Só agora vi o caso da Uniban que veio á tona pelo blog Boteco Sujo, de Fausto Salvadori, o qual relata que um bando de estudantes julgaram e ainda cometeram um alvoroço nos corredores da universidade por causa da roupa inapropriada de uma das estudantes. Os vídeos estão no You Tube, bombou na Época e, pra variar, a UNIBAN adotou a postura de querer "controlá-los" (quer apagar os fatos no You Tube, mas repudia a manifestação ofensiva apenas com "medidas disciplinares").
Susto, revolta, raiva...O que está acontecendo? Ahn! Vítima e culpado! Mas afinal, era vestido, microssaia (upgrade: entrevista da estudante)...Bando, linchamento, estupro, assédio moral, o que??? Culpados, culpada, quem? SOCORRO!!!! Tô aqui lendo comentários, posts, vídeos e percebendo o quanto entro na onda de agir da mesma maneira que aquele bando de estudantes agiram. Cada comentário é um novo ruído que tenta justificar seu ponto de vista. E assim também vou encaixando em uma das caixinhas pra saber o que penso. Ops! STOP NOW!
Como MÃE, o que penso sobre isso? Qual é minha responsabilidade diante desse ato coletivo que não pára de crescer...Há um consenso: o erro da manifestação ofensiva e preconceituosa de um bando de estudantes. Entretanto, há muita gente que tenta justificá-lo. Eles erraram porque...como se a "justificativa" amenizasse o erro. É justamente essa postura que me incomoda e sinto que é agora como mãe que posso fazer diferente. Errou, então, mesmo que haja justificativas, precisa aprender. Como?
Medidas disciplinares???? O que são medidas disciplinares? É hora da palmada proibida, do diálogo, de conhecer a diversidade na prática, na história, na literatura. Como se ensina valores? Eu acredito nos exemplos. Quando um pai dá risada e "brinca" da gostosa da esquina com filho é cultural, certo? Até que ponto as gracinhas são responsáveis por essas manifestações? Até que ponto somos responsáveis pelo preconceito do gênero?
Eu tenho a sensação de que esses atos são construídos no cotidiano e quando tornam-se coletivos, é hora de entender como uma comunidade reage a isso. O que são as medidas disciplinares que a Uniban está propondo a fazer com o bando de estudantes e o que prevê o tal regimento interno dela? Será que uma ação coletiva na Justiça muda a tal medida disciplinar? Afinal, o que adianta continuar julgando, é hora de entendermos como tais fatos são construídos e qual nossa responsabilidade sobre eles?
NÃO ADIANTA dizer que você acha que vestuário é uma forma de se comunicar e deve-se vestir de acordo com cada ocasião. Todo mundo sabe disso!!! Aliás, esse é outro grande consenso que dependendo do local torna-se até regra. O erro de se vestir da estudante provocou a manifestação, mas não justifica. Pelo contrário. A indignação é justamente essa: como pode um "erro" provocar esse alvoroço coletivo??? Preconceito, machismo, enfim, quem somos nós!?
Upgrade: Mães, blogueiras, topam fazer algo? Que tal escrevermos das atitudes e medidas disciplinares que seriam aplicadas se nosso filho fosse o estudante que gritou puta. Please, quem escrever, favor deixar post aqui nos comentários
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










17 comentários:
Oi, querida, como está?
Fiquei chocada com o acontecido. Em especial com a hipocrisia desses marmanjos que babam em fotos de mulheres nuas em revistas ou em mulheres frutas vestidas em trajes sumários, e cometem um ato absurdo desses com uma colega de faculdade. Não importa se o vestido era curto demais, nada justifica tamanha insanidade. É triste perceber que, infelizmente, ainda vivemos em mundo extremamente machista.
B-jo grande.
Oi Lily, legal te ver por aqui. Depois de tentar sair da bolha dos ruídos, confesso que não me choca tanto ver esses absurdos,sabia. acho que eles estão impregnados no nosso cotidiano, mas a gente tenta ignora-los e não fazemos nada quando é preciso ser feito. aliás, nem sabemos quando precisamos agir, né. pelo menos, eu me sinto assim diante desse fato: culpada!
O fato é chocante em si, mas o que mais surpreende é o quanto estamos regredindo em termos de comportamento, em relação aos anos 60 e 70. O diálogo que o Fausto reproduz no final do seu post, mencionado pela Ceila, é exatamente igual a uma conversa que presenciei no antigo bar Pirandelo, na Augusta, há quase trinta anos, entre um delegado de polícia e um amigo sobre o estupro. Dizia o delegado: "se elas provocam, claro que se justifica." E eu, que vivia nos meios libertários e da contracultura, escutava horrorizada e pensava: "um dia, os delegados de polícia vão pensar como nós e aprenderão a ser menos repressivos." Mas, não,agora, jovens, não somente pensam como aquele delegado, mas agem. E eu também me pergunto: onde foi que nós, a geração do lema "É proibido proibir", erramos?
Eu já vi várias dessas moças semi-nuas na Uniban mesmo, e ninguém nunca fez nada com elas, acho que essa garota fez algo para provocarem.
