"Prazer, moçada, eu blogo desde 2005 por aqui. Mas há seis
meses estou de férias. Quem mantém nossa porta aberta para conversas aqui é a
Su, minha amiga, irmã de alma e idealizadora do site Desabafo de Mãe, que amanhã está de volta."
"Como mãe vivo o melhor momento da minha vida com a Malu, que completa cinco anos , no dia 19 de agosto. Ela é minha melhor amiga, a principal mestra da minha vida e a quem devo transmitir algo para sua própria formação".
Feito isso! Eu lhes proponho uma conversa sobre a questão dos limites: Você deixa seu filho ver novela?
Pergunto isso porque o que mais considero desafiante é o limite da TV. Eu tenho amigos que nem tem TV na sala para que seja um ambiente social de conversa e comunhão, assim como eu nasci numa família que não desliga a novela nem mesmo com a chegada de uma visita. Ficam todos como múmias paralisados na novela, deixando a visita de lado ( é horrível!!!). A comunhão, na casa da minha mãe, acontece na cozinha ou esparramados pela cama. É uma delícia, ficamos horas deitados ou comendo falando sobre nós e os outros, mas é duro desvincular do legado da TV por mais que eu considero absurdo essa relação da novela. Eu adoraria poder dizer NÃO a essa pergunta, mas não consigo mentir: sou muito nua aqui no blog. Eu acompanho as novelas e minha filha me acompanha.
Minha segunda pulguinha veio do post da Ana e da lembrança dos amigos que não têm TV. Quando a gente rema contra a maré, ou tenta sair da bolha ou da onda, você geralmente opta pelo não-consenso. Logo, não terá a mesma língua para conviver com os demais. Porém, terá mais chance de respeitar a si mesmo. Eu não tenho dúvida de que a novela é inapropriada para minha filha, demanda o tempo que tenho disponível com meu marido e minha filha e rouba um pouco da minha oportunidade de comunhão e convívio dentro de casa. Mas 90% ou 70% ou 50%dos lares estão lá plugadinhos na telinha, o que contribui para gente ter algo a mais em comum. E o pior é que legado vicia.
Tratar desse vício requer muita disciplina. A gente não acompanha novela como na casa da minha mãe. Pelo contrário. Mas ainda assim a tela pode estar ligada e quando o controle ganha cena, a Malu já sabe até o nome da Maya. Isso não é o problema, o dolorido mesmo é ver que a minha filha, com cinco anos, já fala dos beijões que a Maya dá no Raji ou Márcio Garcia. As problemáticas das novelas são incompreensiveis até pra mim, imagine pra ela. Eu me sinto muito culpada e chego a julgar que minha filha está ficando a criança mais adulta do planeta. Cobro de mim a responsabilidade de estar permitindo inserir muita sexualidade dentro de casa porque a tela da TV tá aberta pra minha filha. Eu realmente tenho essa responsabilidade, mas o peso do consenso, da hegemonia e da convivência é muito mais culpado que eu, não? E como a gente deve passar um pedacinho dessa culpa pra eles?










6 comentários:
Celia, eu vivo uma situação bem diferente da sua.
Moramos nos Estados Unidos a 3 e meio, sem nenhuma família por perto e amigos morando distante, não temos ninguém que possa nos apoiar, a não ser uns aos outros.
Quando chegamos aqui meu filho tinha acabado de completar 2 anos e tanto eu quanto ele não falávamos inglês, então assim que foi possível ele passou a frequentar uma creche para que pudesse se adaptar a costumes e lingua americanos, o que aconteceu rapidamente. Ele não ia todos os dias, somente 3 vezes por semana e o resto ficávamos juntos.
Não era possível sendo dona de casa dar 100% de atenção a ele, então além de brinquedos, e acessórios que o estimulasse a desenhar, e escrever (em português também, tendo em vista que sou eu que o estou alfabetizando nesta lingua), ele só tinha a televisão e o computador como diversão.
Temos canais brasileiros e americanos, mas como era previsível ele prefere os de lingua inglesa, já que hoje esta é sua primeira lingua.
Agora com 5 anos e meio ele já está se preparando para iniciar o ensino fundamental na rede pública daqui, que acontecerá em setembro. Ele ainda assiste muita tv e brinca muito no computaador, porque eu continuo sendo a pessoa que realiza todas as tarefas de casa e como todo mundo sabe a cozinha é o local que mais nos prende.
Mas eu tenho duas regras para estes dois passatempos:
1- Na tv ele só assiste programs infantis, que aqui tem um universo gigantesco, eu uso senhas para que ele não veja outras coisas, já que para mim criança tem que ver programa de criança.
2- Para o computador a regra é a mesma, ele só tem acesso a coisas infantis, já que existem vários programas que te ajudam a fazer isso, inclusive browser só para crianças e que te dão um relatório de tudo que ele tenha usado.
Nas poucas situações em que ele assistiu a um programa adulto, tipo um jornal nacional, ele ficou bem abalado (foi da triste história da menina que caiu da janela enquanto a mãe decia para buscar o outro filho na festa do prédio). Ele ficou dias perguntando pq ela nao usou as escadas em vez de pular a janela.
É assim que fazemos aqui em casa, mas ressalto que vivemos uma vida diferente.
bjks
Cristiane
Bem, como não sou mãe posso responder baseando-me na minha experiência como filha.
