Gentemmmmmm, Lobato me fez sair das férias. Preciso conversar com uma mãe urgente. Alguém por aqui, pleaseee! Reeeeeeeê, Ana, podem me salvar dessa? Evellyn ainda está na blogosfera? Grazi, socorro!
Oi, prazer, é contigo mesmo, topa conversar comigo now? Seguinte: estou lendo Memórias de Emília para Malu. Estou amando conhecer essa boneca. Sim, eu só conhecia aquela da TV dos anos 80, lembra? A questão que a Emília me coloca é: você acha que o mundo é dos espertos? Você diria aos seus filhos que o mundo é dos espertos?
Ok. Você não entende a razão de tanto alvoroço. Eu explico: minha experiência de vida me ensinou que o mundo é dos espertos de forma bastante árdua e dolorida. Como assim? Bem, eu tive uma educação extremamente religiosa e mineira. Até ouvi algumas histórias do Pedro Malasartes do meu avô, mas a minha noção infantil de mundo era ser boazinha sempre igual a Branca de Neve, Chapeuzinho, enfim, sabe aquele lance de "inho" ( boazinha, bonitinha e até bobinha se possível). Eu nunca fui esperta como a Emília e, por ter sido criada para ser boazinha, eu sofri muito. Primeiro porque não conhecia a regra (achava que sendo boazinha teria também chance no mundos dos homens). Segundo porque, por não conhecer a regra, não sabia viver no mundos dos homens com as vantagens de ser boazinha. Enfim, o que vocês acham deste conceito da Emília para as crianças?
Ah! Você nunca leu livro? Então, veja pedaços da conversa que a Emília acaba de ter com Visconde:
..."Fazer coisas com a mão dos outros, ganhar dinheiro com trabalho dos outros, pegar nome e fama com a cabeça dos outros: isso é que é saber fazer as coisas. Ganhar dinheiro com trabalho da gente, ganhar nome e fama com a cabeça da gente é não saber fazer as coisas. Olhe, Visconde, eu estou no mundo dos homens há pouco tempo, mas já aprendi a viver. Aprendi o grande segredo da vida dos homens na terra: a esperteza! Ser esperto é tudo. O mundos é dos espertos. Se eu tivesse um filhinho, dava-lhe um só conselho: Seja esperto meu filho!"
Então, o Visconde, pergunta: E como lhe explicar o que é ser esperto?
....Citando meu exemplo e o seu. Quem é que fez Aritmética? Você. Quem ganhou nome e fama? Eu. Quem é que está escrevendo as Memórias? Você. Quem vai ganhar nome e fama? Eu...
Eu não sei se tal dialogo me marcou tanto pela minha experiência de vida, mas o fato é de que a Malu não terá este legado de boazinha depois que a Emília o desconstruiu completamente e eu me descobri, aprendendo um novo conceito de vida. A questão é: como tratar isso com nossos filhos sem criar estigmas de chefes arrogantes e gananciosos como os que existem atualmente?
Não te disse?
1 hora atrás










10 comentários:
olha eu colocaria essa questão de uma forma delicada.
O pensamento de "Você levar vantagem em tudo" é uma coisa que é mostrarda para a criança desde cedo. Como nesse livro.
Mas deve-se mostrar que você tem que fazer o seu melhor sempre de uma maneira que não cause malefícios diretos para alguém. Não levar vantagem sobre as pessoas.
Você deve mostrar para a criança que ela não deve ser passada para trás. Senso de justiça é uma coisa e levar vantagem é outra diferente.
Pessoas com essa noção de se dar bem sobre os outros, não são vista bem pelos outros. Como você disse, virão pessoas arrogantes e que normalmente sempre desconfiamos de suas intenções.
Acho que se você mostrar essas diferenças sua filha vai compreender bem.
Até.
Como você mesma disse, "minha experiência de vida me ensinou".
Há coisas que ele terá que descobrir por si só, pois na prática a teoria é outra.
Aliás, lembrei-me de uma frase: "o maior defeito dos espertos é achar que o mundo é trouxa!"
Beijo!
É bem complexo tudo isso... Eu sempre falo para o Tomás que ele precisa se esperto, ou seja, rápido nas coisas que faz, pensar antes que outros, se antecipar... Mas nunca relaciono essa "esperteza" à malandragem, tirar proveito do outro. Acho que iss não cabe no mundo infantil. Ele tem três anos e ainda é cedo demais mostrar esse outro lado. Mas, cá entre nós, tô ficando interessada novamente no Monteiro Lobato, que foi mais ou menos descartado da lista por ser um pouco racista (sei, coisa da épóca), mas, como mãe, havia decidido que não gostaria que meu filho fosse exposto a isso agora. Branco, preto, amarelo, vermelho é tudo cor que forma uma linda aquarela!
Um tema que tem muito que se lhe diga...
"o fim justifica os meios" - NUNCA
bjs
Livia, gostei muito das suas colocações porque é muito tenuê essa divisão da esperteza, dentro da nossa cultura, do levar vantagem e do ter cuidado, do não ser ingenuo demais, né!?