Mesmo assim achei ridiculo, tanto da parte dela como deles, tanto ela que não se deu respeito e eles que xingaram ela, falaram barbaridades, todos estão errados nessa história, inclusive a faculdade que deixa uma pessoa vestida dessa forma entrar na faculdade.
eu me sentiria péssima se tivesse um filho, gritando puta no meio daquela multidão. seria uma prova de que fracassei no meu papel de mãe ao educar um homem que não tem opinião própria, deixando-se levar pela multidão de idiotas e tornando-se um, e por não respeitar em primeiro lugar uma mulher, independente de qualquer coisa - vestimenta, profissão, nível social, cor...etc. vale repreender um filho adulto? sim, acho que vale, afinal nunca é tarde para corrigir o que está errado. Mas o mais importante é plantar a semente desde cedo, contribuir positivamente na formação do caráter deles para que tenham discernimento, consciência de suas ações e, principalmente, respeito ao próximo; não sei como ensinar, mas sei que aprendemos por exemplos... principalmente as crianças. se somos pais preconceituosos e agressivos... é isso que eles vão aprender: preconceito e agressão... complicado....
Barbara, acho que os erros vão existir sempre de geração pra geração até porque as mudanças não ocorrem em todos guetos. O que acho que poderia fazer a diferença agora é discutirmos o que vai ser feito diante da indignação? qual é medida disciplinar ideal para esse tipo de manifestação ofensiva? o que me incomoda mais é o fato da gente não seguir a construção quando detectamos erro.
OK. É preconceito , é machismo, mas como reverter isso agora? o que esses meninos vão ter que fazer segundo regimento interno da UNIBAN?
Elide, mas constatar o erro não lhe faz pensar como ele deverá ser punido??? a questão da roupa é fácil de ser resolvida. Mas o dificil é pensar em punições para uma manifestação coletiva. como solucionar um ato deste???
Ceila,
O prazer em conhecer é todo meu. Obrigada pelo convite. Lá está minha postagem.
Beijo
Engraçado que em uma pais que no carnaval mulher anda nua, aonda existe pessoas que fazem issu.São um bando de falsos moralistas
olá.
esse fato da Uniban só reforça a falta de educação e respeito que me assuta na sociedade atual.
amigas... continuo sem continuar acessar o desabafo... minhas amigas ficam perguntando qdo o site volta pro ar.
bjinhos
O que acontece é que o ser humano, hoje e sempre, é tão inclinado a conflitar, que briga até consigo mesmo no espelho, então nada há de estranho, xingarem a moça sem pensar que ela poderia ser sua propria mãe, irmã, ou até . . . esposa . . ., ou filha um dia, como será que enfrentariam esta situação?É urgente que todos deixemos preconceitos e críticas de lado e nesse tempo,corrijamos nossas próprias idéias e posturas antes de opinar, pelo sim ou pelo não dos outros . . .
Ceila, você tem toda a rezão quando diz que esse tipo de atitude sãos construídos no nosso cotidiano. Uma sociedade que usa e avalia a mulher como objeto (e o homem também), certamente sempre exibirá episódios preconceituosos como esses.
A solução? É coletiva. Não adiantará em nada, ou quase nada, a faculdade determinar uma suspensão, ou uma nova regra. Depois que passar, tudo voltará ao normal, ou será pior ainda. Até porque, pode ser que nas casas dos estudantes o exemplo e o hábito preconceituosos sejam estimulados sempre. O que resolve é educar. A escola deve chamar os pais e os próprios estudantes, ser próxima deles, e conversar junto com eles sobre educação e valores morais. Acho que é um caminho.
oi querida ceila e todas estas mulheres maravilhosas por aqui!
muito bacanas os comentáriso... educação é tudo mesmo, no dia a dia então, nem se fala!!
o meu comentário tá lá no meu blog _webdemais.com.br_
um grande beijo no coração
Repúdio total ao episódio da uniban. É preciso que a universidade tome medidas disciplinares já, para que esses atos unibandidos não sejam referendados pela instituição e/ou pela sociedade. Meu post de protesto está em http://shamatar.blogspot.com/
Abrçs
Ceila, querida, convocação sua sempre recebo com carinho :-)
Tá aqui meu postinho: http://rematteoni.wordpress.com/2009/11/04/os-caso-uniban/
Beijoca!
Re
Oi Ceila,
que necessária esta discussão! Publiquei hoje um texto. O foco não é bem nos pais, mas na forma com que a universidade está lidando com o assunto. Lamentável, em todos os aspectos, pricipalmente, quando vinda de educadores.
Fica a reflexão: o que podemos aprender com isso?
Bjs! E obrigada pelo convite.
Também fiquei chocada com esse retrocesso e penso q a nossa condição feminina ainda está longe de ser ideal nessa sociedade. Infelizmente ainda não podemos dispor de nosso corpo e de nossas vontades no momento em q queremos. Não que eu ache q a aluna está totalmente certa, não é isso.
Faltou bom senso (vi o vídeo no Youtube) por parte da mesma. Mas,
sinceramente, o grupo de alunos parecia mais um bando de fanáticos
talibãs. Isso justo numa sociedade que é vista como sexualmente
liberada e onde os pais acham bonito crianças dançando o créu e na boquinha da garrafa na mais tenra idade.
Meus pêsames para o Brasil e para a educação na condução desse episódio!
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