Lembro-me de minha mãe deixar-me assistir novelas quando eu era criança. Assistia junto com ela e às vezes, sozinha. Normalmente eram novelas mexicanas.
Aos 7 anos, assistia a "Carrossel", a qual mantinha grande influência em minha vida de criança. Não sei quanto às crianças de hoje, mas eu misturava muito novela e realidade, o que afetava consideravelmente minha formação em desenvolver opinião própria frente aos fatos reais.
Prefiro que as crianças assistam a programas educativos. Não sou a favor de novelas nem para adultos, pois acho que provocam muita alienação e comumente as pessoas querem que sua vida seja igual à da moça da novela, o que não é bom. Falo por mim, pois não tenho paciência para assistir novelas.
Hoje em dia, as crianças devem, sim, experimentar atividades diversas sob a supervisão dos pais, que devem dialogar com elas no intuito de contribuir para seu desenvolvimento a opinar e realizar escolhas. Sei que isso se faz difícil em um mundo no qual diversas informações chegam muito rapidamente e muitas vezes torna-se complicado selecioná-las devidamente. Entretanto, não se deve esquecer que estamos numa era em que a tecnologia está por demais avançada e está cada vez mais difícil resgatar as brincadeiras de rua (principalmente com o crescimento e ameaças da violência urbana).
Assim, não a imposição, mas o estabelecimento de limites se faz de grande importância na vida das crianças a fim de que não se tornem adultos alienados ou invasivos à vida de outros, o que pode tornar-se um problema de convivência.
Antigamente, os pais podiam deixar os filhos mais à vontade. Porém, com este bombardeio de informações e grandes exigências ao mesmo tempo, os pais necessitam dispender mais tempo a orientar e educar da melhor forma possível seus filhos.
Ser mãe tornou-se uma escolha bastante delicada...
Um post que me fez refletir.
Beijos!
Sempre me preocupei com a questão da tv e a criança. Quando Tomás nasceu, nos mudamos para o México, e chegando lá decidimos não ter TV na sala e foi a melhor coisa que fiz na vida. Meu marido não gosta tanto de tv, já eu sou apaixonada... ahahahah Então, ele adorou a idéia de não ter tv na sala. Resultado: a gente nunca ligava a tv e o Tomás, até os dois anos, não assistiu tv. Depois nos mudamos para os EUA, onde decidimos colocar uma tv na sala, mas pelo costume fica sempre desligada. Hoje, o Tomás assiste e gosta de tv, mas só os programas infantis que eu acho ideal para o a idade dele, por exemplo, Bob Esponja está totalmente descartado... Ele podia assistir 30 minutos de tv por dia, mas como ganhou DVDs etc , às vezes, ele assiste 1 hora, 1,5 hora de tv por dia. Há pouco tempo, até escrevi um post sobre, estava atolada de coisas pra fazer e ele assistia quase todos os dias um DVD, me senti supermegaculpado, então, me organizei novamente e ele voltou ao ritmo de 30, 40 minutos de tv por dia. Computador ainda não, ele tem aqueles notebooks de brinquedo que ensinam as letras e os números. Nem quero que ele saiba já o que é internet e videogame, eu não gosto. Lógico que ele vai saber, mas enquanto eu puder evitar... Minha irmã me acha rigorosa, eu não vejo assim, acho que criança tem que ver coisa de criança, mas tbm não sou neurotica a ponto de pedir para uma mae desligar a tv na casa dela porque está passando novela ou bob esponja... As regras são para a nossa casa, quando visitamos os outros, repeitamos as escolhas feitas e nos divertimos!
Eu concordo muito com os comentários acima.Principalmente com o da Sueli que é bem restritiva com relação ao uso da TV e Internet.
As crianças não tem ainda tão bem definido o conceito do que é ficção e do que é realidade.
Mesmos nós acabamos muito influenciados pela TV. Se isso não fosse verdade,aquelas gírias de novelas não pegariam nas multidões tão facilmente. =S
Então se nós que temos olhares críticos para essas coisas somos tomados por essas idéias em massa, imagine uma criança.
Sobre seu post anterior, eu achei um artigo interessante: http://www.logosofia.org.br/artigos/default.aspx chamado "Como ser bom sem cair na ingenuidade"
Acho que tem haver com ele.
Até!
Que tema importante. Continuo absurdamente contra liberar TV, mas já deixo os meninos verem algumas coisas de novela das sete (ou das seis, se dá tempo) porque eles precisam saber um pouco do mundo. Mas deixar que fiquem noveleiros e absorvam sem filtros os valores (ou a falta de) que está nas novelas do horario das nove, não dá! E mesmo canais infantis ou educativos, eles podem ver por uma hora seguida, depois devem desligar a TV e ir no parquinho, brincar, ler ou até não fazer nada, mas sem babá eletrônica!
Não dá tempo de comentar no blog, mas eu sempre te leio no Reader viu? ;)
Gostaria de convidar vcs para participar de um "bate-papo" blogosférico sobre Educação para Sustentabilidade. Espero contar com vc e com sua visão sobre o tema. Educação e sustentabilidade são temas caros para o Desabafo de mãe e eu espero ver sua visão.
Abraços
Sam
P.S. O assunto está aqui http://www.samshiraishi.com/premiacao-real-sustentabilidade/
Oi Sam, quanto tempo, hem! Valeu a visita e a leitura. Bate-papo blogosférico??? gostei do tema, vou dar uma olhada, qualquer coisa nos encontramos então neste bate-papo. Valeu!
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