Desenhos nas paredes, ambiente quase angelical, um sonho, não fosse pelo cheirinho estranho que vez ou outra sai da lixeira ou das criaturinhas meigas. Mas o que as pessoas fingem não ver, ou simplesmente desconhecem, é que ali, naquele pequeno espaço, está um verdadeiro reduto feminino. Um território até pouco tempo proibido para os seres do sexo masculino. Pai ficava pra fora e as mães reinavam absolutas, trocando experiências e elogios aos bebês.
Pois bem, andando pelo shopping, pude observar que o cenário está em constante mudança, pois os pais estão cada vez mais presentes e carregam seus filhos com orgulho, seja pelas ruas, seja em direção ao fraldário.
Mas lá dentro a coisa muda de figura. Um pai pode acompanhar a mãe da criança, ajudar na troca da fralda e tudo o mais. Na verdade, não há restrição alguma sobre a presença do pai em qualquer ambiente desses. Desde que ele não se atreva a ir sozinho, quer dizer, sem a mãe do lado como aval.
Quando o pai se dirige ao Fraldário com a criança, a estranheza começa pela atendente, que dá um sorrisinho amarelo, mas é super simpática. A troca de fralda ou roupa é feita normalmente, não sem a discreta supervisão de algumas mães também presentes. Mas o ponto crítico é entrar na salinha para dar papinha pro nenê. Alerta máximo: ET chegando!
Exagero? Que nada! Outro dia fui dar a comida da minha nenê. Estava tranqüilo, brincando com a Sofia para que ela comesse sem dar vexame. Uma ou outra mãe achava “bonitinho”. De repente, entrou uma mulher com um bebezinho, sentou-se e se preparou para amamentar. Foi aí que o “instinto aranha” dela entrou em ação. Percebi que ela olhou espantada. A dança começou. Ela se torcia toda para um lado, virava o nenê para o outro. Fazia de tudo para escapar do meu “terrível e malicioso” olhar. Só faltou virar a poltrona e jogar um lençol. A pobre criança nem mamou direito. A mulher arrumou as coisas correndo e se mandou.
Eu até entendo que existam tarados soltos por aí e acho mesmo que eles precisam de tratamento ou reclusão, mas daí a achar que qualquer homem num recinto desses está ali só para ficar olhando os seios, é muita paranóia. Se o caso fosse esse, o que não foi, pois eu só percebi a inquietação dela porque estava muito evidente, não era o caso de cobrir com uma fralda, um xale ou, em último caso, avisar a segurança. Deu uma vontade tremenda de falar para ela que eu não estava ali para olhar peito de ninguém, que eu era muito bem casado e que eu só queria dar comida para a minha filha.
As estruturas da sociedade e da família mudam rapidamente, e o comportamento tem de acompanhar a mudança. Não é só o homem que precisa se adaptar à participação da mulher no mercado de trabalho, mas a mulher também tem de aprender a partilhar a criação das crianças com os homens, para o bem-estar da família, e também para não fazer uma cena dessas.
Abraços. Até a próxima semana.
As mulheres não são mercadorias, as mães também não
1 hora atrás










3 comentários:
Puxa, Manoel, que chato!
Não lembro de pais (fora meu marido) nos fraldários quando eu amamentava, mas na verdade nunca fui muito encanada com o assunto. No entanto, confesso que ainda estranho um pai sozinho nestas situações, estranho mas olho com simpatia, pensando justamente na mudança da sociedade. Outro dia estávamos no Anália Franco, que tem um banheiro familiar (muita gente não pensa, mas mãe de menino não larga o menino no banheiro masculino sozinho e se vê alvo de olhares mortais quando os leva ao banheiro feminino) e um pai estava lá com dois meninos da idade dos meus. Foi estranho e ao mesmo tempo esclarecedor dos novos tempos.
Legal seu ponto de vista, vou pensar sobre ele de agora em diante quando encontrar pais como aquele. ;)
Boa Manoel! Na hora de reclamar que pai não ajuda, a mulherada não tem medo de falar. E olha torto quando está no fraldário? (ou no banheiro familiar, dá na mesma).
Lindo depoimento. Lindo exemplo. Espero que logo, logo, todos os pais deste imenso Brasil (machista, reconheçamos) sigam teu exemplo.
Parabéns!
Oi Manuel
Que bom ter exemplos assim! Meu marido também divide comigo todas as "tarefas" nos cuidados com nossos filhos e nao é porque nao temos avós ou babás aqui na Alemanha nao, no Brasil ele já fazia o mesmo! Mas lembro que uma das dificuldades é que em muitos locais só havia fraldário no banheiro feminino, entao TINHA que ser comigo mesmo. Aqui na Alemanha nao enfrentamos esse problema, primeiro porque a maioria dos pais ajuda de igual pra igual e depois porque nao há esse tabu em relacao à amamentacao, as mulheres amamentam em locais públicos sem problema algum, outro dia minha amiga amamentou no ônibus urbano mesmo e ninguém acha estranho. Mas aos poucos essa postura está mudando no Brasil também. Parabéns por ser "engajado" nessa mudanca, nós mamaes sobrecarregadas agradecemos e vocês ganham com a oportunidade de viver plenamente a paternidade.
Um abraco,
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