também vamos trazer muitas novidades sobre o Desabafo. espero que gostem. bjkas e obrigada!
O meu parto foi normal e me lembro desde pequena perguntando para minha mãe os detalhes. Sempre soube em que hospital foi, alías eu adorava passar na frente dele só para ver o lugar onde eu nasci; sabia que estava calor; soube das dores; que tinha que fazer um cortezinho, etc...
Engraçado, agora observei que com toda a tecnologia que temos hoje:ultras filmadas, parto gravado, etc... as minhas filhas não manisfestaram grande interesse em saber como foi o nascimento delas.
Eu na idade da minha filha de 10 anos já tinha feito várias perguntas para minha mãe a esse respeito. Lembro também que eu sempre perguntava se ela tinha perdido algum bebê. Isso não aconteceu.
Legal relembrar desses momentos e compará-los com o comportamento das minhas filhas.
Oi Ceila, um dia voce tem que me explicar melhor essa historia de anjo, que eu ainda nao entendi nada, mas tudo bem.
Com relacao ao meu parto, quando eu comecei a trabalhar - aos 12 anos- comecei a ouvir historias de partos, e la fui eu perguntar mais sobre o meu, ouvi algumas vezes a mesma versao que eu ja conhecia de pequena e depois nao quis saber mais. Como engravidei por aqui, mesmo encontrando minha mae por 20 dias durante a gravidez, nao toquei no assunto. Prefiro deixar para la.
Mas mesmo assim, obrigada por se preocupar e perguntar.
Quando der passa la no meu cantinho tambem, saudades sabia.
Abracos
Gra
Sou a segunda filha de meus pais. Meu irmão nasceu em abril de 63. Pelas minhas contas, provavelmente devo ter sido concebida nas luzes do natal, na época do Advento e cheguei em aGOSTO de Deus do ano de 1964, aos 22 anos de minha mãe. Quando meus pais embalavam um bebe de 8 meses e toda novidade de marinheiros de primeira viagem. Mamãe conta que nos primeiros meses de gravidez, de meu irmão ela não estava muito segura se prosseguiria ou não. Mas graças a DEUS, deu tudo certo. Comigo foi diferente, ela conta que deseja tanto uma menina que deveria ter me batizado como Desiree (desejada). Na ocasião estavam tão duros que segundo a narrativa de mamãe ela ia a Igreja de Santa Terezinha em Higienopolis, duas quadras de sua casa e rezava para que tivessem condições de pagar a maternidade! E se desse tudo certo, e fosse a menina tão desejada ela daria o nome da santa. Deu tudo certo! Nasci na Promatre Paulista como minha mãe, meu irmão e meus três filhos. Só o nome...mamãe achou que Teresinha não era assim...como diriamos...muito chique. Então seguindo a tradição das familia todas as mulheres chamavam Ana alguma coisa. Fui nomeada: Ana Beatriz Teresa. Anos depois descobri Santa Teresa D Avila. Espanhola porreta, moderna para sua epoca, escritora e responsavel por imensa reforma na Igreja. Isto posto voltemos ao parto. Mamãe conta que ao chegar a maternidade ainda não havia terminado de passar a fita no chale que usaria para mim na ocasião de meu nascimento, ela conta que o Dr Andreoti, o médico, apressava e dizia que já estava na hora, e mamãe finalizando o chale. Na hora do parto ela disse que eu entalei Nem pra cima nem pra baixo. Ela descreve como aquela sensação incomoda quando se coloca uma roupa apertada e não consegue tira-la. Como sempre ouvi esta versão jamais me ocorreu perguntar mais, como vc nos propõe. Tem razão, onde estava meu pai? Como ele se sentia? Como era aquele dia? Quem ficou com meu irmão? Ihhh vc abriu um bom arquivo, assim que tiver oportunidade vou colher mais dados. Tenho que registrar que corro contra o relógio desde sempre! Faço as coisas de última hora, como o tal chale...e acredita que nunca tinha associado uma coisa com outra. Ta vendo! Estamos apenas no segundo dia de 2011 e já tenho tanto assunto!Sempre sonhei com parto normal, bolsa estourando, molhando tudo! fator surpresa, chegada da hora certa. Mas com meus tres filhos nunca a bolsa estourou, dilatação zero, dor de contração não sei nem o que é! E olha que meus tres filhos nasceram de 42 semanas!!! não tinha como esperar mais. Tudo cabeludissimo e de unhas compridas. Lindos! Foram 3 cesareas. Em 2000 no nascimento da filha do meio, fomos surpreendidos pelo serviço de filmagem com make off antes durante e depois do parto. Os dois menores tem este registro sensacional. O menor, de 5 anos assiste o parto da irmã tantas vezes como a maior assistiu a Branca de Neve. A do meio em certa ocasião chegou a perguntar se a maior era adotiva pois não tinha o tal filminho (mas o primeiro livro que escrevi foi o diario da gravidez dela). Nao filha, ela não é adotiva, simplesmente ela nasceu no século passado, em 1992 ainda não tinha este serviço. Bom é isso. Obrigada por me fazer pensar neste assunto, vai render boas conversas nestas férias.
Nossa, Biba, só agora vi seu relato ( relendo e revendo meu nascimento em função da chegada da Clarissa): fantástico! Espero que realmente esse post tenha frutificado várias conversas e descobertas sobre sua chegada ao mundo: obrigada pela partilha!
PS: Só pra dar continuidade, três anos depois de ter investigado mais meu parto, eu voltei de novo a buscar ainda mais detalhes de como cheguei ao mundo e descobri muita coisa nova que hj faz todo sentido para o que eu vivo agora com a chegada da Clarissa e do que eu vivi na cesárea da Malu...Haja terapia e mergulho profundo!
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