Pesquisei, mas não achei nada. Minha sensação era de que já tinha falado sobre Raça e Preconceito por aqui e queria resgatar isso porque mudou muito meu olhar sobre esse tema. Sinto que agora sou mais consciente. No passado, eu tinha medo de ter preconceito. Ficava me questionando o tempo todo sobre hipóteses para provar se realmente eu não era preconceituosa. Exemplo: como reagiria com netinho negro? Será que eu o trataria com mais cuidado que os outros...Hoje me questiono menos porque entendo que essa angústia e receio são frutos do preconceito que existe no nosso cotidiano e, detalhe, na nossa história de mais de 400 anos de escravidão.
Por mais hipóteses que busco para ter certeza se sou, ou não, preconceituosa, nunca terei a certeza absoluta. Essa resposta é diária e deve ser dada na prática quando deparamos com o diferente e escolhemos tratá-lo como um irmão/"igual", ou não. É no cotidiano que existe a diversidade e não em hipóteses ideológicas. Não é fácil fazer sempre a escolha da diversidade porque ainda há muitos fantasmas rodeando nossos olhares e, ás vezes, nem percebemos que agimos mais como nossos antepassados do que com a nova realidade.
Criança ajuda muito a gente ver diverso, mas também a fazer preconceito. A esponjinha quando sai de casa ouvi os estigmas, os símbolos e de repente começa a te expor um mundo do século passado. Uma das coisas que me incomoda muito é a ESCOLA que ensina o Dia do Índio igualzinho eu aprendi. Ou seja, um homem que anda pelado, mora numa oca e é preguiçoso. É difícil trazer os milhares de outros lados. Museu Africano, no Parque Ibirapuera, me ajudou muito a mostrar para Malu a diversidade do índio e do negro, a chegada dos escravos, a cultura colorida e cheia de deuses. Até tentei falar da luta e mostrar as histórias, mas não houve interesse. Tudo ao seu tempo.
Por enquanto, ainda não veio nenhum fantasma da escola sobre a Consciência Negra. E, na sua casa, já chegou tais fantasmas? Como tem sido o desafio?
Mas, confesso, que há muitos discursos do pretinho ou negrão carregados dos símbolos da inferioridade dentro da família. Antes eu parecia um general gritando, tentando mudar o mundo aqui e agora. Hoje já não me machuca tanto...Só entro em ação quando sou questionada pela Malu ou retomo aquela atitude quando estou contando uma história antes de dormir...Eu já indiquei aqui a coleção Histórias à Brasileira, de Ana Maria Machado ( são tres livros deliciosos cheios de coisa nossa). Eles me ajudam muito a falar do capira, da catequese dos jesuitas, folclore e tantas outras consciências necessárias sobre Quem Somos. Mas não tem muita estória para ajudar na construção da Consciência Negra. Se tiver dica de livro infantil que conta boas histórias para juntos começarmos um novo capítulo após os 400 anos de escravidão, please, compartilhe conosco!
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










4 comentários:
Já fui "vítima" de preceonceito. Namorei um menino na faculdade durante 3 anos. Ele vinha de uma família alemã que trazia junto uma bagagem enorme de preconceito. Eu: morena, baixinha de cabelos enrolados; ele: loiro, alto de olhos azuis. Eu não era convidada para as festas da família e quando o meu namorado me levava, as mulheres não falavam comigo e ficava claro (por esse e outros vários motivos) que o preconceito existia. Ele nunca fez nada pra mudar isso. E eu tb não.
Acho que todos nós somos preconceituosos, mas acho que é pq a sociedade nos faz assim (na maioria das vezes). Nós, pais, precisamos conhecer, pesquisar e passar mais informações para nossos filhos, para que eles tenham uma bagagem argumentativa e façam suas próprias críticas e sugestões.
Sou a favor de que todos sejam respeitados na sua condição de cidadão e ser humano, independente da cor, idade, origem, classe socioeconômica, gênero ou escolhas diversas e individuais.
Só não sou a favor do protecionismo, essa coisa de que uns devem ter privilégios sobre os outros por causa desse ou daquele motivo. Isto só acentua as diferenças que não devem existir e ainda oficializa o racismo/ preconceito. E isso jamais deve haver em um país miscigenado e multicultural, onde se prega a igualdade de direitos.
Muito se fala em "indenização" aos negros devido ao histórico da escravidão, o que mostra uma sociedade ainda dividida e preconceituosa. E o que é pior: presa ainda ao fantasma da colonização, o que já deveria ser superado, quase 200 anos pós-independência.
Se é preciso educar as crianças a fim de que vivam e convivam em uma sociedade mais justa e igualitária, é preciso também modificar o olhar de seus pais para esta realidade. Perceber que, apesar das repulsas e preferências, o respeito deve vir acima de tudo. Jamais incentivar a hostilidade e comportamentos destrutivos ao outro.
Só assim há de se construir filhos melhores para este mundo já tão desgastado pela maldade e egocentrismo humanos.
Isabella, acho que vc tocou nos pontos chave - sociedade e escolhas. Não há dúvida de que o passado da escravidão está aqui e agora entre muitas pessoas e isso influencia eu, vc e nós. Por outro lado, depende de mim, de vc e de nós fazer nossas próprias escolhas no dia a dia. Talvez a escolha seja o embate mesmo, mas pode ser que a escolha seja uma palavra amiga, um silêncio ou apenas uma constatação das suas próprias inquietações. O fato é que hoje como mãe me preocupo em informar e transmitir á Malu aquilo que me fez abrir os olhos. por muito tempo estive cega aos discursos extremistas do colonialismo versus colonizados. Hoje reconheço que se tivesse sido uma criança que conhecesse melhor a diversidadee pluralidade dos negros e indios teria capacidade de entender melhor os discursos extremistas e perceber que eles não são únicos e a razão da divergência. Isso faz uma diferença enorme para conviver melhor com o diferente. Boa sorte! E leio muito o livrinho da Ana Clara Machado com a Malu que fala da Menina bonita de laço de fita. é uma historia de um coelhinho branco e uma menina mulata que mostra que não dá pra ser igual ao outro por mais que esforçamos, mas dá pra amar o outro sem muito esforço.
Gigi, também já pensei muito como vc pensa agora em relação ás politicas afirmativas, principalmente, porque as encarava como política assistencialista. São conceitos completamente diferentes e se olhamos ele com jeito assistencialista vamos sempre cair neste discurso de que a política potencializa o racismo. Mas se o olhar for de politica afirmativa fica bem fácil de entender o porque não é um protecionismo.
Agora não há dúvida de que as interpretações são múltiplas e vão afetar eu, vc, nós e nossos filhos. A questão do tempo - já passou centenas de anos da escravidão e ainda esse discurso do fantasma e do passado, né??? logo agora que somos tão voltados a paz, a diversidade e ao PRESENTE, né? - também é bom argumento pra multiplicação das interpretações.
eu acho que respeito a gente só consegue quando conhece o outro e conhecer outro me remete a história de vida, inclusive das memórias coletivas.
tenho amigas que moram nos estados unidos e contam que ao aproximar de famílias negras foram rejeitadas pq lá as politicas afirmativas já estão consolidadas e também resultaram numa separação. por outro lado, lá é um pais de obama que não faz um governo para negros, mas um governo para povo...acho eu que tudo isso são fruto da velha multiplicidade das informações que deverá persistir ainda por muitos séculos.
bjkas
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