Num arremedo do noticiário “espreme sai sangue” vê-se cada vez mais manchetes sobre acidentes e imprudências envolvendo crianças e jovens, sejam eles vítimas ou causadores (claro que nesse último há a conivência ou descuido dos adultos, ou ainda, no caso de jovens infratores, a certeza da impunidade, falta de limites e descaso com a vida alheia). Isso preocupa, pois mostra o despreparo da população para lidar com um assunto comum, mas que exige cautela e segurança no trato.
Hoje, ao acessar a internet, li a notícia do menino que soltou o freio de mão de um carro e atropelou uma menina de quatro anos. Recentemente houve o caso da adolescente que pegou o carro da madrasta e atropelou uma senhora. Se eu não me engano, na mesma semana um menino estava tentando dirigir o carro com o consentimento da tia. Ou ainda o caso do jovem que causou um acidente feio na Av. Santo Amaro em São Paulo ou do rapaz que atropelou o frentista.
Parecem casos isolados, mas não são. A imprudência no trânsito, principalmente no caótico e estressante trânsito de SP, é responsável por inúmeros acidentes e óbitos. E algumas pessoas parecem não se preocupar com as conseqüências de atos que parecem bobos. Transportar criança no banco da frente, mesmo com cinto de segurança ou até mesmo sem o artefato; dirigir com criança no colo, deixar a criança virar o volante enquanto o adulto controla os pedais, transporte de criança na moto, sem capacete ou no meio de dois adultos (reconheço a diferença de preço de um veículo para outro, mas não justifica levar a família toda na moto); por outro lado, crianças brincando nas ruas, sem orientação ou cuidado com o trânsito, pessoas andando quase no meio da rua ou paradas na esquina e se indignando quando alguém quer passar com o carro. Eu mesmo já presenciei casos assim. Tenho duas filhas e elas já pediram para ir no banco da frente, mas sempre explico que o “homem” vai brigar comigo, imito a voz de um policial bravo etc. A Bianca só adquiriu o direito depois dos 10 anos e mesmo assim com os cuidados para não dormir (por ser pequena e o cinto poder roçar no pescoço), não ficar mexendo nas coisas, não colocar o braço ou cabeça pra fora, entre outras coisas. A Sofia pede, mas já sabe que é só quando o carro está parado, em casa. Caso contrário chora, mas não vai. E quando está no banco da frente, mexe em algumas coisas, mas com a minha supervisão e não deixo fuçar em qualquer lugar.
Como sempre, não quero generalizar, pois há bons motoristas e pedestres, senão os números poderiam ser piores, mas há que se ter mais cuidado com o assunto. A meu ver, é necessário instruir as pessoas (tema abordado também pela Samantha em Janeiro). Educar motoristas e pedestres, colocar o “trânsito na sala de aula”, como já acontece em algumas escolas, principalmente as particulares. Um veículo mal utilizado torna-se uma arma, e muitas vezes, mortal. Um ato aparentemente inocente pode trazer sérias conseqüências (como o caso da garotinha que teve a perna amputada). Portanto, a educação ajuda a formar melhores cidadãos, seja atrás do volante, nas ruas ou em casa. Leis mais severas nada adiantam se as pessoas não estiverem cientes de seu papel na sociedade e não reconhecerem a lei, a necessidade, o direito e o dever do uso da civilidade, e a punição aos infratores não servir como fato inibidor também.
Abraços.
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










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