É engraçado pq perguntei para Malu o que ela achava da Emília quando ela falava isso para Visconde e ela achava Emília errada porque era o Visconde quem fazia tudo. E aí ela acrescentou, mas é esquistio pq a gente gosta mesmo mais da Emília, né, mãe!
Aí respondi: pois é, filha, mas a gente gosta mais da Emília porquê?
a resposta foi direta: ela é mais engraçada, divertida e inteligente.......então eles realmente vão formando seus próprios conceitos a partir daquilo que vê, que sente e percebe dentro de casa como a Gigi relembrou bem no seu comentário.
Agora, Susuca, vc coloca uma coisa interessante: o que cabe ou não cabe no mundo infantil...será mesmo que temos esse controle dos limites? eu questiono isso pq sinto que vivemos num mundo com tanto estímulos diferentes e externos que tornou-se ainda mais complicado do que vai ser inserido dentro de casa para dar o contraponto dessa sociabilização, formação e construção de vida. Em relação ao preconceito, eu não leio a parte da "beiçuda" ou outras características que a Emília caracteriza a Tia Nastácia, acho que isso a Malu vai ler quando chegar a hora dela.
Ceila, querida, se isso é um retorno, diria que vc está voltando com tudo! rs
Se é só uma pausa no seu "recesso", pena, mas é muito bom ler suas reflexões de novo.
Sou um pouco romântica e otimista nessa área de criação de filho, mas confesso que não quero criar uma "boazinha". Penso que é preciso preparar nossas crianças pro mundo, e ensinar a ser "boazinha", assim como proteger demais, é uma sacanagem - com o perdão da palavra feia!
Acredito em princípios, acredito no respeito ao outro. Acredito em dar afeto acima de tudo, em proteger na medida certa e procurar educar para a liberdade - em todos os sentido, mas especialmente no que se refere a sentir e pensar.
Nado contra a maré em muitas coisas. Em se tratando de educação formal, escolhi uma escola alternativa, minha filha não está aprendendo letras, números nem inglês. Aos 3 anos, quase 4, ela só faz atividades de artes na escola quando tem vontade, e confio na escola e na ideia de que elas devem ser introduzidas na hora certa, no momento adequado, que varia pra cada criança. Não estou preocupada com os filhos de amigos que aos 3 já lêem o próprio nome e de coleguinhas e até mesmo escrevem. Ou que contam e sabem várias palavras em inglês. O diferencial para o futuro, na minha opinião, é bem outro. A Ana Claudia escreveu um post outro dia sobre uma experiência com o filho dela que exemplifica bem isso que estou falando. Tá aqui: http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2374
Mais uma vez, bom te ler de novo! Que saudade!
Beijo
Re
Rê, querida, que bom que aceitou meu convite de conversa. Eu sabia que você ia me salvar (risos) É muito bom ouvir isso de você porque sou fã mesmo de ti. Fico com tanta inveja quando ouço sobre a escola da Pipoca porque a Malu anda tão cansada e pela falta de sinergia entre eu e as outras mamães da escolinha dela, anda também sem amiga em casa. Eu até pensei em algumas escolas alternativas, mas tudo é tão longe e o transito me dá tanto medo... e além de tudo isso, as metodologias, as propostas ainda estão muito nebulosas para mim. acho que talvez seja a hora de voltar a falar disso no Desabafo.
bjkas e morrendo de saudades!
Parabéns por este espaço!
Ceila,
demorei mas vim responder! Estou um pouco sumida da blogosfera, ou babando ou cuidando da Bia, rs...
Bem, sobre a sua pergunta eu não ensino ao Guilherme que o mundo é dos espertos, mesmo que o noticiário me desminta. Passo para ele que devemos lutar pelos nossos sonhos e que mesmo não sendo uma tarefa muito fácil, não devemos desistir. Como ele está na fase de cursinho preparatório para o sexto ano, tenho que mostrar o quanto a concorrência é acirrada... Ele precisa estar preparado, consciente de que o sucesso depende da sua dedicação e não de malandragem.
Beijos
Demorei mas vim!!!
Que dilema, hein?
Eu sinceramente acho que temos que encontrar o meio-termo. Se você olhar pelo lado de que temos que ser espertos, no sentido de sermos atentos, ligados nas oportunidades, eu diria que sim, eu ensinarei o que puder para que meus filhos recebam orientação menos castradoras do que as que recebemos (eu tb fui orientada como você :) ). Mas se esperteza é passar os outros para trás, aí a história muda de figura porque não desejo que meus filhos sejam agentes continuadores desse mundo cão que vivemos hoje. Por isso, nem ser bonzinho, nem ser aproveitador. Mas ser esperto no sentido de ser SMART.
Mas acredito que se os estimularmos a serem crianças de fato, tentarmos não tolir sua criatividade e alegria, que são características da infância que perdemos muito à medida que nos tornamos adultos, daremos a eles as maiores ferramentas possíveis para que resolvam os dilemas a vida adulta. Afinal, com criatividade, persistência, vontade de aprender, curiosidade, podemos conseguir muita coisa, não é? Se levarmos isso com a gente desde criança, vai ajudar muito a sermos mais espertos positivamente.
Beijos!
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